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1 - ORGANIZAÇÃO GERAL DO CAPÍTULO DE RESULTADOS

Este capítulo de resultados inicia-se com uma breve caracterização da população de onde a amostra é retirada, seguida da descrição detalhada das principais variáveis independentes: coortes de nascimento selecionadas e idades da toma da VASPR, seguida da caracterização das restantes variáveis independentes. É descrita a distribuição das variáveis dependentes (concentração de ATS IgG e estado imunitário positivo ou negativo) sendo mostrados os resultados da análise inferencial, univariada e multivariada.

1.1 - CARACTERIZAÇÃO GERAL DA POPULAÇÃO

Neste grupo de estudo as amostras foram recolhidas de duas populações: adolescentes com idade compreendidas entre os 10 e os 13 anos de idade, pertencentes ao concelho do Sabugal e jovens com idades compreendidas entre os 18 e os 23 anos de idade, estudantes das 5 licenciaturas da ESSLei/IPL.

No primeiro caso, a amostra foi retirada de 131 adolescentes, que representam todos os nascidos entre 2001-2003 dos ficheiros do centro de saúde do Sabugal, onde a taxa de cobertura vacinal contra o sarampo, para as duas doses foi de 100%, nas coortes estudadas (Portugal, 2013c). Estes 131 adolescentes foram convocados através de carta postal e 50 deles (38,2%) dirigiram-se ao centro de saúde para atualizar a sua situação vacinal e participar no estudo. Dos 50 adolescentes que se deslocaram ao centro de saúde, 45 (90%) consentiram participar no estudo através da assinatura do consentimento informado pelos seus pais. No entanto, a todos os 50 foram administradas as vacinas em falta, de acordo com o PNV. Neste grupo não foi possível atingir o tamanho da amostra esperado devido à dificuldade em obter o cumprimento dos critérios de inclusão em número suficiente para participar no mesmo.

No caso dos jovens, a amostra foi colhida de entre 312 indivíduos nascidos entre 1990-93 e 1994-95, que frequentam as 5 licenciaturas da ESSLei/IPL. Grande parte destes alunos pertence ao ACES Pinhal Litoral, onde a taxa de cobertura vacinal contra o sarampo, para as duas doses de vacina, foi superior a 95% nas coortes estudadas (Portugal, 2013c). Neste grupo, 159 jovens (50,9%) acederam favoravelmente a participar no estudo.

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1.1.1 - Resultado da recolha da informação vacinal

A informação vacinal foi recolhida dos documentos vacinais BIS e FIV. Em 75 participantes obtiveram-se os seus dados vacinais através da consulta só do BIS, em 33 a partir da consulta só da FIV e em 82 a partir dos dois documentos BIS + FIV. Em catorze participantes não obtivemos nenhum documento e por isso foram excluídos da análise (tabela 20).

Nos 82 participantes de quem se obtiveram os dados a partir dos dois documentos, em apenas um a informação vacinal registada no BIS não coincidia com a informação vacinal registada na FIV, devendo-se essa diferença a um erro de registo da data da VASPR II.

Tabela 20 - Resultado da recolha da informação vacinal nos 3 grupos de adolescentes e jovens estudados

Variável

Grupos inicialmente selecionados

Total Nascidos em 1990-1993 Nascidos em 1994-1995 Nascidos em 2001-2003 Origem da informação vacinal Só BIS 51 24 0 75 Só FIV 19 14 0 33 FIV+ BIS 10 27 45 82 Nem BIS, nem FIV 10 4 0 14 Total 90 69 45 204

1.2 - CARACTERIZAÇÃO DO ESTADO VACINAL E ESQUEMAS VACINAIS SEGUIDOS PARA A VASPR II, PELAS 3 COORTES SELECIONADAS

A distribuição dos grupos de indivíduos selecionados, por esquema vacinal (idades das 1ª e 2ª doses), está detalhadamente descrita na tabela 21 e no gráfico 13, que passamos a comentar.

1.2.1 - Idade da VASPR I e da VASPR II

Do total dos 190 indivíduos de quem foi possível obter história vacinal 80 pertencem à coorte de nascidos entre 1990-93, 64 pertencem à coorte de nascidos entre 1994-95 e 45 pertencem à coorte de nascidos entre 2001-03.

Dois indivíduos receberam a VASPR I antes de completarem 12 meses de idade e, por isso, não foram considerados nas posteriores análises. Três participantes receberam a VASPR I após completarem 24 meses de idade: um foi vacinado aos 25

121 meses (coorte de nascidos em 2001-2003) e ainda foi incluído na restante análise, enquanto os outros dois foram vacinados aos 59 meses e, por esse motivo, não foram considerados nas análises posteriores, por ser uma idade muito atípica para realizar a VASPR I; logo, a partir deste ponto ficamos apenas com 186 indivíduos para as análises seguintes (gráfico 13).

Gráfico 13 - Idade da toma da VASPR I

Os 186 participantes selecionados para a análise receberam a primeira VASPR entre os 12 e os 25 meses de idade, mas 80,7% foram vacinados entre os 14 e os 16 meses completos de idade, ou seja, muito próximo da idade programaticamente recomendada (tabela 21).

Aos 80 indivíduos da coorte nascida entre 1990-93, a VASPR II era recomendada entre os 10 e os 13 anos e 81,5% (66/80) cumpriu essa recomendação (vacinados entre os 10,0 e os 12,7 anos de idade). Um grupo de 12 jovens foi vacinado entre os 8,49 e 9,97 anos, ou seja, numa idade intermédia entre as duas recomendações possíveis. Dois jovens receberam a segunda dose aos 5-6 anos de idade, ou seja, pela estratégia recomendada para a coorte de nascidos depois de 1993 (tabela 21).

Aos indivíduos da coorte nascida entre 1994-95, a VASPR II era recomendada entre os 5 e os 6 anos e 93,5% (60/64) cumpriu essa recomendação. Três jovens receberam a VASPR II aos 10-13 anos de idade, ou seja, pela estratégia anteriormente

Média=15,88 Desvio padrão=4,81

122 recomendada para a coortes de nascidos antes de 1993. Um jovem tomou a VASPR II aos 8,5 anos de idade (fora de qualquer idade recomendada) (tabela 21).

Para a coorte nascida entre 2001 e 2003 a VASPR II era recomendada entre os 5 e os 6 anos e todos cumpriram esta recomendação (tabela 21).

Tabela 21 - Esquema vacinal seguido pelas 3 coortes de nascimento selecionadas Variável Coortes selecionados Total Nascidos entre 1990-1993 Nascidos entre 1994-1995 Nascidos entre 2001-2003 Idade da 1ª dose < 12 meses 0 0 2 2 12 a 24 meses 80 64 41 185 > 24 meses 1 0 2 3 Total: 81 64 45 190 Idade da 2ª dose 5-6 Anos 2 60* 42* 104 7-9 Anos 12 1 0 13 10-13 Anos 66* 3 0 69 Total: 80 64 42 186

* Tomaram a VASPR II na idade recomendada para a respetiva coorte de nascimento.

1.2.2 - Subgrupos “programáticos” (ou “coortes vacinais”)

Dentro das três coortes inicialmente selecionadas, isolámos três subgrupos (ver sombreado na tabela 21) que cumpriram os esquemas vacinais recomendados pelo PNV para as respetivas coortes de nascimento, ou seja:

A - Nascidos entre 1990 e 1993 que receberam a VASPR II entre os 10 e os 13 anos de idade completos (n = 66);

B - Nascidos entre 1994 e 1995 que receberam a VASPR II entre os 5 e os 6 anos de idade completos (n = 60);

C - Nascidos entre 2001 e 2003 que receberam a VASPR II entre os 5 e os 6 anos de idade completos (n = 42).

A partir deste ponto só incluímos nas análises os 168 participantes pertencentes aos ditos três subgrupos “programáticos” (ou “coortes vacinais”) que cumpriram rigorosamente os critérios de inclusão.

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1.2.3 - Variáveis derivadas da informação das datas de vacinação

Como dispomos dos valores precisos da data de nascimento, das idades da toma da 1ª e 2ª doses de VASPR, da data da colheita de amostra de sangue, foi possível construir as seguintes variáveis numéricas contínuas (ver tabela 22): idade da primeira dose de VASPR, idade da segunda dose de VASPR, intervalo entre as duas doses de VASPR e tempo decorrido desde a última dose de VASPR, as quais serão usadas na análise inferencial posterior.

O tempo médio decorrido entre as duas doses de VASPR foi maior na “coorte vacinal” nascida entre 1990 e 1993 (que corresponde à coorte que tomou a dose entre os 10-13 anos de idade), e menor nas duas outras coortes (nascidos entre 1994-95; e entre 2001-03) cujas crianças foram vacinadas entre os 5-6 anos de idade (tabela 22).

Por sua vez, o tempo decorrido desde da última vacinação foi maior na coorte nascida entre 1994 e 1995 (média 12,92 anos), seguida da coorte nascida entre 1990 e 1993 (média 9,59 anos), e por último, a coorte nascida entre 2001 e 2003 vacinada há menos tempo (média 5,73 anos) (tabela 22).

Na análise paramétrica, apenas a idade da primeira dose de VASPR não foi estatisticamente diferente entre as 3 coortes selecionadas. As restantes variáveis: idade da 2ª dose, tempo decorrido desde a última vacinação e tempo decorrido entre VASPR I e VASPR II apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre as 3 coortes (p = 0,001) como seria de esperar devido à prévia seleção considerando esse mesmo estado vacinal (tabela 22).

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Tabela 22 – Caracterização das idades da toma da 1ª e 2ª dose de vacina VASPR, tempo decorrido desde a última vacina e tempo decorrido entre VASPR I e VASPR II

Variáveis

Coortes vacinais selecionadas

p Nascidos entre 1990- 1993 Nascidos entre 1994- 1995 Nascidos entre 2001- 2003 Idade da 1ª toma (meses) Min 12,00 13,00 12,00 0,153* Max 20,00 22,00 25,00 Média 15,10 15,88 15,70 Desvio padrão 1,24 1,93 2,06 Idade da 2ª toma (anos) Min 10 5,23 5,00 0,001* Max 12,70 6,65 6,18 Média 10,89 5,95 5,59 Desvio padrão 0,625 0,30 ,31 Tempo decorrido entre as duas vacinas (anos) Min. 8,68 3,53 3,95 0,001* Max. 11,38 5,38 5,00 Média 9,55 4,59 4,24 Desvio padrão 0,62 0,33 ,36 Tempo decorrido desde a última vacinação (anos) Min. 6,39 11,93 5,74 0,001* Max. 11,58 14,93 7,20 Média 9,59 12,92 5,75 Desvio padrão 1,01 0,39 ,71 66 60 42 168 * ANOVA 1.3 - IDADE E SEXO

Nos 66 jovens que pertencem à coorte nascida entre 1990 e 1993 a idade variou entre 18,89 e os 22,77 anos, a média foi de 20,40, o desvio padrão de 0,93 anos de idade. Entre os 60 jovens pertencentes à coorte nascida entre 1994 e 1995 a idade variou entre os 18 e 20,58 anos, a média foi de 18,88 anos e desvio padrão de 0,38 anos de idade. Nos 42 adolescentes pertencentes à coorte nascida entre 2001 e 2003 a idade variou entre os 10,27 anos e os 13,14 anos de idade, a média 11,32 e desvio padrão de 0,77 anos de idade (tabela 23).

125 Há uma maior proporção de indivíduos do sexo feminino (129/168; 76,8%) (tabela 23) selecionados para o estudo; a razão dos sexos é próxima de um entre os adolescentes do ficheiro de vacinação do centro de saúde do Sabugal (nascidos entre 2002 e 2003). Mas há mais mulheres a frequentar os cursos da ESSLei/IPL, pelo que a nossa amostra tem uma maior representação do sexo feminino nos grupos de participantes selecionados, nascidos entre 1990 e 1995 (tabela 23).

Tabela 23 - Valores descritivos da idade dos participantes, por grupo em estudo nos 3 grupos de adolescentes e jovens Variável Medidas Coortes selecionados Nascidos entre 1990- 1993 Nascidos entre 1994-1995 Nascidos entre 2001- 2003 Idade Min. 18,89 18,00 10,27 Máx. 22,77 20,58 13,14 Média 20,40 18,88 11,32 Desvio Padrão 0,93 0,38 0,77 n 66 60 42 168 Sexo Feminino 56 51 22 129 Masculino 10 9 20 39 Total 66 60 42 168

1.4 - CONCENTRAÇÃO DE ATS IgG

A CG de ATS IgG nos 3 grupos de adolescentes e jovens selecionados (“coortes vacinais”) variou de um valor mínimo de 75 mUI/ml, e um valor máximo 7411 mUI/ml, com uma média geométrica 281 mUI/ml (IC 95%: 229 – 344) e mediana de 271 mUI/ml. Em 36,3% dos soros a CG de ATS IgG foi inferior ao log (150 mUI/ml), ou seja, inferior ao valor considerado positivo para a proteção contra o sarampo.

1.5 - VARIAÇÃO DE ATS IgG POR COORTE DE NASCIMENTO E IDADE DA TOMA DA VASPR II

Neste ponto será feita a análise inferencial tendo em consideração os efeitos das duas principais variáveis independentes “coortes vacinais selecionadas” e “idade da toma da VASPR II” na variável dependente “imunidade contra o sarampo”, como variável quantitativa contínua.

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1.5.1 - Variação da concentração geométrica por coorte de nascimento

As “coortes vacinais” (ou subgrupos “programáticos” - ver 1.2.2 e tabela 21) são a principal variável independente em estudo, porque foram deliberadamente selecionadas por corresponderem a diferentes idades recomendadas para a segunda dose de VASPR. A CG de ATS IgG está detalhadamente descrita na tabela 24 e no gráfico 14.

Tabela 24 - Concentração geométrica de ATS IgG por coorte selecionada

Variável Medidas

Coortes vacinais selecionadas

Total p Nascidos entre 1990- 1993 Nascidos entre 1994- 1995 Nascidos entre 2001- 2003 Concentração de ATS IgG (mUI/ml) Min 75 75 75 75 0,001* Máx 7411 1543 5334 7411 Mediana 239 133 812 271 Média 251 144 930 281 IC 95% 168-331 114-177 630 - 1261 229-344 n 66 60 42 168 *ANOVA

A análise de ANOVA e análise de comparação múltipla de Tukey revela diferenças estatisticamente significativas entre as médias da CG de ATS IgG das 3 coortes selecionadas A, B e C (p = 0,001).

Na análise do gráfico 14, verificamos que a coorte nascida entre 2001-03 é aquela que apresenta maiores níveis de ATS IgG; apenas um indivíduo apresenta níveis de ATS IgG abaixo do limiar de proteção contra o sarampo. Já a coorte nascida entre 1994-95 é aquela em que a CG de ATS IgG é menor; mais de metade dos indivíduos da coorte encontra-se abaixo do limiar de proteção contra o sarampo < log (150 mUI/ml) = 2,17. A coorte nascida entre 1990-93 é uma coorte intermédia; mais de 50 % dos indivíduos encontram-se acima de limiar de proteção, mas abaixo dos níveis da coorte nascida entre 2001-03. A análise de ANOVA e a análise de comparação múltipla de

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Gráfico 14 - Variação da concentração geométrica de ATS IgG, em log de mUI/ml, pelas 3 coortes vacinais selecionadas (n=168)

1.5.2 - Variação da concentração geométrica de ATS IgG por idade da toma da VASPR II

Os subgrupos programáticos B e C foram agregados em função da idade da VASPR II, por forma a comparar duas coortes, as que se vacinaram aos 5-6 anos de idade e as que se vacinaram entre os 10 e os 13 anos de idade. A análise paramétrica (t

de Student) revela que os vacinados com VASPR II aos 5-6 anos de idade apresentam

níveis médios de ATS IgG ligeiramente superiores ao subgrupo vacinado com VASPR II entre os 10-13 anos de idade (gráfico 15); no entanto, essa diferença não é estatisticamente significativa (p = 0,301).

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Gráfico 15 - Variação da concentração geométrica de ATS IgG, em log de mUI/ml, pela idade da toma da VASPR II (n=168)

1.6 - VARIAÇÃO DA CONCENTRAÇÃO GEOMÉTRICA DE ATS IgG EM FUNÇÃO DAS DIFERENTES VARIÁVEIS INDEPENDENTES

Neste ponto será realizada a análise inferencial tendo em consideração os efeitos das diferentes variáveis independentes na variável dependente “imunidade contra o sarampo”, como variável quantitativa contínua.

A coorte A e a coorte B têm em comum a idade da primeira toma e a idade cronológica muito próxima. Por outro lado, a idade da dose e o tempo entre VASPR I e VASPR II, são bastante diferentes (tabela 25).

A coorte A e a coorte C têm apenas em comum a idade da toma da primeira dose de VASPR (tabela 25).

A coorte B e a coorte C têm em comum a idade da primeira e segunda toma e o tempo decorrido entre VASPR I e VASPR II, sendo muito diferentes na idade cronológica e no tempo decorrido desde da última vacinação (tabela 25).

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Tabela 25 - Resumo das características médias das variáveis independentes, nas 3 coortes selecionadas coortes “programáticas”

Características Coortes “Programáticas” Média de idade (anos) Média de idade 1ª dose (meses) Média de idade 2 ª dose (anos) Média do tempo decorrido entre VASPR I e VASPRII (anos) Média do tempo desde última vacina (anos) Coorte A (n=66) 20,40 15,10 10,89 9,01 9,59 Coorte B (n=60) 18,88 15,88 5,95 5,38 12,92 Coorte C (n=42) 11,32 15,70 5,59 5 5,75

1.6.1 - Variação dos níveis de ATS IgG nos indivíduos das três coortes (subgrupos programáticos) analisadas em conjunto, tendo em conta as diferentes variáveis independentes

Nas 3 coortes selecionadas a análise de regressão linear simples revela que a CG de ATS IgG diminuiu com a idade (p = 0,001, r2 = 0,183) (gráfico 16).

Gráfico 16 - Variação da concentração geométrica de ATS IgG, em log de mUI/ml com a idade em anos, nas coortes nascidas entre 1990-93, 1994-95 e 2001-03 dos subgrupos “programáticos” (n=168)

A idade da segunda toma teve um efeito estatisticamente significativo na CG de ATS IgG nas 3 coortes selecionadas quando estudadas em conjunto; os jovens que tomaram a segunda dose de vacina mais tarde foram aqueles que apresentaram menores níveis de ATS IgG (p = 0,001), mas essa relação é muito ténue, é apenas explicada em 6‰ (r2= 0,006) (gráfico 17).

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Gráfico 17 - Variação da concentração geométrica de ATS IgG em log de mUI/ml com a idade de segunda dose de VASPR em anos, nas coortes nascidas entre 1990-93, 1994-95 e 2001-03 dos subgrupos “programáticos” (n=168)

O tempo entre as duas doses de vacina, nas 3 coortes selecionadas e estudadas em conjunto, esteve associado significativamente à CG de ATS IgG. Quanto menor o tempo decorrido entre as duas doses, maior o nível de ATS IgG (logaritmo da concentração de ATS IgG) (p = 0,019), sendo essa relação explicada em 6‰ (r2 =

0,006) (gráfico 18).

Gráfico 18 - Variação da concentração geométrica de ATS IgG, em log de mUI/ml, com o tempo decorrido entre VASPR I e VASPR II em anos, nas coortes nascidas entre 1990-93, 1994-95 e 2001- 03 dos subgrupos “programáticos” (n=168)

150 mUI/ml

131 O tempo decorrido desde a última vacinação também influenciou o nível de ATS IgG (logaritmo da concentração de ATS IgG) (p = 0,001). À medida que o tempo avança a concentração de ATS IgG contra o sarampo diminui, sendo que 24,4% dessa diminuição é explicada pelo tempo decorrido desde da última vacinação (r2 = 0,244). Antes de 8 anos decorridos desde a última vacina apenas um indivíduo apresentou níveis de ATS IgG (logaritmo da concentração de ATS IgG) abaixo do limiar de proteção (150 mUI/ml CG de 2,17), (p = 0,001) (gráfico 19).

Gráfico 19 - Variação da concentração geométrica de ATS IgG, em log de mUI/ml, com o tempo decorrido desde a última vacina em anos, nas coortes nascidas entre 1990-93, 1994-95 e 2001-03 dos subgrupos “programáticos” (n=168)

Em resumo, nos modelos simples de regressão linear todas as variáveis avaliadas estiveram associadas, do ponto de vista estatístico, à CG de ATS IgG nos soros vacinais com exceção da idade de toma da primeira dose de VASPR I.

As variáveis que na análise univariada estavam associadas à CG de ATS (tempo decorrido desde da última vacinação, idade cronológica, idade da segunda dose de VASPR e tempo decorrido entre VASPR I e VASPR II) são colineares entre si. Numa análise multivariável, com uma abordagem “Forward”, entre as variáveis colineares o modelo seleciona as que tiveram maior poder discriminatório.

O modelo final de regressão linear múltipla incluiu apenas o tempo decorrido desde a última vacinação (p = 0,001) como variável capaz de explicar 25,1% da variabilidade da CG de ATS IgG nos soros vacinais destas 3 coortes (r2 = 0,251). E o modelo saturado mostra-nos que quando o tempo decorrido desde da última vacinação

132 está presente, a idade da VASPR II não tem qualquer influência na CG de ATS IgG (p = 0, 249) (tabela 26).

Tabela 26 – Modelo de regressão linear que avalia a associação entre as variáveis independentes e a concentração de ATS IgG nos soros vacinais das 3 coortes selecionadas

Variáveis Análise univariada Coorte A (n = 66) + Coorte B (n = 60) + Coorte CModelo final (Forward) Modelo final saturado (n = 42)

Idade 0,001 (*) Idade da 1ª VASPR 0,420 0,626 Idade da 2ª VASPR 0,001 0,249 Tempo decorrido entre VASPR I e VASPR II 0,019 (*) Tempo desde última VASPR 0,001 0,001 0,001 r2 ajustado 0,250 0,251

(*) Não pode ser incluída no modelo saturado por causa da colinearidade

1.7 - RISCO DE SERONEGATIVIDADE ATS IgG, POR COORTES VACINAIS

Neste ponto faremos a análise inferencial tendo em consideração a associação entre a variável “coortes vacinais” (subgrupos “programáticos”, ponto 1.5. e gráfico 14) e a variável dependente “imunidade contra o sarampo”, como categórica, conforme o

cut-off de 150 mUI/ml.

As três “coortes vacinais” refletem as coortes de nascimento e os correspondentes esquemas vacinais seguidos. Os níveis de seronegatividade ATS IgG estão detalhadamente descritos nas tabelas 27 e 28.

A menor proporção de seronegativos (2,3%) foi observada na coorte vacinal nascida entre 2001-2003, enquanto a maior foi observada entre os nascidos entre 1994 e 1995 (58,3%); a coorte vacinal nascida entre 1990-1993 apresentou um valor intermédio de 37,8% seronegativos.

O teste de independência de χ2 revela diferenças estatisticamente significativas

no risco de seronegatividade ATS IgG entre as 3 coortes selecionadas (p = 0,003) (tabela 27). As diferenças também são estatisticamente significativas quando as coortes são comparadas duas a duas.

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Tabela 27 – Seronegatividade de ATS IgG por coortes selecionadas

Variável Categoria Coortes selecionados Total p* Nascidos entre 1990- 1993 Nascidos entre 1994- 1995 Nascidos entre 2001- 2003 Classificação de ATS IgG Cut-off 150 mUI/ml Positivo 41 62,1% 25 41,6% 41 97,6 107 63,7% 0,003 Negativo 25 37,8% 35 58,3% 1 2,3% 61 36,3% Total 66 100% 60 100% 42 100% 168 100% *χ2

Agregando as coortes de nascidos entre 1994-1995 e entre 2001-2003 podemos comparar as que receberam VASPR II aos 5-6 anos com as que a receberam entre os 10- 13 anos de idade. O teste de independência χ2 não revela diferenças estatisticamente

significativas no risco de seronegatividade as coortes que receberam VASPR II aos 5-6 anos de idade e as que receberam entre os 10-13 anos de idade (p = 0,382) (tabela 28).

Tabela 28 - Seronegatividade de ATS IgG por idade da toma da VASPR II

Variável Idade VASPR II

Total p* 5-6 Anos 10-13 Anos Classificação de ATS IgG Cut-off 150 mUI/ml Positivo 67 65% 40 61,5% 107 63,7% 0,382 Negativo 36 35% 25 38,5% 61 36,3 Total 103 100% 65 100% 168 100% *χ2

1.8 - RISCO DE SERONEGATIVIDADE ATS IgG EM FUNÇÃO DAS DIFERENTES VARIÁVEIS INDEPENDENTES

Neste ponto será feita a avaliação conjunta do risco de seronegatividade nas coortes “programáticas” A, B e C em função das diferentes variáveis independentes.

A coortes A e B têm em comum a idade da 1ª toma, o tempo decorrido desde a última vacinação e anos de nascimento próximos (1990 a 1995). São bastante diferentes na idade da segunda dose e no tempo entre VASPR I e VASPR II (tabela 29).

As coortes B e C têm em comum as idades da 1ª e da 2ª toma, assim como o tempo entre VASPR I e VASPR II. São bastante diferentes no tempo decorrido desde a última vacinação e no ano de nascimento (tabela 29).

134 As coortes A e C têm apenas em comum a idade da toma da primeira dose de VASPR, sendo diferentes nas restantes características (tabela 29).

As variáveis “idade da 2ª toma VASPR”, “tempo decorrido entre VASPR I e VASPR II” e “tempo desde a última VASPR” foram categorizadas conforme a tabela 29, porque os valores das variáveis contínuas (tabela 22) “sugerem” categorias associadas às “coortes vacinais” (coortes “programáticas” A, B e C).

Tabela 29 - Características das variáveis independentes, pelas três coortes selecionadas, usadas nos modelos de regressão logística

Características

Coorte “programática”

Anos de

nascimento Idade da 2ª toma VASPR

Tempo médio, entre VASPR I e

VASPRII

Tempo médio aproximado, desde a última vacina VASPR

Coorte A (n=66) 1990-93 10-13 Anos Mais de 9 anos 10 anos Coorte B (n=60) 1994-95 5-6 Anos Menos de 5 anos 13 anos Coorte C (n=42)* 2001-03 5-6 Anos Menos de 5 anos 06 anos

Os dados foram analisados usando dois modelos de regressão logística múltipla: no primeiro as variáveis foram usadas como numéricas contínuas (tabela 22), enquanto no segundo, as mesmas variáveis foram usadas como categóricas (tal como descrito na tabela 29).

1.8.1 - Risco de seronegatividade ATS IgG em função das diferentes variáveis independentes, nas 3 coortes dos subgrupos “programáticos” A, B e C