Após percorrer todo esse caminho histórico sobre o curso de pedagogia e a formação do pedagogo, focando na monitoria, chego à conclusão. Acredito que essa dissertação ajudará a compreender, pelo menos um pouco, sobre o papel da Pedagogia e a sua formação. Apesar de o curso ter sido criado com duas finalidades, técnico e licenciado, e isso perdurar até 1968, para em 1971 ser estabelecido para o curso de pedagogia as habilitações, ou seja: formar os especialistas; tudo isso contribuiu para não dar uma identidade e uma especificidade para o curso de pedagogia, em especial o da UFC.
O ensino no país vem passando por alguns ajustes onde exige a qualidade na escola pública. Na universidade uma questão é pertinente: não se trata simplesmente de formar o professor para a sala de aula. É desenvolver a competência de saber conduzir o processo de ensino, voltado para a aprendizagem. As licenciaturas, e a Pedagogia, têm sido muito refletida pelos resultados dos indicadores educacionais nas avaliações nacionais. O professor sofre com a desvalorização profissional. Passa por algumas crises. Os problemas sociais invadiram a sala de aula e a aprendizagem não está se adequando as exigências do sistema brasileiro.
Criado em 1939, o Curso de Pedagogia nasce dúbio. Cresce dúbio e permanece até 1970, quando se encontra uma “delimitação” para o mesmo. Isso gera conflitos internos dentro do curso e para os professores e alunos que optam por serem pedagogos. Anteriormente, as Escolas Normais já formavam professores para o atual ensino fundamental. Como desde o princípio de criação do curso não lhe foi dado uma especificidade, algumas áreas foram postas de lado, como: teorizar sobre a educação, aproximar o saber acadêmico com o saber escolar e ir se atualizando constantemente com relação ao ensino. Esse suporte poderia ao longo das décadas
caminhando e dando uma “identidade” ao Curso de Pedagogia.
A monitoria, no percurso do texto, se mostrou, naquela época, como fundamental para alicerçar as alunas pela opção no magistério. Foi à monitoria que abriu as portas para uma vivência até então deixada de lado. Quando a lei foi criada, tinha sim esse objetivo de uma formação voltada para o ensino superior. Mas, nem tudo que é criado nesse país é aplicado na prática. E foi justamente essa lei que fez
com que as alunas, e muitos outros alunos que foram monitores, se firmassem na carreira docente. Faltava isso: uma experiência relacionando teoria e prática. Foi a partir dessa experiência exitosa que surgiram mestras na UFC. A docência se faz com teoria, aplicada na prática.
E sobre essa prática docente, nada melhor do que Tardiff (2005) que faz uma pequena análise sobre esse trabalho do professor:
[...] a análise do trabalho docente não pode limitar-se a descrever condições oficiais, mas deve também empenhar-se em demonstrar como os professores lidam com elas, se assume e as transformam em recursos em função de suas necessidades profissionais e de seu contexto cotidiano de trabalho com os alunos. (p. 112)
Ao analisar as falas das monitoras e professoras aposentadas, vê-se que todas elas passaram por essas fases que Tardiff analisa. Eles ajudavam seus professores nas avaliações, dialogando sobre alguns critérios para saber se os discentes aprenderam ou não. O cotidiano do professor em sala também foi vivenciado por todas. Mesmo que, em uma fala, a monitora considerou que exercia um papel que ela ainda não estava preparada para desempenhar tão bem. Mas todas, sem exceção, saíram gratificadas por ter passado por todo esse processo da sala de aula.
Mesmo com um currículo impositivo da época e voltado para formar o especialista, a monitoria se mostrou mais eficaz na formação do pedagogo para a sala de aula. Mesmo com um problema identitário sobre qual é o papel do pedagogo nas licenciaturas, a monitoria se mostrou mais eficiente no quesito formar para a docência. O currículo tecnicista que formava o especialista não apresentou tantas características que preparavam para a docência, mesmo tendo em seu corpo algumas disciplinas como didática e estágio. Foi a monitoria que proporcionou um aprofundamento melhor sobre a docência. Ela permitiu que essas alunas tivessem outro olhar sobre ser professor.
Mesmo tendo uma tendência tecnicista em uma ideologia de segurança nacional imposta pelo governo militar, a monitoria conseguiu dar um suporte que o curso de pedagogia da UFC precisava para a formação docente. Foi tal experiência exitosa que brotasse a opção por ser professor, fizessem da monitoria uma excelência.
Senão fosse a experiência da monitoria na vida dessas alunas, com certeza, muitas não teriam enveredado pelo caminho do magistério. Claro que falo na docência no ensino superior. Mas, foi essa experiência que fez o grande diferencial na vida delas. Essa aproximação com a realidade da sala de aula proporcionou o que nenhuma outra formação propunha na época: uma vivência na práxis pedagógica. Por que foi na práxis pedagógica que elas puderam ver como é e o que faz os professores. Conheceu os vários estilos didáticos de se ministrar uma aula. Puderam ajudar no planejamento. Ajudar tirando as dúvidas dos colegas de sala. Passaram por uma seleção rigorosa para serem monitoras. Seleção que atualmente é aplicada para quem quer ser professor universitário.
Tudo isso contribuiu para que elas optassem pelo magistério. Puderam conhecer a sala de aula antes mesmo de terminar o curso. Apenar do currículo tecnicista que as preparava para ser especialista, a prática da sala de aula não era o mais importante na época.
Mesmo com perseguições políticas, um currículo voltado para áreas da administração escolar e todos os problemas enfrentados pela educação na época, foi devido à experiência pedagógica da monitoria que fez com que tais alunas optassem pela docência. Foi um novo olhar sobre o ato educativo que despertou nelas a vocação pelo ensino.
Como toda teoria precisa de uma prática, e vive-versa, a monitoria juntou as duas coisas e fez com que se tornasse uma experiência prazerosa. Para, além disso, o contato com o professor orientador despertou também o lado educativo dessa relação fraterna. Não era simplesmente uma relação professor-aluno, era uma relação de troca de experiências e conhecimentos. Cada um contribuía com o trabalho do outro. Ia se solidificando e transformando essa troca na prática da sala de aula. Mostrando assim que a boa relação professor-aluno dá muito frutos e pode ajudar a construir muitas pontes entre o ensino e a aprendizagem.