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2 Background

2.1 Why ask these questions? Prior research status

2.1.2 Antecedent studies: Climate, ecology and technology

A noção de metadado é perpassada por abordagens restritivas e abrangentes. Para a IFLA (International Federation of Library Associations) metadado é um termo que remete a qualquer informação utilizada para a identificação, descrição e localização de

recursos, já para a W3C (World Wide Web Consortium) o termo designa informações que podem ser assimiladas por máquinas, limitando o conceito aos ambientes eletrônicos (BREITMAN, 2005).

Desse modo, o conceito de metadado possui uma variação que se refere a descrições sobre recursos informacionais em formato digital criadas de acordo com padrões ou estruturas como Dublin Core e RDF e outra que inclui as descrições criadas para documentos impressos a partir de instrumentos como CDD, MARC e AACR 2 (CHU, 2003).

De acordo com Schwartz (2001, p.9, tradução nossa)69“o termo metadado é utilizado (e vagamente) para caracterizar um dado que descreve ou de certo modo complementa ou suplementa um recurso em rede, adicionalmente ao que aquele recurso pode dizer sobre si mesmo.” Com essa apropriação do conceito em ambientes digitais percebe-se uma nova roupagem de uma prática antiga que se baseia na atribuição de descrições a um conteúdo informacional com propósitos definidos. Estes propósitos podem ser descritivos (quando descrevem e avaliam um conteúdo), administrativos (quando se prestam a auxiliar a gestão do conjunto de recursos: termos e condições de uso, fonte, instituição, formato, etc.) e estruturais (quando remetem a execução de processos e operações em sistemas: linkagem de páginas web, tempo de resposta do sistema, etc.) (SCHWARTZ, 2001)

Metadados podem ser gerados de modo automático, intelectual e semi-automático (agrega dispositivos automáticos e elaboração intelectual). Nas folksonomias as tags são consideradas como metadados de cunho descritivo gerados de modo semi- automático.

Nesse sentido, Smith (2008, p.67) apresenta uma tipologia básica de tags que foi adaptada aos SBFs analisados neste trabalho da seguinte maneira:

69

“The term metadata is used (rather loosely) to characterize data which describe or in some way complement or supplement a networked resource, additionally to what that resource may say about itself”.

QUADRO 7

Tipologias básicas de tags

FUNÇÃO TIPO EXEMPLO

Descrição Descritiva xbox, remédio, interface, dieta, playstation, sexo,

bebidas, esporte, alimentação, comportamento, pés, flexões, guitarhero, wii, game, design

Atividade enviar, ler, marcar, publicar, corrigir, comprar,

jogar, praticar

Recurso blog, artigo, foto, vídeo, revista

Fonte Info (revista), colunadefulano, Gates (autor),

gambiarra (blog), twitter

Opinião interessante, relevante, incoerente, *****, ótimo,

ruim, engraçado, lindo

Auto-referência meublog, mim, eu,

Fonte: SMITH, 2008, p. 67.

Nota: Traduzido e adaptado pela autora.

Existem SBFs que utilizam esses metadados gerados pelos seus usuários de forma livre e existem aqueles que buscam agregar os mesmos a significados bem definidos como o ZigTag70 e Faviki71. Estes se relacionam a estudos que investigam a agregação

das folksonomias a formatos de metadados que são estruturas padronizadas na tentativa de aprimorar a recuperação da informação e promover a interoperabilidade entre os sistemas.

As principais iniciativas para estabelecer formatos, ou padrões de metadados em contextos digitais foram descritas por Breitman (2005):

Dublin Core: é um modelo de descrição de conteúdos que apresenta como grande

diferencial o fato de fornecer um conjunto simplificado de elementos que podem ser aplicados a descrição de recursos em áreas caracterizadas pela multidisciplinaridade. Por ser um padrão relativamente simples (composto por 15 campos de descrição)72 possui alta visibilidade, entretanto, baixo poder de expressão semântica.

70

<www.zigtag.com>. 71

<www.faviki.com>.

72 Os campos que compõem o padrão Dublin Core são: assunto, título, criador, descrição, editor, outro agente, data, tipo de objeto, formato, identificador, relacionamento, fonte, linguagem, cobertura e direitos.

Framework de Warwick: representa uma tentativa de expandir o Dublin Core

adicionando outros elementos tais como: termos, condições e responsabilidades. Possui uma arquitetura baseada no conceito de container, uma espécie de pacote que agrega diferentes agrupamentos de metadados. O seu maior ponto fraco é apresentar inconsistências semânticas e baixa interoperabilidade entre os agrupamentos de metadados contidos no container.

RDF: originou-se em 1995 através de uma iniciativa encabeçada pela W3C73 denominada PICS (Sistema de atribuição de metadados para classificação de conteúdos) que se revelou com o passar do tempo, restrita às esferas comerciais, assim o RDF (Resource Description Framework) surge visando expandir a prática. O objetivo do RDF é representar metadados de recursos web de maneira legível e processável por computador, por isso está intimamente ligado à noção de Web semântica. O padrão utiliza URI (Uniform Resource Identifier) para identificar determinado conteúdo e o conjunto de propriedades para descrevê-lo. Utiliza-se da linguagem XML para representar metadados de forma padronizada no formato de sentenças sobre propriedades e relacionamentos entre conteúdos informacionais. Para estabelecer princípios de modelagem para a construção de classes, subclasses e propriedades, que integram os componentes de uma ontologia, foi desenvolvida uma extensão denominada RDFS ou RDF Schema. Contudo, o ponto negativo do RDF é não prever semântica necessária, nem formalismo que dê suporte aos modelos de inferência.

O estudo de Catarino (2009) aponta a existência de novas propriedades de metadados nos SBFs e agrega um experimento com folksonomias, RDF e ontologia em repositórios institucionais. Tal agregação revela que “As novas propriedades identificadas, ao serem incorporadas aos elementos de metadados, permitirão que as etiquetas atribuídas pelos utilizadores dos recursos, possam vir a ser legíveis por máquina” Catarino (2009, p.173). Em Kim et al. (2010) é apresentado um protótipo de estruturação formal das

73 Sigla para World Wide Web Consortium, organização que elabora recomendações para a Web numa tentativa de estipular padrões para a mesma.

tags oriundas de fontes heterogêneas através de uma ontologia que utiliza RDF e OWL

na formalização desses metadados para integração e compartilhamento entre ferramentas distintas.

Para Bateman (2007, p.102) um dos problemas centrais nas comunidades de pesquisa voltadas para o desenvolvimento da Web Semântica é a definição de especificações rígidas e complexas para os metadados visto que as mesmas acabam por inibir funcionalidades. De acordo com o autor a continuação da investigação nesse sentido ignora provas materiais de que apenas taxonomias e ontologias não dão conta do que se espera da Web Semântica. Assim, a Web Sócio-semântica é uma área de pesquisa emergente que investiga a combinação de características Web 2.0 com a estruturação de metadados.

A noção de sócio-semântica tem emergido como uma área de pesquisa com base no interesse em alavancar conhecimento a partir de sistemas baseados em software social. Nós simplesmente definimos sócio- semântica como extração e representação de conhecimento profundo a partir de sistemas de software em que as comunidades de usuários compartilham o conhecimento. Identificamos três abordagens possíveis para alcançar este objetivo: 1) apoio social para o desenvolvimento manual de ontologias; 2) criação social de conhecimento estruturado; e 3) análise das fontes sociais de informação. (BATEMAN, 2007, p.109, tradução nossa74)

As primeiras iniciativas para o desenvolvimento da Web Semântica através de ontologias se baseavam em modelos mais genéricos de representações do conhecimento, atualmente observa-se uma tendência que busca avançar em pequenos passos em direção a uma web inferencial mediante estudos que visam a integração de ontologias de domínio e alternativas flexíveis para a obtenção de representações compartilhadas pelas comunidades. As regularidades semânticas visualizadas nas folksonomias são índices desse compartilhamento que resultam da prática, por isso a

74

“The notion of socio-semantics has emerged as an area of research based on interest in leveraging knowledge from social software systems. We simply define socio-semantics as, extracting and representing deeper knowledge from software systems where communities of users share knowledge. We identify three possible approaches to achieving this goal: 1) social support for manual ontology development, 2) social creation of structured knowledge, and 3) analysis of social sources of information”.

Web sócio-semântica é um campo de investigações que interliga a Web 2.0 e a Web semântica numa perspectiva que vai do específico para o geral.

A proposta da Web Sócio-semântica em Lachica e Karabeg (2007) agrega o uso de linguagens de descrição flexíveis (folksonomias) com os mapas de tópicos a fim de promover uma navegação semântica baseada na explicitação das relações de sentido entre as tags. A idéia é que ao invés de se confiar inteiramente em ontologias e inferência automatizada, os seres humanos, construam colaborativamente a Web semântica auxiliados por sistemas baseados em sócio-semântica. A sócio-semântica preconiza a integração entre redes sociais e redes semânticas na concepção de uma ontologia semiótica.

A ontologia semiótica prevê organicidade, ou seja, sua atualização é dada pela evolução da comunidade e pelas atividades de tag gardening. A tag gardening, ou “jardinagem de tags”, é descrita por Governor (2006, citado por Peters; Weller, 2007) como a manipulação de tags a fim de torná-las mais produtivas e eficazes. Lachica; Karabeg (2007, p. 170, tradução nossa75) argumentam que “[…] fornecendo as ferramentas apropriadas e infra-estrutura para acomodar comunidades centradas no conhecimento, metadados semânticos podem crescer como um subproduto de diálogo e de descoberta em uma escala global.” Acredita-se que a ontologia semiótica envolva tanto a integração das redes sociais quanto a expansão das potencialidades do uso das interfaces no desencadeamento de processos de significação mediante concepção semiósica.

O percurso teórico-metodológico desenvolvido até aqui, naturalmente não esgota os assuntos abordados pela pesquisa. Entretanto, buscou-se explorá-los de maneira ampla, tendo a Semiótica como um elemento que os perpassa. No capítulo seguinte serão apresentados a análise e os resultados deste estudo.

75[…] by providing the appropriate tools and infrastructure to accommodate knowledge centric communities, semantic metadata can grow as a by-product of dialog and discovery on a global scale.

7 CAPÍTULO VI: REDES SOCIAIS, COLABORAÇÃO E QUALIDADE DA INFORMAÇÃO

Conforme descrito no Capítulo I, a busca pelas respostas aos questionamentos desta pesquisa gerou triangulações de métodos e teorias, o emprego de técnicas de coleta de dados distintas e diversos níveis de monitoramento em campo. Os conjuntos de dados e informações obtidos nesse processo foram agrupados de acordo com as seguintes categorias de análise:

QUADRO 8 Categorias de análise

CATEGORIA DESCRIÇÃO

Organização da informação Concepções e práticas voltadas para a organização da

informação.

Colaboração Processos e fluxos de compartilhamento desenvolvidos

entre os atores sociais.

Linguagem Usos e manifestações da linguagem: tags, interfaces,

etc.

Qualidade da informação Concepções e apontamentos sobre a qualidade da

informação. Fonte: A autora.

Por motivos de clareza e organização, optou-se por apresentar na primeira parte deste capítulo a análise das fontes primárias: questionários, entrevistas e tags; na segunda parte será apresentada uma análise mais geral que caracteriza três dimensões semióticas dos SBFs relacionadas à qualidade da informação e por fim, na terceira parte, será apresentada a sistematização dos indicadores.