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3 Foreldrebetaling og moderasjonsordninger

5.3 Arbeidsintensitet i reformens ulike deler

A proposta de Fraser (1990) de formação de esferas subalternas ao poder hegemônico ganha força na internet (DAHLGREN, 2005), a partir do acesso as pessoas podem se organizar em torno de uma discussão política ou de uma identidade. Esse espaço imaterial e de anonimato vai garantir a segurança dos que debatem, permitindo autonomia para uma discussão sem coerção. Esse é um cenário que encontramos em alguns locais da internet, que também pode favorecer o surgimento de discursos conservadores e organização de grupos extremistas.

Dahlgren (2005) alerta que há o risco de que essa fragmentação gere múltiplas esferas que não se comuniquem entre si. “A esfera pública não garante a democracia. Podem haver diferentes informações políticas e debates em circulação, mas é necessário que haja conexões” (DAHLGREN, 2005, p. 152).

Alguns autores colocam ressalvas à ideia da fragmentação, para Rieffel (2010) a fragmentação dos públicos é o resultado da produção de uma oferta que visa a satisfação de demandas particulares, atendendo a expectativas muito específicas. A oposição de julgamentos na esfera pública então desaparece para dar lugar a uma discussão que agregada interesses particulares.

Fuchs (2014) afirma que sem unidade os públicos subalternos vão acabar por concentrar suas ações numa mera reforma identitária sem desafiar o status quo, enfatizando a luta pela redistribuição. “Pós-modernos e pós-marxistas estão tão ocupados ressaltando as

diferenças que não percebem que a diferença pode se tornar repressiva ao se tornar uma pluralidade sem unidade” 22 (FUCHS, 2014, p. 182).

Ressaltar as diferenças é um dos caminhos para alcançar a igualdade, evitar essa discussão é fingir que essas diferenças não existem. Não são somente desigualdades econômicas, mas questões de gênero e raça vão influenciar no reconhecimento do discurso. Enquanto houver grupos que são marginalizados por questões identitárias, culturais, de raça ou gênero, essas questões também assumem sentido político. Negar local de fala a esses grupos é silencia-los na construção da própria identidade.

Esse processo tem levado a uma nova era, na qual há uma transição sobre o que entendemos de democracia (DAHLGREN, 2005). Dahlgren (2005) reforça que a intenção desse movimento não é perder as eleições de vista, mas mudar o posicionamento do poder reforçando a ideia de heterogeneidade cultura e social, as pessoas passam a ver política além da política parlamentar – a esfera pública política – tornando as barreiras entre o político, o social, o cultural e o identitário mais fluídas. “Muitos cidadãos tem focado sua atenção política além do sistema parlamentar, ou estão num processo de redefinição o que constitui a política, muitas vezes no contexto dos movimentos sociais” 23 (DAHLGREN, 2005, p. 155).

O autor acentua que deixa de ser política somente uma atividade instrumental para alcançar objetivos específicos, tornando-se uma atividade expressiva, uma maneira de reivindicar no interior da esfera pública valores de um grupo, ideais, e de pertencimento. Nessa perspectiva, Dahlgren (2005) enumera cinco diferentes setores de esfera públicas baseadas na internet: o e-governement, que tem ações top-down, mas com uma distância menor entre governantes e governados; o domínio ativista, no qual a discussão é organizada por um grupo que partilha do mesmo valor; os fóruns cívicos, onde os cidadãos trocam pontos de vista; o domínio não político, onde a política é um potencial, mas que os atores compartilham principalmente aspectos identitários, sociais e culturais; o domínio jornalístico, que reúne desde os portais de jornalismos profissionais até os blogs.

A rede expande as conexões reunindo indivíduos que não partilham o mesmo local físico e ampliado o alcance e a visibilidade dessas questões. Essa visibilidade é local, o real impacto político ainda depende de uma intervenção na esfera pública política.

22 Tradução da autora de: Postmodernists and post-Marxists are so occupied with stressing difference that they

do not realize that difference can became repressive if it turns into a plurality without unity.

23 Tradução da autora de: Rather, many citizens have refocused their political attention outside the parliamentary

system, or they are in the process of redefining just what constitutes the political, often within the context of social movements.

Cardon (2006) admite que é necessário cuidado para analisar práticas políticas na internet, corremos o risco de cair na generalização quando consideramos esse meio como um todo – objeto, meios de comunicação, esfera pública, mídia e instrumento político. O autor sugere um panorama geral a partir de seis virtudes e suas armadilhas, das quais três são interessantes para a nossa discussão, pois causam o alargamento da noção de esfera pública, são elas: pressuposto da igualdade e armadilha da exclusão; a liberação das subjetividades e a despolitização narcisista; o público a partir do fundo e a armadilha do fim da vida privada.

A ideia de que a internet é aberta a participação de todos (pressuposto da igualdade) é para o autor extremamente excludente. “Atrás do horizonte democrático do „todo participativo‟ se reproduzem desigualdade que se originam a partir da distribuição desigual de capital sociocultual em nossa sociedade” 24 (CARDON, 2006, p. 4). O acesso à internet ainda

é limitado por questões materiais e de capital social, além disso, as pessoas não necessariamente utilizarão a internet para prática política.

É perigoso e simplista considerar a internet somente como um espaço de informação, circulação de ideias e de avaliação crítica. Segundo Cardon (2006), devido à plasticidade da internet os usuários encontraram maneiras bem distintas de associar sua identidade à informação, e para ampliar a ideia de discurso a consequência foi a tolerância por formas em primeira pessoa, ponto de vistas e vozes fracas. A massificação da expressão na internet contribuiu para alienar a subjetividade dos indivíduos e tornar suas expressões conformistas e exibicionistas, mas também transformou essas expressões em produtos do capital informacional (CARDON, 2006).

Essa dicotomia aponta a dualidade da exposição na internet, questões privadas e diálogos sobre política encontram espaço na página pessoal de qualquer usuário de redes sociais digitais. Para Cardon (2006) a esfera pública na internet é uma multiplicidade de conversas que se articulam sem uma lógica ou planejamento, o que na realidade se assemelha muito ao modelo de rede e a autonomia dos usuários em produzir e associar seus próprios conteúdos, é preciso resguardar o impacto desse caos se quisermos considerar sério o debate político que ocorre na internet.