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Arbeidsplaner

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4.6 Oversikt «Administratoren»

4.6.1 Arbeidsplaner

Nas Representações Sociais, dentre os elementos que precisam ser destacados e que atuam, dialeticamente, na sua formação, estão a objetivação e a ancoragem.

Para Moscovici (1978), “a representação tem, em sua estrutura, duas faces tão pouco dissociáveis como as de uma folha de papel: a face figurativa e a face simbólica” (MOSCOVICI, 1978, p.63). Seu aspecto figurativo é concebido pelas imagens, ícones ou figuras tangíveis que vêm à cabeça logo que somos questionados sobre o objeto da representação. No aspecto simbólico, nos referimos ao pensamento conceitual, o sentido, o significado dado ao objeto de representação. Isso significa que a cada figura corresponde um sentido e a cada sentido, uma figura. Os processos envolvidos na atividade representativa têm por função destacar uma figura e, ao mesmo tempo, atribuir-lhe um sentido, integrando-o ao nosso universo.

Moscovici (1978) introduz, assim, os processos de objetivação e ancoragem, que dão origem às representações sociais.

O processo da objetivação consiste na operação que permite tornar concretos os conceitos abstratos, ao materializar abstrações em imagens. “A objetivação é caracterizada como passagem de conceitos ou ideias para esquemas ou imagens concretas, os quais, pela generalidade de seu emprego, se transformam em supostos reflexos do real" (MOSCOVICI, 1978, p.289).

A objetivação pode ser definida como a transformação de uma ideia, de um conceito, ou de uma opinião em algo concreto. Cristaliza-se a partir de um processo figurativo e social e passa a constituir um núcleo figurativo de uma determinada representação seguidamente evocada, concretizada e disseminada como se fosse o real daqueles que a expressam.

O outro processo trata da Ancoragem, ou seja, da inserção do novo objeto no acervo de conhecimentos já existentes. Constitui-se como uma rede de significações em torno do objeto, relacionando-o a valores e práticas sociais.

A representação sempre se constrói sobre um já pensado, manifesto ou latente. A familiarização com o estranho pode, com a ancoragem, fazer prevalecer quadros de pensamento antigos, posições preestabelecidas, utilizando mecanismos como a classificação, a categorização e a rotulação. E classificar, comparar, rotular, supõe sempre um julgamento que revela algo da teoria que temos sobre o objeto classificado.

Ao procurar compreender o novo, o não familiar, dialogamos com nossos conhecimentos e experiências anteriores, preexistentes, e, assim, ancoramos o novo em um enquadramento de saberes (valores, cognições, afetividades) já vivenciado.

É nesse sentido que afirmamos haver um contínuo processo dialético de construção de conhecimento pelo qual aderimos, integralmente ou não, às novidades, ao que nos é proposto, de acordo com o conhecimento e valores que já tínhamos.

Para Arruda (2002, p.76), a ancoragem dá significado ao objeto desconhecido, o “não familiar torna-se familiar”. O indivíduo recorre ao que é familiar para fazer uma espécie de modificação da novidade: traz ao terreno conhecido, ancora o desconhecido neste lugar, retirando-o, assim, do território não familiar.

O processo de ancoragem estabelece alternativa para lidar com o novo, com o desconhecido, com as coisas que não fazem parte do nosso conhecimento e, por isso, são recebidas com certa resistência, sendo necessário superar esse distanciamento e classificar o novo dentro de alguma categoria. Quando podemos falar algo sobre ele, avaliá-lo e comunicá-lo, quando podemos familiarizar e reproduzir o novo em algo que já é de nosso conhecimento, entende-se, então, a ocorrência do processo de ancoragem.

Para Jodelet (2001), no processo de formação das representações,

[...] a ancoragem intervém assegurando sua incorporação ao social, [...] enraíza a representação e seu objeto numa rede de significações que permite situá-los em relação aos valores sociais e dar-lhes coerência. [...] A ancoragem serve para a instrumentalização do saber, conferindo-lhe um valor funcional para a interpretação e a gestão do ambiente (JODELET, 2001, p. 38-39).

Concordando com esse conceito, Jovchelovitch (1999) explica que, ao pegar uma coisa antiga para ancorar uma nova em busca de compreensão, podemos perceber que a primeira ganha uma nova propriedade e se modifica. Assim, o saber vai se transformando, o que faz da ancoragem um processo fundamental para se compreenderem as transformações das representações sociais.

Na formação das Representações Sociais, a ancoragem desempenha um papel fundamental no desenvolvimento do conhecimento, uma vez que é através dela que se concretiza a parte operacional do núcleo central.

Abric (2002, p.22) destaca cinco funções da ancoragem ou do sistema periférico no funcionamento e na dinâmica das representações:

a concretização do núcleo central em termos ancorados na realidade, imediatamente compreensíveis e transmissíveis;

a regulação, que consiste na adaptação da representação às transformações do contexto, integrando novos elementos ou modificando outros em função de situações concretas com as quais o grupo é confrontado;

a prescrição de comportamentos, ou seja, os elementos do sistema periférico funcionam como esquemas organizados pelo núcleo central, garantindo o funcionamento instantâneo da representação com grade de

leitura de uma dada situação e, consequentemente, orientando tomada de posições;

a proteção do núcleo central, em que o sistema periférico é um elemento essencial nos mecanismos de defesa que visam proteger a significação central da representação, absorvendo as informações novas suscetíveis de pôr em questão o núcleo central;

as modulações individualizadas, em que o sistema periférico permite a elaboração de representações relacionadas à história e às experiências pessoais do sujeito.

No processo de formação das Representações Sociais, Moscovici (1978) nos informa, que objetivar é reabsorver um excesso de significações, materializando o objeto desconhecido em algo efetivamente objetivo e concreto, enquanto a ancoragem refere-se à inclusão do que é desconhecido, fornecendo um sentido compreensível ao objeto dentro de um contexto.

A ancoragem está dialeticamente articulada à objetivação, para assegurar as três funções fundamentais da representação: incorporação do estranho ou do novo, interpretação da realidade e orientação de comportamentos. (NÓBREGA, 2001, p.77).

Conforme Moscovici (1978), objetivação e ancoragem são processos que se desenvolvem conjuntamente como páginas de uma mesma folha de papel, ou como duas faces da mesma moeda e, portanto, se desenvolvem dialogando com a realidade preexistente, procurando ora aderir, ora rejeitar um novo conhecimento, ou imagem, em um processo contínuo de construção, modificação e metamorfose.

No exercício de objetivar-ancorar, os sujeitos definem as representações compartilhadas pelo grupo de pertença. Essas representações do grupo são determinantes da sua identidade e orientadoras da sua ação. Ao compreender as representações, suas formas e funcionamento, poderemos revelar aspectos da identidade social de um grupo, compreendendo sua postura frente aos objetos.

Nas palavras de Moscovici, “se a objetivação explica como os elementos representados de uma teoria se integram enquanto termos da realidade social, a ancoragem permite compreender a maneira como eles contribuem para exprimir e construir as relações sociais”. (MOSCOVICI, 1978, p. 318).

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