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Depois da morte de Gómez, Eleazar López Contreras (1935-1941) assume o governo e o cenário econômico e social começa a mudar. A conjuntura pós-29 determinou o início da intervenção estatal nas economias do mundo inteiro.

“Na América Latina, depois da crise de 1929, até em países de tradição ‘liberal’ (...), começaram a fortalecer-se os instrumentos de ação do poder público como um meio de defender a economia exportadora” (CARDOSO & FALETTO: 2004, p. 19)

Nesse sentido, o Plano Trienal (1938-1941) marcou a entrada do Estado como principal agente do desenvolvimento venezuelano, chamando para si a responsabilidade não apenas do financiamento à industrialização como também a garantia de um mínimo de educação e saúde que pudesse respaldar este processo com a formação tanto de mão- de-obra minimamente qualificada como de consumidores. O choque adverso provocado pela Segunda Guerra (1938-1945) foi decisivo para a tentativa de industrializar o país:

“Debido a la restricción de las importaciones y a la limitada oferta mundial de artículos manufacturados durante la Segunda Guerra Mundial, se multiplicaron los planes de industrialización, tanto para ampliar las plantas fabriles ya existentes como para crear nuevas empresas. Las posibilidades que brindaba el mercado interno y el impulso del Estado a la construcción de obras públicas alentaron las inversiones privadas en los rubros que sufrían con mayor rigor el desabastecimiento. A pesar de las dificultades derivadas de la escasez de maquinarias e insumos, el proceso de industrialización alcanzó durante los años de la contienda mundial una apreciable expansión.” (BANKO: 2006, p. 3)

A crise de 1929 é também para a economia venezuelana um marco. A partir dessa data, começa-se a perceber na Venezuela a necessidade de participação do Estado na economia e de construção de uma industrialização nacional. Com ela houve uma leve e temporária diminuição da produção e exportações de petróleo entre os anos 1930, 1931 e 1932, quando a produção oscilou entre 15.319.000 e 17.293.000 de metros cúbicos anuais (FIGUEROA: 1974 p. 455).

Entretanto, a crise levou o café a uma crise ainda maior, da qual nunca mais se recuperaria. Esta, no entanto, não fez mais do que evidenciar o estado lamentável em que se encontrava a agricultura venezuelana (BAPTISTA & MOMMER: 1999, p. 9).

Em 1935, o petróleo havia adquirido uma importância fundamental para a vida econômica nacional, como resultado de dois fatores: o auge das exportações petroleiras, por um lado, e a decadência da agricultura exportadora.

Ainda um outro fator contribuiu para a ascensão do petróleo como principal produto venezuelano. Em 1934, os Estados Unidos desvalorizaram o dólar, e a paridade ouro bolívar que era de Bs. 5,20 por dólar baixou a Bs. 5,06. Dessa forma,

“el dólar conservó em Venezuela um valor, que hacía todavía mediocremente remunerador el cultivo del café y del cacao (…) Con el nuevo dólar desvalorizado, o lo que es lo mismo, con el

bolívar caro, los precios de nuestros productos de exportación se han hecho irrisorios, no cubren ni siguiera los gastos de beneficios y están arruinando a todos los interesados.” (ADRIANI: 1937, p.263)

Se, por um lado, a desvalorização do dólar prejudicava os interesses agroexportadores venezuelanos, por outro, ela favorecia os interesses rentistas nacionais. A desvalorização serviu para pôr fim aos restos da estrutura agroexportadora, que tinha seu centro dinâmico no comércio exterior com pouca influência do Estado e para acelerar o processo de dependência de petróleo e associação do Estado venezuelano como capital estrangeiro.

Isaías Medina Angarita (1941-1945) é eleito nesse contexto e garante, em alguma medida, a execução de um projeto nacional desenvolvimentista e de maior participação do Estado na renda e controle do petróleo. Com ele surge o que ficou conhecido como a primeira visão da “siembra del petróleo”, segundo a qual o destino da renda petroleira deveria ser o investimento produtivo. Tinha-se em conta que a receita petroleira em sua origem era simplesmente uma renda e, por isso, sua circulação na economia nacional tendia a produzir, primeiramente, um aumento nos níveis de consumo. Mas,

“si a este hecho se asocia la franca decadencia de las actividades económicas tradicionales, no era difícil coligir que la renta petrolera, en lugar de represenrtar un nueva fuente de acumulación de capital, podía bien encaminar el país hacia una existencia progresivamente parasitaria.”(BAPTISTA & MOMMER: 1999, p.15)

Desde a primeira visão da “siembra del petróleo”, havia clareza por parte dos governantes da necessidade do rentismo ser uma fase transitória da economia venezuelana, que futuramente chegaria a um estágio mais evoluído do capitalismo, tornando-se produtiva.

A partir de 1941, o Estado começa a expandir sua participação nos benefícios do petróleo e a aumentar as regulamentações e os controles da atividade petroleira. A intervenção surgiu como apoio ao fraco setor industrial por meio de barreiras alfandegárias e da defesa da produção interna. Investiu-se na construção de obras de infra-estrutura, com capitas públicos e privados, com o intuito de diversificar a economia nacional (SEVERO: 2003, p. 12).

Em 1943, no governo Medina Angarita é aprovada uma nova lei de Hidrocarbonetos que fixou em 16,7% o montante que as empresas deveriam repassar diretamente ao Estado, algo similar ao que era cobrado nos Estados Unidos, além dos impostos sobre a renda, como qualquer outra empresa de outro setor econômico. Além disso, a Lei se propõe a homogeneizar todas as concessões anteriores a 43 ao mesmo parâmetro estipulado pela nova lei. Os contratos de concessão teriam um prazo de 40 anos de duração, o que significava que todos expirariam em 1983, e os direitos sobre as jazidas e as respectivas instalações de exploração, transporte e refino voltariam para o controle do Estado (BUSTAMANTE: 1985, p. 274).

Ainda nessa data foi apresentada a Lei do Imposto de Renda Progressivo, que buscava uma maior arrecadação das empresas petrolíferas para impulsionar a industrialização e que teve imediato rechaço por parte das multinacionais do petróleo. Ora, a intervenção estatal, que antes era bem vista por grande parte do empresariado produtivo, passou a ser incômoda na medida em que interferia diretamente nos lucros dos maiores grupos subordinados ao cartel.

Com o avanço sobre o controle do petróleo, Medina Angarita passou a sofrer fortes pressões por parte dos setores ligados ao cartel estrangeiro. Em 18 de outubro de

1945 ele inicia uma política de distribuição popular da renda do petróleo. Com a alta dos preços internacionais do petróleo decorrente da segunda Guerra e com as políticas intervencionistas, o Estado aumentou sua arrecadação e pode, dessa maneira, fazer uma política distributiva, o que, contudo, não significou uma real diminuição das desigualdades sociais. Essa política tinha a função tinha a função de dissolver, de modo acelerado, o setor tradicional da economia nacional, ou seja, o petroleiro e, principalmente, tinha a função de criar um mercado nacional com poder de compra, tal qual dizia a primeira “siembra del petróleo”.

Entretanto, com o fim da 2ª Guerra Mundial, a renda petroleira chegou a níveis sem paralelos, de forma que as expectativas de se reverter as tendências rentistas se mostraram frustradas. Com a conivência do novo partido Ação Democrática e do conjunto de empresas associadas ao capital internacional, principalmente a Federação Nacional de Câmaras e Associações de Comércio e Produção (FEDECAMARAS), um golpe militar derruba o governo Medina Angarita seis meses antes do fim de seu governo constitucional.