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4 Drøfting

4.2 Motivasjonsfaktorer/vekstbehov

4.2.2 Ansvar og vekst

A presença das câmeras parece ter influenciado pouco a dinâmica das aulas. Na primeira percebi alguma curiosidade e certa desconfiança com elas por parte dos alunos, mas com exceção de algumas falas pontuais, nesse item, procurarei demonstrar que a presença das câmeras não mudou significativamente a relação entre os alunos e eu, ou entre eles. Eles comentaram entre si sobre a presença das câmeras já no primeiro dia de aula, e me perguntaram sobre elas. Como já relatado, após explicar a pesquisa, expliquei o porquê das filmagens e seu uso. Nesse dia, a aluna Elina chegou um pouco atrasada e, percebendo uma das câmeras, disse em voz alta: “tem uma câmera ali, é isso?”. Disse em tom de brincadeira: “não, não, não olha pra câmera”. A aluna afirmou: “mas... tem”. A aluna Rosa disse: “tem duas!”. Elina disse: “somos seu objeto de estudo”. Eu disse, mais uma vez em tom de brincadeira: “[as câmeras estão] só na sua cabeça”. A aluna respondeu “tá bom” e afirmou que iria agir normalmente.

Ainda na aula 1, como já relatado, li todo o TCLE com os alunos e, após isso, procurei dirimir qualquer dúvida deles em relação ao uso das filmagens, e disse que apenas eu e minha orientadora veríamos os conteúdos das fitas. Os alunos buscaram confirmar isso. Um aluno perguntou: “quando você for defender [o doutorado], você não vai colocar o vídeo?” Respondi que não, e ressaltei que as câmeras serviriam apenas para eu me lembrar dos eventos da aula. Afirmei ainda que, apesar de as câmeras ficarem ligadas, aqueles que não concordassem em participar da pesquisa não fariam parte do estudo, e os trechos das filmagens em

que aparecessem seriam ignorados. Por fim, ressaltei que meu olhar para o vídeo não seria de avaliação.

Ao longo da disciplina foram poucas as vezes em que eu ou os alunos nos referimos às câmeras. Em algumas ocasiões, fiquei com a impressão de haver certa curiosidade dos alunos em relação às filmagens. Ainda na aula 1, por exemplo, após uma discussão sobre as relações de poder que existem entre professor e estudantes, eu argumentava que, pela própria estrutura da sala, por estar de pé em frente a eles, entre outros fatores, era extremamente difícil para os alunos discordarem de minhas opiniões. Haveria, então, um poder invisível do professor justamente por ser o professor. Esse poder se manifestaria, em primeiro lugar, pelo fato de ele poder avaliar os alunos. Nesse momento, um aluno disse: “pode virar briga, né”? Eu respondi: “ainda tem todos os meus títulos, uma série de coisas que me dão um poder”. E, nesse momento, a aluna Elina disse: “tem essas câmeras assustadoras”. Eu concordei com ela.

Na aula seguinte, a mesma aluna chegou atrasada e eu já havia iniciado a aula e falava com os alunos. Antes de se sentar, ela olhou para a câmera, como se para ver se ela estava lá ou se estava ligada mesmo. Depois de se sentar, ela reaparece nas filmagens olhando para a câmera e dando um grande sorriso, como para deixar registrado propositalmente esse sorriso. Tendo ela mencionado na aula anterior que achava as câmeras assustadoras, sua atitude de buscá-las quando chega pode demonstrar que estava mesmo incomodada com sua presença. Por outro lado, o sorriso que deixa registrado depois, também pode mostrar que ela estava à vontade com as filmagens.

Outro ocorrido, porém, me fez pensar que a aluna não estava, de fato, preocupada com as filmagens. Na penúltima aula da disciplina, tive que sair da sala para fazer mais uma cópia da prova para um aluno que havia chegado atrasado. Enquanto isso ocorria, outro aluno ficou tocando piano e a aluna Amara ficou dançando balé ao som da música. A aluna Rosa, então, entra na sala e pergunta para Elina por mim. Elina entende que ela está perguntando onde fica o teclado da UFSCar, e responde que está no armário. As três alunas começam a rir e Elina, fazendo piada, diz: “Galizia, sai do armário”. Em meio às risadas, Amara diz: “olha que essa aula é filmada, hein”. Elina, então, olha para a câmera preocupada e diz: “mentira, é brincadeira! É brincadeira! Fica tranquilo, é brincadeira”. Em seguida, a aluna Rosa diz para Elina: “[essa filmagem] é só para fins de pesquisa, né? Ele não

vai ficar olhando...” Elina, então, responde rindo: “acho que ele vai rir, e rir bastante”. Ambas riem, pegam o teclado do armário e continuam realizando a avaliação.

Houve um momento em que as câmeras podem ter influenciado na discussão em sala, porém não em um assunto que dissesse respeito à disciplina ou à pesquisa. Na aula 4, após uma explicação sobre o início das frases, o aluno Eurico me perguntou se eu discutia esse assunto nas rodas de Choro de que participava com outro professor da UFSCar, que também tocava na roda. Diante da pergunta, os alunos riem e a aluna Carmina diz: “imagina. Só imagina”. Perguntei “mas... por quê [estão perguntando isso]?” O aluno diz que lembrou de uma coisa enquanto estava tocando a música, e perguntei que tipo de coisa. Fiquei com a impressão de que ele não queria falar por algum motivo. Outro aluno, então, disse: “ele só vai falar com as câmeras desligadas”. Retomei então a aula.

Estes foram os únicos momentos em que os alunos se referiram às câmeras com algum tipo de dúvida ou receio. Em outras ocasiões, elas foram motivos de piadas e descontração. Na aula 2, após uma explicação minha sobre a definição de música que os alunos ouviram atentamente, a aluna Carmina disse: “nossa, que lindo!”, referindo-se à explicação. Os alunos, então, me aplaudiram e riram. Eu agradeci os aplausos, olhei para a câmera e fiz um sinal de positivo. Os alunos riram desse gesto. Em outra ocasião, enquanto desenhava o pentagrama na lousa, disse em tom irônico: “queria agradecer mais uma vez por não ter uma lousa pautada aqui na sala...”. O aluno Nicolas disse: “vai estar gravado isso, cuidado!”. Olhei para as câmeras e repeti a frase: “queria agradecer por não ter uma lousa pautada...”. O aluno riu.

Na aula 4 ocorreu um fato curioso que demonstra que os alunos já estavam à vontade com as câmeras: em determinado momento, as duas filmadoras pararam de funcionar. Quando isso ocorre, uma luz vermelha se apaga no aparelho. Percebendo que a luz havia apagado, dois alunos me avisaram que as câmeras haviam parado, e eu as religuei.

Buscando averiguar se, de fato, os alunos não haviam se incomodado com a filmagem das aulas, no último dia eu disse a eles, apontando para as câmeras: “muito obrigado por vocês terem aceitado essa loucura. Eu sei que é xaropíssimo ser filmado”. Muitos alunos, então, disseram, ao mesmo tempo, que não acharam estranho serem filmados. Tentando corroborar isso, perguntei a todos se eles não acharam “xarope” serem filmados e todos responderam que não. A aluna Carmina

afirmou: “a gente nem lembra delas na hora [da aula]”, e o aluno Jerônimo concordou com ela. Um aluno disse, em tom de brincadeira: “se eu lembrasse, eu nem vinha para a aula!”. A aluna Amara disse: “eu achei até legal”. Perguntei por que ela havia achado isso e ela respondeu que era um jeito legal de avaliar as coisas, pois daria para rever as aulas.

Explicados então todos os aspectos da metodologia de pesquisa utilizada neste estudo, a seguir trarei os dados construídos na intervenção realizada e suas análises.