Durante o sábado à noite, observando a movimentação no lugar, conheci algumas pessoas que aguardavam pela passagem da Santa, quando então é realizado o show pirotécnico. Dentre essas pessoas estava dona Maria, esposa do peixeiro Alaci. Ela34 na companhia de seu neto esperava ansiosa pela passagem da santa, pois queria ver a homenagem com os fogos.
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Quando conheci dona Maria ela estava com o neto (uma criança de oito anos de idade), e com alguns vizinhos com os quais foi ao Ver-o-Peso. Ela e seus vizinhos teriam, como ela mesma explicou, se reunido e colaborado com o pagamento do combustível da kombi que os levou, e que pertence a um dos vizinhos.
Desde o ano que meu marido começou a fazer parte [da organização] das homenagens e da Festa no Mercado eu venho ver a passagem da Santa e a queima dos fogos e também participar da Festa (Maria, outubro de 2008). Além dela estavam também, muitos parentes de seu esposo. Isto porque um irmão dele, que também era peixeiro35, vai acompanhado de sua esposa, filhos, netos e sobrinhos para ver passagem da santa e o espetáculo com os fogos; enquanto espera, ele aproveita para rever e ser cumprimentado por seus antigos colegas de trabalho.
No ano de 2009 tive a oportunidade de reencontrar dona Maria e seu neto, seu fiel companheiro. Assim como outras pessoas que estavam por ali, eles aguardavam em frente ao mercado pela passagem da Santa e pela queima dos fogos.
Mas não é só em frente do mercado que as pessoas aguardam pelo espetáculo; com os fogos muitas pessoas ficam ao longo da “pedra”36, aguardando sentadas ou em pé naquela calçada, conversando, comprando lanches (pipoca, água de coco,castanhas) de vendedores ambulantes que passavam ora em direção da Igreja da Sé, ora fazendo o caminho inverso.
Naquele momento, tanto a “pedra” quanto o Mercado passam a ser o lugar escolhido por aquelas pessoas como um ponto de encontro e espera, no qual elas reencontram seus conhecidos, parentes, e juntos assistem o espetáculo dos fogos enquanto a santa vai passando.
Neste ano (de 2009) quando a multidão, acompanhando a berlinda que levava a santa, em direção à Catedral da Sé, passou em frente ao Mercado de Peixe, uma rápida37 queima de fogos aconteceu para descontentamento dos que ali estavam e que aguardavam pelo espetáculo, com tanta expectativa. Situação que deixou a Comissão decepcionada, pois o valor pago pelos fogos foi considerado por eles elevado, para terem como resultado um espetáculo muito rápido. Assim após o show pirotécnico, os comentários feitos foram do tipo “poxa foi rápido, o foguetório”, “já? já? acabou mesmo!?”, caracterizando a decepção das pessoas.
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Após um derrame que ele sofreu não continuou a exercer sua atividade de peixeiro.
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A “pedra” também é o lugar escolhido por pessoas, que não trabalham no Ver-o-Peso, para homenagear à santa, como foi o caso, de um artista que com uma caixa de madeira e bonecos de miriti, contou uma história envolvendo a fundação da cidade de Belém, a lenda da cobra que existe debaixo da cidade, e o Círio de Nazaré.
37 Rápida porque nos dois anos anteriores que eu estava presente a queima de fogos da noite durou pelo
Após a queima de fogos e da passagem da santa as pessoas se dispersam e vão para suas casas, muitas retornam no dia seguinte de manhã. Mas alguns dos trabalhadores do Mercado e da “pedra” não voltam para casa naquela noite e acabam dormindo lá mesmo dentro do Mercado, em cima de papelões, ficam também o foguista e seus ajudantes (pois novamente preparam os fogos, agora para a homenagem que acontece pela manhã) e o peixeiro, escalado naquela noite para trabalhar de vigia no Mercado.
Exceto o foguista e seus ajudantes, a permanência de alguns homens no Mercado nesta noite acontece por inúmeras razões, ou porque moram longe, ou porque aproveitam para ficar nos locais que vendem bebidas alcoólicas que permanecem abertos durante a madrugada, e assim podem ficar se divertindo, pois no dia seguinte não há trabalho e sim mais comemoração.
3.3 – Terceiro momento: a Festa
Este terceiro momento é o da Festa propriamente dita. Mesmo tendo participado nos anos de 2007, 2008 e 2009, tomarei como referência principal a que foi realizada neste ano de 2009, mas também me utilizarei de episódios e entrevistas que aconteceram na Festa do ano de 2008.
Na manhã do domingo do Círio, cheguei ao Ver-o-Peso por volta das 6 horas, a quantidade de pessoas esperando ao longo da “pedra” era bem maior se comparado com a noite anterior quando também muitas pessoas vão para lá para ver a passagem da Santa.
Por ser ainda muito cedo, enquanto esperam algumas pessoas aproveitam para tomar o seu café da manhã ali mesmo. Café com tapioca, mingau são vendidos em bandejas, ou em pequenas bancas ou, ainda, em carrinhos de lanche, e como acontece num dia comum de trabalho no Ver-o-Peso, as mulheres que trabalham diariamente com este tipo de venda, aproveitam a ocasião para vender às pessoas que se encontram ali parada aguardando pela passagem da Santa.
Enquanto todos esperavam, os últimos preparativos das homenagens foram sendo concluídos. Balões foram postos para fora para serem soltos durante o foguetório. Mais fogos já estavam na balsa.
Com o anúncio do término da missa em frente à Catedral da Sé começou uma pequena euforia por parte dos organizadores da Festa, isto aconteceu porque, assim como nos dois anteriores, eles não conseguiam entrar em um consenso sobre o momento exato que deveria ser dado o sinal para que o foguista iniciasse a queima de fogos.
A preocupação em que a homenagem saia da melhor forma possível acaba causando um desentendimento entre eles, na hora de decidir o melhor momento para começar a queima de fogos. Eis que, por volta das sete horas da manhã, a Santa passou em frente ao mercado e mais uma vez os fogos espocaram no céu, como se os trabalhadores do Ver-o-Peso, aplaudissem a santa. É neste momento que muitas pessoas estendem suas mãos em direção dos fogos e da Santa também. É como se os fogos fossem um elo daquelas pessoas com a Santa e naquele momento bênçãos são pedidas e agradecimentos são feitos por graças alcançadas.
Foto 17: Mãos estendidas durante a queima de fogos no sábado à noite. Foto da Autora,