Realizamos a entrevista com o senhor Francisco, conhecido na comunidade com “Mem”, na sua residência, antigo salão de ensaios da banda de música do ICM. Nunca conheceu o seu pai, que era do Piauí. Chegou à escola com dez anos de idade e de lá nunca saiu. Ele morava em Fortaleza na casa de João Maria, patrão de sua mãe que trabalhava como empregada doméstica. Esse gerente tinha uma relação prestigiosa com o então Governador do Ceará, Paulo Sarasate, que por sua vez tinha uma excelente relação de amizade com o diretor do ICM, o advogado Gilson.
O colégio era um jogo político. Aqui tudo era comandado pela política. Aqui tudo era o governo. E coisa do governo é política. Todo o dinheiro daqui era vindo pelo Banco do Brasil ao colégio. E todo dinheiro que entrava no nome do colégio era vindo pelo Banco do Brasil. E a amizade do gerente com o diretor da escola resultou na ideia de me colocar aqui na escola.
Certo dia, ainda em Fortaleza, “Mem” foi deixar o almoço do patrão de sua mãe. Quando chegou ao Bando do Brasil, encontrou Dr. Gilson e o senhor João Maria conversando. Este último perguntou ao “Mem” se ele queria ser internado no ICM, pois seria um estabelecimento ideal para se aprender uma profissão: música, carpintaria, alfaiataria, tecelagem e podia se preparar para ingressar no Exército, Marinha ou Polícia. “Mem” disse que sua resposta ao convite foi, de modo espontâneo e imediato, sim. Voltando para casa, conversou com sua mãe sobre o convite, que concordou com a decisão do filho. Sua mãe era também convicta de que a internação de “Mem” seria o melhor para o futuro de seu filho. “Mem” desconfiava que sua mãe queria, na realidade, ir embora para sua terra natal, Maranguape-CE. “Mem” nos falou que a razão de sua mãe aceitar a internação do filho no ICM não tinha
nenhuma ligação com suas condições financeiras, pois, segundo nos contou, eles tinham tudo na casa do patrão de sua mãe.
Ela achou melhor me internar aqui. Eu até concordo com ela ter aceitado eu vir para cá, porque ela queria um pretexto de sair de Fortaleza. Porque para sair de lá para sair comigo, ela acharia ruim. Se ela saísse de lá sem mim, a carga seria mais maneira. Ela talvez pensou que eu saindo de lá. Eu estando no colégio seria melhor para ela, ou seja, ela poderia sair da casa dos patrões dizendo que tinha sentido minha falta.
Com relação à sua chegada ao ICM, disse-nos que ele queria se sentir bem. Ele morava praticamente sozinho com sua mãe na casa dos patrões dela. Era apenas o senhor João Maria e sua esposa. “Mem” se reclamava porque ele não tinha lazer. Com exceção, nas manhãs para ir comprar o pão na Padaria Estrela, na esquina da rua Afonso Bezerra. Não tinha lugar nenhum para ir. Às vezes, nos finais de semana, a família do senhor João Maria saía para passear na Messejana. A rotina era sempre essa: o senhor João Maria ia trabalhar e sua esposa ficava em casa porque não trabalhava; sua mãe era dentro de casa; “Mem” saía para a escola diariamente. Quem foi lhe deixar no ICM foi o próprio senhor João Maria e sua esposa num carro da Ford, modelo Perfect. Segundo “Mem” fora muito bem recebido no ICM, uma vez que estava sendo recomendado pelo senhor João Maria, amigo do diretor da escola.
O casal veio me deixar na Escola de Menores. Fui muito bem recebido já que eu já vinha recomendado pelo senhor João Maria, que era amigo do diretor. Todo o dinheiro do colégio que era depositado na conta do colégio, o senhor João Maria encaminhava o dinheiro para o diretor Gilson. Fiquei aqui e depois de dois meses, eles vieram me visitar para saber se eu queria ficar. Se não gostasse eu poderia voltar.
Disse para os antigos patrões de sua mãe que estava gostando da escola e queria ficar. De acordo com suas lembranças, logo que chegou à escola foi aprender a plantar batata onde hoje é o quintal de sua casa. O inspetor que lhe recebeu logo lhe conduziu para agricultura. O que lhe chamou a atenção de imediato na escola era o fato de que ninguém na escola ficava parado. Todo mundo tinha alguma tarefa para fazer em algum espaço da escola. Além disso, aprendeu, assim que chegou na escola, que não tinha o direito de se fazer escolhas. O que lhe mandava fazer, deveria ser feito.
Aqui não tinha negócio de escolher, não. Mandava-se e tinha de ir. Satisfeito ou não, mas tinha de ir. Aqui era obrigado a trabalhar. Não tinha negócio de não aceitar. Não tinha negócio de escolher. Se não quisesse trabalhar era levado à força. Trabalhava-se pelo progresso do país, meu filho! Tudo isso pelo progresso, meu filho! Palmatória, de joelho de noite. Nós criamos até uma música: ‘Pela frente não temos atalho, nessa estrada real da instrução; disciplina, moral e trabalho são palavras do nosso brasão’.
O trecho da música acima resumia a moral do ICM, segundo “Mem”. Essa era a disciplina do país. Segundo “Mem”, a moral era representada pela figura do inspetor e do diretor; o trabalho era representado pelos alunos e a disciplina era uma obrigação de todos que estavam no ICM. Para “Mem”, era um dever de eles respeitarem as normas do ICM. Afinal, essa disciplina era para o progresso do Brasil, e deveria ser deles também. “Nós não fomos criados pelo governo? Nós não tínhamos tudo? Por que a gente não ia respeitar às normas do colégio?”
Essa disciplina que “Mem” vem relatando diz respeito, segundo ele, apenas ao período da gestão dos padres. “Mem” disse que na gestão do advogado Gilson Leite Gondim, não havia a mesma disciplina dos padres. Ou seja, a indisciplina era de alguma forma mais tolerada e as rezas ocorriam apenas aos domingos. A gestão eclesiástica dava ênfase às orações diárias e ao trabalho agrícola. Devia-se aprender a limpar o mato, a plantar e colher diversas culturas agrícolas.
Com os padres, tivemos de nos adaptar e a aceitar a disciplina e a lógica de organização. Se a comida fosse feijão com arroz e bife, tinha de comer. Quando não tinha o bife, tinha de comer o ovo e pronto. Não tinha o que se discutir. Não havia nenhum tipo de relação por parte dos alunos. Era a disciplina e a moral da casa. O período do Dr. Gilson se podia relaxar a disciplina um pouco mais. Com os padres, os meninos eram muito ocupados. Na época do Dr. Gilson, brincava-se mais.
Com relação à rotina educacional, “Mem” recordou-se de que na gestão de Gilson Gondim, a carga horária de estudo era maior. “Mem” trabalhava pela manhã e estudava durante toda a tarde. Por outro lado, na gestão eclesiástica, as aulas aconteciam somente até às noves horas da manhã. A preocupação maior dos padres era com o trabalho.
Eu ia para aula intelectual de manhã; vinha para banda de música e saía às 11h30; tomava banho, almoçava, às 13h ia para a alfaiataria para costurar. À medida que eu ia crescendo, os padres iam puxando mais de mim. Eles queriam que eu progredisse mais no trabalho. Eu percebia que meu tempo estava fechado e completo. Chegava às 16h30, tomava banho e saía para o centro de Maracanaú para cursar datilografia. Se alguns alunos quisessem sair da escola para fazer cursos no centro de Maracanaú podiam sair para estudar. No entanto, a gente nunca saía sozinho. Sempre tinha um inspetor que nos acompanhava A gente somente saiu acompanhado com o um apoio.
Foi durante a gestão dos padres que “Mem” passou a ter interesse pela música. Na gestão de Gilson Gondim já tinha a banda de música, mas era para os meninos maiores da quarta turma. “Mem” ainda era das turmas dos menores da escola, por isso, ainda não podia aprender a tocar um instrumento musical. “Mem” lembrou-se de que, na gestão religiosa da escola,
entraram mais meninos na banda de música. Havia a banda dos adultos e a banda dos juvenis. O primeiro contato de “Mem” com a banda de música foi como substituto dos músicos que saíam do ICM. Quando algum músico ia embora, “Mem” começou a tocar como substituto. Dessa forma, imergiu no mundo da música no ICM. Como trombonista da Banda de Música do ICM, participou de um concurso de bandas no Rio de Janeiro.
“Mem” entrou na banda de música por volta dos 16 anos de idade. Lembrou-se de que foi durante o café-da-manhã no refeitório que Pe. Paixão perguntou quem queria ingressar na banda de música da escola. Apesar de padre Paixão ser muito rígido, era praxe que o mesmo permitisse que os meninos decidissem por eles mesmos o ofício que queriam aprender. Isto é, não lhe impunham sua participação. E quando o Pe. Paixão perguntou no refeitório quem gostaria de participar da Banda de Música, “Mem” gritou imediatamente que queria participar. Eu gritei logo porque eu estava doido para malandrar. E lá na banda de música tinha mais respeito o músico. A comida da Banda de Música era feita separada. A comida dos músicos eu digo que era diferente porque não era feita na mesma panela; era em panela separada; mas o paladar era a mesma coisa, mas havia essa separação: a comida do inspetor e a dos músicos era feita na mesma panela. Mas as comidas dos outros eram diferentes dessas duas classes. O cozinheiro era o mesmo, mas a diferença era o tacho. E devido a isso eu me sentiam mais valorizado. Mas, apesar dessa diferença da comida, aqui todo mundo era igual.
Acerca da alimentação da escola, aproveitou para nos informar que a carne consumida na escola era comprada da fazenda do Senhor Saturnino. “Mem” expressou-se dizendo que a escola sempre esteve mergulhada em abundância. Nunca faltou carne para eles. Vejamos o que ele nos disse:
A escola tinha dinheiro. Na diretoria, tinha o cofre lotado de dinheiro, que era apreendido de criminosos. A polícia recolhia um dinheiro de crime e levavam para o ICM. E esse dinheiro não era para beneficiar apenas os meninos que estavam matriculados, mas também serviam para ajudar alguns funcionários que estavam precisando roupa ou remédio para um filho. “Mem” continuou sua narrativa contestando o hábito de algumas pessoas chamarem a escola onde ele estudou de Santo Antônio do Buraco. Disse que a escola deve ser chamada de Instituto Carneiro de Mendonça. Seguiu explicando que o Santo Antônio do Buraco fica mais à frente em uma reserva indígena. O ex-aluno não compreende por que algumas pessoas ainda hoje fazem confusão entre o Santo Antônio do Buraco e o ICM. Não concorda com as representações sociais que ligam o nome da escola apenas com meninos que davam trabalhos aos pais. Não se deve compreender dessa forma, na percepção de “Mem”. Não eram todos os meninos matriculados que eram delinquentes e davam trabalhos aos pais.
Tem-se de se acabar com essa ideia de que quando o menino não prestava mandava para o santo Antônio do Buraco, achando que é como se coloca menino hoje nessas casas de menores e pensa que eles vão se ajeitar e corrigir. Na escola de menores aqui não tinha isso não. Aqui a gente vinha para estudar e se preparar para o futuro. Na minha opinião a gente estava sendo bem corrigido e bem administrado, abrindo caminho para o futuro. Quando a gente saia daqui a gente sabia para onde é que a gente iria. Para onde nós íamos nós sabíamos que tinha competência de chegar e seguir em frente.
“Mem” ainda disse que essa competência era adquirida com muitas horas de estudo e dedicação nas atividades da escola. Na banda de música, antes de pegar o instrumento, eles passavam pelos menos três meses apenas tendo aulas teóricas. Disse que eram três meses de ansiedade para poder pegar no instrumento. E quando o mestre da banda lhe disse que ele poderia pegar no instrumento musical pela primeira vez, passou a noite acordado, ansioso e com medo de não saber o que fazer com aquele instrumento musical. O mestre fez a distribuição de todos os instrumentos para os meninos que estavam estudando na banda de música. “Mem” recebeu um trombone de pistos, pois, na época, praticamente não existiam trombones de vara.
Eu me lembro o dia em que íamos receber os instrumentos. Eu tinha tomado café, então o mestre da banda, Tenente Pirrita, da Polícia Militar. Homem competente e fino. Então, ele chegou e disse para todos nós: bora, pessoal, vamos cuidar da vida. Chegou a hora. Agora é dedo, boca, inteligência. É tudo! E fomos para o ensaio.
No ensaio, “Mem” lembrou-se de que o Mestre da banda colocou uma valsa para eles aprenderem. Foi a primeira música que ele aprendeu na banda de música da escola. Depois de um ano de ensaio é que eles foram liberados para se apresentarem. “Mem” disse que os novos garotos tiveram essa oportunidade na banda de música somente depois que os membros veteranos da banda foram para a Marinha e o Exército. Em seguida contou como foi sua primeira apresentação na banda de música do ICM.
Nossa primeira apresentação foi no palácio do bispo na praça onde eu estudava antes de vir para escola. Eu fiz um retorno para onde eu morava, só que agora tocando na banda de música do colégio. Quando eu passei e olhei para a casa onde eu morei, fiquei me tremendo e arrepiado. Eu sempre ficava me tremendo, inclusive nas apresentações na televisão. De tanto me tremer, o trombone chegava a cair das minhas mães. Tudo era novidade para a gente. Segundo “Mem”, graças à competência e destreza dos músicos do ICM, conseguiram uma vaga para representar o Ceará no Festival nacional de Banda de Música. No entanto, apenas o mérito da banda não teria sido suficiente se não fosse a influência política do ex-governador do Ceará, Paulo Sarasate e do ex-senador, Parsifal Barroso, que era muito amigo de Pe. Vale. A viagem aconteceu em um ônibus cedido pela empresa Rio Poty.
Além da banda do ICM, participaram do concurso a banda de música do Rio de Janeiro, Piauí, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e uma banda do Pará, formada por freiras. Os músicos do ICM permaneceram no Rio de Janeiro durante seis meses, fazendo apresentações em vários pontos da capital fluminense. Tudo foi patrocinado pelo governo do Estado do Ceará. Hospedaram-se em um excelente hotel e tiveram à disposição da banda um carro para traslado durante as apresentações. Entre uma apresentação e outra, esse mesmo carro levava-os para passeios na praia. Eram o diretor, os inspetores, as professoras e o mestre da banda quem os acompanhava nesses passeios no bonde ou no Corcovado. Durante esses momentos de folga, “Mem” disse que não era permitido qualquer tipo de relacionamento com mulheres. Por isso, as paqueras com as meninas eram às escondidas.
No Hotel Regina, onde nos hospedamos, do outro lado, estava a banda do Rio grande do Sul. As componentes da banda eram todas mulheres lindas e atraentes. Mas a gente pegava e dava umas puxadinhas nas meninas pelas paredes às escondidas e depois voltava para o hotel. Nesse hotel ficaram apenas essas duas bandas. A gente aproveitou para dar umas barrigadinhas. Mas, não tinha esse negócio de sexo. Eu mesmo namorei uma negona lá. Eu fiquei até com medo da negona. Ela era maior do que a Ivete Sangalo. Oh! Nega para tocar contrabaixo!
Naquele Hotel Regina, na entrada, debaixo de alguns sapotizeiros havia alguns bancos onde os meninos do ICM ficavam sentados à tardinha, pois eles não podiam sair. Os portões ficavam trancados. À noite eles ficavam debaixo dos oitizeiros conversando sobre música. Apesar da vigilância dos funcionários da escola, os garotos conseguiam dar alguns beijinhos nas meninas às escondidas atrás do hotel, deitados em um capinzal, porém, sem nenhum tipo de relacionamento sexual.
Nesse festival, no Rio de Janeiro, duas bandas se apresentavam por dia no Conservatório Cecília Meireles. Na época, segundo nosso interlocutor, considerado o melhor conservatório da América Latina. “Mem” lembrou-se muito bem de que esse espaço musical ficava entre a Praça Getúlio Vargas, a Lapa boêmia e o Cabaré Brasil. Quando terminavam as apresentações, por volta de quatro horas da madrugada, os garotos davam umas fugidinhas para o Cabaré Brasil e para a Praça Getúlio Vargas. Recordou-se de que nesse espaço público frequentavam homossexuais, prostitutas e, de quando em vez, para matar a curiosidade, iam para uma boate pertinho do Hotel Regina. Eles entravam escondidos do padre e dos funcionários que lhe vigiavam. “Mem” disse que eles eram muito unidos e que ninguém delatava o outro. Para eles dar uma fugidinha sempre contava com a cumplicidade de um trompetista da banda, Edílson Brasil, conforme relato abaixo:
Para dar uma fugidinha eu tinha um colega que era meu parceiro mais próximo que era um trompetista. Um malandro sem vergonha. Cabra namorador, foi com ele que eu aprendi a namorar. Ele me incentivava para eu ser sem vergonha igual a ele. Mas, a gente não namorava com ninguém no cabaré. Nós éramos apenas furões e espiões. Quando a gente voltava para o hotel, todo mundo ficava de bico calado porque todos nós éramos unidos na escola. No Conservatório, eles eram apresentados como a banda de Música Juvenil do Ceará. Eles se sentiam muito orgulhosos pelos elogios que se faziam no palco da banda do ICM, composto por trinta e dois meninos. Segundo “Mem”, eles tocavam tudo nessas apresentações. Mas, para vencer concursos e serem aplaudidos de pé pelo público no Rio de Janeiro, tocavam valsas, boleros e dobrados militares, como, por exemplo, “saudade de minha terra”, “Canção do Soldado” e “Cisne Branco”. Eles também tocavam um dobrado intitulado “Vila Mar Damasceno”, em homenagem a um menino órfão de pai, que estudou no ICM. Foi Pe. Paixão quem adotou esse menino para morar no ICM. Na realidade, ele foi criado pelo próprio padre em sua casa. Ele se tornou um grande violinista da banda de música, chegando a tocar no Trio Laguna no Rio de Janeiro. Quando voltou ao Ceará, casou-se com a filha do gerente da Rádio Iracema em Fortaleza. Mas, como ele bebia muito, seus sogros obrigaram o divórcio. Depois ele morreu de tanto beber, desgostoso pela separação. Ele não chegou a tocar na banda de música do ICM. Ele somente tocava violão porque participava do programa de rádio “A Hora do Pobre”.
Sobre esse Programa da Rádio Iracema, já mencionado acima por outros interlocutores, “Mem” o definiu como sendo um programa criado por Pe. Paixão para ajudar a encher a barriga dos que não tinham nada. O Pe. Paixão levava dois ou três meninos que se comportavam bem no ICM. “Mem” lembrou-se de que o maior desejo dos meninos era participar desse programa aos sábados, das 19h às 21h. Era o maior prêmio que os meninos podiam receber no ICM. “Mem” recordou-se de que, às vezes, queria se danar, mas conseguia se comportar bem porque queria acompanhar o sacerdote nesse programa radiofônico. Na realidade, ele reconheceu que queria mesmo era sair da rotina e não ficar recluso no ICM.
“Mem” não se lembrou apenas da gestão do Pe. Paixão. Ele também em seu relato mencionou o nome do Pe. Giovanni Saboia. Para ele, “era um espetáculo”, pois foi um diretor excelente do ICM, dando continuidade ao trabalho que Pe. Paixão já vinha fazendo na escola. No entanto, considera que Pe. Giovanni administrava a escola de modo menos autoritário que Pe. Paixão. Este, segundo suas lembranças, ficava na diretoria dele e, se chegasse uma mulher para conversar com ele, usando vestidos curtos, ele não a recebia em sua sala, conforme vimos