Uma análise realizada por Siqueira (2009), sobre modelos teóricos aplicados em consultorias no desenho da arquitetura empresarial alerta, que estes modelos carecem de fundamentação teórica.
O resultado da falta de teoria é o uso de modelos falhos e inconsistentes com impactos severos na saúde da arquitetura organizacional. Ele analisa três modelos e sugere que uma integração entre os modelos teóricos pode trazer benefícios para os centros de pesquisa envolvidos e para os usuários de Arquiteturas da Informação Organizacionais.
Segundo sua análise o primeiro modelo é com base em fatos e informação. O segundo envolve ontologia, arquitetura e tecnologia e o terceiro envolve Perform Social
Interation se caracteriza por: 1) atos de comunicação e acordos; 2) papéis organizacionais
e agentes primários e 3) atos de produção produtos ou serviços.
O autor resume sua análise com a seguinte conclusão: 1) o uso das três teorias facilita a integridade dos modelos organizacionais; 2) ressalta que este conjunto de teorias é coerente com os fundamentos conceituais utilizados pelo Centro de Pesquisa em Aquite- tura da Informação (CPAI) e 3) sugere que uma integração entre os modelos teóricos pode trazer benefícios para os centros de pesquisa envolvidos e para os usuários de Arquiteturas da Informação Organizacional.
Nos resultados desta pesquisa, na aplicação da pesquisa-ação, aplica-se claramente as teorias sugeridas por Siqueira na seguinte ordem: 1) a captura de elementos do objeto estudado é com base em fatos e informação; 2) a interação acontece nos atos de validação e avaliação dos resultados alcançados, como contribuição. E, por Ąm, em todas as fases faz-se uso de ontologia, arquitetura e tecnologia.
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11 Método de Arquitetura da Informação
Aplicada - MAIA
O MAIA foi desenvolvido porCosta(2010, p. 71) para a Arquitetura da Informação Aplicada. É característico ao tratamento de informação organizacional. O modelo integra os princípios cientíĄcos e epistemológicos. A origem do método tem como base a deĄnição deLima-Marques(2007) a seguir, formulada em sala de aula, para a disciplina Arquitetura da Informação (AI).
ŞArquitetura da Informação é o escutar, o construir, o habitar e o pensar a informação como atividade de fundamento e de ligação hermenêutica de espaços, desenhados ontologicamente para desenhar.Ť
A partir da deĄnição de AI acima e com base na metodologia M31
como visão de mundo, o autor desenvolveu o MAIA, com base nos três níveis desta metodologia.
No primeiro nível, o de meta-modelagem, a epistemologia, a fenomenologia e a hermenêutica compõem os princípios de base do MAIA. Neste nível, existe uma corre- lação fenomenológica entre sujeito e objeto como elemento motriz do método. O sujeito é entendido como um Şente capaz de estabelecer relações linguísticasŤ, interpreta o am- biente em que vive e interage de maneira intencional com os objetos que o compõe. A hermenêutica dá sustentação para a visão do sujeito como intérprete do fenômeno, mas que também dele participa, interage e interfere.
No nível da ciência, conforme a metodologia M3
, estão os conceitos necessários e fundamentais para o entendimento dos termos: ŞespaçoŤ, Şespaço da informaçãoŤ, Şmo- deloŤ, ŞmomentoŤ e ŞestadoŤ. Neste nível, os procedimentos são fundamentados e o seu valor cientíĄco é estabelecido. Assim, espaço é conceituado como Şum lugar qualquerŤ, onde o sujeito pensa, constroi e habita é constituído por leis especíĄcas e organização. Nesse espaço o objeto pode ser distinguido mas não isolado.
O Método considera os aspectos acima como noção de espaço. Adota a proposta de Siqueira (2008) para o conceito de espaço de informação, tido como Şuma coleção de registroŤ. Embora a informação seja compreendida como Şo principio organizador das coisasŤ, assume também a posição de registro neste caso.
1 Na visão deGigch e Pipino (1986), a M3 se baseia em 3 níveis: epistemológico, cientíĄco e prático.
No nível apistemológico são gerados os paradigmas que de alguma forma norteiam os procedimentos cientíĄcos. No nível cientíĄco os procedimentos são fundamentados e o seu valor cientíĄco é estabe- lecido. Como o próprio nome indica, neste nível são gerados os modelos cientíĄcos que servirão de base para a prática. Finalmente o nível prático, visa estabelecer aplicações práticas para a solução de problemas da realidade. Cada nível gera uma base para o nível seguinte, caracterizando este modelo como hierárquico.
128 Capítulo 11. Método de Arquitetura da Informação Aplicada - MAIA
Modelo é uma representação da realidade, uma parte da totalidade que pode ser percebida, compreendida, manipulada e vivenciada pelo sujeito. Sendo parte da realidade do objeto, o modelo segue a forma deste objeto e por isso revela algo sobre a sua estrutura. Momento é tido como uma fase de um devir dialético, ou seja, à noção da realidade, à necessidade de atuação do sujeito sobre a realidade e o ato de ser do individuo. Estes três aspectos de momento viabilizam os termos de deĄnição de Lima-Marques (2007) como etapa do método. A quinta e ultima deĄnição, estado foi preciso como um ponto de observação de uma arquitetura da informação, durante seu processo de evolução. Essa posição expressa a noção de imagem determinada pelo objeto em relação ao sujeito.
A conĄguração de espaços de informação é inerente à realidade, ou seja, é algo que simplesmente existe, independentemente do esforço humano. Depreendemos daí que a arquitetura da informação está presente nos espaços de informação ainda que não tenha sido elaborada por alguém. Porém, para se conseguir interferir na realidade, isto é, alterar a conĄguração desse espaço, é preciso um movimento intencional. Tal movimento requer um método cientíĄco para que a interferência na realidade se dê de forma organizada.
Uma arquitetura da informação (ai) supõe um sujeito, inserido em um ambiente, e uma intencionalidade, isto é, uma necessidade de interferir conscientemente em um determinado espaço de informação com o propósito de organizá-lo. O sujeito se vale de um modelo para representar a realidade.