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Um dos estudos pioneiros sobre o mercado de trabalho dos bibliotecários foi o de Polke; Araújo; Cesarino (1976), no qual foram enviados questionários aos egressos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com base nos arquivos da Escola de Biblioteconomia e do Conselho Regional de Biblioteconomia. Obteve-se o retorno de 180 (85,7%) questionários. Foram apontadas questões, tais como: status

sócio-econômico, satisfação, anseio profissional, expectativa salarial e salário real. Com base nesse trabalho, embora restrito a uma região, pode-se traçar o perfil do bibliotecário nos anos 1970 como um profissional jovem (59,09 % com menos de 30 anos), predominantemente do sexo feminino, solteiro, contente com a escolha da profissão e mesmo com um salário regular (entre 3 e 6 salários mínimos), estava relativamente satisfeito com esse salário.

Na década de 1980, tem-se uma pesquisa de abrangência nacional, realizada sob a coordenação da Federação Brasileira de Associações Bibliotecárias (FEBAB). Foram enviados questionários para uma amostra regional de profissionais no Brasil, com o objetivo de identificar as realidades regionais e locais, abrangendo questões sobre a reciclagem profissional, nível salarial e serviços autônomos (ROMANELLI, 1985).

O trabalho de Oliveira (1983), embora seja focado na auto-imagem do bibliotecário em relação a sua profissão, levanta questões relativas ao mercado de trabalho como renda, satisfação no trabalho e setor de atuação. Foi entregue um questionário aos 950 profissionais bibliotecários que participaram do 10º Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação, 337 (35%) foram respondidos e, desses, 309 (32,52%) foram utilizados para análise dos dados.

Em meados dos anos 1990 foi realizada uma pesquisa para identificar o perfil do bibliotecário atuante no mercado de trabalho, na cidade de São Paulo (SOUZA,1994, 1996). Enviaram-se questionários a 800 bibliotecários selecionados através de uma amostra aleatória simples, com dados oriundos do cadastro do Conselho Regional de Biblioteconomia de São Paulo – 8ª região (CRB-8), obteve-se uma taxa de resposta de 10%. Analisaram-se questões referentes ao sexo, origem da graduação, qualificação exigida no mercado, satisfação no trabalho e atividades exercidas pelo profissional. Os resultados demonstraram, entre outras questões, que a maioria dos bibliotecários da cidade de São Paulo é mulher, com remunerações que variavam entre 6 a 10 salários mínimos. No quesito qualificação exigida a experiência anterior se mostrou o item mais citado pelos respondentes.

Ainda nessa direção, outro estudo analisou o perfil do mercado de trabalho do bibliotecário no interior do estado de São Paulo (SOUZA; NASTRI, 1996). Nesse trabalho enviou-se questionários aos profissionais atuantes naquela região que estivessem registrados no CRB-8 de forma definitiva e provisória. A taxa de resposta foi de 20%. Dentre alguns resultados destaca-se que a maioria dos bibliotecários (32, 43%) trabalhava em instituições do governo municipal; 29,73% em instituições do governo estadual e 18,92% em empresas privadas. O restante atuava em instituições do governo federal (9,91%); 5,41% em empresa pública ou de economia mista e, apenas 1,80% como autônomo. Esses dados demonstram a importância do setor público como empregador desta categoria profissional, já que no interior do estado de São Paulo, empregava mais da metade desses profissionais. A maioria atuava em bibliotecas universitárias e 41,44% da amostra recebiam mais de 10 salários mínimos.

A Federação Internacional de Informação e Documentação (FID) criou em 1991, o Grupo de Interesse específico sobre Papéis, Carreiras e Desenvolvimento do Moderno Profissional da Informação (SIG FID/MIP). Foi realizado pesquisa mundial para identificar as mudanças no mundo do trabalho e sua influência no perfil dos profissionais da informação. No Brasil o trabalho foi realizado por Tarapanoff (1997), no qual foram enviados 881 questionários aos dirigentes das unidades de informação especializadas em ciência e tecnologia integrantes do sistema Comut10. Obteve o retorno de 401 questionários, nos quais as principais questões eram relativas ao perfil do profissional pesquisado, além de levantar as percepções sobre as mudanças e tendências no mundo do trabalho.

Constatou-se, na referida pesquisa, que a maioria dos informantes era composta de bibliotecários, sendo os demais oriundos de diversas áreas. Percebeu-se quanto à educação continuada, um percentual significativo de profissionais que possuíam pós-graduação lato sensu (39,50%) e stricto sensu (12%). Resultados interessantes, mas de alguma forma já esperados, já que a pesquisa focou os responsáveis pelas unidades de informação.

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Programa de Comutação Bibliográfica, que visa a troca de documentos entre unidades de informação no Brasil.

No quesito Mudanças e Tendências, a influência da tecnologia nos processos de trabalho foi identificada como um dos principais fatores naquele período. Quanto às qualificações necessárias ao desenvolvimento profissional, destacou-se o treinamento para a inovação e desenvolvimento de produtos e processos.

Já nos anos 2000, outro estudo analisa o mercado de trabalho, na década anterior, para os bibliotecários egressos do curso de Biblioteconomia de Santa Catarina (CUNHA; PEREIRA, 2003). O método utilizado foi o envio de questionários aos egressos formados entre 1991 e 2000, sendo que 92% dos respondentes formaram- se nos últimos dois anos. Obteve-se o retorno de 49 questionários (15,8%) do total de 309 egressos. O trabalho identificou que o bibliotecário em Santa Catarina “é um profissional do sexo feminino, que trabalha numa biblioteca de universidade privada, no interior de Santa Catarina; [...] está no cargo há dois anos e exerce as funções de análise, referência e gestão da informação” (CUNHA; PEREIRA, 2003, p. 16). É preciso ainda, observar que 45% trabalham em Florianópolis e 51% em bibliotecas universitárias. Não há, porém, informações de quantos desses profissionais atuavam na Universidade Federal de Santa Catarina, que é universidade pública.

Em estudo comparativo ao anterior, identificou-se o perfil do bibliotecário formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (CUNHA; SILVA; KILL, 2005), no período de 1993 a 2002. No universo de 319 egressos do curso, 97 (30,4%) responderam aos questionários. O perfil desse egresso é muito semelhante ao verificado no estudo anterior, sendo o seu protótipo identificado como uma mulher, formada entre 1999 e 2002, exercendo as funções de análise, gestão e referência, prioritariamente, nas bibliotecas de universidades privadas, em Porto Alegre.

Outro estudo ainda no sentido de caracterizar a carreira profissional e identificar o campo de atuação do profissional bibliotecário foi realizado. A pesquisa do mercado de trabalho dos bibliotecários valeu-se dos registros ativos no Conselho Regional de Biblioteconomia do Espírito Santo (CRB-12). Coletou-se dados do CRB-12, tais como: nome, telefone, idade, ano de conclusão e local de realização do curso. No segundo momento foram realizadas entrevistas, por telefone, com 92 indivíduos

selecionados aleatoriamente, correspondendo a 35,3% do total de 260 registros ativos (ROSEMBERG et al., 2003).

A maioria dos profissionais da amostra escolhida era formada por mulheres, geralmente casadas. A grande maioria atuava na cidade de Vitória e formou-se na Universidade Federal do Espírito Santo (91,8%), com uma participação de egressos da UFMG em 4,7% das entrevistas. As demais instituições somavam 3,6% da população pesquisada.

Uma das constatações é que 53,26% dos entrevistados atuavam em instituições públicas; 46,65% em instituição privada e, apenas 1,09% em instituição de economia mista. Tendo em vista que mais da metade é funcionário público, o concurso público foi a principal forma de acesso ao atual emprego (31,52%), seguida de 26,09% por indicação e os11,96% restantes através de processo seletivo com o empregador.

Em relação ao setor em que os profissionais atuavam, o estudo evidenciou que 69,5% dos entrevistados estavam empregados em bibliotecas, outros 8,7% em centros de documentação e 7% em arquivos. Portanto, percebe-se que mais de 80% dos profissionais da informação no Espírito Santo exerciam atividades profissionais setor tradicional do mercado de trabalho.

A respeito das possibilidades de atuação dos bibliotecários na prestação de serviços autônomos, assessorando pessoas físicas ou jurídicas na organização dos seus estoques de informação, identificou-se nas pesquisas de Batista (1998, 2000), a existência de 95 profissionais autônomos, contudo somente 89 foram considerados para a pesquisa. Entre os respondentes, foram identificados 56,17% trabalhando em bibliotecas e 43,82% atuando em arquivo, editora, ensino/curso, firma de prestação de serviço/consultoria, museu e livraria. Entretanto, o trabalho sem a proteção dos direitos trabalhistas, consolidados pela CLT, torna este tipo de atividade passível de desvalorização.

Nos EUA, mais do que em outros países, os profissionais proprietários de firmas ou free lancer estão mais organizados. Eles possuem um diretório organizado por região[...] e participam de uma

associação voltada para este tipo de profissional. (BAPTISTA, 2000, p. 95).

No Brasil, não há este tipo de organização dos bibliotecários autônomos. Encontram- se até mesmo poucos registros nos Conselhos, dada a não obrigatoriedade do registro de firmas prestadoras de serviços (BAPTISTA, 2000).