Como é bonito
Amanhecer no sertão, Vendo a mata florescida Faz doer o coração. A passarada
Quando vai rompendo o dia, Todos cantam de alegria Por ver surgir o clarão.
De madrugada
Que madrugada brilhante, Muitas coisa interessante Pra quem mora no sertão. A passarada
Já começa o baruião; O caboclo se levanta Pra cuidar da plantação.
Como é bonito
As água caindo da pedreira; Canta lá nas cachoeira O chitão e o xororó. Na laranjeira
Canta o sabiá coleira; Canta as pomba gemedeira Por sentir o calor do sol.
No pé da serra
Os pass’o canta de emoção; Naquela mata sombria Geme triste o pavão. Com grandes canto
As mágoa do coração Por saber que os carcará Na bataia é os campeão.
De tardezinho
O sol esconde no espigão; A cigarra canta triste Por dentro da solidão. A lua cheia
Vai surgindo o clarão, Iluminando as palhoça Sendo guia do sertão.
BOIADEIRO AFAMADO
Nota: Essa moda-de-viola foi feita em homenagem ao boiadeiro Dito Pinga, morador
da Água da Pintada, zona rural de Assis. O apelido “Pinga”, conforme me contou Sertão, deve-se ao fato de que este bebia muito, “mas era o melhor boiadeiro que havia...”
Rapaz pra ser boiadeiro Não precisa ‘maginar:
Comprar um macho bem bão E o laço saber jogar,
Perder o medo de tudo. Pra enfrentar os carrascá, Pra pegar mestiço a unha No meio dos pantanar. Eu também sou boiadeiro, Não é por me gabolar,
Não tem nada que me prende, Que não me deixa eu chegar. Não sou caboclo assustado, Medo comigo não há,
Costumo tirar couro Dos mais bravo marruá.. Viajei pra Mato Grosso, Nas fazenda dos Cabrar.
‘Travessei dois pantanar. Por duas hora de viagem Eu cheguei em Cuiabá; Fui enfrentar um rodeio
Porque me mandaram chamar. Quando eu cheguei na fazenda
Peonada vieram encontrar, Logo veio o fazendeiro E me mandou eu chegar, Me levou lá pra mangueira E pra mim pegou a contar: — “Aqui tem um bicho enjeitado Que ficou pro ‘cê pegar”.
Eu entrei no picadeiro, O mestiço veio encontrar. Ajoguei o meu corpo de banda Pra ver se eu pegava no ar; Foi uma salva de palma
Nas pampa do araçá. O boi caiu arrasada,
Platéia vieram me abraçar; Veio o dono do rodeio Com prêmio pra me dar; Recebi beijo das morena
Que até hoje me faz lembrar Por ter tirado boa fama Do famoso araçá!
DOIS CANÁRIO
No braço desta viola Agora vou explicar: Inventamo esse pagode E agora eu vou cantar. Nós cantamo esse padode, Sei que você vai gostar, Os coração retirado Vai chegando no lugar. Gosto de cantar pagode Que tem os vrso ligeiro, Somo igual dois sabiá Que canta na laranjeira. Eles canta de alegria Junto co’a companheira; Não canto para gabar
Meus amigos companheiro. Esses violeiro gabola
Tenho prestado atenção Só canta para bater Nos violeiro do sertão; Reforma essas moda velha, Diz que é de sua invenção, Mas não sabe que é o roceiro Que sai o violeiro bão.
Sou violeiro da cidade, Mas também fui lavrador; Nós inventemo as nossa moda, Mas não somo professor.
A fama dos dois irmão Nunca perde o valor, Traz alegria onde canta Os canário dobrador!
Deus quando formou-se o mundo Deixou tudo com valor;
Deixou água e deixou a terra Pra todo trabalhador;
Também deixou a semente Pra todo semeador,
Semeando com carinho E viver do seu suor.
Existiu um tal judeus, Contra a lei do Senhor, Tomava as propriedade Dos irmão trabalahdor; Atacava sem defesa A semelhança do Senhor, Matava todas criança, Assassino pecador. Acabaram c’as aldeia
Do nosso irmão caçador, Vivia de caça e pesca
E o mel das mais linda flor. Num pensou que a sua vida Está no livro do Senhor, Seus trabalho foi falido, Você não é o vencedor!
Existiu os terrorista, Que comandava o terror; Mandava os seus capanga Matar os trabalhador; Tomava todas as terra Pra eles ter mais valor, Só praticava a maldade, Não pensou no Salvador. Você diz que foi um rei,
Mas foi um rei sem valor, Só praticou a maldade E num pensou no Salvador; Ele é o proprietário
De tudo que Ele criou, Ele é o Rei dos reis, É o nosso criador!
OS DOIS IRMÃO
Isso já vem de família,
Por isso eu sigo essa linho (a). Meu pai foi homem choroso No braço do velho pinho, Hoje canta os seus dois filho Que é o Sertão e o Sertãozinho. O meu pai na mocidade
Na viola foi dos Bão. Nunca ele foi derrotado Nos violeiro afamosão, Por isso eu quero ser Um violeiro folgasão; Traz alegria onde canta O Sertãozinho e o Sertão! Eu quando estou cantando Co’a minha viola na mão, Tenho alegria na vida, Prazer no coração. Sertãozinho é o Messias1
Que toca no violão, Na viola é o Isaulino Com apelido de Sertão. Eu cantando com meu mano Somo igual dois canarinho, O véio lembra passado E as véia chora baixinho; As menina se alegra
E as moça me faz carinho. O mundo se alegra com a voz Do Sertão e Sertãozinho!
MOÇA DOS CABELO PRETO
Conta Isaulino que quando ele e o irmão Benedito trabalhavam na lida com o gado na região do Pantanal, Sertãozinho se apaixonou por uma moça de nome Maria, não podendo ficar com ela criou a composição a seguir em parceria com Sertão. A estrutura musical lembra um rasqueado paraguaio.
1
Messias Pereira da Silva é o nome de um dos irmãos de Sertão com o qual também formou dupla.
Moça do cabelo preto Toda a vida eu gostei;
Quando eu vim da minha terra Cabelo preto eu deixei.
Quando dá o tempo de voltar, Eu volto pra lá outra vez; Buscar minha namorada Que tão longe eu deixei. Escrevi uma carta pr’ela
Que eu ia viajar,
Ela mandou outra e disse Que ia me esperar.
Eu longe de você
Não posso me acostumar; Quando a saudade me aperta, Tenho medo de me matar. Ai que saudade que eu tenho, Saudade da minha Maria. Hoje eu só tenho tristeza, Não tenho mais alegria.
Escuto o galo cantar
Quando está clareando o dia. A perdiz pia no campo
E as codorninha ‘subia. Vivo triste, apaixonado, Sem ter o que me consola; Vivo preso nos teu carinho Como pass’o na gaiola. Vou vender meu violão, Vou vender minha viola; Adeus linda morenada,
Adeus qu’eu já vou me embora.