se insere na pele social são estabelecidos, gradativamente, novos modelos e condições de existência.
O Bunker glocal produz uma condição humana baseada em medo e reclusão. Quanto mais o sujeito se vê municiado de aparelhos tecnológicos capazes de rede, mais ele ignora o mundo como existente externo.
Para ilustrar a situação do Bunker, cita/se o exemplo do executivo que trabalha em casa e seu cargo é monitorar as cotações da bolsa de valores, ao mesmo tempo em que deixa seus clientes cientes de variadas informações. Para que seu trabalho seja desempenhado de maneira eficiente, o sujeito adere a todos os aparatos tecnológicos possíveis como: aparelhos celulares, máquinas tecnológicas (hardwares) capazes de comportar programas financeiros avançados (softwares), pelos menos duas conexões, isoladas entre si, de redes (uma para uso, outra para back$up) e, informações em tempo real para o manter atualizado (programas de TV direcionados). Toda essa engenharia, que pode ser ou não tradicionalmente física, material ou puro fluxo informacional, deixa o sujeito condicionado ao ambiente glocal e com capacidade de acompanhamento das informações interessantes na medida em que o processo serve de gancho estritamente profissional.
Nesse caso, é evidente o funcionamento do Bunker glocal em âmbito empresarial. No caso específico, o sujeito está mais para uma ferramenta metabólica que filtra e informa o que é necessário. O sujeito é um ponto estratégico do sistema que negocia signos.
Todo o processo é visto também no sujeito comum, mas com os mesmos aparelhos a disposição, no caso, para fins de lazer, entretenimento e afazeres variados. Compreende/se, então, como o medo e a reclusão se caracterizam como construção imaginária por meio das atividades produzidas no Bunker glocal:
Em geral, esse microcinturão tecnológico alimenta a (ou ao menos, comparece vinculado à) ilusão de que a condição existencial por ele fundada e reproduzida concentra poder absoluto nas mãos do indivíduo, quando, pelo contrário, caracteriza justamente – na perspectiva de uma antropologia politicamente orientada – perda social desse poder, a contar pelo flagrante e significativo decréscimo de autonomia humana observado num universo de dependência tecnológica inaudita, na forma de uma subordinação fatal do corpo e da subjetividade ao objeto infotecnológico e ao / 0 / grifo do autor). (TRIVINHO, 2007, p. 310).
Na vida cotidiana, o sujeito não funciona mais como válvula motriz de um sistema (diferente do mundo profissional), ele é ponto final onde toda a parafernália infotecnológica se acumula a ponto de causar consequências estruturais de pensamento voltadas estritamente para a própria situação em que se encontra. Gradativamente, o espaço construído para captar as composições infotecnológicas se torna único reduto existencial. Neste caso, o Bunker é visto como defesa em relação ao mundo estranho lá fora. Agora, o que é vivido fora do ambiente Bunkeirizado é considerado situação estranha e passível de descarte funcional.
No que tange às propriedades constitutivas da existência em tempo real, percebe/se no conceito de bunker glocal, algumas características elementares de estrutura geral. Uma delas é como observado nas entrelinhas dos exemplos mencionados acima, o “abandono e esvaziamento do espaço urbano extensivo / isto é, o território convencional, legado, em que até pouco tempo atrás a humanidade havia feito, com exclusividade, a sua socialização [...] (TRIVINHO, 2007, p. 272)”.
Outro elemento importante é a dependência em relação aos aparatos tecnológicos. Necessita/se de habilidades específicas para obtenção de capital cognitivo congruente e, consequentemente, a configuração do uso para resolução de problemas citadinos. A convergência entre pensar glocalmente e manipular as senhas de acesso confere a natureza da dependência do glocal.
Pode/se apresentar um exemplo situacional no qual o Estado se encontra cercado pelo fenômeno da dependência ao se deparar brutalmente com a situação de sistema obsoleto, os órgãos públicos são pressionados pela sociedade dromoapta a inovar e atualizar constantemente suas plataformas e programas informáticos, sob o risco de estagnar no acompanhamento infotecnológico das civilizações avançadas.
Barbosa (2009) nos mostra que existe um circulo vicioso, um sistema que funciona da seguinte maneira: a partir do momento em que se pensa e age para tal situação, ou seja, a partir do momento que o sujeito é dromoapto, tão logo a sociedade também será incorporada. Eclode uma pressão avassaladora no instrumento político que exige o acompanhamento, por parte das instituições macrossociais, como: repartições públicas, órgãos federais, governos etc. Da mesma forma que tais entidades aderem à situação, as pessoas que dependem delas e são dromoinaptas também entram nesse sistema evidenciando o alcance da dependência do glocal para além da marginalidade de rede:
Os indivíduos, por sua vez, são impelidos a realizar procedimentos através do acesso ao glocal, sem haver, em muito casos, outra alternativa de realiza/los de forma convencional. Como exemplo, pode/se citar atividades como as Declarações de Imposto de Renda à Receita Federal, cujo envio por parte dos contribuintes, em virtude do contexto infotecnológico, deve ser realizado por via digital. Esta atividade, em breve, expurgará por completo o antigo procedimento manual de preenchimento. (BARBOSA, 2008, p. 68).
O exemplo acima entra em consonância com outra propriedade elementar da existência em tempo real que é o “status moral do sujeito teleintegrante” (TRIVINHO, 2007). Nesse sentido, o sujeito é coagido a “uma aderência dessimbólica ao acoplamento promíscuo e compulsório entre corpo/mente e máquina/tela/fluxos mediáticos, vínculo impreterível irradiado no mundo inteiro como modus vivendi conservador, pedra angular da ideologia da comunicação do século XX” (TRIVINHO, 2007, p. 272).
A submissão do sujeito perante a condição glocal, em poucos anos, se tornará práxis ideológica e não restarão muitos canais de fuga para pensamentos reacionários ou baseados em romantismo técnico, como enviar uma carta elaborada com escrita erudita. E se considerarmos, em um futuro não distante, a incorporação total de todas as camadas sociais no ambiente cibercultural, tão pouco haverá a ocupação de profissionais de caligrafia. Essa ocupação, entre muitas outras, sobreviverão apenas para manter um caminho de migalhas em relação aos paradigmas culturais herdados.
Portanto, pode/se perceber que, o fenômeno glocal colocado em linhas contemporâneas, configura/se como existência em tempo real, apresenta/se como realizável na ordem presente da ação e não pode ser comparado com nenhum momento histórico. A existência em tempo real, bem como o fenômeno glocal, como contexto civilizatório, sempre há de permanecer como uma tendência perpétua.
A análise do fenômeno glocal tentou de alguma maneira, servir de ambientação para a resposta da pergunta referente à disposição de uso do comando que implica, elementarmente, a análise das práticas mediáticas que, uma vez incorporadas, tornam/ se ações individuais, costumeira e socialmente objetivadas.
CAPÍTULO 3
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Uma informática cada vez mais aperfeiçoada apropria$se da escrita, da leitura, da visão, da audição, do pensamento e da aprendizagem. O sentido de uma palavra não é mais do que o emaranhado cintilante de conceitos e de imagens que brilham por um instante em torno dela. 1 2 && & 3 &
Como observado no capítulo anterior algumas funções do “copiar e colar” em sentido mais técnico e instrumentalista, neste momento da análise, o comando será apresentado em seu estilo taxonômico15, sob uma perspectiva de mundo irrefreável pelas emergências tecnológicas do ambiente cibercultural em construção.
Para isso, será feito um percurso evolutivo dos aparatos maquínicos no qual a história da informática também será investigada. O objetivo é compreender os fatores que levaram à origem do comando “copiar e colar” assim como de outros movimentos de teclado utilizados na vida cotidiana. Ou seja, a intenção é historicizar o objeto com o intuito de mostrar a naturalidade de seu advento (que está de acordo com os rigores socioculturais de época). O capítulo visa também evidenciar a exacerbação do consumo por meio do desenvolvimento das marcas, bem como a vontade do sujeito de pleitear os objetos disponíveis em forma de signos, e inseri/los (de maneira que o ajude a manter as relações cotidianas estáveis), na lógica mercadológica de troca de valores.
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A ideia é classificar em ordem cronológica os avanços da informática, tanto em programação (Software) quanto na evolução maquínica (Hardware).
3.1 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DA INFORMÁTICA
O capítulo pretende apresentar um monitoramento da condição tecnológica a partir do desfecho da segunda grande guerra. Será permeada a significação social/histórica do fenômeno infotecnológico com o objetivo de mapear o advento e o percurso dos códigos informáticos16. Trata/se, nesse processo, de dirigir um argumento baseado no estatuto ou regime dos códigos informáticos no contexto da história recente da vida humana, suas imbricações, as condições de predominância entre homem/máquina assim como, através de uma lógica de mercado, tentar determinar como ocorre a aquisição em massa dos códigos.
De onde veio a informática? Em primeiro lugar, a propriedade etimológica contém outros dois termos. A palavra é derivada de outras duas associadas, a primeira é informação e a segunda, automática. Ambas definem os principais objetivos que foram atingidos pelos idealizados computadores. A necessidade de se obter e fazer o tratamento da informação de forma automática fez com que surgisse justamente essa palavra.
Foi com uma ideia parecida que o físico e matemático Vannevar Bush (já renomado por inventar uma calculadora analógica super veloz que ajudou a financiar o projeto Eniac) constituiu, em um célebre artigo intitulado “As We May Think” a formatação teórica do Memex. Pode/se reconhecer dentro das ideias de Bush a vontade de facilitar e integrar, de maneira rápida e eficiente, as informações no âmbito socio/cultural.
Em 1945, o Memex era uma máquina visionária que tinha como objetivo básico auxiliar a memória humana e guardar conhecimentos em forma de banco de dados. Bush parte de um pressuposto de que a somatória dos conhecimentos adquiridos e os que estavam por vir, aumentandos em um ritmo prodigioso, não poderiam ser armazenados pelos meios naturais da mente humana.
A invenção do Memex se originou do pensamento construído sob uma ótica falibilista do processo metabólico de aquisição de informações. Mas Bush não se deu conta que esse proceso é natural, não existem invenções que modifiquem as características cognitivas do
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Nesse tópico, foram analisados percursos sócio/históricos em um levantamento bibliográfico consistido na evolução das tecnologias informáticas baseado em Lévy (1990) e Breton (1991).
homem porque ele não é automático e infinito. A relação do homem para com a informação é sob uma lógica de comunicação interpretativa:
Pode/se afirmar que a transmissão de informações adquiridas de geração em geração seja um aspecto essencial da comunicação humana, e é isso, sobretudo que caracteriza o homem: ele é um animal que encontrou truques para acumular informações adquiridas. (FLUSSER, 2007, p. 93).
O pensamento oriundo da memoria humana funciona por associações, pula de uma representação para outra ao longo de um sistema de rede emaranhada, traça pistas que vão a diferentes caminhos, tece uma teia de substratos muito mais complexa que os bancos de dados dos sistemas informáticos.
Mas o Memex, como engenho inédito, concebido para suprir as supostas "falhas da memória humana" através de recursos mecânicos, é considerado o precursor da ideia de hipertexto e memória externalizada, além de providenciar futuras ideias e formatos referentes a conteúdos disponíveis e ramificados existentes nas recém/descobertas plataformas programáveis.
3.2 CONSTRUIR O CONTEÚDO
A primeira função da comunicação é a transmissão de informações: ela define fundamentalmente a ambientação que vai dar sentidos às mensagens permutadas. É nessa circulação que estabelece o estado de uma relação entre sujeitos, quando, por exemplo, confabula/se dentro de um elevador sobre a condição da seleção brasileira de futebol na Copa América. Os sujeitos podem sequer saber os nomes dos convocados, mas está confirmado entre eles que existe uma boa relação e que a ação não ultrapassa fronteiras de intimidade, em outras palavras, cria/se uma conversa amigável.
Geralmente, essa ação na comunicação em que se coloca o outro em xeque para falar, porque se age falando, condiciona a interação de um tema e reorienta uma representação da mensagem que até então, o protagonista detinha. Há uma agonia em deter a mensagem, o ser humano está condicionado a comunicá/la para se sentir mais livre, ou seja, passar a mensagem para outros se torna uma condição desesperada. Logo, os sujeitos receptores recorrem ao conteúdo enunciado para interpretar as mensagens que lhe são dirigidas. Pode/se definir que o conteúdo (Seleção Brasileira, Queda da Bolsa, Quem está na “PlayBoy” desse mês) é trabalhado como alvo, um ponto significativo para interpretar os atos de comunicação. Segundo Flusser (2007), esse processo é baseado sob uma natureza comunicativa, despreendida no sentido estético de natureza humana.
Conforme o autor, a natureza humana recorre ao processo comunicativo (de natureza outra) para que o homem se sinta existente em relação ao mundo, por isso, segundo o autor, a comunicação tem um valor de artifício. Ela é utilizada para superar o sentimento solitário e agonístico que se adquire por natureza. Nasce/se sozinho (salvo algumas exceções biológicas) e, com certeza, morremos sozinho. Comunicar/se no decorrer da vida nos faz esquecer um pouco nosso destino agônico.
A comunicação é um jogo e baseia/se por meio de mensagens, como: transformar, metamorfosear, ajustar e definir o conteúdo que está sendo exposto. A significação do conteúdo pode ser de cunho circulatório, uma vez que, sob o ponto de vista de outro sujeito, ele está sempre em negociação, não é um objeto estável.
Mas, de certa forma, o que está em jogo não é o ponto de vista do sujeito, é a representação que será feita do conteúdo. Nas representações, há elementos que entram em consonância com vontades e graus de proximidade de alguém com alguma coisa. Verifique/se um exemplo: o fato de assistir um noticiário pela Televisão acerca do feriado nove de julho, quando é realizado um desfile apológico ao Estado de São Paulo sobre a Revolução Constitucionalista de 1932, a repórter menciona, ao final da matéria, com uma conotação negativa a palavra “separatismo”. Na comunicação verbal, a interação das palavras arquiteta redes de significações transitórias que atingem a sensibilidade do telespectador.
Por causa de uma palavra, para alguns, a matéria se volta para uma categoria que não é existente naquele conteúdo. O telespectador, ao entender que a palavra “separatismo” foi dita, pode compreender como algo cívico, porque está colada com o conteúdo que trata um desfile comemorativo, uma ação de cidadania que, relembra a história do Estado de São Paulo. Ou,
então, o telespectador pode compreender que as pessoas participantes do evento querem se separar do resto do Brasil por ser a elite dominante detentora do poder, ou que o separatismo tem função unicamente racista e xenofóbica, por supostamente proibir o direito de naturais de outros estados a usufruir das riquezas do local mencionado.
Esse exemplo de exercício pode ser feito por vinte páginas porque não há desfecho congruente. A palavra “separatismo” encontra/se no centro de toda essa rede de discussão e conceitos. Mesmo que a conotação da palavra, frase ou texto mencionado esteja de acordo ou não com a verdade, a comunicação gradual do conteúdo envereda um alargamento do nosso sistema representativo e agrega, mutuamente, o conhecimento em termos de memória individual e social.
O conteúdo serve para determinar o sentido de uma palavra, imagem, som, conceitos, discursos. Isso não quer dizer que há regras para a construção do conteúdo, ele é um resultado de interpretação das mensagens adquiridas.
No Memex, os dispositivos não eram capazes de fazer uma interrelação entre as informações e os conteúdos pelo fato de não haver grandes reservas de dados. Ele ainda tinha uma função básica de processamento textual e não dispunha de fatores tecnológicos inteligentes como no caso dos softwares atuais que articulam palavras e conteúdos de maneira ramificada tendo como estratégia objetiva assemelhar, combinar, fragmentar signos entre si.
O próprio Hipertexto, compactados em CD$ROOM, é um exemplo de conteúdos direcionados que tem pouca margem para erros interpretativos, quando não está conectado simultaneamente às redes.
3.3 HIPERTEXTO
Nos anos 60, quando os processos informáticos estavam estabelecidos como pioneirismo militar, era necessário criar uma estratégia de imediaticidade porque a ação política na Guerra Fria dependia extremamente de respostas ou de soluções rápidas. O Projeto Xanadu foi o prercursor no desenvolvimento do chamado Hipertexto. Fundado em 1960, por Ted Nelson,
a ideia era transformar a escrita e a leitura, que, pode ou não ser linear em um sistema informático. É um suporte que desterritorializa o papel e coloca em cena um tipo de conteúdo transmitindo em rede acessível e em tempo real.
O Xanadu foi o estopim para enveredar um novíssimo sistema baseado em banco de dados informáticos. Isso proporcionou grandes sonhos, tanto para seus criadores quanto para os futuros consumidores. A ideia de que milhões de pessoas poderiam utilizar o Xanadu para pesquisa, educação, na infinita transmissão de mensagens e inter/relações sujeito/máquina era uma utopia e cronologicamente foi sendo viabilizada pelas emergências dos fenômenos encontrados.
O prefixo gramatical hiper é do grego υπερ$, que significa para além de, acima, sobre. Remete à superação das limitações da linearidade, ou seja, implode a legitimidade sucessiva e sequencial do texto escrito. Isso sugere uma maior liberdade na representação do nosso pensamento. Um aspecto fundamental do hipertexto é a interatividade no entendimento da mensagem bem como um processo de produção e colaboração entre as pessoas, ou seja, uma (re)construção coletiva, incessante, de um objeto.
O hipertexto é um termo que remete a um fenômeno de metamorfose. Ele agrega suportes técnicos (transportadores de conteúdos) e forma um conjunto de informações em aglomeração ordenada. Textos, palavras, imagens ou sons, cujo acesso por meio de referências específicas via ícones interativos.
3.4 ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DO HIPERTEXTO
Mesmo que a ideia de hipertexto tenha conotações digitais, ela não nasce com a internet. Lévy (1990) entende que o hipertexto recupera e transformam conjuntos preestabelecidos, ele é uma técnica que está efetivamente ou em potencial em toda história do homem. Também segue em paralelo, como uma ferramenta a mais nos processos de evolução das mensagens:
Tecnicamente, um hipertexto é um conjunto de nós conectados pelas ligações. Os nós podem ser palavras, imagens, graficos ou parte de gráficos, sequências sonoras, documentos complexos que podem ser, eles próprios hipertextos. (LÉVY, 1990, p. 43).
Esse conjunto de nós pode soar ainda como algo sucessivo, mas as informações não estão conectadas de modo linear, elas estão de maneira elíptica onde quer que estejam. Em um texto de Vannevar Bush, em meados de 1945, ao esboçar a ideia de hipertexto, ele entende que o pensamento humano não funciona naturalmente de modo linear, e sim por associação das mensagens. “Quando um fato ou uma ideia ocupa o pensamento, novas conexões se estabelecem por associação, de acordo com uma intricada rede organizada pelas células nervosas (RAMAL, 2002, p. 158)”.
Adentrando ainda mais na tônica histórica, de acordo com Burke (2004) e Chartier (2002), as primeiras manifestações hipertextuais ocorrem nos séculos XVI e XVII. Os primeiros indícios de que o homem transcrevia os manuscritos de base para fins de conservação é um fato em que o conteúdo sofria alterações de interpretação. Quando o conteúdo era copiado de um papel para outro, as cópias seguiam anotações realizadas pelos leitores nas margens das páginas dos livros antigos. Ora, é efetivamente um exercício de interpretação pessoal feito através de uma leitura reflexiva. Só que não são mais seguidas as regras textuais, como: início de cima para baixo da esquerda para direita, entendimento de palavra por palavra para chegar a uma compreensão ordinária das frases, a estrutura gráfica, pontuação, númeração de páginas: passar da página quarenta e sete para a quarenta e oito obrigatoriamente etc.
Uma vez que são utilizadas na leitura as informações adjacentes, como rascunhos posteriores construtores de pequenas outras ideias do conteúdo na lateral e no rodapé, esses desvios e tranferências permitem assim uma leitura não linear do texto.
Nas primeiras décadas após a criação do hipertexto, Vannevar Bush previa a possibilidade de o hipertexto abraçar o mundo. A ideia inicial era dimensionar o fenômeno a uma amplitude que materializasse todas as relações dialógicas e multifacetadas que a humaninade