3.6 Modelling the environmental restrictions as linear constraints
3.6.3 Approximated environmental constraints
Aprecio muito a maneira como Sassaki (2010) aborda a temática inclusão e mais ainda o modo simples de elucidar os paradigmas que envolvem tal conceito, isto é, em forma de combate à exclusão a que estão sujeitas às pessoas com deficiência.
Hoje, após vários estudos, assume-se que a tentativa de normatizar e homogeneizar as vidas das pessoas com deficiência era a forma mais invasiva e desrespeitosa possível, pois obrigava a pessoa deficiente a se modificar e adaptar- se ao convívio social. Quando, na verdade, o ambiente psicossocial e físico é que deveria assumir o papel de facilitador de tal convívio para que a pessoa com deficiência pudesse desenvolver suas capacidades ao seu tempo.
Nesse sentido, serão abordados adiante alguns conceitos que se fazem necessários conhecer para melhor entendimento das escolhas de termos, modelos e linguagens nesta escritura, como muito bem salienta Sassaki:
Os conceitos são fundamentais para o entendimento das práticas sociais. Eles moldam nossas ações. E nos permitem analisar nossos programas, serviços e políticas sociais, pois os conceitos acompanham a evolução de certos valores éticos, como aqueles em torno da pessoa com deficiência, Portanto, e imprescindível dominarmos bem os conceitos inclusivistas para que possamos ser participantes ativos na construção de uma sociedade que seja realmente para todas as pessoas, independentemente de sua cor, idade, gênero, tipo de deficiência e qualquer outro atributo pessoal (2010, p. 27).
Os conceitos inclusivistas são denominados assim por defenderem valores que abordam a inclusão. Surgiram lentamente e foram lapidados a partir da década de 1980 por todos que se debruçaram à causa, em seus diferentes setores da sociedade.
Os conceitos pré-inclusivistas são aqueles que surgiram com o intuito de oferecer atendimento às pessoas com deficiência para torná-las capazes de conviver em sociedade, a saber: Modelo médico da deficiência e Integração social que se subdividi em normalização e mainstreaming.
Já os conceitos inclusivistas indicam maior visualização das verdadeiras necessidades das pessoas com deficiência trazendo para a discussão as suas vozes e quereres numa abordagem mais sociológica, tendo-se: Autonomia, independência e empoderamento; Inclusão social; Modelo social da deficiência.
Segue um quadro resumo dos conceitos inclusivistas e seus principais pressupostos, com base nos estudos de Sassaki (2010)15:
Quadro 2 - Síntese de conceitos inclusivistas e seus principais pressupostos.
CONCEITOS INCLUSIVISTAS
PRÉ- INCLUSIVISTAS INCLUSIVISTAS
Modelo médico da deficiência
Visão centrada no defeito; Problema na pessoa; Curar-se e adaptar-se à sociedade Autonomia Independência Empoderamento Condição de domínio no ambiente físico; Faculdade de decidir sem
depender de outrem; Uso de seu poder pessoal
inerente a sua condição. Integração social
Adoção de práticas de internações,
institucionalizações para ocupar a ociosidade
Inclusão social sociedade para poder Transformação da incluir todas as pessoas Normalização: visa tornar acessíveis às pessoas
socialmente desvalorizadas as condições e modelos de vida.
Mainstreaming: inserção física das pessoas com deficiência em ambientes escolares.
Modelo social da deficiência
Desloca-se o problema da pessoa para a sociedade;
Sociedade deve se adaptar as pessoas com
deficiência. FONTE: Elaborado pela autora
Deve-se ter a clareza de que os conceitos mencionados no quadro 2 são de grande contribuição para o que hoje se entende por inclusão, considerando-se qualquer uma das especificidades a ser classificada.
Nos conceitos pré-inclusivistas, o modelo médico da deficiência identifica na pessoa a deficiência a qual deve ser tratada, por ser um problema, por isso a pessoa deve ser curada e adaptada para poder usufruir dos benefícios da sociedade. De acordo com Carvalho (2012), este modelo sintetiza as causas que geram as doenças e suas manifestações no corpo ou organismos dos sujeitos numa perspectiva determinista e permanente.
Ainda segundo a autora, abstraem-se desse modelo três conceitos que foram adotados para classificar melhor as consequências das doenças, a saber:
deficiência: entendida como a exteriorização patológica do sujeito com reflexo em
diversos distúrbios/funções orgânicos; incapacidade: consequência da deficiência ocasionando limitações e refletindo na natureza da deficiência (psicológica, física, sensorial, ou outra); desvantagem: caracteriza-se por uma discordância entre a capacidade individual de realização de habilidades necessárias a sua sobrevivência e as expectativas de seu grupo social.
O conceito de Integração social surgiu com o propósito de eliminar a prática da exclusão social a que foram submetidas pessoas com deficiência com a adoção
15 SASSAKI, R. K. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. 8 ed. Rio de Janeiro: WVA, 2010.
de práticas de internações, institucionalizações para ocupar a ociosidade. Divide-se em: Normalização e Mainstreaming. A normalização visa a tornar acessíveis às pessoas socialmente desvalorizadas as condições e os modelos de vida dentro das instituições ambientes o mais semelhante possível vivido pela população em geral. Mainstreaming foi uma tentativa de inserir fisicamente as pessoas deficientes em ambientes escolares, para usufruírem dos serviços educacionais, mas ocorria de forma segregacionista, pois os envolvidos eram atendidos em classe especiais.
Os conceitos inclusivistas abordam:
Autonomia é a condição de domínio no ambiente físico preservando ao
máximo a privacidade e dignidade de quem a exerce e “o grau de autonomia resulta da relação entre o nível de prontidão físico-social da pessoa com deficiência e a realidade de um determinado ambiente físico-social” (SASSAKI, 2010, p. 35).
Independência é a faculdade de decidir sem depender de outrem. Nesse
caso, a pessoa com deficiência pode ser mais ou menos independente em decorrência não apenas da quantidade e qualidade de informações que lhe possibilitem tomar a melhor decisão, mas também está vinculada a sua autodeterminação e prontidão de decisão perante as situações.
Empoderamento é uso de seu poder pessoal inerente a sua condição na qual
a pessoa assume o controle de sua vida, exercendo o poder real e pessoal de decisão, potencializando suas escolhas e até lutas por seus direitos.
Inclusão social: conceituada como um processo pelo qual a sociedade se
adapta para poder incluir, em seus sistemas sociais gerais e, simultaneamente, as pessoas se preparam para assumir seus papéis na sociedade. Os princípios da inclusão social repousam na aceitação das diferenças individuais, na valorização de cada pessoa, na convivência da diversidade humana e na aprendizagem por meio da cooperação.
Modelo social da deficiência: aqui, os problemas não estão na pessoa com
deficiência e sim na sociedade, causando-lhes incapacidades ou desvantagens no seu desempenho de papéis sociais, como será detalhadamente explicado mais adiante.
A inclusão no âmbito educacional precisa ser compreendida como um princípio orientador da escola, consolidado por meio de práticas responsáveis e comprometidas com a garantia do acesso ao currículo, ao conhecimento, pelos diferentes sujeitos que frequentam o espaço escolar.
Dessa forma, o conceito de práticas curriculares inclusivas são aquelas abarcadas pelo desenvolvimento de ações docentes inseridas num contexto social e cultural com foco no respeito à diferença, garantindo aos alunos com deficiência acesso ao conhecimento e ao processo de escolarização, bem como o desenvolvimento de sua integralidade (MESQUITA, 2013).
É válido dizer que em diferentes momentos da vida, pessoas com ou sem deficiência buscam cuidados médicos e talvez necessitem destes por uma vida inteira. Porém, a afirmação da deficiência como um estilo de vida não é resultado exclusivo do progresso médico, mas sim uma afirmação ética que desafia nossos padrões de normal e patológico (DINIZ, 2012).
A lógica do modelo médico baseava-se nas lesões de segmentos corporais que levam a deficiência deixando a pessoa em desvantagem diante das exigências da sociedade. Já no modelo social a lógica é outra: a sociedade organiza-se em busca de oferecer condições para o desenvolvimento de potencialidades destes indivíduos sem exclusões. A deficiência no modelo médico é “culpa” integral da pessoa que a possui sendo ela responsável em se adequar aos padrões impostos pela sociedade e tendo de ser curada, tratada, reabilitada, habilitada sem maiores prejuízos à sociedade (DINIZ, 2012 e SASSAKI, 2010).
Nessa perspectiva é que me posiciono em acreditar que o modelo social de deficiência é o que melhor se ajusta em termos de educação inclusiva e seus desmembramentos.
Ao mirar a prática na educação infantil, percebe-se que atender a crianças em situação de deficiência provoca ainda mais “despertares” para uma sociedade realmente inclusiva com ensaio e perspectivas de constituição de seres humanos mais solidários e, por si sós, inclusivos, que promovam a inclusão sem barreiras ou distinções.
O processo de inclusão de alunos em situação de deficiência gera alguns benefícios para os professores, uma vez que necessitam atualizar suas habilidades para atuarem junto a alunos acadêmica e socialmente deficientes. Stainback e Stainback (1999) asseguram que para os professores é a oportunidade de planejar e conduzir a educação como parte de uma equipe, ou seja, participar de uma interação cooperativa permitindo uma colaboração entre docentes com o intuito de melhorar suas habilidades com efeitos visíveis na aprendizagem de seus alunos. Pode-se dizer ainda que os professores tomam conhecimento dos progressos na
educação, conseguindo antecipar mudanças e participar do planejamento da vida escolar diária.