5 Diskusjon
5.3 Arbeidstidsordningers innvirkning på fatigue
A delimitação atual e oficial do baixo vale ainda é controversa. No caso do rio Sapucaí, esta divisão do vale por certo foi revisada após a construção da Usina Hidrelétrica de Furnas, no rio Grande, que impactou o Sul de Minas, na década de 50 e 60 do século XX.
A delimitação atual do Baixo Vale apresentada pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Sapucaí (CBH-Sapucaí) é a seguinte:
Do encontro do Sapucaí-Mirim até sua foz na represa de Furnas encontra-se a região do Baixo Sapucaí. Neste trecho o percurso do rio é de 143km. Nesta região o seu leito é suave, a profundidade varia de dois a oito metros e a largura chega até 50m. Recebe os afluentes: Cervo, pela margem esquerda, e São João, Bela Vista e Turvo pela direita. E a jusante seu leito alarga, torna-se mais raso e suas águas esparramam-se sobre pedras. Recebe os Ribeirões Santa Bárbara, São Vicente e Dourado. (COMITÊ DA BACIA HIDROGRÁFICA DO SAPUCAÍ, 2009.)
Já o livro “Sapucaí, o Caminho das Águas”, já mencionado, traz a seguinte delimitação e descrição do curso do rio no baixo vale:
O Baixo Sapucaí, com 143km, vai do encontro do Sapucaí- Mirim até a Represa de Furnas. [...] Numa grande curva recebe o Sapucaí-Mirim, seu principal afluente. Na área de confluência há várzeas bastante largas e planas sujeitas à inundação. O rio continua na direção norte, passando pelos municípios de São Sebastião da Bela Vista, Silvianópolis e Careaçu. Do município de Careaçu até Cordislândia, o [rio] Sapucaí corre mansamente. Recebe os ribeirões Santa Bárbara, São Vicente e Dourado. No município de Paraguaçu o rio adquire nova personalidade. Seu leito se alarga, torna- se mais raso e suas águas se esparramam sobre as pedras. A característica marcante desse trecho são as ilhas que aparecem em toda a extensão do rio, até sua foz na represa de Furnas. (BERALDO et al., 1996, p. 21)
Observa-se que nem todos os tributários aparecem nas duas delimitações. E ainda, o Dourado é citado nos dois textos como ribeirão e o Ouvidor nem sequer é mencionado.
Segundo a página eletrônica da Associação dos Municípios da Micro- Região do Baixo Sapucaí (AMBASP), a composição da micro-região é a seguinte:
[...] a Micro Região do Baixo Sapucaí abrange uma área de 9.000km2 e com uma população de 580.000 habitantes, aproximadamente. No município de Varginha está localizada a sede da entidade, e juntamente com Alfenas, Boa Esperança, Campanha, Campo do Meio, Campos Gerais, Carmo da Cachoeira, Coqueiral, Carvalhópolis, Cordislândia, Elói Mendes, Fama, Ilicínea, Machado, Monsenhor Paulo, Paraguaçu, Santana da Vargem, São Bento Abade, São Gonçalo do Sapucaí, Três Corações e Três Pontas compõem o seu quadro de filiados. (ASSOCIAÇÃO DOS MUNICÍPIOS DA MICRO-REGIÃO DO BAIXO SAPUCAÍ, 2009.)
A inclusão de municípios importantes economicamente, como Três Corações, não banhado pelo rio Sapucaí, na referida Associação decorreria provavelmente mais de critérios políticos do que propriamente geográficos. Esta hipótese parece confirmar-se pela delimitação do Baixo Vale apresentada pelo Plano Diretor do Rio Sapucaí. Este, em sua versão preliminar de junho de 2010, apresentava um número bem menor de municípios:
O Baixo Sapucaí apresenta uma área de 1.700km², e compreende os municípios de Carvalhópolis, Cordislândia, Elói Mendes, Machado, Monsenhor Paulo, Paraguaçu, Poço Fundo, São Gonçalo do Sapucaí e Turvolândia. (VIDA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS [...] et al., 2010)
A figura 3 traz o Mapa dos Municípios da Bacia Hidrográfica do rio Sapucaí, que integra o Plano Diretor da mesma. No mapa observa-se que a descrição acima não está correta, pois o baixo Sapucaí compreende parte dos territórios dos municípios e não “os municípios”, como acima enunciado.
Percebe-se também no mapa que a sede do município de Paraguaçu figura quase na extremidade setentrional da bacia em seu baixo vale. Parte do território do município a oeste pertence à bacia hidrográfica do Reservatório de Furnas, não identificada, evidentemente, no mapa referido.
Atendendo ao desenho do mapa do CBH-Sapucaí está-se adotando como delimitação espacial dessa pesquisa e denominando como baixo vale Sapucaí o território a partir do ponto limítrofe entre Careaçu e Silvianópolis até o município de Paraguaçu, onde o rio Sapucaí é represado. E ainda, aquele a jusante desse território que seguia até sua foz no rio Grande, anteriormente ao impacto de Furnas, nas décadas de 50 e 60 do século XX, no então município de Alpinópolis.
Neste capítulo procurou-se evidenciar que os atores e os instrumentos de educação ambiental e educação patrimonial focados em recursos hídricos em Minas Gerais não são ortodoxos. Assiste-se, parafraseando o já dito no item sobre educação patrimonial, a uma dessacralização dos atores e dos instrumentos na educação ambiental - e educação patrimonial, sobre água/recursos hídricos.
No instrumento de capacitação dos educadores da Fazenda-Escola Fundamar procurar-se-á aproveitar a contribuição desses atores e instrumentos para o estudo dos recursos hídricos, na perspectiva da educação ambiental e da educação patrimonial. A discussão sobre o conceito e os usos dos recursos hídricos será tema do módulo 1 do instrumento de capacitação.
5 UMA CRÍTICA A UM PROJETO DE EDUCAÇÃO PATRIMONIAL FOCADO EM RECURSOS HÍDRICOS37
Na busca por referências de educação patrimonial no estudo de bacias hidrográficas reportou-se à pesquisa de projetos similares referentes aos rios que cortam o território mineiro.
Pretendia-se entender se houve correspondente avanço na metodologia de educação patrimonial no estudo das bacias hidrográficas, desde a proposição delas como unidade de planejamento, conforme determina a legislação nacional.
Para tanto está se tomando como objeto de estudo o Projeto Manuelzão (1997), instituído pela Escola de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), focado na recuperação ambiental da bacia do rio das Velhas, em toda sua calha, compreendendo 51 municípios mineiros38.
Esta escolha se deu em função de alta visibilidade do Manuelzão na mídia, da sua capacidade de captar recursos públicos e privados, e de sua parceria com a universidade pública federal (UFMG) e com o Governo Estadual39.
37 Este texto foi apresentado no Seminário Mestres e Conselheiros, organizado pelo
Instituto de Estudos do Desenvolvimento Sustentável (IEDS) e parceiros, realizado em Belo Horizonte, em agosto de 2009.
38 A relação dos municípios da bacia encontra-se em “Uma Viagem ao Projeto Manuelzão
e à bacia do Rio das Velhas”, de autoria de Marcus Vinicius Polignano e outros, publicado em maio de 2004, em Belo Horizonte.
39 Este, inclusive, adotou como política de governo a Meta do próprio projeto: a Meta
2010 de navegar, pescar e nadar no rio das Velhas, em sua passagem pela Região Metropolitana de Belo Horizonte até 2010.