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Arbeidsplasser

In document Regional analyse Vestfold (sider 22-30)

A alfabetização é apresentada por teóricos como Isotton (2010) e Pérez (2008) como a etapa de formação educacional mais antiga. A alfabetização marca o percurso inicial da aprendizagem na escola e durante muito tempo foi a única etapa de escolarização para muitas pessoas, ou seja, a alfabetização era suficiente em termos de escolarização.

Para Isotton (2010), na Antiguidade Clássica, a alfabetização não era tida como muito importante. À leitura era dada a função de conferir registros e à escrita era dada a função de auxílio nas atividades do cotidiano, porém poucas pessoas sabiam ler e escrever. A Alfabetização era restrita às classes dominantes. A maioria das pessoas que sabia ler e escrever aprendia depois de adulto.

Nesse contexto, a facilidade para se alfabetizar apresentava aos poucos uma melhoria, pois começavam a aparecer as primeiras escolas e biblioteca, que entraram em declínio com o enfraquecimento do Império Romano. Com isso, as invasões destruíram escolas e bibliotecas. A escrita, então, quase desapareceu. De acordo com Pérez (2008), foi verificado, a partir desse momento, uma transformação na função e no uso da escrita: a escrita usada nas relações comerciais e nas narrativas épicas foi substituída pela escrita religiosa nos ensinamentos cristãos.

A Igreja Católica passa a ser responsável durante toda a Idade Média pelo acesso ao conhecimento. As escolas se voltavam para a formação de sacerdotes e religiosos. Acesso à leitura e à escrita era direito de poucos. Ao final desse período histórico e início da Idade Moderna, as pessoas começam a se interessar mais pela alfabetização, devido à expansão do comércio e influência da burguesia.

Em relação a material didático, até esse período predominavam os textos bíblicos para o ensino-aprendizagem da religião. Para Pérez (2008), ser alfabetizado significava apenas saber soletrar e escrever o nome. Quem sabia, além de seu nome, escrever outros poderia ensinar. Assim acontecia a alfabetização.

É somente na Revolução Francesa que surgem escolas públicas com acesso para crianças. Isotton (2010) expõe que até então o ensino-aprendizagem que se dava de forma individual começa a ser realizado em grupo, porém a alfabetização ainda não era tida como uma preocupação de formação, mas de controle político.

Na Revolução Industrial, com a ocorrência de várias mudanças, surge a necessidade de uma formação para as camadas mais populares que fosse além do simples saber assinar o nome. Saber assinar o nome durante muito tempo distinguia analfabetos de alfabetizados. Com a invenção de máquinas, equipamento e a necessidade de pessoas instruídas para operá- los. O conceito de alfabetização sofre sua primeira grande transformação. Surge a necessidade de ler, escrever e compreender.

No Brasil, a alfabetização deve muito à Revolução Industrial. A partir desse período, aparecem os primeiros métodos e estratégias de ensino e as primeiras discussões sobre as eficácias desses. Para Cavalcante et al (2008), o ensino durante muito tempo privilegiou a soletração das famílias silábicas para ensinar a ler e a escrever. Esse ensino caracterizava os métodos sintéticos os quais marcam os primeiros momentos da reunião de conteúdos em material didático para ensinar as crianças a ler e a escrever. Esse material recebia o nome de cartilha. A cartilha existiu durante muito tempo e foi representada por diversas abordagens, em termos de conteúdos e métodos.

Pela exposição de Isotton (2010), Cavalcante et al (2008) e Mortatti (2010), notamos que a cartilha começa a ser utilizada no século XIX e resiste até o final do século XX. Além dos métodos sintéticos, foram contemplados outros.

Os métodos sintéticos tinham as seguintes características: 1. Ensino do alfabeto;

2. Uso de famílias silábicas para ensinar a ler;

3. Uso de partes para explicar o todo através de soletração; 4. Estratégia auditiva;

5. Associação de fonemas e letras de forma mecânica.

Em oposição aos métodos sintéticos, aparecem os métodos analíticos que criticavam os trabalhos com famílias silábicas e defendiam que o ensino deveria ser feito com unidades linguísticas maiores como a palavra e sentença (MORTATTI, 2010). Esses métodos receberam muitas críticas devido ao seu caráter mecânico.

Os métodos analíticos tinham as seguintes características: 1. Reconhecimento global de palavras e frases;

2. Estratégia visual;

3. Divisão de palavras em unidades sonoras.

Como resultado das discussões sobre os métodos sintéticos e analíticos, são apresentados os mistos, mistura dos métodos sintéticos com os métodos analíticos. Porém, também se tornaram objetos de críticas, uma vez que aqueles que defendiam os métodos sintéticos não aceitavam os métodos analíticos e os que defendiam os métodos analíticos não aceitavam os métodos sintéticos.

A partir dos anos de 1960, no Brasil, a alfabetização tornou-se motivo de preocupação dos profissionais da educação e pesquisadores, uma vez que as crianças alfabetizadas apresentavam muitas dificuldades na leitura e na escrita. As pesquisas em cognição, com mais precisão a de Piaget, mostravam que os motivos que impediam a criança de aprender não eram apenas relacionados aos métodos utilizados, mas também a outros motivos de ordem cognitiva.

Todos os reflexos emitidos pelos estudos cognitivos de Piaget, segundo Soares (2001), e depois os reflexos dos estudos construtivistas de Emília Ferreiro e Ana Teberosky foram fatores mais evidentes responsáveis pela substituição das cartilhas.

Depois de muitas configurações, desde a Idade Média, a alfabetização no século XX, consistia em uma série e tinha como material didático o mencionado livro cartilha. Esse tipo de material foi perdendo status pelas críticas à maneira como construía seus conteúdos. Para

Soares (2001), nesses materiais, era dada à criança pouca oportunidade para refletir. Segundo a autora, as cartilhas deixavam a concepção de que o aprendiz deveria imitar e repetir.

A alfabetização como série deixa de existir a partir dos anos 2000 e passa a ser tratada como um processo que tem início na Educação Infantil e fim no terceiro ano do Ensino Fundamental, quando a criança adquire compreensão básica de leitura e de escrita. O conceito de alfabetização ainda está ligado ao conhecimento da leitura e da escrita, porém esse conhecimento deve ser voltado para a compreensão do sistema linguístico, o que não acontecia no passado.

Na atualidade, junto com a alfabetização, começa também o processo de letramento, desenvolvimento de habilidades de domínio das práticas sociais, oral e escrita. Diferente da alfabetização, o letramento é um processo que se estende por toda a Educação Básica. A inserção do letramento na escola, de acordo com Soares (2001), foi um dos fatores que contribuiu para a substituição das cartilhas.

A literatura nos permite compreender que quando falamos de alfabetização, aparece o fracasso dos métodos: sintéticos, analíticos e mistos reconhecidos pelo uso das cartilhas, porém, acreditamos que mesmo esses tendo sido substituídos por novas formas e concepções, ainda se fazem muito presentes. Os estudos construtivistas contribuíram muito para as mudanças na educação brasileira. As mudanças mais visíveis são de ordem conceitual e paradigmática, referentes a conteúdos.

Em resumo, Frade (2007) expõe que a aprovação das leis 11.114/2005 e 11. 276/2006 deram origem a uma nova organização da educação. Entre essas mudanças, está a ampliação do Ensino Fundamental para nove anos e a alfabetização como processo.

Apesar de hoje a literatura afirmar que o processo de aprendizagem da criança começa na Educação Infantil, ainda vemos este período com muitas limitações, no que se refere a materiais didáticos. Como não há cobertura de distribuição pelo PNLD, muitas escolas de Educação Infantil trabalham sem livros didáticos e outras elaboram seus próprios materiais. Na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, 1996, artigos 10 e 11, está exposto que a Educação Infantil deve ser ofertada pelos Municípios, mas dever ter como prioridade o Ensino Fundamental. Os Estados têm como prioridade, então, o Ensino Médio. Um dos motivos que pode explicar as limitações existentes na Educação Infantil é o fato de não ser descrita como prioridade, como o Ensino Fundamental e o Ensino Médio.

Sabemos que a Pré-escola de hoje é importante para o Ensino Fundamental, além de estar relacionada ao desenvolvimento da motricidade, socialização, afetividade e linguagens da criança. No que se refere ao conhecimento linguístico, muitas crianças saem do Pré-I e do

Pré- II (doravante Infantil IV e Infantil V) com domínio do alfabeto, compreendendo alguns mecanismos da relação letra-fonema (reconhecimento de alguns sons) e algumas até leem. Atribuímos, entre os muitos fatores que contribuem para estes conhecimentos, a mediação dos materiais didáticos.

O uso de materiais didáticos na Educação Infantil torna o ensino-aprendizagem mais produtivo. Na seção seguinte, discutiremos sobre as implicações dos materiais didáticos e o desenvolvimento da consciência fonológica.

4.3 Implicações do ensino-aprendizagem da consciência fonológica a partir dos materiais

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