Foi realizado um trabalho de campo na área do CEA (Figura 17) para reconhecer os tipos de solos do local. Com base nas informações de campo ficou possível identificar o solo apropriado para os ensaios com lodo da ETE de Araraquara - SP.
Figura 17. Mapa com área do CEA.
Fonte: Google Earth
Durante a descrição feita em campo, foi realizado um registro fotográfico e anotações de campo em caderneta de campo (Figuras 18 a 29).
Levando-se em consideração o material de origem do solo, a orientação das fraturas, análise de perfis, declividade, relevo e análise da paisagem, juntamente com o auxílio de lupa, água, canivete, copo, carta de cor para solos Munsell e literatura (IBGE, 2007) obteve-se a seguinte descrição (JIMENÉZ-RUEDA, GARCIA E BRITO, 20114).
Em análise, a área apresenta planalto de 635 a 640 m. No alto estrutural fraturado, ficam evidentes, horsts sequenciais e falhas no sentido Norte 10 ou 30 Leste, onde há uma distensão no ponto: um horst com o DPM (Departamento de Petrologia e Metalogenia) da UNESP – Rio Claro, e um horst com a Floresta Estadual Edmundo de Andrade, caracterizando maior transmissividade nessa área
4 A descrição foi feita através de campos realizados na área. Foram feitas anotações de campo. Após foram transcritas, discutidas e revisadas.
onde as plumas de contaminação irão se abrir em forma de leques e avançar um sobre o outro. As orientações foram5
:
x N 30 W subvertical, onde as plumas de contaminação irão se acumular no fundo plumas SW 45°;
x N 70 E subvertical, plumas SW 45; x N 10E ou W com mergulho SW 45.
Se fossemos adequar a ETE a área, esta deveria ficar na vertente da área, entre um horst que separa a Floresta Estadual Edmundo de Andrade, da vertente, cujas estruturas estão a N 10 ou 30 E com frequência de espaçamento de 100 em 100 cm. Ribeirão com vários sistemas complementares, várias quebras, mais frequentes no sentido E-W, 10 em 10 cm, trends que caracterizam um sistema notável de erosão.
Foram observadas estruturas características do Cenozoico para o recente mais ou menos 10.000 antes do presente (AP); sendo estruturas hexagonais e prismáticas de 10 em 10 cm.
Quanto ao solo desta área foi possível verificar estruturas romboédricas. Esta estrutura caracteriza possivelmente um ambiente eutrófico ou efeito de usos e ocupação da área por sobre carga. Sendo boa a sua relação com o alto estrutural fraturado, promove a argilização do sólum, e sua estruturação como blocos subarredondados e/ou com prismas subarredondados.
Segundo o Levantamento Pedológico Semidetalhado da Quadrícula de São Carlos (1981), os solos encontrados na área de estudo são o Latossolo Vermelho- Amarelo e o Argissolo Álico Textura argilosa a médio argilosa e o Argissolo vermelho Distrófico de textura médio-argilosa.
Contudo quando analisado o perfil do solo, foi verificado o horizonte Ap ( A proeminente) de 16 cm, seguido do Bt (B textural) de 22 cm (muito pegajoso, muito plástico a extremamente plástico), caracterizado pedologicamente como Argissolo
5 As orientações das fraturas foram reconhecidas em campo. Essas fraturas se entrelaçam umas às outras formando dutos acumuladores de água. (Almeida, ato 2, p. 5, disponível em <http://www.geomarcosmeioambiente.com.br/PDF/GEOHIDROLOGIA%202o.%20ATO.pdf>). Ainda foram verificadas de acordo com a posição do sol e utilizando como ferramentas: os pontos cardeais, canivete, relógio, lupa, martelo e fita para medida. Consideram-se dobras horizontais (ou sub- horizontais) quando o caimento do eixo situa-se no intervalo de 0 a 10°; verticais entre 80 e 90°, e inclinadas, entre 10 a 80° (Teixeira, et al, 2000).
Vermelho, originado do retrabalhamento policíclico das paisagens dominantes durante, ou que, antecedem ao Pleistoceno médio, incluindo como fonte os basaltos, altamente selantes e argilo siltosos.
Percebe-se ao longo do perfil que a coloração do horizonte B está mais escura que a do A apontando uma translocação de húmus+argila+ferro. Ainda no horizonte B aparecem mais de 2% de cutans de argila (cerosidade), caracterizando solos mais antigos e mais prolongados geologicamente, com, horizonte distrófico de mais ou menos 2.000 AP. Tais cutans contribuem com uma maior expansão e um maior CTC. Há ainda, presença de estrutura prismática muito grande de textura argilosilto arenosa, de granulometria fina a média; de consistência firme. A declividade do horizonte A variou de 0 a 3% e do horizonte B de 7 a 12%.
O material de origem é típico de sistemas gravitacionais que constituem os pedimentos regionais classificados por Embrapa-IAC (1981) como unidade Ribeirão Preto. Abaixo segue descrição dos horizontes diagnósticos:
x Horizonte Ap: 5YR/4/3, vermelho ferrugem, baixo teor de Matéria Orgânica < 0,5%, formação de blocos granulares/ mamilares pela compressão e expansão. Organo-argilas, quartzos subangulares, subarredondados e algumas arredondadas foscas magnetitas de diferentes tamanhos e diâmetros indicando os vários ciclos de deposição, concreções de lateritas tanto de basalto como de arenitos, assim como feldspatos caolinizados de vários tamanhos e formas; Limite irregular/quebrado, gradual.
x Horizonte Bt: 5YR/4/3 ou 4, vermelho ferrugem; argilo siltoso; prismática grande forte; muito dura (o que comunica muita resistência a deformação), muito firme, muito plástica, muito pegajosa; presença de cutans (quando umedece o terreno fica firme) devido à contração e expansão.
A contribuição da formação Pirambóia com grãos angulares, limonitizados que caracterizam a latolização, devido ao processo de laterização em ambiente tropical e contribuição da formação Botucatu com presença de turmalina, materiais alóctones, presença de cutans caracterizando maior retenção de água e maior capacidade de degradação poluentes em função da presença de argilominerais solúveis em água e que geralmente estão caracterizados interestratificados esmectiticos os quais tem maior capacidade de CTC o que promove tal processo e Serra Geral no qual se
encontram feldspatos associados à ferromagnesianos, magnetita, os quais constituíam tal litologia. Com base nas informações preliminares de campo o sólum amostrado foi caracterizado geologicamente como Cobertura de Alteração Intempérica Ribeirão Preto e pedologicamente como Argissolo Vermelho.
Figura 18. Orientações: Truncado pela N 10 W com mergulho SW de 45º. Estrutura romboédrica, com outras estruturas N 70°, N 80° E.
Figura 19. Fraturamentos de 10 em 10 cm evidenciando um (sistema de erosão muito mais notável).
Figura 20. Truncado pela N 10 W com mergulho de 45º SW.
Figura 22. Estruturas Romboédricas menores.
Figura 23. Estruturas Romboédricas menores retiradas do perfil da área experimental (Alto estrutural para baixo).
Figura 24. Estruturas Romboédricas menores retiradas do perfil com cutans de argila.
Figura 26. Estruturas Romboédricas menores com cutans de argila.
Figura 27. Estruturas prismáticas em vários tamanhos.
Figura 28. Turmalina, feldspatos, argilominerais e magnetita.
Figuras 29. A (Esquerda). B (Direita). Cutans de argila.