3. OVERSIKT OVER RETTSKJELDEBILETET
3.2. Lovgjeving og førearbeid
A flexibilidade na habitação coletiva surge como um mecanismo eficaz para compensar a falta de comunicação entre o projetista e o cliente desconhecido. Flexibilidade pode assim, ser entendida como um grau de liberdade, possibilitando uma diversidade de modo de viver. Enquanto que o termo flexibilidade tem sido claramente interpretado de várias maneiras diferentes ao longo das últimas décadas, tem ficado claro que a flexibilidade é em um certo sentido uma das metas da modernidade (GALFERTTI, 1997).
Existem distintos tipos de flexibilidade. Pode-se citar uma flexibilidade inicial ou uma flexibilidade permanente. A primeira corresponde à possibilidade de oferecer uma seleção anterior à ocupação da moradia, e permite uma participação do cliente e do projetista em sua concepção. A flexibilidade permanente corresponde à possibilidade de modificar o ambiente ao longo do tempo e é subdivisível em três conceitos: mobilidade, evolução ou elasticidade. A mobilidade implica em uma rápida modificação dos espaços segundo as necessidades diárias. A evolução supõe a modificação ao longo prazo segundo as
transformações da família. A elasticidade corresponde a modificação da superfície habitacional anexando um ou mais ambientes (GALFERTTI, 1997).
Um exemplo de procedimento seguido por uma empresa construtora é apresentado por Oliveira e Moschen (2001), na cidade de Florianópolis, durante o processo de personalização dos apartamentos: o cliente pode escolher os materiais e acabamentos de sua preferência e conta com o auxílio de um arquiteto contratado pela empresa. Porém, o cliente tem datas pré-estabelecidas para definir alguns itens e não são permitidas mudanças nas fachadas e áreas comuns, nem modificações após a tomada das decisões, a menos que haja viabilidade técnica e de custos.
Além disso, essa empresa toma medidas para atenuar a resistência contra a mudança pela mão de obra. Como resultado, a produtividade não é afetada porque os trabalhadores passam a encarar o serviço como um trabalho em equipe e o relacionamento entre eles torna o ambiente mais agradável. Ainda segundo esses autores, a satisfação dos clientes após a entrega da obra é função não apenas da adequação do acabamento à sua vontade, mas também por conta do cumprimento do prazo e da valorização do imóvel.
Em uma pesquisa na construção civil, Kärnä, Junnonen e Kankainen (2004) concluíram que a satisfação do cliente pode ser reduzida excessivamente durante o andamento da obra devido à preocupação do cliente com o não cumprimento dos prazos de entrega. Principalmente, se perceberem que nada será feito para corrigir o planejamento.
Silveira, Borenstein e Fogliatto (2000) apresentam o conceito de personalização em massa, que tem o foco no fornecimento de produtos ou serviços personalizados através de processos flexíveis em grandes volumes e com custos relativamente baixos. É vista como uma ideia sistêmica envolvendo todos os aspectos de venda do produto, o desenvolvimento, fabricação e entrega, um círculo completo a partir da opção do cliente até que ele receba o produto acabado. Os mesmos autores expõem oito níveis de personalização em massa, desde a pura padronização até a pura personalização. Neste trabalho foram adotados sete níveis de classificação em função da semelhança no contexto brasileiro dos níveis additional services (serviços adicionais) com additional custom work (trabalhos personalizados adicionais), conforme Quadro 1 a seguir.
Quadro 1 - Níveis de personalização em massa
Nível Descrição da personalização em massa
Padronização O padrão puro
Uso Somente após a entrega, por meio de produtos que podem ser adaptados para diferentes funções ou situações
Pacote e distribuição
Através da distribuição ou acondicionamento de produtos similares em diferentes formas e tamanhos
Serviços adicionais
Adição de serviços sob encomenda em produtos padronizados, muitas vezes no momento da entrega
Montagem Organização de componentes modulares em diferentes configurações de acordo com os pedidos dos clientes
Fabricação Fabricação de produtos sob medida para o cliente, seguindo projetos pré- definidos
Projeto O maior nível de personalização. Projetos colaborativos, fabricação e entrega dos produtos de acordo com preferências individuais dos clientes
Fonte: Adaptado de SILVEIRA; BORENSTEIN; FOGLIATTO (2000)
Segundo Tillmann (2008), as barreiras para a adoção da personalização em massa estão mais relacionadas com fatores internos da empresa do que com o contexto de provisão habitacional, o que as caracterizam como fatores controláveis e mais fáceis de ser manipulados. Continuando a autora cita que para a transposição dessas barreiras, é necessária a adoção da personalização em massa como estratégia de negócios da empresa e uma consequente reestruturação do processo de desenvolvimento do produto, alinhando-o com esta estratégia.
Anteriormente, Brandão (1997) comentava que a maioria dos casos de pequenas personalizações são resultantes da demanda do mercado, gerando atitudes reativas e geralmente desorganizadas, por parte das empresas, como: (a) a falta de sistemática e procedimentos específicos para a gestão do processo de personalização; (b) o tratamento dos pedidos de alteração como algo imprevisto; (c) a precária coordenação de projetos e a inexistência de projetos executivos necessários para a personalização ou a desatualização dos projetos; (d) a indefinição de responsabilidades no processo, além de retenção do conhecimento sobre as modificações por um único membro da equipe; (e) a falta de assessoria ao cliente, além de um apropriado local para diálogo com o mesmo e para a mostra de materiais de acabamento; (f) a falta de normas internas tanto para a adequada orientação
dos clientes como da própria equipe da empresa responsável pela realização da personalização.
Sebestyen5 (1978 apud BRANDÃO; HEINECK, 1997) identifica formas de
flexibilidade arquitetônica capazes de promover a adaptação do espaço de moradia:
Flexibilidade contínua (ou posterior, ou funcional): se dá ao longo da vida útil da habitação;
Flexibilidade inicial: obtida pela variabilidade dos produtos na fase de construção e de interesse do primeiro usuário.
Brandão (1997) completa que as empresas incorporadoras do setor privado brasileiro oferecem a personalização dos produtos através de dois tipos de flexibilidade inicial: a flexibilidade planejada e a flexibilidade permitida. A primeira referindo-se a uma postura proativa das empresas, que oferecem produtos com vários layouts alternativos (previamente planejados), enquanto a segunda, à oferta de um produto padrão, porém com a possibilidade de alterações pelo consumidor, através de pequenas negociações. Com relação a este último caso, as empresas oferecem, por exemplo, a troca dos materiais de acabamento padrão por materiais escolhidos pelo cliente, cobrando a diferença de valor entre os mesmos.