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Arbeidstidsbruk og areal

In document Trender i norsk landbruk 2020 (sider 75-81)

4. Frekvenser

4.5 Arbeidstidsbruk og areal

Uma vez esboçados os critérios de regionalização utilizados nesta pesquisa, passaremos a tratar dos aspectos demográficos que verificamos nas Minas do Ferro. A partir do banco de dados criado com as informações retiradas dos 776 inventários post-mortem consultados no Arquivo Municipal de Itabira, buscaremos pensar essa região pelas características de sua população. Os dados dos inventários serão complementados pelos Censos Provinciais de 1833 e 1872, além das informações retiradas da Resposta dos Presidentes das Câmaras Municipais de Itabira e Santa Bárbara ao Inquérito Provincial de 1854. 26

25 SAINT-HILAIRE. op. cit. , p. 127-8.

26 Para ter acesso a tais fontes, ver: APMI, Inventários, 1813/1888 Cxs 1 a 51; APM, Seção Provincial, Relatório do Presidente da Câmara de Itabira ao Inquérito Provincial de 1854. SP 570 [393-402]; APM, Recenseamento da População do Brasil de 1872, Minas Gerais, Quadro

Geral da População da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Itabira. Cx. 03 [160-165]; APM, Recenseamento da População do Brasil de 1872, Minas Gerais, Quadro Geral da

População da Paróquia de Santo Antonio do Ribeirão de Santa Bárbara. Cx. 03 [136-138]; APM, Censo da Província de Minas Gerais, Município de Itabira. Distrito da Vila. 1833. MP - Cx.01 –

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Da mesma forma, os dados serão comparados com aqueles fornecidos para o todo da Província pela bibliografia do período. Neste sentido, os trabalhos de Iraci Del Nero da Costa, Clotilde Paiva, Francisco Eduardo de Andrade, Laird Bergad e Douglas Cole Libby nos serão de grande valia. Esses trabalhos serão utilizados como comparação, uma vez que deve-se buscar padrões para identificar uma dinâmica demográfica.27

Os dados relativos à composição da população, sua distribuição por condição, idades e sexos, assim como o tipo de atividades econômicas desenvolvidas em nossa área de análise são importantes na medida em que propiciam a verificação do quadro em que se desenvolviam as atividades de produção e transformação do ferro. O conhecimento dessa dinâmica populacional e das formas de utilização da terra e dos recursos da natureza pode esclarecer as formas de associação e simbiose dessas atividades com outros universos produtivos. A presença das fábricas de ferro, sua localização, características de seu proprietário, tipo e quantidade de mão de obra utilizada e o destino da produção são alguns dos elementos que podem ser observados a partir dessa análise demográfica.

Nesse sentido, afim de estabelecer comparações entre os dados dos inventários analisados nesta pesquisa e os padrões estabelecidos para a Província de Minas, trataremos aqui de algumas abordagens que são caras a nossa temática e podem elucidar nossa análise.

As características da economia mineira do século XIX, assim como sua dinâmica populacional, já há algum tempo vem sendo fonte de grandes debates na historiografia. As formas de organização econômica da Província após o boom minerador, quais atividades passaram a ser primordiais e de que forma estas se relacionavam – ou não relacionavam-se – ao comércio de exportação. A queda da produção aurífera nos grandes centros mineradores, visível já em fins do século XVIII, levou a certas interpretações que afirmavam a decadência das Minas no Doc 17; APM, Censo da Província de Minas Gerais, Município de Itabira. Distrito de Santa

Bárbara. 1833. MP - Cx.01 – Doc 17.

27. COSTA, 1981; PAIVA, op. cit., 1996; ANDRADE, op. cit, 2008; BERGAD, 2004. LIBBY, op. cit., 1988.

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século XIX. Essa interpretação tem sido constantemente relativizada pelos historiadores do período, e o desenvolvimento de estudos regionais tem reforçado cada vez mais essa tendência. Um importante conceito apresentado por Libby para compreender as formas de organização da economia mineira oitocentista é o conceito de “acomodação evolutiva”. O século XIX mineiro de acordo com essa visão teria sido marcado por um processo de reordenamento econômico. Através deste, algumas atividades que em momento anterior eram apenas subsidiárias à mineração, passariam a ganhar maior vulto a partir do momento em que os lucros da mineração já apontavam ser insuficientes. Entre essas atividades, temos a agropecuária e alguns tipos de atividades de transformação, como a têxtil e a siderurgia. O objetivo do aumento dos investimentos nestas atividades seria garantir à Província a capacidade de auto-abastecimento e de reduzir a necessidade de importação de alguns bens de consumo:

Alguns estudiosos insistem na natureza „fechada‟ da economia provincial, ou seja, numa produção escravista destinada a uma fracionada rede de mercados vicinais (...) Um dos críticos a tal visão aponta para a existência de determinados setores dinâmicos dentro da economia mineira, setores estes que além de participar direta ou indiretamente da economia de exportação, teriam servido de sustentáculo da agropecuária mercantil (e, portanto, da economia como um todo) através dos efeitos multiplicadores do consumo da massa de mão-de-obra engajada em atividades não agropastoris. (...) Têm-se também um estudo que revela a enorme importância dos setores de transformação da economia mineira. Na verdade, a Província teria passado por uma fase de protoindustrialização que, ao empregar dezenas de milhares de mulheres – livres e escravas – na produção caseira de fios e panos e ao fabricar ferro e toda sorte de ferramentas, estabeleceu uma relativa independência regional com relação à importação de toda uma gama de mercadorias estrangeiras.28

Estas abordagens não negam a queda dos lucros da mineração, mas buscam compreender seus reais impactos para a economia mineira oitocentista.

Outro ponto polêmico de discussão se refere às razões apontadas para os altos índices da população escrava nas Minas durante o século XIX, período em que suas ligações com o comércio de exportação estariam mais restritas. Um dos

28 PAIVA, et al., 1988, p. 23-24.

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primeiros trabalhos que enfrentou tal problema foi o de Martins. Para este autor, os índices da população cativa das Minas oitocentista eram resultados de uma importação líquida de escravos, uma vez que este autor considera que as taxas de crescimento natural da população escrava foram sempre muito baixas para serem responsáveis pela reprodução dessa população. Para ele, a economia das Minas, mesmo que estivesse voltada para uma economia de subsistência – excetuando-se as regiões que continuaram ligadas a economia de exportação com a expansão da produção de café – continuava intimamente ligada ao sistema escravista. 29

A partir desse trabalho surgiram vários outros. Luna e Cano questionaram a proposta de Martins no que se refere à reprodução da escravaria. Apontam que, sendo a economia mineira oitocentista firmada em atividades que eram menos danosas a expectativa de vida dos escravos que a mineração, a hipótese de reprodução natural não poderia ser descartada. 30 Essa proposta ganha força quando a utilização de novas fontes de pesquisa e a busca por arquivos locais permite verificar – em inventários post-mortem, por exemplo – a existência de famílias escravas, podendo-se identificar, muitas vezes, mais de uma geração.

O trabalho de Clotilde Paiva foi de grande contribuição para tais discussões. Tendo como fontes um conjunto de listas nominativas referentes à Província de Minas Gerais nos anos de 1831/1832 a autora pode pontuar algumas questões a respeito da organização econômica e estrutura populacional da Província na primeira metade do século XIX. Atenta a questão do tratamento das fontes e formas de se delimitar o espaço de análise, Paiva propôs uma nova regionalização para Minas e, a partir dessa, estabeleceu alguns padrões para o todo da Província. A partir disso, pode identificar níveis de desenvolvimento para essas regiões que permitiram identificar em cada área graus de maior ou menor inserção no setor de exportação, dependência do trabalho escravo como mão de obra predominante, e a dinâmica populacional de cada área. Sua análise demonstrou a manutenção de algumas áreas da economia mineira com os setores de exportação, contrariando a proposta de Martins. Ainda assim, a autora aponta para a existência de uma economia extremamente diversificada e dinâmica, com

29 MARTINS, 1980.

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