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Ao estudar a história econômica e política da humanidade Marx e Engels desenvolvem o conceito de alienação. Existem muitas formas de alienação e uma delas é a alienação do trabalho. Este conceito nos permite entender como a humanidade está sujeita a uma ironia, ou se- ja, a história aparente esconde o seu real significado.

Podemos entender o conceito de alienação a partir do conceito de trabalho. O que é trabalho? Desde os tempos mais remotos o ser hu- mano foi obrigado a buscar as condições de sobrevivência no planeta. Fez isso por meio de sua inteligência utilizando sua criatividade e for- ça física para produzir suas condições de sobrevivência. Foi isso que o diferenciou dos demais animais. O trabalho é o resultado do uso da capacidade criativa do homem para transformar a natureza e ga- rantir sua sobrevivência. Ocorre que ao trabalhar o homem transfor- ma o mundo e a si. Pois ao produzir coisas para si, ele acaba também se produzindo naquilo que produz. Ele se reconhece naquilo que faz, pois tem sentido e significado pessoal e coletivo. Por meio do traba- lho o homem busca e consegue sua identidade, pois se reconhece na- quilo que produz.

Com a revolução industrial e o surgimento das linhas de produção em série há uma separação entre a criação inventiva do homem e a força que transforma a natureza. Os trabalhadores produzem coisas que não são frutos de sua capacidade criadora e inventiva. Eles apenas executam tarefas numa linha de produção. Quem pensou criativamen- te não realiza o que idealizou. E quem executa não pensou. Ocorre, portanto, a separação entre o pensar e o fazer. Quem pensa não faz e quem faz não idealizou o objeto que será produzido. Pior ainda, a li- nha de montagem não permite que o trabalhador domine todo o pro- cesso de produção, pois realiza apenas uma pequena tarefa na linha de montagem. Já não se reconhece mais naquilo que produz. Se an- tes ao produzir um sapato ele se reconhecia como um sapateiro. Ago- ra na linha de produção ele é apenas um operário. Uma peça na linha de montagem. Se ele era reconhecido em sua comunidade por aqui- lo que fazia para garantir sua sobrevivência e a do grupo, agora ele é apenas mais um componente da linha de produção que poderá a qual- quer momento ser substituído, descartado e em seu lugar será coloca- do outro que fará o mesmo trabalho que ele faz. Nisto se constitui a alienação. O ser humano se vê separado do que faz, do que produz, do significado daquilo que produz. Já não o representa.

O trabalho que deveria, como antes, transforma o mundo para me- lhorar as condições de vida do homem, tornasse agora um instrumen- to de dominação, de perda de sentido e significado da vida. Torna-se mais importante que o próprio ser humano. Torna-se fonte de lucro e exploração. O que é irônico nisto é que o trabalho como força criado-

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ra de transformação da natureza para garantir a liberdade do homem, na sociedade capitalista, separa o homem do significado de sua existên- cia tornando-o incapaz de reconhecer-se naquilo que faz e reconhecer seus semelhantes. Nisto se constitui a alienação do trabalhador.

A ironia está em que a realidade apresenta dois sentidos, um apa- rente e outro real, oculto de modo astuto por um discurso político, pe- la forma de pensar cotidiana, pela história linear sedimentada em fatos cronológicos que assinalam as vitórias da classe dominante. A ironia está em que os homens agem a partir de certos objetivos para alcançar certos fins, porém, a forma como as relações sociais se constróem e as idéias se produzem acabam gerando uma outra realidade, diferente do sonho inicial que moveu os homens para a ação.

Linha de Produção.

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Concentração urbana após a Revolução industrial.

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HISTÓRIA E ALIENAÇÃO

Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem, não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vi- vos. E justamente quando parecem empenhados em revolucionar-se a si e às coisas, em criar algo que jamais existiu, precisamente nesses períodos de crise revolucionária, os homens conjuram ansiosamente em seu auxílio os espíritos do passado, tomando-lhes emprestado os nomes, os gritos de guerra e as roupagens, a fim de apresentar-se nessa linguagem emprestada. (...) Inteiramente absorta na produção da riqueza e na concorrência pacífica, a sociedade burguesa não mais se apercebe de que fantasmas dos tempos

de Roma haviam velado seu berço. Mas por menos heróica que se mostre hoje esta sociedade, foi não obstante necessário heroísmo, sacrifício, terror, guerra civil e batalhas de povos para torna-la uma”. re- alidade. E nas tradições classicamente austeras da república romana, seus gladiadores encontraram os ideais e as formas de arte, as ilusões de que necessitavam para esconderem de si próprios as limi- tações burguesas do conteúdo de suas lutas e manterem seu entusiasmo no alto nível da grande tra- gédia histórica”. (MARX, 1977, p. 18-19)

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A ironia moderna destrói os novos mitos que se sustentam na pre- tensão de domínio e de poder, de uma razão capaz de tudo explicar e conter. Mostra o avesso das coisas, o que se oculta por trás dos pro- jetos de uma sociedade tecnocrática, os paradoxos de uma sociedade que concentra a riqueza nas mãos de poucos e geram as várias for- mas de violência que fazem parte do nosso cotidiano e que nos tor- na cativos.

Responda as questões abaixo.

1. Quais os sentidos reais e os sentidos aparentes para a política e para a história construídos pela so-

ciedade, segundo o texto de Marx?

2. Qual a atualidade da análise de Marx para nossa sociedade?

Discuta as respostas com a turma.

As regras para o debate encontram-se na introdução deste livro.