Os programas de competência informacional devem adotar alguns parâmetros para que obtenham êxito. Para Campello (2009a, p.82) “[...] a implementação de programas de letramento informacional implica práticas planejadas, fundamentadas em evidências e teorias, constando de atividades sistemáticas e seqüenciais”.
No que concerne à estruturação de programas, o Institute for Information Literacy da ACRL (2003a) publicou o documento intitulado Characteristics of Programs of Information Literacy that Illustrate Best Practices: A Guideline. Ele traz as características que ilustram as melhores práticas em competência informacional desenvolvidas por instituições de ensino superior e fornece elementos para a sua realização:
Missão: a missão deve optar por um conceito de competência informacional e seguir alguma diretriz, assim como deve refletir sobre a contribuição e os benefícios esperados para todos os membros da instituição, devendo ser avaliada periodicamente e revisada se necessário;
Metas e objetivos: os programas devem estar em consonância com a missão, as metas e os objetivos dos departamentos e da instituição; devem estabelecer resultados esperados para a avaliação do programa e dos aprendizes e integrar a competência informacional em todo plano de ensino e no projeto político pedagógico dos cursos; e por fim, ser avaliados e revisados periodicamente;
Planejamento: consiste em organizar a missão, as metas, os objetivos e a fundamentação pedagógica do programa; planejar os recursos humanos, tecnológicos e financeiros; e estabelecer um processo de avaliação desde o início, incluindo a revisão periódica do plano para assegurar flexibilidade;
Apoio administrativo e institucional: a instituição deve apoiar o financiamento para assegurar um aprendizado contínuo para o ensino formal e informal dos estudantes, pois desta forma garante-se os níveis adequados de profissional.
Articulação com o plano de ensino: o programa deve ser formalizado e incluído nos planos de ensino; recomenda-se que a aprendizagem seja centrada no estudante; o programa deve ainda identificar as competências a serem adquiridas nas disciplinas e em cada curso; e deve apresentar a seqüência das competências ao longo da formação acadêmica;
Colaboração: deve haver colaboração entre os professores, bibliotecários e demais membros da instituição, que poderão assim centrar-se na melhoria da aprendizagem e no desenvolvimento de habilidades para o aprendizado contínuo;
Pedagogia: centra-se no apoio aos diversos planos de ensino e aos trabalhos das disciplinas; no uso de recursos adequados; e em atividades de aprendizagem ativas, abarcando o pensamento crítico e reflexivo;
Pessoal: são os profissionais necessários para desenvolver as atividades requeridas num programa, como os bibliotecários, os professores, administradores, coordenadores de curso, especialistas em docência e outros segmentos, de acordo com as necessidades;
Extensão: consiste na propaganda dos cursos à comunidade institucional por meio de canais formais e informais;
Avaliação: a avaliação inclui o rendimento do programa e os resultados individuais dos estudantes; consiste em verificar se as metas e objetivos do programa foram alcançados.
Nesse mesmo ano de 2003, a ACRL (2003b) lançou o Guidelines for Instruction Programs in Academic Libraries, que consiste num conjunto de recomendações para as bibliotecas universitárias prepararem e desenvolverem programas instrutivos para seus estudantes. Este guia deve ser usado juntamente com os parâmetros da ACRL (2000) e com as características da ACRL (2003a) para que a aplicação dos mesmos seja efetivada. Destacamos três pontos do programa:
Planejamento do programa: a biblioteca deve ter uma declaração da missão do programa instrucional; cada instituição determinará o conteúdo instrutivo baseada nas necessidades de aprendizagem de sua comunidade e a biblioteca deverá ter um
conjunto articulado de resultados de aprendizagem definidos; pode-se utilizar uma variedade de métodos de ensino; a estrutura do programa deverá ser bem articulada com o plano de ensino; a avaliação deve ser um processo contínuo e sistemático, que visa reunir dados sobre o programa instrucional.
Recursos humanos: a biblioteca deve empregar, desenvolver ou ter acesso a pessoas com educação adequada, com experiência e que possuam conhecimentos sobre cada uma das etapas do programa.
Apoio: a biblioteca deve possuir instalações com tamanho suficiente e número de equipamentos adequado para oferecer os programas, como deve também ser flexível o bastante para oferecer uma aprendizagem ativa aos estudantes; a biblioteca deve prover acesso aos equipamentos e serviços necessários para o desenvolvimento do programa; a biblioteca deverá receber todo o apoio financeiro necessário para cobrir os gastos dos programas em todos os aspectos, devendo estar clara a previsão desses gastos na descrição no orçamento; a biblioteca deverá contar ainda com apoio para que os profissionais encarregados de oferecer os programas tenham um desenvolvimento profissional adequado no sentido de se aperfeiçoarem em todas as etapas dos mesmos, assim como para habilitar novos profissionais para tais funções.
Outra iniciativa muito importante foi a da IFLA desenvolvido por Lau (2007, p.16), que publicou “As diretrizes sobre desenvolvimento de habilidades em informação para a aprendizagem permanente” (Guidelines on Information Literacy for Lifelong Learning), compilado pela Seção de Competência Informacional (Information Literacy Section – INFOLIT).
Estas diretrizes fornecem elementos que perpassam deste os conceitos sobre competência informacional até a avaliação de aprendizagem para a elaboração de um programa. Este guia é direcionado para profissionais que trabalham em bibliotecas do ensino básico ao superior e pode ser adaptado a qualquer realidade. As diretrizes estão estruturadas da seguinte forma:
Conceitos de habilidades em informação: demonstra diferentes conceitos relacionados às habilidades informacionais com o objetivo de direcionar um programa de DHI.
Habilidades em informação e aprendizagem permanente: esclarece a inter- relação entre as habilidades em informação e aprendizagem permanente, cuja importância se dá na relação estratégica e de apoio mútuo entre estes dois paradigmas.
Padrões internacionais: inclui uma proposta de padrões internacionais em DHI para a comunidade internacional de bibliotecas.
Compromisso institucional: aborda a temática do compromisso institucional, ressaltando o papel do profissional da informação na criação de estratégias relevantes para convencer e “vender” os benefícios do DHI aos líderes institucionais para obter seu apoio.
Plano de ação: configura-se nos passos que ajudarão a desenvolver idéias claras sobre o que se deseja conseguir e como se pretende que sejam alcançados os objetivos de um programa de DHI.
Administração do ensino/aprendizagem: ressalta a importância do programa de DHI integrado ao currículo, já que as habilidades devem ser desenvolvidas em todos os níveis de ensino formal básico, fundamental, médio ou superior. Desenvolvimento pessoal: destaca o papel do profissional bibliotecário em parceria com professores, cuja prática deve se pautar no ensino de encontrar, avaliar e utilizar a informação aos alunos e docentes.
Teorias da aprendizagem: os bibliotecários precisam estar familizarizados com as teorias de aprendizagem para desenvolver técnicas de ensino efetivas para guiar a aprendizagem, já que estas estão baseadas na psicologia cognitiva e nas pesquisas da educação construtivista.
Avaliação da aprendizagem: a IFLA opta pelo conceito de monitoramento porque é um processo mais abrangente, pois coleta informação sobre o desempenho dos alunos durante todo o seu processo de aprendizagem de habilidades de informação e também ao encerramento de suas atividades.
Para que os programas de competência informacional obtenham êxito, é importante que o bibliotecário mostre a toda comunidade acadêmica a importância da competência informacional na Sociedade da Informação e do Conhecimento. É necessário que missão, planejamento, objetivos, metas, expectativas e parâmetros a ser utilizados para alcançar os objetivos estejam claros, esquematizados e
documentados. Neste âmbito, ao papel da avaliação é imprescindível em virtude dos seguintes aspectos:
Anterior ao início das atividades de desenvolvimento de competência informacional: é essencial, pois permite direcionar os recursos disponíveis para a execução das atividades e as habilidades que devem ser trabalhadas, desenvolvidas, aprimoradas e apropriadas pelos estudantes.
Durante as atividades de desenvolvimento de competência informacional: acompanhar o desenvolvimento da aprendizagem dos estudantes e verificar se as atividades estão correspondendo às expectativas dos discentes, docentes, bibliotecários e da instituição.
Após o período das atividades de desenvolvimento de competência informacional: permite verificar se de fato as habilidades desenvolvidas foram assimiladas e apropriadas pelo indivíduo. É uma forma de avaliar o próprio programa, pois serve como um diagnóstico para o profissional constatar se o método de ensino aplicado correspondeu às suas expectativas, às da instituição de ensino e às dos estudantes.
A avaliação da competência informacional é importante, pois possibilita determinar os efeitos e transformações que os programas de competência informacional proporcionam para a instituição, para os membros da instituição e, principalmente, para os estudantes (MATA, 2009). Por isso, considera-se que “[...] a avaliação é uma parte de um processo contínuo de melhoria” (RADCLIFF et. al., 2007, p. 4, tradução nossa).
Algumas instituições da área de Ciência da Informação criaram parâmetros que servem como indicadores para verificar as habilidades informacionais dos alunos. A seguir, serão apresentados alguns destes parâmetros.
3.3 Parâmetros da competência informacional direcionados para a avaliação da