Nesta categoria, todos os sujeitos relataram ter tido acesso às informações sobre o tráfi- co de animais silvestres em palestras de órgãos ou empresas, ou da mídia, que é um importante meio de difusão da informação, amplamente utilizado para disseminar temas de importância social e ambiental, pois atinge o grande público, atuando frequentemente como formador de opinião.
“Já vi campanhas na TV e acho importante a realização de atividades desse tipo. Já trabalhei este assunto por meio de textos porque o consi- dero muito importante” (Professor 13)
A escola não foi citada como meio de informação, mesmo com a alta incidência da ati- vidade ilegal na região, destacando ainda mais a importância desse tema gerador na sala de aula e da demanda de ações de EA no ensino formal.
Muitos professores, embora digam ser favoráveis à “conscientização” da população e admitam a necessidade da EA como “ferramenta” de desenvolvimento do pensamento crítico nos alunos, e ainda considerem um tema importante, afirmaram não desenvolver o assunto em sala de aula, salvo os professores de Ciências que dizem desenvolvê-lo durante o conteúdo programático que trata dos animais ou que acabam sendo designados para realizar projetos de EA na escola, prática muito comum, que demonstra a dificuldade existente para implementar o caráter transdisciplinar desta em todos os níveis de ensino (BRASIL, 1999).
Já (trabalhei esse conteúdo) sim, trabalhando em Ciências “os ani- mais”, porque não concordo com o tráfico de animais (Professor 25). Acho que é um tema de extrema importância, já trabalhei na 6° série
quando entrei em seres vivos (Professor 19).
Há ainda os sujeitos que alegam nunca ter ouvido nada a respeito da temática. Alguns indivíduos afirmam que nunca surgiu a oportunidade (qual seria tal oportunidade?), ou decla- ram que falam com os alunos informalmente, (qual o alcance efetivo dessa conversa informal?). Recorda-se aqui que a EA deveria fazer parte do ensino forma de maneira transversal, pois é instrumento essencial no desenvolvimento do aluno cidadão e crítico-atuante (BRASIL, 1999).
Um aspecto que chamou a atenção foi a opinião de um professor sobre a importância do assunto no país:
“(Quem mais divulga) é a mídia. Dá importância maior para os ani- mais (quem apreende de mata) e as leis são mais rigorosas do que a impunidade no trânsito que matam e não acontece nada(Professor 7). Outro fato que deve ser levado em consideração é que, apesar de exporem em seus ques- tionários que consideravam de extrema importância atividades como a que foi desenvolvida nas salas de aula, durante a execução do projeto que originou este artigo, muitos professores evitaram permanecer na sala. Isso nos faz refletir sobre o envolvimento do professor com ativi- dades complementares ao currículo escolar, principalmente de temas tão importantes como os referentes à EA.
Não trabalhei, mas acho importante para conscientização dos alunos da importância dos animais no ambiente em que vivemos (Professor 9). Com relação aos professores que não trabalham a temática em sala de aula, levantamos como motivo principal a falta de tempo, pois os professores possuem cargas horárias elevadas de trabalho, que demandam grande dedicação diária. Isso pode ocorrer até mesmo porque o professor muitas vezes preocupa-se em deter-se ao conteúdo programático. ele – para o ano em sala de aula e acaba relegando a verdadeira função da escola que é formar alunos conscientes e cidadãos críticos (LOUREIRO, 2006).
Outro motivo é a própria indisposição do profissional, que muitas vezes é desiludido pela desvalorização salarial da classe, falta de oportunidades de formação continuada, ou por não encontrar apoio nas suas idéias para concretizar este tipo de iniciativa. Teixeira e Vale (2003) associam essas questões a problemas nas políticas públicas em relação ao ensino e tam- bém a aspectos falhos na formação do professor. O professor depende muito do livro didático, caracterizado como principal instrumento de apoio ao trabalho realizado em sala de aula, e ain- da demonstram que há dificuldade para contextualizar o ensino ministrado. Essa informação vai ao encontro do fato já discutido anteriormente de que, na escola, durante o estudo de animais, raramente são citados os regionais, sendo comum o uso de exemplos de outros locais, como a onça da floresta Amazônica, ou mesmo animais de outros países, como os leões e tigres. Na
maioria dos casos, o próprio livro didático usado nas escolas é utilizado em todos os estados do Brasil, não respeitando a herança cultural e as individualidades de cada região.
Sabe-se que campanhas, palestras e demais atividades complementares são importantes, mas há necessidade de uma formação continuada neste caso. Reconhece-se a EA como elemen- to essencial ao combate dos problemas ambientais, entre eles o tráfico de animais silvestres, mesmo que exista dificuldade em realizar-se o processo educativo e a mudança de conduta na sociedade, por se tratar de resultado de longo prazo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A compreensão de natureza como um lugar afastado do cotidiano e de que os animais silvestres não possuem ligação com suas vidas, a não ser quando tem a possibilidade de via- jar e interagir com o meio ambiente esteve presente nas opiniões dos sujeitos. Além disso, os docentes não trabalham a questão do tráfico de animais silvestres na sala de aula como tema transversal.
Constatou-se que os professores citam pouco os animais silvestres regionais, e con- fundem conceitos de animais silvestres e exóticos. Conclui-se, portanto, que os sujeitos não possuem subsídios teóricos suficientes para trabalhar esta temática com os alunos de forma regionalmente contextualizada, dificultando ainda mais a estimulação do sentimento de perten- cimento nos alunos, ferramenta fundamental para a mudança de pensamento e para a reflexão (SÁ, 2005).
Acredita-se ser de extrema necessidade o investimento em formação de professores em Educação Ambiental, incentivando o desenvolvimento do olhar crítico nas situações cotidianas, para que problemáticas transversais possam ser contempladas com ações pedagógicas significa- tivas em sala de aula. Além disso, destaca-se a importância da construção coletiva de ações de EA com os sujeitos diretamente envolvidos, a fim de conhecer suas demandas.
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