Postura da professora de Educação Especial durante a colaboração
As professoras da sala de aula comum avaliaram a postura da professora de educação especial durante todo o processo de parceria nos seguintes aspectos: a forma como conduziu a parceria, habilidades em relação ao conteúdo escolar ministrado pelas professoras, respeito às regras da sala de aula, cumprimento do horário e dos dias estabelecidos para o Coensino, habilidades para lidar com os alunos em geral, a divisão de responsabilidades em sala de aula, a partilha dos recursos e conhecimentos da área da educação especial, orientações especificas como avaliação, adaptação de conteúdo e relacionamento pessoal. Esses aspectos foram apontados no estudo desenvolvido por Beamish, Bryer e Davies (2005) como sendo essenciais no desenvolvimento de uma parceria colaborativa.
PONTOS AVALIADOS TRECHOS ILUSTRATIVOS
Condução da parceria Não houve nenhum desentendimento, foi tranquilo[...].(P1) Postura em sala de aula Postura de uma professora com experiência [...]. (P3) Habilidades com conteúdos Ela conhece os conteúdos e facilitou a nossa parceria. (P4)
Pontualidade – hora e dias Chegava cedinho e só saia no final da aula. (P1)
Habilidades com os alunos Tem experiência com os alunos, eles a respeitam [...] (P4) Divisão de responsabilidades Dividíamos a elaboração das atividades, avaliações[...](P3)
Partilha dos recursos [...] recursos da educação especial que não conhecia (P2) Orientações específicas [...] orientações pertinentes e significativas. [...] (P2) Relacionamento pessoal [...]tornamo-nos parceiras! Relação respeitosa![...] (P3)
Beamish, Bryer e Davies (2005) e Conderman; Bresnahan e Pedersen (2009) argumentam que parcerias bem sucedidas de Coensino são construídas com base em relacionamentos que geram confiança mútua e respeito às experiências individuais. A compatibilidade entre professores que atuam/atuarão colaborativamente é essencial para uma parceria de sucesso, pois se não compartilham o manejo de sala de aula, não respeitam as regras desse espaço, não cumprem com as responsabilidades, não entram em acordo sobre a melhor maneira de ensinar ou interagir em momentos de conflitos entre os alunos essa parceria não poderá ser bem sucedida.
Gately e Gately (2001) ressaltaram a importância de um trabalho educativo em parceria com esses dois professores - educação comum e especial, sem hierarquias, sem o Expert e, sim com responsabilidades compartilhadas
De acordo com Kison (2012) uma avaliação positiva sobre o outro membro que atuou colaborativamente é fundamental, principalmente com relação ao sentimento de paridade, pois historicamente os professores de educação especial vêm atuando fora do contexto da sala de aula comum e essa avaliação pode ser fundamental para continuidade desse serviço de apoio nesse contexto.
Aspectos formais do Coensino
Neste tópico as professoras participantes avaliaram os aspectos formais do Programa de Coensino em relação ao número de dias na semana em que a professora de educação especial esteve presente na sala de aula para colaboração, ao tempo destinado às reuniões e planejamento entre as professoras da sala de aula comum e da educação especial, ao apoio recebido por parte da gestão escolar em relação ao Coensino. Para essa avaliação as professoras pontuaram esses aspectos em uma escala de zero a 10, sendo o zero insatisfeito e, o 10, muito satisfeito, conforme Figura 32 a seguir.
Em relação aos dias da semana destinados a colaboração as professoras participantes relataram que não foram suficientes, pois necessitavam de apoio constante, a média para esse aspecto foi quatro. Sobre o tempo destinado às reuniões e planejamento para elaboração, reestruturação e tomadas de decisões em relação à parceria e aos alunos, as professoras participantes disseram que foi um tempo muito pequeno, inclusive esse pouco tempo que tiveram foi por conta de arranjos entre ambas, por exemplo, usavam o tempo destinado às aulas de educação física, intervalo e muitas vezes de maneira virtual - por e-mail, para acertarem detalhes da intervenção - nesse aspecto a média da nota foi três e meio.
[...] gostaria que a gente tivesse tido mais tempo para trabalhar juntas, mas o tempo é muito escasso na educação! [...] Dois dias não foram suficientes [..] a gente foi quem buscou o tempo para o planejamento nas aulas de educação física, no intervalo e até durante as aulas [...] (P2)
Sobre terem tido apoio da gestão escolar – coordenação ou direção, para a organização de um tempo, espaço para as reuniões e até apoio na tomada de algumas decisões sobre os alunos com DI a nota dada pelas professoras ficou em média de três, pois as quatro professoras participantes argumentaram que a gestão acreditava que apenas ter a professora de educação especial dentro da sala de aula era suficiente para resolver todos os problemas.
“Penso que se a gente tivesse tido apoio por parte da coordenação, se o Coensino fosse algo da escola, uma lei, teríamos tido mais resultado! [...] apenas o tempo das aulas de educação física não foram suficientes para resolvermos tantos problemas [...]. Mas, mesmo assim a gente avançou muito com essa sala.” (P1)
Sobre a importância do apoio por parte dos gestores escolares na implementação do Coensino, os resultados deste estudo e de pesquisas recentes desenvolvidas por Rabelo (2012), Kison (2012), Flores (2012), Blank (2013) e Bell (2013), corroboram com o que vem sendo disseminando desde a origem do Coensino por autores com Mendes (2008), Friend e Cook (1990) e, com estudos iniciais aqui do Brasil como os de Zanata (2004) e Capellini (2004). Ou seja, esses estudos apontaram que o apoio dos gestores escolares é imprescindível para o sucesso dessa parceria, pois a partir desse apoio é que surge o tempo para o planejamento conjunto entre professores, capacitação para atuar colaborativamente, desenvolvimento profissional, bem como a resolução de possíveis conflitos entre professores.
O número de dias e o tempo destinado ao planejamento, condições básicas para o desenvolvimento do Coensino - conforme previsto em sua teoria; vêm sendo apontado como um dos aspectos negativos dessa parceria. Após análise desses estudos constatou-se que o tempo destinado ao planejamento entre as professoras que atuaram/atuarão em colaboração é algo almejado não apenas aqui no Brasil, onde esse serviço de apoio ainda está em fase de pesquisa, mas em outros países onde essa parceria é consolidada, os professores que participaram ou participam de uma sala de aula comum de forma colaborativa também pleiteiam mais tempo para o planejamento das ações. Capellini (2004) já apontava a necessidade de planejar a colaboração, garantir momentos para que os professores reflitam suas práticas e avaliem suas ações.
Nos estudos analisados sobre Coensino a questão da falta de tempo para planejamento entre os dois professores é unanimidade, exceto pelo estudo desenvolvido por Blank (2013) que teve dois professores participantes entre os 11 que disseram que tiveram tempo suficiente para planejar o Coensino. Embora, esses dois professores eram professores estagiários que tinham em sua grade curricular horários previstos para a colaboração.