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Appendix A: Affiliations and addresses of participants

De forma genérica, o estudo das redes sociais baseia-se em métodos de análise estatística, adequando-se também ao estudo das relações entre stakeholders. Os métodos e os conceitos envolvidos na ARS provêm da análise de redes complexas. Estes métodos aplicam-se ao estudo dos mais variados temas, como os actores sociais, as páginas da Internet, os neurónios do cérebro, etc. Independentemente do tipo de relação estabelecido entre entidades, através da ARS podem ser modeladas com grafos e visualizadas para o apoio à sua interpretação.

Para a análise de redes sociais, as redes podem ser categorizadas pela sua função (Grosser, 1991):

4.IDENTIFICAÇÃO DAS REDES REGIONAIS DA ÁGUA

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 Redes de autoridade – Rede de comunicação de informação relacionada com a autoridade e a responsabilidade formal entre os membros de uma organização;  Rede de especialistas – Rede de comunicação de natureza técnica, associada à

execução de tarefas de trabalho

Podem ainda definir-se redes partindo do grau de formalidade das relações entre os seus actores. Podendo, nalguns casos, os dois tipos de relações estar tão intimamente relacionados ao ponto de se fundirem. (Grosser, 1991)

Na realidade, nem sempre é possível encaixar as definições nos estudos de caso. Para a RRA-BHRGP adaptam-se os princípios de ARS, embora haja algumas características de rede de autoridade e de rede de especialistas. Considera-se ainda a possibilidade de integrar os níveis de formalidade e de informalidade na análise do estudo de caso.

4.1.1. SISTEMATIZAÇÃO DOS CONCEITOS

A rede social é uma estrutura constituída por nós, entendidos na rede como actores (indivíduos ou organizações). Assim, cada nó pode assumir diferentes tipologias: «O actor tanto pode ser um indivíduo, como um conjunto de indivíduos agregados, agrupados numa unidade social colectiva, enquanto grupo ou subgrupo da rede» (Wasserman et al., 1994, p. 36).

Ou actores unem-se entre si por uma, ou várias, ligações ou laços. A ligação é o elemento responsável pelo vínculo entre pares de actores. Assim, as ligações entre actores são os canais para a transferência de recursos materiais e não materiais na rede. Os laços tanto podem ser uma transacção de compra e venda, como uma troca de mensagens electrónicas, a participação comum em eventos, os laços de autoridade chefe-subordinado ou as relações biológicas entre indivíduos (Wasserman et al., 1994).

Neste estudo, tal como noutros processos de investigação análogos, a rede social diferencia os laços conforme o tipo e intensidade das relações. Numa rede, todos os tipos de ligações são importantes para a sua definição. Desde os laços fracos, desempenhando uma função de mera ligação entre partes na rede, até aos mais fortes, que estão na origem da definição de pontes entre diferentes grupos ou subgrupos da rede. Existe sempre um actor na origem da ponte, é um indivíduo fortemente ligado a um grupo que interage regularmente com outro actor de outro grupo (Grosser, 1991).

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Para esta análise, as ligações entre actores assumem valores correspondentes às características analisadas, podendo também variar o seu tipo e intensidade consoante os diversos atributos temáticos correspondentes aos actores. Estes atributos, quando associados a um actor, revelam a sua posição individual perante um determinado tema. Os laços constituem o principal elemento de análise das redes, no entanto, existem atributos associados aos actores que podem fazer variar as ligações. A análise das redes a partir de atributos específicos dos seus actores permite definir várias composições da rede social. (Wasserman et al., 1994)

Na ARS, comparativamente com a ligação entre nós, a relação é um conceito mais amplo. A relação é o conjunto de ligações estabelecidas entre cada par de actores, segundo o mesmo atributo da rede. Assim, por norma, as redes podem-se definir em função da sua multidimensionalidade, dadas as possibilidades de estabelecimento de várias ligações temáticas entre os mesmos pares de actores. (Wasserman et al., 1994, p. 16)

Para o estudo da RRA-BHRGP, analisam-se as redes através de diferentes níveis de agregação dos stakeholders: os grupos. Trata-se de conjuntos de actores reunidos de acordo com todas as possíveis relações estabelecidas entre eles. Nesta análise, define-se um grupo tendo em consideração a identificação de laços entre um actor e todos os outros. Um, ou vários actores, podem incluir um grupo, mesmo não se relacionando com todos os seus restantes membros. Estabelecem-se vários tipos de grupos numa rede, dependendo do tipo de relação entre actores, do número de grupos pretendido na análise, do método estatístico adoptado e do grau de multidimensionalidade pretendido para a rede. (Wasserman et al., 1994)

Na ARS estes conceitos são analisados através de um conjunto de indicadores estatísticos, ou podem ser expostos graficamente mediante um diagrama. Recorrendo a pontos (nós) e linhas (ligações), representam-se estruturas complexas, aumentando substancialmente o nível de generalização da informação apresentada e as possibilidades de análise da rede. Dessa forma, identificam-se visualmente os padrões de comportamento individuais, de grupos e da rede na sua globalidade. (Freeman, 1979)

4.1.2. IMPORTÂNCIA DAS REDES SOCIAIS

As redes sociais operam a muitos níveis, desde as relações familiares até ao nível das nações, desempenhando um papel fundamental na determinação da forma como se resolvem os problemas. As redes sociais são também mecanismos poderosos para acelerar

4.IDENTIFICAÇÃO DAS REDES REGIONAIS DA ÁGUA

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a mudança e a transformação das normas sociais, normalmente pelo processo de contágio social. (Christakis, 2008)

Tal como muitos outros serviços da Internet, a ARS teve um incremento substancial desde o advento da Web 2.0. A ascensão da ARS foi decisiva na mudança da organização das comunidades online. Desde as primeiras comunidades públicas online, como a Usenet e alguns fóruns de discussão pública, que as redes se estruturam por temas, ou consoante hierarquias de tópicos (Boyd et al., 2007). Todavia, desde a sua origem, muito para além do surgimento da Web 2.0, a Internet tem proporcionado muitas formas de interagir entre nós, revelando-se como enormes estruturas de redes. Actualmente, o

Facebook ou o LinkedIn fornecem grandes quantidades de dados estruturadas no formato de rede (Ereteo et al., 2009).

A rápida evolução da ARS reflectiu-se, em termos gerais, num incremento da qualidade das ferramentas para o seu estudo. Tornou-se também particularmente evidente o interesse crescente da comunidade científica em relação às potencialidades e à aplicabilidade desses instrumentos de análise. Neste estudo, pretende-se contribuir para ampliar os horizontes de análise destas ferramentas. Partindo de uma experiência anterior

de aplicação da ARS numa sub-bacia1, onde se revelou muito importante, apresenta-se

agora uma ampliação desse ensaio a uma bacia de grandes dimensões (à escala nacional). A utilização de bacias hidrográficas como unidades territoriais de análise, imposta pela DQA, constitui um desafio à aplicação de várias ferramentas de análise espacial e de gestão integrada do território. Contudo, independentemente da unidade de análise adoptada, a gestão dos recursos hídricos apresenta dificuldades estruturais, sobretudo devido aos desequilíbrios entre procura e oferta, à competição entre múltiplos usos e à sua função social. Nem sempre é possível harmonizar os vários interesses em redor desse recurso escasso. (Lourenço et al., 2004)

No contexto socioeconómico actual, muito marcado pela globalização da economia e por constantes inovações tecnológicas, as regiões e as comunidades locais são forçadas a aumentar a sua capacidade de reacção, sob pena de se tornarem menos competitivas à escala global. Com esse propósito, ao funcionamento das redes, deve associar-se também o

marketing, na tentativa de propor uma nova forma de actuar perante os problemas

1

MULti-sectoral, Integrated and operational decision support system for sustainable use of water resources at the catchment scale (MULINO), projecto internacional e multidisciplinar financiado pela União Europeia (Directorate-General Research) no quadro do programa Energia, Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

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identificados. Tal como afirmam os grandes especialistas de marketing estratégico, as regiões devem construir estratégias pró-activas para a sua promoção, pois só dessa forma podem combater a estagnação e o declínio. O marketing estratégico deve também apoiar-se e servir as redes estabelecidas, porque ao promover e afirmar uma determinada imagem potenciam-se as possibilidades de atrair investimento, ao tornarem-se mais claras as vantagens competitivas de uma região (Kotler et al., 1994). Todavia, no caso da BHRGP e da região do Alentejo, em termos gerais, estão ainda pouco consolidada as ideias de unidade e de liderança, fundamentais para a definição de uma estratégia com o objectivo de atrair investimento.

Cabe também às regiões encontrar soluções colectivas para os seus problemas estruturais, explorando o espírito solidário entre agentes económicos e instituições na procura de um projecto comum (Henriques, 1993). Esta ideia enquadra-se totalmente nas características da BHRGP, dada a necessidade de fortalecer as redes formais e informais. Nesse sentido, devem os seus actores tornarem-se mais reactivos às condicionantes externas, sobretudo através da ampliação das competências para a resolução dos problemas e conflitos. Todavia, é ainda frequente, como resultado do processo de tomada de decisão, serem apresentadas medidas excessivamente fragmentadas e identificarem-se actores demasiadamente fechados. Esta atitude contrasta com a necessidade de procurar incessantemente concertações regionais, envolvendo empresas privadas, entidades públicas e ONG.

As redes regionais desempenham um papel fundamental na gestão do território e dos recursos naturais (Lourenço et al., 2004). O bom sucesso da rede regional, como instrumento de apoio à gestão do território, depende do tipo de participação dos vários

stakeholders. Desde a fase inicial deste estudo que se procurou envolver os stakeholders, garantindo assim uma intervenção muito próxima no estabelecimento das Respostas (SAD). Desse modo, procura-se potenciar a integração das expectativas dos vários actores da BHRGP num processo de tomada de decisão.

Segundo Wasserman (1994), uma rede social consiste num conjunto finito de actores e na forma como estes se relacionam. Os actores são entidades sociais, pessoas discretas, corporativas ou unidades sociais (colectivas). De uma maneira relativamente estática, as redes podem ser definidas como «... o sistema onde os actores sociais propagam entre si informações e recursos no interior de uma estrutura (…). Observa-se que as interacções com o exterior da rede surgem a partir de estruturas com um menor grau de conectividade interna...» (Lemieux, 1999, p. 22).

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No processo de decisão, as redes sociais funcionam como uma ferramenta essencial na transmissão de sistemas normativos, que regulam a decisão e permitem a identificação de problemas e potencialidades. Através das redes sociais, amplia-se a capacidade de avaliação da validade das propostas de intervenção e também a compreensão das interacções e conflitos entre os diversos actores sociais. (Lourenço et al., 2001)

Enquanto parte de um subsistema normativo, as redes de relações estabelecidas a nível local integram-se em redes maiores (regionais, nacionais e até internacionais). Além disso, no contexto do processo de decisão, as redes definem-se sempre segundo um determinado grau de centralidade (Lourenço et al., 2001). Assim, a transferência de recursos e de informação segue uma determinada cadeia hierárquica, tanto mais «de cima para baixo», quanto mais egocêntrica for a rede (Fisher, 2003).

No ambiente interno das redes, há transmissão preferencial de informação e, por vezes, imposição. No entanto, este facto não significa a aceitação de todas as decisões, informações ou acções transmitidas a partir dos níveis mais elevados. Não pode haver diversidade de percepções sobre as potencialidades e os problemas de uma determinada região sem a integração de diferentes pontos de vista sobre o desenvolvimento. (Lourenço et al., 2004)

As redes sociais são frequentemente marcadas pelo conflito de interesses. A consciência desses atritos é essencial para compreender a lógica dessas redes e entender melhor os obstáculos à decisão. Por vezes, o conflito, ou obstáculo, surge, não da coexistência de várias perspectivas de desenvolvimento, mas da falta de consciência das medidas políticas, ou da falta de capacidade para criar condições de implementação efectiva dessas medidas. Neste sentido, é muito importante identificar e caracterizar a função dos diversos actores sociais (as suas funções e o nível de intervenção) e o tipo de relações estabelecidas entre eles. (Sgobbi et al., 2007)

Por outro lado, no contexto da gestão de um recurso natural finito, tal como água, um outro tipo significativo de conflito é observado. Esses conflitos surgem sobretudo da competição entre os vários usos deste recurso natural. As organizações responsáveis, directa ou indirectamente, pelos usos da água (agricultura, agro-indústria, indústria, turismo, actividades recreativas, de uso doméstico urbano, etc.) são os stakeholders, cuja intervenção se reflectirá no território. (Giupponi et al., 2008)

Um dos métodos mais frequentemente utilizados para compreender as redes e os seus participantes é avaliação da localização das instituições na rede (principalmente a partir

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de uma análise baseada na visualização). Ao medir a localização dos nós na rede, pretende-se essencialmente encontrar a centralidade dos seus actores. Estas medidas permitem avaliar a importância de uma instituição na rede. (Rodrigues et al., 2010)

4.2. I

DENTIFICAÇÃO DOS STAKEHOLDERS

O primeiro passo desta metodologia consiste na recolha de dados a diferentes níveis de intervenção. Para conhecer melhor as redes, levanta-se uma série de questões, estruturadas em função das necessidades do SEAD, a um conjunto de entidades, seleccionadas com base em critérios pré-definidos, com a finalidade de gerar uma lista de

stakeholders da rede regional.

Na BHRGP, deste processo resulta uma rede constituída por 102 stakeholders, distribuídos pelas diferentes sub-regiões da bacia complementadas por algumas entidades de nível nacional. O processo de identificação da rede foi realizado com base em 60 entrevistas a stakeholders da água da BHRGP. Partindo destas 60 entrevistas, e de informações adicionais de carácter bibliográfico e estatístico, aferiram-se as características dos restantes 42 stakeholders.

4.2.1. PROCESSO DE IDENTIFICAÇÃO DOS STAKEHOLDERS

Da informação bibliográfica acerca das redes sociais resultam alguns constrangimentos em relação à recolha de dados sobre os stakeholders da rede social. Numa primeira fase, são inquiridos os stakeholders mais relevantes e, sequencialmente, vai sendo abrangido um conjunto cada vez mais significativo de membros da rede. (Kochen, 1989)

Existem formas de amostragem específicas da ARS, embora neste caso a

4.IDENTIFICAÇÃO DAS REDES REGIONAIS DA ÁGUA

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investigação tenha resultado de um conjunto de técnicas cruzadas para a aquisição de dados. Para determinar a amostragem ideal da rede, os primeiros actores entrevistados indicaram stakeholders e indivíduos com as quais estabelecem laços no contexto da gestão dos recursos hídricos. O processo repetiu-se até não serem indicados novos actores. Esta técnica de amostragem é um desenvolvimento do trabalho de Wasserman (1994), ou de Rothenberg (1995), em que se exploram as denominadas técnicas do «ego e alter ego2» e

snowbowl sampling3.

Para o estudo das redes sociais, a escolha dos stakeholders entrevistados resulta de uma sucessão de opções (Figura 4.1). Desde a primeira selecção de stakeholders, aos quais se realizam as entrevistas-teste do guião, até ao final deste processo, existe a possibilidade de se acrescentarem novos elementos à rede. No final, entrevista-se uma amostra significativa dos stakeholders e recolhem-se os dados necessários à sua análise. Esta abordagem metodológica revela-se particularmente proveitosa na identificação do posicionamento relativo dos stakeholders e na segmentação de subgrupos (Haythornthwaite, 1996).

Os dados sobre as redes sociais são recolhidos essencialmente a partir das entrevistas. Nestes estudos sobre as redes sociais, os stakeholders revelam o tipo e a frequência dos contactos, definem os seus objectivos, expõem a sua posição perante os principais problemas da gestão dos recursos hídricos e apresentam soluções.

As entrevistas são consideradas pela maioria dos autores como a forma mais confiável de recolha de dados. Sendo estas respostas a base da classificação da rede, estas carecem de alguma objectividade, pois nem todos os actores da rede estão igualmente presentes na mente dos entrevistados no momento da entrevista (Christensen et al., 1983). Logo, justifica-se a combinação de métodos proposta nesta tese para a recolha de dados: para além das entrevistas, utilizam-se ainda referências bibliográficas, dados de estatísticas indirectas e a observação presencial da realidade. (Rogers, 1987)

2

Processo do ego e alter ego é utilizado segundo o processo de recolha de dados ego e alter ego. Baseia-se em abordagens de investigação bastante consolidadas acerca do ego (egocentric data) (Rotherberg, 1995) e do «ego-centered network” (Wasserman et al., 1994). Neste tipo de investigação, o actor pesquisado é o ego, vai indicando ao longo das entrevistas outros actores, os alter, com os quais mantém ligações.

3

Processo de amostragem tipo bola de neve (snowball sampling): é uma técnica adaptativa na qual a totalidade dos actores da rede é indicada pelos elementos entrevistados. De acordo com esta técnica, define-se um determinado grupo de atores (de primeira ordem) (Wasserman et al., 1994) com quem eles estabelecem relações. A resposta serve de indicação para a identificação do próximo grupo de actores da rede a ser entrevistado (de segunda ordem). O processo repete-se consecutivamente até não se identificarem novos elementos para a rede.

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As perguntas fechadas das entrevistas são importantes para definir grupos de

stakeholders e os padrões das interacções. Além destas perguntas, este processo de investigação emprega dados qualitativos obtidos através das entrevistas e das observações da realidade (trabalho de campo). O software de análise estatística (SPSS) revela-se de extrema utilidade na organização desses dados e na padronização das instituições, das actividades e dos comportamentos. Este processo permite integrar uma forte dimensão cognitiva na ARS e extrapolar os dados necessários para identificar os 102 stakeholders, partindo de 60 entrevistas.

O guião adoptado nas entrevistas não restringe os seus objectivos às relações entre

stakeholders. Procura-se também definir a posição de cada stakeholder face aos temas mais relevantes e fracturantes para o funcionamento da rede (Kiesler et al., 1992). A base de dados resultante constitui o principal suporte da identificação das relações.

O principal resultado das entrevistas é a definição de uma rede regional de

stakeholders da água. Recorrendo a software específico (UCINET, 2012), determina-se o grau de relacionamento entre actores, qual a forma da rede, quais os nós mais centrais e influentes, quais os principais grupos e que tipo de relação existe entre eles. Estas são algumas questões às quais se pretende dar resposta neste ponto.

4.2.2. STAKEHOLDERS DA REDE REGIONAL DA BHRGP

A Rede Regional da Água da Bacia Hidrográfica do Rio Guadiana (RRA-BHRGP) é constituída por 102 stakeholders. Realizaram-se 60 entrevistas ao longo de um ano e dois meses (de Setembro de 2009 a Novembro de 2010).

Numa primeira fase, procedeu-se a um conjunto de três entrevistas-teste, realizadas em Outubro de 2009, em Évora. Pretendia-se assim ter um primeiro contacto com os

stakeholders e obter uma reacção construtiva ao questionário. Foram entrevistadas a Administração da Região Hidrográfica do Alentejo (ARH-Alentejo), a Câmara Municipal de Évora (ÉVORA) e a Águas do Centro Alentejo (AdCA). Para além do aperfeiçoamento do guião da entrevista, este teste permitiu acrescentar imediatamente cerca de 20 stakeholders à rede original constituída por 62 elementos (estabelecida apenas a partir de fontes indirectas).

4.IDENTIFICAÇÃO DAS REDES REGIONAIS DA ÁGUA

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Tendo em consideração os principais objectivos das entrevistas, nomeadamente a identificação das relações entre stakeholders e o estabelecimento de grupos em função de temas, as entrevistas realizaram-se de forma mais equidistante possível, quer temática, quer geograficamente (Figura 4.2). Destaca-se a importância assumida por Lisboa enquanto centro de decisão influente na BHRGP. Todavia, existe uma distribuição de stakeholders bastante bem repartida pelo território da bacia. Desta proposta de definição da RRA- BHRGP realçam-se os seguintes aspectos:

 O concelho de Portalegre, mesmo sendo capital de distrito, não atrai muitos

stakeholders no contexto desta rede;

 Os municípios de Mértola (devido ao PNVG) e Castro Verde (devido à actividade mineira da Somincor) assumem algum protagonismo, mesmo tratando-se de concelhos com muito pouca população;

 Já Elvas e Tavira destacam-se positivamente, pois rivalizam com as capitais de distrito Évora, Beja e Faro, revelando-se como os principais centros alternativos de decisão da BHRGP. BEJA ÉVORA MÉRTOLA ELVAS TAVIRA CASTRO VERDE FARO LISBOA SERPA MOURA LOULÉ CORUCHE PORTEL ALMODÔVAR ARRAIOLOS ALCOUTIM ESTREMOZ ALJUSTREL OURIQUE ALANDROAL MONFORTE REDONDO PORTALEGRE MOURÃO CUBAVIDIGUEIRA FERREIRA DO ALENTEJO ARRONCHES BORBA CASTRO MARIM MARVÃO CAMPO MAIOR VILA VIÇOSA REGUENGOS DE MONSARAZ BARRANCOS

SAO BRÁS DE ALPORTEL VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO

-100000 -100000 -50000 -50000 0 0 50000 50000 100000 100000 -3 00 000 -3 00 000 -2 500 00 -2 500 00 -2 0000 0 -2 0000 0 -1 5000 0 -1 5000 0 -1 00000 -1 00000 -5 0000 -5 0000 0 0 0 25 50 100 km

Stakeholders (nº por conc.)

1 2 3 4 - 10

11 - 15