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5. Analyse

5.3. Sosial status og plassering i samfunnsjiktet

5.3.1. AOT-verdier

Os sujeitos desta investigação são alunos de 4º ano do Ensino Fundamental, do Colégio de Aplicação da UFRGS, uma escola pública do município de Porto Alegre. A escolha dos participantes ocorreu por meio dos resultados da sondagem inicial realizada pelas professoras titulares (denominadas na escola como Polivalentes) das turmas, mediante discussões entre a pesquisadora e as duas professoras, chegando-se assim aos indicados.

Entre os dias 16/03/2015 e 17/04/2015, houve contatos sistemáticos com as professoras a fim de averiguar quais alunos da turma estavam apresentando alguma dificuldade no processo de escolarização como um todo e, destes, foram selecionados candidatos potenciais à participação na Oficina de Aprendizagem Minimetragens. Durante esse período, foram feitos contatos formais (reuniões na escola) e não formais (contatos telefônicos, e-mails e conversas nos corredores) da escola com as famílias das crianças para que estratégias de amparo fossem traçadas de forma comum e, dentre essas estratégias, estava a Oficina da Aprendizagem. Assim, em conjunto, escola e responsáveis, analisaram as possibilidades de suporte à escolarização das crianças já no início do ano letivo e teve-se uma prévia do aceite dos responsáveis à proposta; em todos os casos, os responsáveis esclareceram suas dúvidas e concordaram com a participação da criança.

Foram considerados possíveis participantes da Oficina de Aprendizagem crianças que apresentavam questões a serem superadas na aprendizagem escolar, relacionadas ao seu posicionamento diante da escrita, e uma ou mais das seguintes queixas:

dificuldade na articulação de ideias: as ideias do texto não são coerentes; há dificuldade para estruturar parágrafos, usar pontuação e conectivos; há ideias omitidas que

prejudicam o sentido e o entendimento do contexto; não consegue organizar sua narrativa temporalmente; os fatos narrados são desconectados;

o texto é pouco criativo: apresenta empobrecimento do vocabulário; as informações se repetem, seus temas se repetem; faz uso, seguidamente, de frases feitas; utiliza sempre os mesmos conectivos ou a mesma estrutura textual; há ideias omitidas no texto;

a produção textual está ―travada‖: produz muito pouco; a produção está aquém de seu potencial; apresenta lentidão na produção; não termina o que inicia.

Assim, foram escolhidas dez crianças para a pesquisa, obedecendo-se aos seguintes critérios:

consentimento dos familiares à participação da criança na pesquisa – esse consentimento foi coletado oficialmente mediante encaminhamento e recebimento do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado;

histórico de defasagem na aprendizagem escolar; comprometimento da produção textual;

ausência de comorbidades severas – seja orgânica ou psíquica; nível cognitivo compatível entre o grupo;

aceite da criança em participar da oficina.

Ao final do mês de março de 2015, haviam sido selecionadas quatro crianças do quarto ano A e seis crianças do quarto ano B; todas são apresentadas na sequência com nomes fictícios14, colocados em ordem alfabética, por meio de um histórico resumido.

Bárbara – 10 anos

Bárbara frequentou a Educação Infantil desde os dois anos; seus pais se separaram quando ela tinha três anos e seu pai veio a falecer em 2010, ano anterior ao da sua entrada na escola. A criança ingressou na escola no primeiro ano do Ensino Fundamental. Durante o primeiro ano de escolarização, Bárbara estava ainda sensibilizada com o falecimento do pai. Ela faltava com frequência, estava sempre queixosa e recusava-se a realizar algumas atividades escolares que lhe demandassem maior empenho. Passou por acompanhamento psicológico com a finalidade de elaborar o luto. Ainda no terceiro Ano de escolarização, Bárbara apresentava questões

14 Os dados apresentados estão bem detalhados no anexo II – Histórico das crianças. Esse levantamento foi realizado

pela pesquisadora a partir de pareceres descritivos (dos quais são recortados trechos), anotações dos conselhos de classe feitas pela pesquisadora em anos anteriores e relatos das professoras polivalentes que acompanharam as crianças durante o período em que são alunos do Colégio de Aplicação.

significativas ligadas à alfabetização inicial (escrita, leitura e raciocínio lógico); os quais foram apontados como aspectos a serem superados; em vista disso, foi retida naquela etapa. Bárbara apresentou, no transcurso dos anos, dificuldade para compreender enunciados, interpretar textos e ouvir o ponto de vista do outro. Na produção textual, conseguia articular bem seus textos, mas as frases eram por vezes confusas, pois não expressavam o real sentido que ela queria lhes atribuir. Destacava-se no grupo por exercer liderança e buscar auxílio quando necessário.

Bárbara foi encaminhada para oficina justamente por sua dificuldade na articulação de ideias; percebia-se que era criativa, mas, por vezes, não conseguia expressar-se adequadamente. Além disso, ainda precisava aprender a respeitar mais a opinião de colegas.

Braian – 9 anos

Braian era o único dos participantes que não havia ingressado na escola no primeiro ano do Ensino Fundamental; seu ingresso se deu pelo sorteio das vagas remanescentes do terceiro ano, em 2014. O menino frequentou a Educação Infantil desde um ano e nove meses de idade. Ele tem um irmão mais velho; seus pais são separados e possuem guarda compartilhada. Assim, ora Braian morava na casa do pai, ora na da mãe. Não se tem informações sobre como Braian se portava na escola anterior. Era constante no histórico da criança no CAp o comportamento intermitente, que oscilava entre cooperação e oposição. Com frequência, negava-se a realizar as tarefas escolares; buscava agregar outras crianças em suas distrações durante as aulas. Essa postura vinha comprometendo seu processo de escolarização nos últimos dois anos e demandando empenho dos professores para inseri-lo nas propostas. Demonstrava ter excelente potencial de aprendizagem que necessitava ser explorado.

Braian foi encaminhado para a oficina em razão de negar-se a realizar as tarefes escolares, especialmente as de escrita; ainda precisava avançar no aspecto de dar sentido ao texto em seu conjunto (elementos de coesão e de coerência) e aprimorar seu relacionamento quando trabalhando em grupo.

Bruno – 9 anos

Bruno frequentou a Educação Infantil desde 1 ano de idade; ele mora com os pais e um irmão bem mais velho. Bruno ingressou na escola no primeiro ano do Ensino Fundamental. Em seus registros, percebe-se que não tinha dificuldades cognitivas, mas resistia às propostas escolares, buscando outras distrações, o que demandava empenho dos professores em envolvê-lo nas mesmas. Apresentava dificuldade para expressar-se, especialmente quando contrariado, e

para aceitar opiniões contrárias às suas. Também, havia relatos de pouco envolvimento e investimento nas tarefas durante o período analisado.

Bruno foi encaminhado para oficina a fim de trabalhar a organização estrutural do texto, a articulação de ideias e o tratamento de informações necessárias à compreensão do leitor. O menino ainda precisava, inclusive, aprimorar seu lado expressivo.

Cecília – 9 anos

Cecília é a segunda de três irmãos; seus pais separaram-se neste ano. Ela mora com a mãe e com os irmãos, mas vê o pai com frequência. Ingressou na escola no primeiro ano do Ensino Fundamental. Desde então, era recorrente em seu histórico a distração com brincadeiras e conversas paralelas, o que acabou por, progressivamente, afetar seu processo de escolarização, o que fez com que demandasse constante empenho dos professores para envolvê-la nas tarefas escolares. No entanto, sempre de destacou sua boa capacidade cognitiva. Quando estava focada nas propostas, melhorava consideravelmente sua produção.

Cecília foi encaminhada para a oficina, haja vista a existência de defasagens consideráveis na escrita; seu texto apresentava ideias confusas e com falta de elementos para ganhar sentido.

Cláudio – 9 anos

Cláudio frequentou a Educação infantil desde um ano e seis meses de idade; ele tem um irmão mais velho. Cláudio passou por uma série de questões na sua primeira infância. Seus pais se separaram em 2013 e, desde então, ele mora com o pai e com o irmão; seu pai trabalha à noite em turnos (neste caso, fica com a avó), seu pai enfrentou um problema de saúde sério no último ano. Ingressou na escola no primeiro ano do Ensino Fundamental. Em seu histórico, as atitudes dispersivas e imaturas são recorrentes, e isso vem demandando grande esforço do corpo docente em buscar integrá-lo às propostas escolares. Seu processo de alfabetização se deu de forma mais lenta que o dos demais e, em razão de, muitas vezes, estar alheio às tarefas e as realizar com pouco empenho e foco, acabava por apresentar desempenho aquém do esperado para etapa de ensino.

Cláudio foi encaminhado para a oficina por escrever textos sucintos, com poucos detalhes; necessitava trabalhar mais a articulação de ideias e o foco nas propostas e temáticas. Além disso, apresentava significativa defasagem na escrita de palavras e frases. Ainda, ao longo do tempo, percebeu-se que tinha bom potencial criativo a ser explorado.

Flor – 9 anos

Flor frequentou a Educação Infantil desde um ano de idade. Atualmente mora com os tios paternos, seu primo e seu irmão mais velho; tem pouco contato com o pai. Ingressou na escola no primeiro ano do Ensino Fundamental. Nesse período, morava com a mãe e o irmão. Flor faltava muito a escola; porém, era muito esforçada. Mesmo assim, observou-se que seu empenho não era o suficiente para suprir as lacunas que surgiram na sua escolarização e no acompanhamento satisfatório das propostas. Essa situação acabou por demandar maior apoio da equipe de professores para lhe dar suporte. Durante o terceiro trimestre de 2013, sua mãe veio a falecer subitamente, e ela passou a ser cuidada pela tia. Esta vem apoiando sua escolarização, desde então, de forma exemplar. Flor obteve avanços significativos. Tornou-se assídua. Por ser esforçada e muito solícita vinha conseguindo acompanhar adequadamente as propostas escolares. No entanto, a menina ainda possuía lacunas oriundas de sua escolarização inicial, as quais se refletiam na escrita, na insegurança diante de propostas desafiadoras e na timidez. Por essas razões, foi encaminhada para a oficina. Quanto aos textos, geralmente não conseguia concluí-los; também não conseguia articular adequadamente as ideias. Por vezes, as produções eram sucintas (texto de parágrafo único), muito embora, pudesse ser percebido o seu bom potencial criativo e cognitivo.

Lívia – 10 anos

Lívia frequentou a Educação Infantil desde seus cinco meses de idade; tem um irmão mais velho e mora com seus pais. Ingressou na escola no primeiro ano do Ensino Fundamental e ficou lá até o terceiro ano. Demandou esforços dos professores para envolvê-la nas propostas escolares; muitas vezes ficava alheia ao que se passava; ficava imersa em seu imaginário. Com isso, surgiram várias lacunas no processo de construção da escrita e da matemática, que resultaram em sua retenção no final do ano letivo de 2013. Desde então, percebe-se maior envolvimento da família com o seu processo de escolarização, o que se refletiu em sua organização, e em seu comprometimento com as propostas escolares e em seu aproveitamento.

Lívia foi encaminhada para a oficina para que fosse trabalhada a articulação de ideias no texto, de forma que o tornasse mais consistente e conseguisse reduzir as omissões de informações. Ainda precisa aprender a colocar suas ideias ao grupo, expondo-se mais, já que se percebe nela bom potencial criativo.

Máximo – 9 anos

Máximo frequentou a Educação Infantil desde 1 ano de idade; ele tem uma irmã mais nova. Seus pais são separados, e ele mora com a mãe e a irmã. Vive em um ambiente bastante violento (muito embora, sua mãe tente protegê-lo). Quando a situação se agrava, ocorrem reflexos no contexto escolar, e isso afeta seu comportamento e seu envolvimento com as propostas escolares. Máximo ingressou na escola no primeiro ano do Ensino Fundamental. Em seu histórico escolar, são recorrentes as situações de agressividade, dispersão, resistência às propostas, faltas e atrasos, o que demandou esforços dos professores em integrá-lo nas tarefas; entretanto, destaca-se por ser um aluno bastante esforçado e solidário; é bastante criativo e tem espírito investigativo. Esses fatores acabaram por influenciar seu aproveitamento escolar, especialmente nos registros escritos.

Máximo foi encaminhado para a oficina em razão de ter defasagens significativas na escrita, por resistir às propostas que envolvam os registros escritos e por apresentar textos empobrecidos e bastante curtos. Ainda, precisa aprender a trabalhar no coletivo, a respeitar a opinião do outro e a aceitar críticas; também, percebe-se um grande potencial criativo que necessita ser mais explorado.

Sávio – 11 anos

Sávio frequentou a Educação Infantil desde os quatro anos; ele mora com os pais e uma irmã doze anos mais velha, que também foi aluna da escola. Desde o primeiro ano na escola, falava pouco. Sávio precisou de muito apoio para desenvolver sua autonomia e para compreender novos conceitos que iam se inserindo em sua escolarização. Demorou mais tempo que seus colegas para se alfabetizar. Foi retido no segundo ano em razão de não ter conseguido se alfabetizar minimamente e, no quarto ano, por ter lacunas significativas no processo de escolarização relacionadas à escrita, leitura, interpretação e compreensão de conceitos matemáticos. A utilização da expressão ―não sei‖ ou o fato de simplesmente dar de braços foram recorrentes durante o processo de escolarização, tal como a falta de motivação para estudar, a resistência às tarefas escolares e as atitudes dispersivas. Sávio sempre precisou de muito apoio dos professores para conduzi-lo em seu processo de escolarização. Com apoio do professor, demonstra avançar, o que mostra que tem potencial. Vinha se esforçando mais, mas suas dificuldades ainda eram evidentes.

Foi encaminhado para a oficina, pois ainda tinha dificuldades na articulação de ideias e necessitava desenvolver sua expressão; acredita-se que tenha bom potencial criativo a ser explorado.

Sílvio- 9 anos

Sílvio ingressou na escola no primeiro ano do Ensino Fundamental; é filho único. O pai tem outros dois filhos do primeiro casamento que são bem mais velhos que ele; mora com os pais. Havia frequentado a Educação Infantil. Desde o início de sua escolarização, foram relatadas situações recorrentes de falta de autonomia e em que se negava a realizar as tarefas escolares, buscando distrair-se com outras atividades, especialmente brincadeiras. Sempre dizia que não sabia quando desafiado, o que, ao longo do tempo foi criando defasagens na escolarização. Demorou mais que os demais para aprender a ler e a escrever alfabeticamente, demandando intervenções constantes das professoras para envolvê-lo nas propostas escolares de todas as naturezas. Entretanto, quando a temática era de seu interesse, envolvia-se de forma mais ativa. Ao longo do tempo, demonstrou bom potencial na oralidade e no desenho. Aos poucos, foi respondendo melhor às intervenções em pequenos grupos, como no Laboratório. Contudo, apresentava dificuldade em aceitar a opinião e as críticas dos demais.

Foi indicado para a oficina, pois se recusava a realizar as tarefas, inclusive as produções escritas e os registros; isso que prejudicou seu crescimento quanto à escolarização; seu texto ficou empobrecido. Tem de aprender a expressar-se e a explorar sua criatividade.

Percebe-se, por meio do levantamento histórico da trajetória das crianças na escola, que as fraturas que ocorreram durante sua escolarização não estavam relacionadas apenas a esses sujeitos, mas a uma confluência de fatores (internos ou externos) aos quais elas estavam submetidas. Assim, de certa forma, em dado momento, ficaram alheias ao processo de escolarização, o que ocasionou defasagens na aprendizagem e o surgimento do que se poderia chamar de sintomas15, como resistência, fugas e distrações. Tais sintomas marcam um processo de buscar evitar os objetos de aprendizagem, especialmente os relacionados à escrita.

Quanto a seu momento na escrita, em geral, as crianças selecionadas apresentavam, no início do ano letivo de 2015, produções textuais (anexo III) que demonstravam dificuldade para

15 Conforme Fernández (1991), o sintoma é caracterizado como o aspecto emergente (visível) de uma rede de

relações em desequilíbrio na qual o sujeito está imerso e onde o saber adquire um sentido próprio (como perigoso, como algo a ser escondido, como algo temido, etc.). Nessa circunstância, a ―criança suporta a dificuldade, porém, necessária e dialeticamente, os outros dão sentido‖ (p. 31).

expressar as ideias e questões relacionadas ao encadeamento do texto (início, meio e fim); além disso, muitas delas apresentaram uma atitude negativa diante de propostas de registros escritos.

Com base nessas informações, pensou-se em uma Oficina de Aprendizagem em que houvesse outra forma de aproximação com o registro escrito, em que o texto estivesse por trás de outro objeto que lhes chamasse a atenção, que fosse irresistível e que permitisse o ressignificar desse objeto.