(a) Single vehicle; or (b) Series of vehicles
16. Applicable rules (M):
A ação de vozear corresponde à atividade de vibrar das pregas vocais, a qual é explicada por meio da teoria de natureza aerodinâmica, em que se destaca o efeito de Bernoulli. A partir dele, estimou-se que o fluxo de ar pulmonar, ao passar pela glote, cria uma pressão negativa e, consequentemente, favorece a coaptação (contato) de pregas vocais. Esse movimento de pregas vocais ocorre no sentido horizontal, bem como no vertical (Van den Berg, 1958).
A atividade vibratória de pregas vocais caracteriza-se como uma das câmaras iniciadoras do mecanismo de fonação, cuja ação fisiológica é encontrada em grande parte dos sons da fala (Camargo et al, 2000).
Os sons da fala dividem-se em vogais e consoantes, os quais seguem critérios diferenciados de caracterização, uma vez que, ao contrário das vogais, cujo trato vocal configura-se livremente à saída do fluxo aéreo, as consoantes possuem obstáculos à passagem do ar. Como implicações, as consoantes são classificadas articulatoriamente de acordo com três critérios: o modo de articulação, o ponto de articulação e a presença ou não do vozeamento.
As consoantes do PB caracterizadas pelo modo de articulação plosivo, fricativo e africado (consoantes obstruintes) apresentam, para cada ponto articulatório, pares de vozeamento compostos de um segmento tido como não vozeado e um correspondente vozeado (Camargo et al, 2000; Camargo, Navas, 2008).
No que se refere às consoantes obstruintes plosivas, constituem o repertório do PB os seguintes pares não vozeados-vozeados: [p]-[b], [t]-[d] e [k]-[g]. Esses pares são caracterizados pelos respectivos pontos de articulação: bilabial, dental e velar. Assim, os sons plosivos vozeados são produzidos com a presença de atividade de pregas vocais durante o momento da obstrução total no trato vocal, enquanto seus pares não vozeados têm essa atividade glótica ausente (Silva, 2002; Camargo, Navas, 2008).
Deste modo, o critério de vozeamento caracteriza um contraste na língua e as consoantes [p], [b], [t], [d], [k] e [g] passam também a ser referidas, não somente pelo seu modo e ponto articulatório, mas também pelo contraste de vozeamento.
Fisiologicamente, a produção do vozeamento nas consoantes obstruintes envolve a coordenação motora fina de movimentos glóticos (vibração de pregas vocais) e movimentos supraglóticos (obstrução no trato vocal) (Sweeting, Baken, 1982; Shimizu, 1996; Gregio, Camargo, 2005). Para tal produção, são necessários integridade e funcionamento adequado do volume pulmonar, das condições aerodinâmicas da glote, dos músculos laríngeos, dos órgãos fonoarticulatórios e do sistema auditivo (Hoit et al, 1993; Shimizu, 1996, Hoole et al, 1999; Gregio, Camargo, 2005).
Acusticamente, a produção das consoantes obstruintes não vozeadas envolve a geração de uma fonte de ruído transiente (constituída pelo silêncio, característico da obstrução do trato vocal, seguido pelo burst, liberação repentina da corrente de ar retida), resultado acústico da constrição completa em algum ponto do trato vocal seguida de sua liberação. Nas obstruintes vozeadas, por sua vez, há duas fontes sonoras, a de ruído transiente acoplada à de fonte de voz, resultado da vibração das pregas vocais (Kent, Read, 1992; Johnson, 2003).
Para descrever e investigar acusticamente o contraste de vozeamento, algumas medidas acústicas têm sido relatadas, tais como: voice-onset-time (VOT), duração da consoante, duração das vogais adjacentes à consoante, frequência fundamental (f0) no início da vogal seguinte à consoante, frequência do primeiro formante (F1) no início da vogal seguinte à consoante e burst.
Primeiramente, apresenta-se, abaixo, um panorama geral dos estudos que abordam a questão do contraste de vozeamento utilizando diversas medidas com a finalidade de analisar tal contraste. Na sequência, seguem apresentados os estudos desenvolvidos especificamente para o contraste de vozeamento no PB.
Uma das medidas acústicas utilizadas na investigação do contraste de vozeamento é o voice-onset-time (VOT). Esta medida, definida como um parâmetro de duração conhecido como tempo de início do vozeamento, representa o intervalo de tempo entre a soltura da oclusão articulatória do som plosivo e a vibração das pregas vocais e é relatada na literatura fonética como dependente da língua (Lisker, Abramson, 1964; Sweeting, Baken, 1982; Behlau, 1986; Kent, Read, 1992; Levy, 1993; Shimizu, 1996; Camargo et al, 2002; Rocca, 2003).
A maioria das línguas realiza o contraste de vozeamento entre os pares de consoantes obstruintes. A realização de tal contraste varia em um contínuo físico, de modo que são descritas basicamente três categorias de VOT: VOT negativo, VOT
levemente positivo (sem aspiração) e VOT positivo longo (aspirado). Somente poucas línguas foram descritas como contemplando a distinção entre as três categorias, como, por exemplo, a língua thai. A maioria das línguas contrasta duas dessas categorias de VOT. Estudos mostram que há uma prevalência nas línguas pela categoria VOT positivo sem aspiração contrapondo-se à outra categoria (Lisker, Abramson, 1964; Keating, 1984; Hewlett, Beck, 2006).
Para Fry (1979), sobre estudos com língua inglesa, a posição intervocálica requer o VOT negativo (pré-vozeamento) para a identificação da consoante como vozeada. No entanto, para as posições inicial e final, há ausência de pré- vozeamento e outras pistas acústicas são requeridas pelos ouvintes do inglês, como a duração maior do VOT para os plosivos não vozeados e, ainda, a duração da vogal. O autor mostra que no segmento consonantal não vozeado, a duração da vogal é menor. Tal observação aponta ainda que as características de vozeamento são influenciadas pela posição que o segmento ocupa, ou seja, por influências do contexto.
Deste modo, para o inglês, o pré-vozeamento, no geral, tem pouca influência em tal distinção, sendo o contraste implementado pelas categorias não vozeado com aspiração e não vozeado sem aspiração (Fry, 1979; Keating, 1984; Alphen, Smits, 2004).
Vale mencionar que o VOT é uma medida acústica que permite analisar informações referentes ao vozeamento e ao ponto articulatório da consoante. O VOT apresenta valores menores de duração para as plosivas com ponto de articulação bilabial, depois estão as alveolares e, finalmente, a maior duração está nas velares. Esta tendência é mais evidente nas consoantes não vozeadas, independentemente do ponto de articulação (Behlau, 1986; Kent, Read, 1992; Levy, 1993; Shimizu, 1996; Stevens, 1998; Cho, Ladefoged, 1999; Madureira et al, 2002).
Retomando os estudos com as pistas acústicas para o vozeamento, Liberman et al (1958) realizaram um estudo de manipulação de fala, no qual cortaram a barra de vozeamento e retiraram, aos poucos, em milésimos de segundos, o período inicial de F1. Os estímulos manipulados foram julgados por um grupo de falantes nativos do inglês constituído por estudantes, funcionários e foneticistas treinados de um laboratório experimental de fonética. O contraste [p]-[b] foi o mais sensível aos valores de F1. Os autores encontraram nos julgamentos erros de ponto de
articulação e não somente de contraste de vozeamento, porém não os consideraram para discussão dos achados.
Flege (1989) mostrou que a duração do burst foi mais relevante que o pré- vozeamento para a percepção do contraste de vozeamento das consoantes plosivas alveolares por chineses. A duração do burst foi descrita como maior para os segmentos não vozeados (Warner et al, 2004).
Whalen et al (1993), por meio da síntese de fala, verificaram a medida de f0 como pista no julgamento do contraste de vozeamento em situações nas quais o VOT também era distintivo.
De acordo com Shimizu (1996), uma vez que a medida de f0 é resultante da atividade de pregas vocais, a qual envolve aspectos aerodinâmicos e fisiológicos, a f0 é mais elevada no início da vogal seguinte a um segmento consonantal não vozeado.
Estudos mostraram que as características da frequência do F1, também são importantes para a percepção do contraste de vozeamento. A frequência do F1 tende a ser menor no início da vogal seguinte à consoante plosiva vozeada e maior no contexto não vozeado (Shimizu, 1996).
Para Veloso (1997) a duração da consoante plosiva tem importância igual ou maior que a medida de VOT no contraste dos pares de consoantes não vozeadas e vozeadas. Por meio de um levantamento de dados, o autor mostrou que as consoantes plosivas não vozeadas apresentaram valores de duração maior quando comparadas a seus pares vozeados. O autor ainda comentou, baseado em estudo de manipulação do sinal de fala, que os ouvintes perceberam essa diferença na duração entre as consoantes não vozeadas e vozeadas.
Alphen e Smits (2004) estudaram o contraste de vozeamento no holandês. Os autores encontraram variações quanto à presença do vozeamento e sua duração, sendo 25% das amostras produzidas sem barra de vozeamento. O pré-vozeamento teve duração maior nos homens (em relação às mulheres), nas plosivas bilabiais (em relação às alveolares) e no contexto seguido por vogal (em comparação ao seguido por consoante). A característica acústica mais relevante para a discriminação do contraste de vozeamento foi a presença da barra de vozeamento, principalmente para as plosivas bilabiais. Para as consoantes vozeadas produzidas sem o pré-vozeamento, a maioria foi percebida como não vozeada e a minoria como
vozeada. A minoria identificada como vozeada teve a percepção influenciada por outras características, como f0 para as bilabiais e burst para as alveolares. Os autores concluem que a presença do pré-vozeamento é suficiente para a identificação auditiva do som como vozeado, principalmente para as bilabiais. Porém, a ausência do pré-vozeamento não é pré-requisito para o som ser percebido como não vozeado.
De acordo com esses autores, o pré-vozeamento (VOT negativo) está condicionado à manutenção da pressão de ar enquanto o trato vocal supraglótico está obstruído. Esta manutenção pode ser facilmente interrompida quando a capacidade de expansão do trato vocal é reduzida, ou seja, quando o ponto da obstrução é mais posterior, uma vez que é o alargamento do trato que ajuda a manter tal nível de pressão. O dorso da língua tem movimentação menor nas consoantes com ponto de articulação bilabial e alveolar, de modo que a cavidade oral se expande mais na produção das consoantes bilabiais. Neste sentido, as consoantes bilabiais possuem uma configuração fisiológica que permite eventos aerodinâmicos mais favoráveis à manutenção do pré-vozeamento.
Benkí (2005) realizou um experimento com fala manipulada para verificar a sensibilidade da medida de F1 no contraste de vozeamento. O autor partiu do pressuposto de que o F1 teria pouca relevância na percepção do contraste de vozeamento para os falantes do espanhol, ao contrário do que ocorre no inglês. No espanhol, a vibração laríngea nas consoantes não vozeadas inicia ao mesmo tempo que a plosão (VOT zero) ou em seguida a esta. No entanto, em relação às medidas de F1, os resultados mostraram sensibilidade similar entre os falantes do espanhol e do inglês. O autor argumentou que esta similaridade encontrada foi em razão de os falantes do estudo serem nativos do espanhol, porém residentes em um país de língua inglesa, sugerindo a demanda por estudos com falantes monolíngues do espanhol.
Lousada et al (2005) analisaram, entre as características das plosivas do português europeu, a frequência do burst, a qual não diferenciou o contraste de vozeamento para as consoantes plosivas velares e dentais. No entanto, para as plosivas bilabiais, encontraram frequências baixas do burst nas vozeadas e frequências intermediárias nas não vozeadas. Tal medida foi mais relacionada ao ponto de articulação. Os autores também apontaram influência do ponto de articulação na duração do pré-vozeamento.
Barroco et al (2007) analisaram, por meio de dados acústicos e eletroglotográficos, as produções das plosivas do português europeu, nas três posições silábicas, de duas crianças, sendo uma delas com alteração de fala. Os autores encontraram valores maiores de duração das consoantes não vozeadas. Em relação à criança com dificuldade de fala, os autores encontraram valores de VOT semelhantes entres os pares [t]-[d] e [k]-[g], relatando desvozeamento da plosiva [g] em todas a posições e da plosiva [d] em posição medial e final de sílaba.
Em relação aos gêneros masculino e feminino, Morris et al (2008) não encontraram diferenças para as medidas de VOT no contraste de vozeamento. Os autores comentaram não haver um consenso entre as pesquisas sobre essa questão. A justificativa recairia sobre diferenças de corpus e de metodologias empregados nos estudos experimentais.
Hanson (2009) aponta que a medida de f0 no trecho inicial da vogal seguinte à consoante é influenciada pelas características de vozeamento de tal consoante. Contudo, ressalta a interação entre prosódia e segmento.
Tachibama et al (2012) estudaram o contraste entre consoante vozeada e não vozeada por meio do dado articulatório (imagens de ressonância magnética do trato vocal supraglótico). Os sujeitos produziram uma palavra com o som [k] e outra com o som [g]. Os autores observaram que na consoante [k] a velocidade do movimento da língua, em direção ao ponto articulatório, foi mais rápida em comparação à sua correspondente vozeada [g]. Este dado justificou-se pela pressão área na cavidade oral nas plosivas não vozeadas ser maior, favorecendo o aumento da velocidade do articulador.
No que se refere ao contraste de vozeamento na aquisição de linguagem, estudos mostraram que os valores de VOT apresentaram-se similares aos dos adultos conforme o aumento da idade da criança, seguindo um aprimoramento do controle motor e encontrando menor variabilidade aos oito anos de idade. Neste sentido, as habilidades fonéticas continuam em desenvolvimento mesmo após a aquisição do sistema fonológico (Eguchi, Hirsh, 1969; Scobbie et al, 2002).
De acordo com Nittrouer (2002), em um primeiro momento, as crianças têm a percepção auditiva voltada para características acústicas de configurações do trato vocal, como os formantes, tendendo posteriormente à percepção das características temporais, como as durações.
Barton e Macken (1980) descreveram três fases na aquisição do vozeamento. Uma primeira fase em que as crianças não fazem distinção, uma segunda em que a criança produz o contraste, mas nem sempre o é percebido, e uma terceira fase na qual a criança realiza o contraste de vozeamento, porém com valores de VOT mais longos em relação à fala do adulto.
Whalen et al (2007), ao estudar o balbucio de crianças do inglês e do francês, sugeriram que as crianças são sensíveis às categorias de vozeamento. Os autores verificaram produções caracterizadas pelo VOT positivo, estando de acordo com outros estudos que mostraram que as primeiras consoantes plosivas produzidas pelas crianças são realizadas com esta categoria de VOT.
No cenário do PB, o contraste de vozeamento é implementado pelas categorias não vozeado e vozeado (sem aspiração). Neste âmbito, a medida acústica de VOT tem sido utilizada para distinguir as consoantes plosivas vozeadas das não vozeadas. Assim, o VOT positivo caracteriza os segmentos consonantais plosivos não vozeados e o VOT negativo, os correspondentes vozeados (Behlau, 1986).
Nos sons plosivos não vozeados, as pregas vocais, mesmo após a soltura da obstrução do trato, permanecem por um tempo sem vibrar, ou seja, não ocorre a atividade de vibração neste segmento, somente no início da vogal seguinte à plosiva. Nos sons vozeados, encontra-se antes da soltura da articulação a atividade de vibração de pregas vocais durante a fase de obstrução, ou seja, nestes sons é possível visualizar na análise acústica a pista de energia espectral de baixa frequência, denominada barra de vozeamento. Há ainda referências à possibilidade de realização de um VOT zero, o qual seria a ocorrência simultânea da soltura da oclusão com o início do vozeamento. O VOT zero para o PB corresponderia a um som vozeado (Behlau, 1986).
Os valores de VOT são referidos com durações maiores nos segmentos vozeados em comparação aos segmentos não vozeados (Behlau, 1986; Madureira et al, 2002; Ficker, 2003; Gurgueira, 2006; Bonatto, 2007; Britto, 2010; Gregio et al, 2011).
Behlau (1986) investigou os valores da medida de VOT em falantes do PB e verificou sua eficácia na discriminação dos pares de consoantes contrastadas pelo vozeamento.
Levy (1993), em um estudo com análise acústica em crianças diagnosticadas com alteração do vozeamento, sugeriu dificuldades de motricidade dos articuladores e apontou para o cuidado em afirmar que a criança faz substituições e omissões, já indicando algo que seria considerado gradiente nestas produções de fala.
A autora apontou ainda a relação entre posição de sílaba e contraste de vozeamento. Referiu que, dependendo desta posição, outros fatores, como a duração da vogal, poderiam ser mais relevantes que o VOT para a percepção do contraste de vozeamento.
Barbosa (1996), ao analisar as durações dos segmentos vozeados, verificou que a duração do segmento consonantal revelou diferenças para o contraste de vozeamento. O autor encontrou duração maior para as consoantes não vozeadas em comparação com suas correspondentes vozeadas.
Gama-Rossi (1999), em um estudo sobre a aquisição da duração no PB, embora não específico para o contraste de vozeamento, mostrou que as crianças pequenas apresentaram durações maiores e mais variáveis que os adultos. As crianças pequenas produzem o contorno de duração, mas o implementam dentro de suas possibilidades da maturação neuromotora. A autora justifica os achados apontando que os gestos para a realização da vogal são mais lentos e envolvem constrições mais amplas em relação aos gestos para a consoante. As crianças pequenas não reduzem, como o adulto, os elementos não acentuados.
Ficker (2003), em uma exploração da produção e percepção de fala do PB de um sujeito com deficiência auditiva, trouxe um diferencial para estudar o contraste de vozeamento, ao se atentar para as interrupções da barra de vozeamento observadas em algumas amostras de fala desse sujeito. Deste modo, pautada em uma perspectiva de modelos dinâmicos de produção de fala, a autora propôs três medidas: duração da interrupção da barra de vozeamento, da manutenção da barra de vozeamento e do VOT positivo.
Gregio et al (2005) encontraram interrupções da barra de vozeamento em crianças com alteração de fala, mas sem queixas de dificuldade no contraste de vozeamento. As autoras apontaram para uma possível dificuldade em coordenar ajustes glóticos e supraglóticos.
Gurgueira (2006) analisou a fala de crianças com diagnóstico de transtorno fonológico de ensurdecimento por meio das medidas de VOT e de duração da vogal
em comparação com a produção de fala de crianças de um grupo controle. A autora verificou que as crianças com transtorno fonológico não apresentaram em suas amostras de fala diferenciação de valores de VOT e de duração de vogal entre sons não vozeados e vozeados, não tendo estas, produzido o vozeamento. Foi realizado também um teste perceptivo-auditivo. O estudo mostrou o parâmetro VOT como importante e satisfatório para o contraste de vozeamento.
Barzaghi et al (2007) realizaram um estudo acústico e perceptivo sobre a fala de dois sujeitos com deficiência de audição. As autoras encontraram em um dos sujeitos interrupções da barra de vozeamento em todos os segmentos vozeados, sendo mais frequentes nos velares seguidos pelos alveolares e menos frequentes nos bilabiais. Verificaram também que a duração da manutenção da barra de vozeamento foi menor para as velares, seguida das alveolares. Em relação às medidas de VOT e ponto de articulação, não houve diferenciação entre bilabiais e alveolares. Apesar destas questões, houve um alto índice de acertos por parte dos juízes. As autoras consideraram a duração da consoante como possível pista acústica importante no contraste de vozeamento. Vale mencionar que aplicaram um teste perceptivo-auditivo de respostas abertas e depois de identificação do par vozeado. Não houve diferenciação nos resultados entre ambos os testes de percepção.
Bonatto (2007) realizou um estudo de investigação do vozeamento em crianças de 3 a 12 anos por meio de medidas de VOT e duração das consoantes plosivas e das vogais. A autora encontrou variabilidade na fala das crianças de 3 anos e detalhou a investigação para essa idade. Assim, observou, para a idade de 3 anos, interrupção da barra de vozeamento, aspiração e outras ocorrências de fala, nomeadas pela autora como imprecisões articulatórias. A partir de um teste de percepção da fala de tais crianças, a autora verificou que a interrupção encontrada não interferiu no julgamento auditivo.
Para as demais idades contempladas no estudo, a autora verificou que o VOT foi suficiente para marcar o contraste de vozeamento, estando com valores maiores, no entanto próximos às produções do adulto.
Britto (2010) estudou a fala de crianças com e sem desvio fonológico do contraste de vozeamento, por meio de medidas de duração das sete vogais orais, das consoantes fricativas e do VOT nas plosivas. Analisou a barra de vozeamento dos sons obstruintes vozeados produzidos pelas crianças com alteração. Em relação
ao contraste de vozeamento, a duração da vogal foi maior para antecedente ao som vozeado. A autora encontrou duração maior de vogais, de consoantes e de VOT na fala das crianças com alteração em comparação com as sem alteração. Tais crianças, apesar do desvozeamento encontrado na barra de vozeamento das consoantes vozeadas, realizaram o contraste entre os pares consonantais vozeados e não vozeados, apontado pelas medidas de duração de vogais e de VOT. Para a autora, o desvozeamento e o alongamento encontrados na fala são como compensações realizadas pelas crianças.
Gregio et al (2011) investigaram a eficácia do dado eletroglotográfico com acústico para descrever o contraste fônico de vozeamento em três falantes adultos