6. Målet om å redusere frafall
6.6 Arbeidstilknytning blant mottakere av arbeidsavklaringspenger og uføretrygd
Primeiro paramento a ser colocado, o amito, ou amicto, é pensado para proteger os ombros. Feitos em linho, o fato de serem usados em contato direto com o corpo dos sacerdotes fazia com que se sujassem ou danificassem com facilidade. Neste sentido, impunha-se a sua troca regular e a existência de muitos exemplares, o que levou à existência de móveis nas sacristias que respondessem a essa necessidade. Armários de/dos amitos, armário-contador, armário de sacristia, guarda-roupa ou mesmo amituário, se caracterizariam pela existência de diversas gavetas de pequenas proporções com aberturas maiores para a guarda de alfaias de maiores dimensões.
O exemplar em estudo satisfaz essas exigências. Embutido na parede leste, no eixo central, com 3,135 x 2,32 m, o amituário foi feito em madeira de jacarandá sobre um embasamento de pedra calcária (Fig. 46). É composto por oitenta almofadas com puxadores e um ático barroco sustentado por duas colunas quarteladas nas extremidades do corpo.
129 Figura 46 – Armário-contador da sacristia do convento de São Francisco de Olinda. Fotografia do autor.
Segundo Cátia Teles Marques, esses armários embutidos já eram utilizados no século XVI em diversas sacristias, como a do convento de Santa Cruz de Coimbra e na do Convento de Cristo de Tomar. Sua evolução parte de estruturas em pedra escavadas na parede, com portas de madeira, para outras que se aproximam de arcas verticalizadas completamente em madeira para garantir a preservação dos objetos guardados ali da humidade, mofo e do sol297. Segundo a autora, a terminologia “amituário” aparece pela
297 MARQUES, C. T. e (2007). Nos bastidores da liturgia tridentina: o mobiliário monumental e as
sacristias em Portugal do século XVI ao XVIII. Lisboa: Dissertação de Mestrado em História da Arte pela
130 primeira vez em 1734, quando o tabelião José da Costa toma nota da sacristia do convento de Santa Marinha da Costa de Guimarães298.
Apesar de ser um amituário, o armário de Olinda não assume essa única função. Na realidade, as oitenta almofadas (Fig. 47) não correspondem sempre a uma abertura individual, mas sim a portas de maiores dimensões que reúnem várias almofadas (Fig.48). Suas funções seriam muito precisas e obrigam-nos a considerar adequado chama-lo de amituário-contador. Adaptação exclusiva portuguesa299, esses armários não guardavam apenas os amitos, mas também os livros da igreja, cálices, turíbulos, ostensórios e demais objetos litúrgicos. A ausência de dados nos impede de assegurar a distribuição dos objetos no armário. A semelhança estrutural com o armário da igreja de Bom Jesus de Goa nos leva a considerar compartimentos no nível inferior, em formato de escaninho, para a guarda de livros sagrados. Acima, portas maiores para os objetos sagrados, sendo as duas laterais para os cálices e um compartimento com duas folhas ao centro para objetos maiores, como ostensórios300. Portanto, esses armários derivariam da fusão dos primeiros tipos descritos por São Carlos Borromeu como sendo “armario de los sacros indumentos” com o terceiro tipo para os “livros”. O primeiro sugere que se ponha na parte superior o espaço para esses indumentos e logo abaixo “cajitas, colocadas por separado, donde se guarden sencilla y comodamente los sacros cálices, las patenas, los corporales, los purificadores, las velas y otros utensílios de este género”301
. No segundo orienta que haja espaço para guardar livros eclesiásticos e os usados no coro, as escrituras e textos canônicos. Nas igrejas paroquiais, deveriam guardar os livros de batizado, confirmação, matrimônio e óbito, assim como os decretos pontificiais, éditos episcopais, decretos pastorais do bispo e outros livros de uso necessário à igreja. Deveriam ser fechados “seguramente con sendas llaves” e ordenados pela sua função302
.
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MARQUES, C. T. e (2007). Nos bastidores da liturgia tridentina: o mobiliário monumental e as
sacristias em Portugal do século XVI ao XVIII. Lisboa: Dissertação de Mestrado em História da Arte pela
Universidade Nova de Lisboa, vol. 1, p. 45.
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MARQUES, C. T. e (2007). Nos bastidores da liturgia tridentina: o mobiliário monumental e as
sacristias em Portugal do século XVI ao XVIII. Lisboa: Dissertação de Mestrado em História da Arte pela
Universidade Nova de Lisboa, vol. 1, p. 45.
300 MARQUES, C. T. e (2007). Nos bastidores da liturgia tridentina: o mobiliário monumental e as
sacristias em Portugal do século XVI ao XVIII. Lisboa: Dissertação de Mestrado em História da Arte pela
Universidade Nova de Lisboa, vol. 1, p. 46.
301 BORROMEU, C. (1985). Instrucciones de la Fábrica y Del Ajuar Eclesiástico. México: Universidad
Nacional Autónoma de México, p. 80.
302 BORROMEU, C. (1985). Instrucciones de la Fábrica y Del Ajuar Eclesiástico. México: Universidad
131 Figura 47 – Pormenor das almofadas do armário-contador. Fotografia do autor.
Figura 48 – Pormenor de portas do armário-contador abertas. Fotografia do autor.
O conjunto de almofadas é emoldurado por um friso cordiforme. A estrutura do armário é delimitada por uma exuberante moldura barroca, preenchidas por mísulas, decorada com folhas de acanto, flores e frutos (romãs, uvas, peras). O remate (Fig. 49) é curvo, expondo no centro do ático as armas de Portugal envolvidas por folhas de acanto. Os elementos que preenchem o interior das armas de Portugal estão adaptados ao contexto: para além dos sete castelos e os cinco escudetes, são visíveis também os cinco estigmas de
132 São Francisco. Nas laterais do brasão duas aves seguram o cordão de São Francisco, enquanto acima do brasão surge o símbolo da Ordem dos Frades Menores, ou seja, o braço descoberto de Cristo cruzado com o de São Francisco, sobreposto por uma cruz. Por fim, dois putti seguram juntos um florão enquanto carregam, cada um, uma cornucópia.
Figura 49 – Ático do armário-contador. Fotografia do autor.