5. PRESENTASJON OG ANALYSE AV EMPIRI
5.3 R EFLEKSJONER RUNDT TILBAKEMELDINGSVIRKSOMHETEN I SKOLEN
5.3.1 Anvendelse av tilbakemeldinger
Objetivou-se, nesse trabalho, propor roteiros para trabalhos de campo, como parte de uma proposta de estudo do meio, cujo tema gerador os problemas ambientais urbanos locais. Os caminhos percorridos durante a pesquisa nos fizeram compreender melhor a temática e, assim, buscar contribuir para com o ensino de Geografia voltado para a educação básica.
A degradação ambiental emerge, historicamente, da relação mantida entre o homem e a natureza. Nesse sentido, buscamos, no trabalho, apropriarmo-nos do conceito de ambiente em que os aspectos naturais e sociais devem ser pensados de forma associada. Limitar a problemática ambiental à discussão dos elementos naturais significa ignorar as relações econômicas, sociais e culturais existentes entre os homens e deles com a natureza.
Os problemas ambientais urbanos se inserem no contexto de desigualdade social, como marca da expansão urbana brasileira. Assim, foi possível compreender através das discussões levantadas que, ao longo da história, esse processo se reproduziu na cidade de João Pessoa. O crescimento urbano da cidade segregou socioespacialmente os pobres, os levando a ocupar áreas improprias para moradia como os leitos de rios e vertentes. Não é por acaso que a população mais pobre é atualmente a que mais sofre com os problemas ambientais. Suas ações têm, inclusive, intensificado os processos de degradação dessas áreas, a partir da retirada da vegetação natural, do lançamento de resíduos sólidos nos rios, dos cortes nas vertentes para construção de suas casas, dentre outros.
Frente a esses desafios, emerge a necessidade de um saber ambiental que articule os aspetos naturais e sociais. Também é preciso desafiar o conhecimento científico que, ao longo do tempo, foi fragmentado em áreas e subáreas. Nesse contexto, destaca-se o uso de práticas interdisciplinares, que promovam o conhecimento através do diálogo de diferentes áreas do saber.
Compreendemos a escola não apenas por sua importância para compreensão da realidade, mas, sobretudo, para a construção de conhecimento que incite transformações no meio social. É preciso que os estudantes entendam o contexto socioambiental em que estão inseridos e assim, parafraseando Paulo Freire, saiam de sua ingenuidade, frente a uma educação reproduzida historicamente como prática de dominação. Compreender os diferentes processos e agentes que interferem na qualidade de vida dos estudantes poderá facilitar suas ações para transformar dos problemas que os afligem.
Para que a escola exerça esse importante papel, as diferentes disciplinas que a compõe devem comprometer-se com o uso de metodologias que facilitem o entendimento da
realidade local. É nesse sentido que compreendemos a importância do estudo do meio para um ensino de Geografia comprometido com o entendimento e transformação da realidade. É importante ressaltar que não desvalidamos outras formas de saídas a campo, sobretudo, por considerarmos que essas devam estar relacionadas às necessidades identificadas por professores e estudantes frente a sua realidade.
Para muitos, afirmar que as saídas a campo são importantes para a Geografia, seja ela acadêmica ou escolar, pode parecer evidente, até indiscutível. No entanto, pudemos comprovar, através dos questionários aplicados, as inúmeras dificuldades enfrentadas pelos professores da educação básica para transpor as paredes brancas e altas que cercam nossas escolas. Um dos maiores obstáculos enfrentados pelos professores se relaciona à insuficiência de investimentos necessários para melhorar a educação. Isso foi demonstrado, por exemplo, quando identificamos a falta de transporte como a principal dificuldade enfrentada para a realização de uma atividade de campo. Como, então, criticar um professor, cujo único aliado, geralmente, é o livro didático? Esse, que por questões obvias, não dará conta da discussão dos problemas locais e, assim, continuarão incompreendidos pelos estudantes.
Com a aplicação dos questionários, identificamos a compreensão dos professores de Geografia quanto aos problemas ambientais locais. Questões como a poluição dos recursos hídricos, o lixo, os deslizamentos e as enchentes ganharam destaque tanto no contexto nacional quanto local. Isso demonstrou a importância de um trabalho que promova a discussão desses problemas nas aulas de Geografia. Além disso, comprovou a relevância dos problemas que buscamos discutir através da construção dos roteiros de campo, propostos no item 4 do trabalho.
Quanto às metodologias utilizadas pelos professores de Geografia, para o entendimento dos problemas locais, a pesquisa revelou que as aulas de campo e os estudos do meio se destacam como importantes práticas desses profissionais, apesar de muitos não terem demonstrado ter consciência de suas diferenças. Contudo, as dificuldades encontradas fazem com que suas práticas sejam raras e assim se percam entre o elevado número de aulas expositivas e a inércia dos alunos nas salas de aula.
Ao buscarmos discutir sobre diferentes concepções de atividades de campo, o estudo do meio, realizado através de diferentes etapas (preparação, saída a campo e sistematização), não ganha destaque apenas pelo conteúdo abordado, mas também por seu caráter experimental com base na pesquisa. Assim, destacamos a importância da valorização e do investimento em atividades que façam da escola um espaço para a construção de conhecimento.
Os roteiros de campo propostos tiveram como premissa a busca pela compreensão do meio físico e social das áreas percorridas. Dessa forma, a atividade insere-se na concepção de uma única Geografia, quebrando com a dicotomia entre Geografia física e Geografia humana, ao mesmo tempo em que ganha relevância para reflexão e compreensão dos problemas ambientais locais.
O espaço geográfico marcado por sua dinâmica, constituído de elementos naturais e sociais, é de essencial importância para construção de um conhecimento com vistas à apreensão da realidade. Os problemas ambientais locais, como temas geradores para um estudo do meio, visam articular o conhecimento cientifico às questões vivenciadas pelos alunos em seu cotidiano. Dessa forma, rompe-se com a distância entre o saber prático e o conhecimento teórico.
Sobre esses pressupostos, compreendemos que o objetivo maior dos roteiros de campo, seja de contribuir para que o estudante compreenda sua realidade social. Assim, buscamos romper com uma educação “bancária”, formulada para que os conteúdos sejam acumulados e transmitidos de forma mecânica e, consequentemente, acrítica. Obviamente sabemos que nossa proposta não resolverá a inércia frente aos problemas ambientais, tampouco fará com que aumentem expressivamente os estudos do meio para a discussão dos problemas ambientais locais. Contudo, acreditamos que a discussão proposta no trabalho poderá contribuir com o ensino de Geografia, principalmente aos que, como nós, buscam em sua prática a formação de um cidadão crítico.
Nosso objetivo não foi o de criar “receitas”, em que exista somente uma possibilidade, e a fuga dessa acarrete em erro. Obviamente acreditamos na potencialidade dos roteiros para as discussões propostas. No entanto, nossa ideia é de que possamos contribuir para que professores e alunos possam refletir sobre sua realidade e construir seus próprios roteiros.
Como o livro didático não é suficiente para discussão dos problemas ambientais locais, obviamente por se tratar de uma proposta nacional, acreditamos que o nosso trabalho pode servir de apoio para se pensar sobre algumas das questões ambientais locais. É importante ressaltar que não queremos que seja mais um enfadante material a ser trabalhado exclusivamente em sala de aula. É preciso conhecer o mundo no mundo, assim, a atividade só terá validade se fomos realmente além das paredes das salas de aula.
Se é tão obvio que as saídas a campo não são importantes somente para a Geografia, mas também para qualquer área do conhecimento, por que ainda existe tanta dificuldade para que seja praticada efetivamente na escola? Se o transporte foi apontado como o maior vilão
para a realização de atividades de campo, é intrigante pensarmos que a Secretária Municipal de Educação de João Pessoa não tenha ônibus próprio para esse tipo de atividade com seus alunos. Mais intrigante ainda é saber que cidades com um PIB muito menor do que o da capital paraibana possibilitam, até com relativa facilidade, o transporte para atividades de campo dos estudantes de sua rede de ensino.
Os desafios para a escola ainda são imensos, até mesmo inimagináveis em sua finitude. No entanto, buscamos um ensino de Geografia vivo, desafiador, que busque na formação de cidadãos a base para o entendimento e a ação frente às questões ambientais. É nesse sentido que esperamos dar nossa gota de contribuição frente a esse oceano vasto e intrigante que é a Educação.