SERVIÇOS E INFRA- ESTRUTURAS • Características do local • Interesses de actividades • Vontades • Padrão cultural • Sasonalidade • Para os destinos • Para as atracções • Para alojamento
• Para e entreatracções
• Coisas para os turistas fazerem e verem
• Incentivos para viajar
• Coisas para satisfazer
• Alojamento
• Restauração
• Shopping
• Cultura anfitriã, subculturas
• Interesses, agentes culturais
• Património arquitectónico
• Património cultural
De acordo com a figura 3.1, baseados nas imagens, percepções, informações disponíveis, meios financeiros e atitudes de um grupo de pessoas (a população turística), os potenciais turistas escolhem os destinos que irão fazer parte da sua experiência turística. As suas características socio-económicas, interesses e vontades, culturalmente determinadas e financeiramente influenciadas, ligar-se-ão às épocas/alturas em que eles farão turismo. Os transportes e comunicações levarão o turista ao seu destino, e dos aeroportos, portos, fronteiras, estações de combóio, etc., para o seu alojamento no destino e daí para as atracções, shoppings e postos de informação e assim consecutivamente. As atracções no destino são as coisas para os turistas fazerem e verem e podem, por si mesmas, incentivar as pessoas a viajar (sol, areia, mar, sexo a muitas outros intresses específicos). Por sua vez, tudo isto requer os serviços e estruturas de apoio – alojamento, restauração e shopping nos destinos. Finalmente, uma segunda população chave está envolvida – a população anfitriã e a cultura na área do destino, interligada ao conjunto de recursos no local: o património arquitectónico e construído pelo homem, o património de recursos naturais, o património cultural e a cultura e subculturas anfitriãs, com as quais os turistas podem ou não desejar interagir (Travis, 1995).
O facto é que depois do lazer, o segundo propósito mais comum para viajar são os negócios. Como já se referiu, o turismo de negócios envolve pessoas que viajam por motivos relacionados com o trabalho (Davidson et al, 1997). As pessoas que viajam em negócios partilham muitas das características das que viajam em lazer: viajam, permanecem temporariamente e aderem a actividades específicas num destino. Não obstante, existem diferenças consideráveis entre ambos, como se pode verificar na tabela 3.1. Como resultado de algumas destas diferenças, o turismo de negócios e o turismo de lazer podem ter impactos contrastantes no destino que visitam. A nível financeiro, são os viajantes de negócios que parecem aportar mais benefícios. Como na maioria dos casos, são as empresas que pagam as despesas de deslocação e alojamento, eles têm uma média de gastos diários muito superior à dos turistas de lazer. Comparativamente com o turismo de lazer, o turismo de negócios também tende a ser melhor distribuído ao longo do ano, exceptuando uma ligeira época baixa nos meses de Verão que é quando as conferências e feiras profissionais são menos frequentes. Existem muitos destinos que são simultâneamente destinos de lazer e de negócios, beneficiando do efeito da junção destes dois mercados complementares. Numa base
semanal, às estadias de Segunda a Sexta-feira dos turistas de negócios, contrapõem-se os turistas de lazer de fim-de-semana (Davidson et al., 1997).
Tabela 3.1 – Diferenças entre o Turismo de Lazer e o Turismo de Negócios
Turismo de Lazer Turismo de Negócios Excepções
Quem paga? O turista. A empresa ou associação
da qual o viajante faz parte.
Os profissionais por conta própria, pagam as suas próprias
viagens.
Quem decide o destino?
O turista. O organisador da reunião, incentivo, conferência,
exibição.
Os organisadores levam muitas vezes em consideração os desejos
dos delegados. Quando é as viagens se realizam? Durante os períodos clássicos de férias e nos fins-de-semana.
Durante todo o ano ou de
Segunda a Sexta-feira. evitados para a concretização de Os meses de Julho e Agosto são grandes eventos . Período de tempo entre a marcação e ída em viagem? Férias – geralmente, alguns meses;
Short Breaks – alguns
dias.
Algumas viagens de negócios são feitas em
cima da hora.
As grandes conferências são marcadas com muitos anos de
antecedência.
Quem viaja? Qualquer pessoa com o tempo livre e o dinheiro necessários
Aqueles cujo trabalho implica que viajem ou membro de associações.
Nem todas as viagens de negócios envolvem administradores de topo
Que tipos de destino são procurados?
Todos os tipos: costa, cidade, montanha,
campo.
Amplamente centrado nas cidades em países
industrialisados.
Os destinos de incentivo são muito semelhantes aos do
mercado do lazer.
Fonte: Adaptado de Davidson et al. (1997)
Pelo facto do turismo de negócios estar geralmente adstrito a zonas comerciais, altamente industrializadas e providas de infraestruturas adequadas, zonas essas, geralmente coincidentes com os grandes centros urbanos, existe uma clara e forte associação entre o turismo de negócios e o turismo urbano ou de cidade.
3.2.2 - As Atracções
O crescimento do turismo e do lazer depende não só da atracção de visitantes de outros lugares, como também da retenção dos gastos de lazer da população doméstica. Os destinos são compostos por um misto de recursos e serviços. À partida, os recursos constituem as suas atracções e os serviços tornam a visita possível (Davidson et al, 1997). No entanto, na prática, é difícil separar os recursos dos serviços. Segundo a
mesma fonte, o grupo de recursos / serviços no destino é extenso e inclui os seguintes factores:
− Características físicas: as localizações costeiras ou à beira rio, ou proximidade de zonas de interior ou campo atractivas têm particular potencial;
− Ambiente de construção e de fabrico urbano: o património arquitectónico sempre constituiu uma atracção importante e a própria engenharia industrial e suas construções também suscita interesse;
− História, arqueologia e associações literárias: as atracções podem ser baseadas em lugares e monumentos históricos reais, ou interpretações baseadas em lugares e artefactos reais, em museus, ou numa mistura de de inspirações históricas e literárias;
− Lojas: existe uma crescente tendência para as compras em férias, não só pela aquisição de coisas por si só, mas também por constituir uma experiência agradável. Embora não costume ser o motivo primordial de uma viagem, é uma das actividades que mais ocupa os turistas;
− Eventos culturais, entretenimento e desportivas: que podem incluir museus, cinemas, teatros, galerias, estádios desportivos, salas de espectáculo e discotecas. Alguns destes elementos podem ser combinados num só complexo. − Personagens e Eventos: alguns personagens, sejam reais ou literários, podem
constituir motivo de atracção em alguns locais. Eventos regulares tais como festivais, podem constituir uma duradoura atracção;
− Infraestruturas para turismo de negócios e conferências: tais como hotéis, centros de exposições e conferências e serviços de suporte. O turismo de negócios cresceu rapidamente ao longo das últimas décadas e é particularmente importante nas cidades.
Embora o objectivo deste estudo seja a identificação dos factores determinantes para a atractividade do Grande Porto para o turismo de negócios e não a sua avaliação ou medição, refira-se, a título de curiosidade que através do método EBT (Environmentally-based Tourism Planning) proposto por Dowling (1993), é possível fazer a determinação do Índice de Atracção Turística. É um método que permite fazer a
caracterização qualitativa dos recursos turísticos, possibilitando que se ache o seu índice de atracção global de forma mesurável, embora com base em critérios subjectivos. Para a quantificação da qualidade dos recursos turísticos adopta-se, como base de medição, uma escala que compreende os seguintes níveis de atracção: local (1), regional (2), nacional (3) e internacional (4), fazendo-se corresponder a cada um destes níveis um ponto gradualmente.
Vaz (1999) define factor de atractividade turística (Vaz, 1999) como o elemento que exerce influência significativa na decisão de um turista aquando da escolha do destino de viagem, devendo, de preferência, constituir um aspecto diferencial desse destino, algo que o caracterize particularmente. Por sua vez, Beni (2000) define atractivo turístico como todo o lugar, objecto ou acontecimento de interesse turístico que motive a deslocação de grupos humanos para o conhecer.
O crescimento da importância do turismo na economia, seja em termos de emprego ou de valor acrescentado, tem tido uma natural correspondência no interesse em reforçar a capacidade de atracção dos territórios (nas escalas local, regional e nacional) e melhorar a sua qualidade na recepção, enquanto espaços que “merecem a visita” e que, quando ela se faz, “suplantam as expectativas” dos visitantes (Fernandes e Martins, 2000).
As cidades, por exemplo, concentram uma multiplicidade de actividades tal como o comércio, a industria e todo o tipo de serviços (Blank, 1994, p. 182), oferecendo uma grande variedade de experiências culturais, artísticas e recreacionais.
Devido à rica variedade de actividades e atracções oferecidas pelas cidades, a maioria das viagens à cidade tem propósitos múltiplos (Blank and Petkovich cit. in Blank, 1994, p. 182), ou seja, a maioria dos viajantes levam a cabo mais do que uma actividade no decurso da sua estadia.
Sendo o turismo de negócios um desses propósitos, associado à ideia das viagens de negócios está sempre o conhecer (mais ou menos profundamente) um local. E os «locais
são mais do que orçamentos e negócios. São pessoas, culturas, heranças históricas, físicas e oportunidades» (Kotler et al., 1993, p. 2).
Efectivamente, em vários dos autores consultados (Silva et al., 1995, 51; WTO cit in Rita, 1995, p. 8; Chadwick, 1994, p. 68; Wanhill, 1995, p. 20; INE, 2000 a) ), os negócios são considerados um dos segmentos básicos do turismo, por atraírem profissionais a determinado local ou região e contribuírem para o desenvolvimento turístico do mesmo. Possuem, além disso, uma série de características específicas, mencionadas no capítulo anterior, que tornam este segmento do mercado turístico altamente atractivo.
Quando se trata de viagens de negócios, o destino é forçosamente escolhido ou motivado pelo objecto dos negócios. Não obstante, uma vez hospedado num determinado destino, os potenciais turistas de negócios estão propensos e permeáveis aos vários atractivos turísticos que compõem esse destino e que motivem os turistas a visitá-los.
Todo e qualquer visitante a um lugar dispende dinheiro em comida e alojamento, produtos locais e outros bens e serviços (Kotler et al., 1993, p. 23). Este gasto tem um efeito multiplicador no rendimento e emprego locais e nos impostos gerados pelos negócios.
No entanto, a atracção de um grande volume de turistas de negócios não é uma opção para todo o tipo de destinos. Com efeito, contrariamente ao turismo de lazer que pode prosperar em ambientes variados – urbano, rural, sol e praia – o turismo de negócios concentra-se maioritariamente em cidades com uma base industrial e comercial substanciais, com espaços próprios para conferências e exibições, alojamento adequado, bons acessos a um aeroporto internacional, uma boa rede de transportes, animação e lazer, zonas de shopping para além de uma série de outros serviços e atracções (Davidson et al, 1997).
Logo, nos destinos que pretendem captar este mercado alvo, um dos mais rentáveis, para além das características de base essenciais supra-mencionadas, os responsáveis pelo planeamento e gestão desses destinos, podem e devem tomar medidas para
aumentar a contribuição dos viajantes de negócios para a economia local (Davidson et al, 1997). A OMT (cit. in Goeldner et al., 1997), lista três formas de rentabilizar os gastos deste tipo de turistas através da adaptação do produto disponível no destino às necessidades deles, nomeadamente:
oportunidades de shopping, especialmente de artes e artesanato local; expansão das actividades turísticas – mais atracções e excursões,
tentando os turistas a permanecer mais tempo;
diversificação e enriquecimento do produto turístico – expandindo e actualizando o turismo.