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Arbeider på og i Røros kirke

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Na metodologia escolhida para este trabalho, a linguagem tem um papel central e é considerada uma unidade básica constitutiva da consciência humana. Ilustrando essa importância, Liberali e Magalhães (2009, p. 47) discutem o papel da argumentação na formação de professores e sua relação com as escolhas metodológicas na organização e condução de pesquisas no contexto escolar. Para as autoras, o foco na argumentação dá suporte para transformação de realidades. Nesse caso, a argumentação não é compreendida no sentido de convencer o outro a mudar seu ponto de vista, mas sim como instrumento-e-resultado, que cria espaços para a colaboração entre parceiros por meio de uma maior participação dos educadores nas discussões sobre sua prática, para a reconstrução de suas ações.

Os trabalhos de Bakhtin/Volochinov (1929, apud SIGNORINI & CAVALCANTI, 1998) entendem que a linguagem é construída socialmente, produz mudança e é mudada na vida humana. Pennycook (2006) diz que a linguagem constitui a identidade e, dessa forma, o sujeito se produz no discurso. A linguagem torna possível a comunicação, assim como realiza a mediação dos seres humanos entre si e com seu passado cultural. Ou seja, somente por meio da linguagem é que a interação se torna possível. A linguagem tem o importante papel de instrumento e objeto da atividade em foco para construção de espaços colaborativos que permitam aos participantes refletir sobre sua ação, questionar seus significados e valores, com base na argumentação.

A argumentação tem um lugar privilegiado, também, no pensamento habermasiano, segundo o qual, por meio dos argumentos, a opinião pode ser transformada em conhecimento. Para Habermas (1987), é através da comunicação que nós estabelecemos relações com o mundo. É através da comunicação que nós

podemos adotar uma relação reflexiva com o mundo, e é essa relação reflexiva que permite tanto o conhecimento do mundo quanto a sua (re)construção, nas dimensões social e subjetiva. Em outras palavras, é por meio da argumentação com o outro que construímos novos significados sobre o mundo. Habermas (1987) ainda coloca que aquele que participa de uma argumentação demonstra a sua racionalidade na forma como age e responde às razões, pró ou contra, que são apresentadas. As emissões ou manifestações ditas racionais, uma vez que são susceptíveis de crítica, são também passíveis de serem melhoradas, de serem reconstruídas.

Por meio da argumentação, os sujeitos externalizam seus pensamentos e entrelaçam suas vozes: criam espaço colaborativo para que um precise agir na fala do outro, percebendo nessas falas as relações de semelhança, diferença, complementaridade, discriminação etc., e indicando que todos possam ir além de si mesmos. Segundo Engeström (1999), a atividade é uma reorquestração da multiplicidade de vozes e pontos de vistas de cada um de seus participantes. Porém, apenas a externalização das vozes não é suficiente para que esse tipo de produção de conhecimento aconteça, pois, segundo Spinoza (1677/2011), para que noções comuns sejam criadas é preciso que as ideias parciais se componham para a formação de ideias mais adequadas.

Ou seja, não basta que os sujeitos externalizem suas vozes, elas precisam ser entrelaçadas para que cada sujeito reafirme suas ideias de maneira mais consciente ou as modifique a partir das novas ideias que se componham às suas. Neste trabalho, as atividades pensadas buscaram criar espaço colaborativo, em que seus sujeitos não só pudessem externalizar suas vozes, mas também entrelaçá-las com as vozes dos outros, reorquestrando a multiplicidade de pontos de vista, visando à construção de significado compartilhado de colaboração crítica.

Para tanto, apoiou-se na argumentação como produção criativa de novos significados em atividades diversas, indo além da simples persuasão ou convencimento (LIBERALI, 2006). Para esta autora, por meio da argumentação, expandimos o significado na luta entre vários sentidos de um determinado grupo de sujeitos. A argumentação é materializada no discurso pelos próprios elementos da língua, que constroem posicionamentos diante da realidade. Para Liberali (2013, p.

109), “no movimento de questionar, contrapor, sustentar, buscar, vão sendo criadas outras possibilidades de entender, expandir e viver”.

Esta pesquisa buscou, pois, criar oportunidades de argumentação entre seus participantes. Porém, não a argumentação em que o sujeito procura fazer com que seu posicionamento seja aceito como o melhor, o mais correto, na tentativa de provar aos demais sua superioridade. Adotou-se, aqui, uma visão de argumentação colaborativa cuja proposta, segundo Liberali (2013, p. 108),

é a produção coletiva e colaborativa de significados compartilhados novos e relevantes para a comunidade. Realiza-se no enfoque da Teoria da Atividade Sócio-Histórico-Cultural (TASCH), no quadro das ideias de Vygotsky (1934/2001). Para o autor, os sujeitos agem em atividades da vida cotidiana, em relações com outros sujeitos, dentro de contextos culturais específicos carregados de história e criadores de histórias futuras.

Por meio da argumentação colaborativa, cada sujeito participa ativa e intensamente como parte do todo, da totalidade, nos remetendo a Spinoza (1677/2011), para quem, cada um é parte de um todo e possui ideias parciais e inadequadas, que se contrapostas, relacionadas e combinadas, se aproximam de noções comuns, fortalecendo a potência de agir de cada um. Portanto, a argumentação colaborativa permite ao sujeito aumentar sua potência de agir, ir além de suas capacidades individuais e aproximar-se da totalidade. Desta forma, novamente voltamos a Vygotsky (1934/2001) que, ao propor o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal, sugeriu que em ações colaborativas realizamos muito mais do que conseguiríamos sozinhos.

Assim, para este trabalho, foi essencial compreender que por meio da argumentação, presente nos momentos de discussão e reflexão, os participantes poderiam aumentar suas potências de agir, indo mais além do que poderiam ir sozinhos.

A seguir, haverá uma breve discussão sobre o instrumento “sessão reflexiva pós-observação de aula”.

1.7. Sessão Reflexiva Pós-Observação de Aulas entre pares a serviço da

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