7 Metode for avkastningsmodellene
7.1 Parametere og forutsetninger for modellene
7.2.4 Anslag på tap av premiereserve ved konvertering til investeringsvalg
Pesquisador: Bom, a primeira pergunta então é, em sua opinião, o que significa falar hoje sobre
capoeira contemporânea?
Entrevistado: Pra mim, capoeira contemporânea, assim como já diz a palavra, é uma inovação. E
como a capoeira é sempre evolução, então a contemporânea, pra mim, ela é assim... faz parte da capoeira. Ela é um fator muito importante. Aliás, muito mestre acaba denegrindo, né, e fala que capoeira contemporânea não é capoeira. Capoeira é angola mesmo... os angoleiros falam que é angola, os da regional fala que é regional, e o resto, né... Mas eu acredito que Mestre Bimba também foi contemporâneo. Ele transformou a capoeira de angola na regional, concorda? E parou ali. Então, se ele fosse... vivesse mais, eu acho que ele teria inventado mais coisas. Só que acontece que – eu vejo muito hoje – os capoeiristas imitaram muito aquilo, e aqueles que evoluíram, hoje é criticado, né. E muitos capoeiristas antigos... alguns aceitam e outros não. Até os capoeiristas mais novos, que hoje seguem uma linhagem, ele acaba denegrindo um pouco a capoeira contemporânea, que nada mais é que a mistura destes jogos, né. Acrobacia, jogo de angola, jogo da regional. É a evolução mesmo, né. A mistura de outras artes junto à capoeira. Então pra mim isso define mesmo a contemporânea.
P: Neste contexto, então, o que o senhor considera que são as características que compõem a
capoeira contemporânea?
E: São os movimentos, né. Os movimentos, as acrobacias, movimentos ágeis que tem de chão, os
movimentos de solo. Parece que incorporou, né, a mistura da capoeira mesmo com a luta da capoeira e transformou numa arte, né, de expressão corporal.
P: O senhor citou elementos de fora da capoeira. Quais são alguns dos elementos que são de fora da
capoeira e que foram incorporados para surgir a capoeira contemporânea?
E: Um esporte muito conhecido e bem conceituado hoje é a ginástica olímpica. Tem alguns saltos, né,
que muitos capoeiristas adotaram para fazer. Tem alguns movimentos também do hip-hop que eu vejo bastante nas rodas de capoeira.
P: O senhor poderia falar mais sobre esses movimentos do hip-hop?
E: Ah, aí já não é do meu conhecimento (risos). Eu falo porque tem alguns movimentos que são
mesmo do hip-hop que os capoeiristas transformaram dentro dos movimentos da capoeira. Isso quando encaixa, né. Não é o movimento perfeito, igual, mas ele encaixou aquele movimento com uma saída da capoeira de... da capoeira regional, ou de angola, e somou com aquele movimento e virou o movimento da contemporânea.
P: Entendi. Como você vê essa relação da capoeira contemporânea com a capoeira regional e a
angola?
E: É, como eu disse, a capoeira angola é... o Mestre Pastinha, ele é o... assim, não o criador, mas o
principal mestre que difundiu a capoeira na Bahia, de angola, né. Mas eu acho assim, depende muito de mestre pra mestre. Eu mesmo gosto muito de angola. Jogo angola, pratico angola, ensino pros meus alunos a angola. Ensino a angola, a regional, os fundamentos da regional. Aí, dentro dos dois, aí eu mesclo os dois e faço um jogo dentro disso aí. Dentro da mistura dos dois, da capoeira angola com a velocidade da capoeira regional, né, que também é considerado como contemporâneo.
P: E o que significa se tornar um mestre de capoeira contemporânea? E: Agora deixa eu pensar um pouco (risos). Como assim?
P: Quem é o mestre de capoeira contemporânea? O que significa um capoeirista passar a ser
chamado de mestre de capoeira contemporânea?
E: Ah, é o tempo, né. É ele se dedicar e treinar. Que nem eu, eu comecei a capoeira realmente...
meu pai, pro meu mestre. Gostei, comecei a dar aula. Aí a gente foi considerado, dentro do círculo de amizade da capoeira, como mestre. Ser mestre, não é a gente que coloca esse título. Eu acredito que ser mestre é, aonde você vive, sua sociedade onde você mora considerar você como tal mestre. Isso aí é ser mestre. Não é a gente se intitular, “eu sou mestre disso e daquilo”. Assim como o marceneiro que tem no bairro. O cara faz aquilo desde criança, vai, e todo mundo vai falar, “nossa, aquele cara é o melhor, ele é o mestre marceneiro”, e todo mundo vai lá. Assim como esse título de mestre que eu adquiri foi através disso, dentro das minhas aulas, com o tempo dando aula. Faz vinte anos que eu dou aula aqui no bairro, quando virou assim uma referência, tanto no bairro quanto na cidade.
P: Se é a comunidade que dá esse título de mestre, qual é a representatividade que esse mestre tem
para essa comunidade? Quem é ele para a comunidade então?
E: É complicado, porque a pessoa que é mestre, ela representa seu bairro, sua cidade, e tem sempre
que estar andando certo, na linha, né. Porque você está ali ensinando crianças, jovens, adultos, então você serve como exemplo. Então você tem que sempre estar se auto olhando bem para não cometer erros que possam ser interpretados errado. Falarem, “olha lá o mestre lá numa balada bebendo, ou fumando, ou no bar”. Então a gente tem que se vigiar. Se vigiar para não acontecer essas coisas aí. Porque as pessoas apontam. Como eu estou ensinando, ensino muitos filhos dos outros, então eles me tem como uma pessoa responsável mesmo. Então às vezes, a minha vida pessoal eu tenho que fazer, assim, bem longe daqui. Por exemplo, eu quero fazer um churrasco, eu quero me divertir com meus amigos, tomar uma cervejinha, eu tenho que fazer isso meio que... com respeito. Não posso fazer isso popularmente. Eu acho que isso que é a coisa mais complicada para um mestre, né, perante a sociedade.
P: E quais são as etapas de aprendizagem na capoeira contemporânea até o aprendiz se tornar
mestre?
E: Isso é dedicação, né, para tudo. Não só na capoeira, mas em qualquer arte, em qualquer atividade
que for fazer. É a dedicação. A pessoa tem que ir treinar, passar pelas suas graduações, as avaliações que tem, que o mestre também propõe para o aluno. Ele também tem que viajar. Porque você ser mestre no seu bairro e não... e o povo da capoeira não te conhecer, o mundo da capoeira não te conhecer, então você acaba não sendo um mestre perante os capoeiristas. Então tem que viajar bastante. Antes de se tornar um mestre, viajar, conhecer, se comunicar muito mesmo com o pessoal da capoeira, para que você tenha essa consideração dentro do meio da capoeira como mestre.
P: Tem alguma outra questão que o senhor considera ser importante ressaltar para a gente
compreender o que é a capoeira contemporânea?
E: Eu acho muito importante, assim... é que eu sou muito... eu vou falar de mim, assim. Eu jogo
capoeira angola. E a capoeira angola que eu jogo, eu procuro fazer na risca, a coisa certo. Não como muitos que estão aí que fazem a capoeira angola de um jeito... sem, realmente, sentir o jogo, sem ter aquela expressão. Então, eu sempre fui atrás em querer fazer a expressão, fazer certo, chegar na roda e jogar capoeira angola. Todo mundo gosta. Os mestres falam, “legal, você está no caminho certo, é isso aí”. Só que daí, na hora que eu jogo contemporânea – que eu vou também jogar –, aí há essa discriminação. Aí começam a discriminar, “ah, você joga angola, fica fazendo besteira jogando essa contemporânea aí”, ou a regional. Então, eu acho que é isso aí que os mestres deveriam parar um pouco de criticar, e realmente treinar. Se ele gosta daquele estilo, ele tem que fazer aquele lá, e não criticar, apontar. Que nem, eu faço o meu estilo e não critico ninguém. Eu procuro fazer capoeira. Porque a capoeira, ele é... para mim, ela é infinita. Então, como eu estou formando alunos, eu acho que o mestre formando aluno dentro da capoeira... quando se fala capoeira, eu tenho ela como capoeira angola, regional. Tem outros tipos de jogos também, né. Então é um padrão geral. Eu procuro fazer tudo. O que o berimbau tocar realmente... se tocar benguela, eu jogo benguela. Se tocar miudinho, eu jogo miudinho. Se tocar angola, eu jogo angola.
Então eu sempre vou me aperfeiçoando. Eu acho que esse aí é o ponto principal: o capoeirista tem que se aperfeiçoar mais, se aprofundar mais na capoeira. Porque a capoeira não é só angola, só a regional, ou só a contemporânea. Se for pesquisar lá os antepassados, é muita coisa. Uma vida é pouco para tentar explicar e saber o que é a capoeira.
P: O senhor falou que existe, por parte de alguns capoeiristas, um preconceito em relação à capoeira
contemporânea. Por que o senhor acha que surgiu esse preconceito? Por que ele acontece?
E: Eu acho que alguns mestres são radicais, né. A pessoa é radical e quer preservar aquilo ali como
se fosse dele, né. Acha que é dele. Não! A capoeira é democracia. No Brasil, não tem nada que você possa falar que é. Você faz uma coisa ou outra, você coloca na net aí, o outro já está fazendo melhor que você ou outro.
Então, eu acho que capoeira é isso aí. Ela conquistou o mundo por causa da sua história, e por causa dessa diversidade que tem. Dessa democracia. Alguns mestres é que são radicais mesmo. Enxerga aquilo, mas não tem aquela visão ampla da coisa. E o contemporâneo já tem aquela visão ampla, não vê só isso. Vê o maculelê, a puxada de rede, a angola, a regional, e quer aprender tudo para que ele possa também ensinar pro seu aluno. No meu caso, eu comecei a dar aula e no começo era um canto contemporâneo. Aí, tinha aluno que ia me procurar, “eu queria aprender angola”. E eu, “não manjo, não sei angola”. Aí o cara falou, “mas pô, mas você não é capoeirista?”. Aí eu comecei a... tipo, “o cara está certo mesmo, capoeira é capoeira”. Aí eu comecei a treinar angola. Treinar angola, treinar angola. Aí começou a desagradar alguns alunos que queriam aprender a regional. A regional de Mestre Bimba. E eu não tinha o conhecimento. Fui atrás também pra poder... pesquisar, e passar pros alunos. E isso aí é que é considerado o que é a capoeira contemporânea. É você pesquisar um pouco de cada estilo, você por dentro do seu corpo, e ensinar. E se vier alguém hoje falar pra mim, “você ensina capoeira angola?”, eu tenho uma turma de angola. Eu tenho uma turma de regional, uma pra quem gosta de contemporânea, então... outra pra quem gosta de dança afro, e tudo isso aí, globalizando, é a capoeira. Como se diz, cultura negra vem do samba até o candomblé, a umbanda, tudo isso aí já é... faz parte da cultura negra, né. Da capoeira.
P: E o senhor considera que existe algum limite na quantidade de alterações que podemos fazer na
capoeira? O senhor comentou que a capoeira contemporânea é inovação. Qual é o limite para as inovações que se faz na capoeira?
E: Eu acho que não tem limite. Porque tem pessoas que vão além, né. O corpo tem muita coisa pra...
A limitação está no corpo de um para outro, né. Então, não há limites para a contemporânea nem pra capoeira. Existe limite para o aluno, para o praticante. O praticante é que impõe o limite. Se ele se limita naquilo ali... Mas a capoeira vai além. Sempre tem um melhor que o outro. Os movimentos são muito bem aplicáveis e tem que ser bem treinados. Então depende muito da pessoa.
P: Perfeito, eu acho que é isso. Muito obrigado Mestre.
(alguns minutos após a entrevista, o entrevistado considerou que existiam ainda outros pontos a serem levantados e assim retomamos a gravação)
E: Falando em democracia dentro da capoeira, eu acho que a capoeira contemporânea é isso, é
democracia. E capoeira também, ela é bem democrática, falando numa questão de... Tem muita gente que fala que capoeira é religião, capoeira é atividade física, capoeira é jogo, ela é luta, ela é tudo isso. Educação, arte, cultura, né. É bem da pessoa. Só que não pode é misturar uma coisa com a outra. É preciso estudar, pesquisa, saber o que é a capoeira dentro da religião, o que é capoeira na atividade física, o que é capoeira na educação, o que é capoeira na atividade mental. Então, ela pode ser tudo isso aí. Mas tem que ser bem separado, cada qual em seu qual. Senão, vai misturar e falar que o capoeirista, ele é só religião, ou ele só atividade física, ele é só... é uma coisa que na capoeira não da pra definir, depende do praticante. É bem democrático mesmo. A pessoa pode capoeirista e pode ser evangélica, pode ser capoeirista umbandista, ele pode ser capoeirista católico. Então ela é bem... a capoeira aceita tudo isso aí. Eu só queria deixar isso bem claro.
P: Interessante. O senhor falou que a capoeira tem esses vários aspectos e um deles é a capoeira
como atividade física. Como o senhor enxerga a relação da capoeira, no caso contemporânea, com a área da educação física, em comparação com as capoeiras angola e regional?
E: Comparando a educação física com a atividade física que é a capoeira, como eu falei, eu acho que
uma vem complementar a outra. Hoje em dia, o cara que é capoeirista e tem o conhecimento da educação física, eu acho que vem agregar e elevar a nossa arte. Só não pode, assim, se dizer “capoeira depende da educação física”, “capoeira depende da religião para ser capoeira”. Não, a capoeira é uma coisa independente de tudo isso, e o que vem para somar com a capoeira, eu acho que tudo é válido. Eu acho que nem tem muito que falar, que a capoeira é um esporte, é uma luta que
é incomparável com outras coisas que tem. E tudo que vier para somar, agregar, eu acho que é bem vindo. É a minha opinião.