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Arbeidsminister Hanne Bjurstrøm åpner seminaret

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3.1   Arbeidsminister Hanne Bjurstrøm åpner seminaret

A comunidade Vila Autódromo é formada por cerca de 500 famílias e localiza-se em uma área pública, na região de Jacarepaguá, zona oeste do município do Rio de Janeiro, no entorno da Lagoa de Jacarepaguá e da praia do Recreio.

Na década de 60, quando toda aquela região era praticamente deserta e sem nenhuma infraestrutura, algumas pessoas instalaram-se no local. Posteriormente, por volta de 1975, foram aterradas partes das lagoas existentes e construído o Autódromo de Jacarepaguá e um conjunto residencial da Aeronáutica, o que levou a um adensamento populacional na região e à concentração dos moradores em uma área mais restrita.

Em 1987, os moradores dessa comunidade organizaram-se formalmente, criando a Associação de Moradores e Pescadores da Vila Autódromo e, a partir dessa organização e das reivindicações que faziam, obtiveram significativas melhorias, como energia elétrica, água encanada, fossas e telefone. Nos anos seguintes, foram reassentadas diversas novas famílias naquele local e, no ano de 1998, os moradores da faixa marginal da Lagoa de Jacarepaguá tiveram formalmente reconhecida a Concessão de Uso Real, pelo prazo de 99 anos. Em 2005, parte da comunidade foi declarada Área de Especial Interesse Social.

Ocorre que, ao longo dos seus mais de 20 anos de existência organizada, a comunidade Vila Autódromo tem sofrido sucessivas ameaças de remoção, sob argumentos dos mais variados, mas a comunidade sempre se opôs, construindo um histórico de resistência popular.

Na preparação dos Jogos Panamericanos de 2007, houve grande esforço da Prefeitura do Rio de Janeiro para remover toda a comunidade. Os moradores, organizados, resistiram e os jogos ocorreram normalmente, o que confirmou que as instalações esportivas podem sim conviver com as moradias sociais.

Com o anúncio de que o Brasil sediaria os jogos olímpicos de 2016, teve início uma série de novas tentativas de remover a comunidade. Inicialmente, falou-se em garantir a

segurança dos atletas, mas esse argumento acabou desautorizado, porque a Vila Autódromo é um dos poucos bairros populares do município do Rio de Janeiro que não está submetido a traficantes ou a milícias. Criou-se então uma justificativa ecológica, de preservação das margens da Lagoa de Jacarepaguá, ao que os moradores também resistiram. Em seguida, a Prefeitura afirmou que a área seria necessária para as intervenções públicas que ocorreriam em toda a região, mas esse argumento caiu por terra quando se verificou que a empresa vencedora do concurso internacional de projetos para o Parque Olímpico manteve, no seu projeto, a comunidade no local em que se encontra atualmente. Com isso, houve nova modificação das justificativas oficiais, de modo que se passou a falar que a área será necessária para a construção dos corredores BRT Transcarioca e BRT Transoeste.

A Associação dos Moradores, as organizações não governamentais e os estudiosos do tema afirmam que, na realidade, o que move as sucessivas investidas da Prefeitura é o fato de a área ter virado alvo de cobiça do mercado imobiliário e das grandes construtoras, em razão da sua localização e da valorização que já ocorreu e que será ainda muito maior, após a conclusão de todas as obras previstas para a preparação da cidade para os jogos olímpicos de 2016, pois, caso efetivada a remoção, a área seria cedida pela Prefeitura ao consórcio de empresas vencedor da licitação, que utilizaria a maior parte para a construção de condomínios de alta renda.

As ameaças de remoção da comunidade Vila Autódromo são ainda mais graves em razão do procedimento que se anuncia para que elas sejam concretizadas. Considerando que a área pertence ao Município do Rio de Janeiro, não haverá necessidade de promover ação de desapropriação e, segundo o entendimento da Prefeitura, nenhuma formalidade judicial será necessária para a imissão na posse. O rito a ser seguido será, a princípio, aquele previsto no Decreto Municipal n.º 34.522/2011, destinado especificamente às áreas públicas ocupadas por assentamentos populares e que sejam alvo de investimentos relacionados à Copa do Mundo de 2014 e às Olimpíadas de 2016. Esse decreto não prevê programa de assistência social às famílias nem indenização pela posse.

A proposta da Prefeitura é de que as famílias afetadas sejam contempladas por um empreendimento do Programa Minha Casa Minha Vida próximo à comunidade, recebendo da

Prefeitura um aluguel social até que as unidades habitacionais estejam concluídas e sejam entregues.

Diante da gravidade desses fatos, a Associação de Moradores, com a assessoria técnica de especialistas, elaborou o Plano Popular da Vila Autódromo, que expõe a ameaça vivida pela comunidade e propõe medidas de urbanização da área, com a manutenção dos moradores no local em que se encontram e ao qual estão vinculados. Esse plano demonstra a viabilidade da regularização fundiária para toda a comunidade, bem como a compatibilidade desse processo com a implantação dos equipamentos esportivos e com as obras de mobilidade urbana.

A análise desse caso específico demonstra a gravidade do problema da especulação imobiliária e a forma pela qual o mercado imobiliário e as grandes construtoras interferem na ordenação do espaço territorial urbano, levando a graves distorções e à violação de direitos fundamentais.

Além disso, este caso evidencia a relevância da participação da sociedade na elaboração das políticas no setor.

A comunidade ameaçada agiu em exemplar exercício da cidadania e de resistência contra um ato administrativo injusto e violador de direitos fundamentais. Os atos praticados configuram desobediência civil, na medida em que consistiram na recusa pacífica e justificada de cumprimento de comandos ofensivos à dignidade da pessoa humana.