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Anslag over omfang og utvikling av konsulentbruken i staten

4 Statlige virksomheters kjøp og bruk av konsulenttjenester

4.1 Anslag over omfang og utvikling av konsulentbruken i staten

Como pudemos observar nas secções anteriores, as obras de shonen de ação/aventura constituem um meio de entretenimento capaz de agradar leitores independentemente do seu grupo demográfico. Apesar de encontrarmos neste género um grande teor cómico, a comédia e a aventura por si só não geram um interesse tão significativo, mas são os temas

1 Na alquimia, um homunculus é um ser humano artificial. O alquimista suíço-alemão Paracelso (1493- 1541) é creditado da criação de um homunculus, e relatos afirmam que se tratava de um ser semelhante a um humano, mas de pequenas dimensões, que estava confinado a um frasco, algo referido em várias obras, por exemplo, na obra Literatura e Alquimia – Ensaios, de Yvette Centeno.

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e valores subjacentes passados nestas estórias que prendem os leitores que crescem a ler os manga serializados durante anos.

Estes heróis enfrentam terríveis vilões e lutam por um objetivo épico, algo que o comum adolescente não tem que enfrentar no dia-a-dia, mas as suas lutas e os seus dramas nos universos fantásticos aos quais pertencem ressoam profundamente com as lutas e dramas existentes no mundo real, no mundo que rodeia os leitores.

Assim, através de universos criados pelos mangaka, é possível identificar metáforas sobre guerra, disputas étnicas, perdas de entes queridos, e a consciencialização da mortalidade e da efemeridade da vida.

Nas obras referidas neste capítulo, existem confrontos bélicos, sendo que são abordados de forma diferente em cada uma. Em Dragon Ball, por exemplo, o grupo de heróis liderados por Goku enfrenta tiranos que anseiam por imortalidade e supremacia universal. Já em Naruto, as aldeias ninja vivem em constante guerra fria umas com as outras, mas, quando todo o mundo se encontra em perigo, são capazes de se unir e negociar a paz, muito devido à influência que o protagonista acaba por ter naqueles que o rodeiam, sendo capaz de lhes tocar com a pureza do seu coração. Em Fullmetal Alchemist, uma obra em que o protagonista faz parte do exército, não é de estranhar que a guerra seja um tema constante.

As representações da guerra e dos soldados não são feitas, no entanto, de forma a glorifica-los, antes pelo contrário, o foco recai mais nas casualidades de guerra, na devastação sofrida geograficamente, na orfandade resultante deste fenómeno, e da perda da inocência e, até certo ponto, da humanidade dos soldados que cumprem ordens e matam. Esse tipo de representação é explicado na já referida obra Manga: sixty years of Japanese comics.

The Americans and British went on for years fighting and winning World War II in their countless war comics. Understandably, in Japan, the painfulness of the subject and the restraints on promoting militarism under the [American] occupation and new constitution meant that hardly any modern war stories were produced. A resurgence of chauvinism in the early 1960s led to a fad for glamorized war manga for boys, a tendency that deeply disturbed Tetsuya Chiba. ‘They presented war in a very aggressive light, as if soldiers were real superheroes. I felt that showing how we killed the enemy is not something splendid. War is a disaster(…)’. (GRAVETT, 2004:57)

A tendência que passou a dominar até os dias de hoje é a abordagem mais pacifista, sendo que nos shonen de ação/aventura com uma grande componente de artes marciais

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os confrontos envolvendo os protagonistas ocorrem ou em situações de competição controlada ou quando a causa é nobre, sendo que a causa de maior nobreza é o restabelecimento da paz.

No que diz respeito à representação de soldados, o exemplo que mostra estes indivíduos de forma menos glamorosa e que vai ao encontro às palavras de Chiba é o relato da guerra civil de Ishval, em Fullmetal Alchemist de Arakawa, no volume 15. Sobre a escrita deste volume, Arakawa comenta:

In researching this volume, I interviewed veterans who had been at the front during World War II. I read countless books, examined film footage, and listened to many detailed and intense stories firsthand, but the one comment that affected me the most came from a former soldier who lowered his gaze to the table top and said, ‘I never watch war movies’. (ARAKAWA, 2013:175)

Consequentemente, não é de estranhar, numas obras de forma mais ligeira que noutras, que se toque no tema do genocídio. Em Dragon Ball, fala-se da dizimação do planeta de origem de Goku, o planeta Vegeta, pelas mãos do tirano Freeza, evento do qual restaram apenas quatro sobreviventes, todos eles crianças. Em Naruto há vários relatos de extermínios de clãs, sendo os mais relevantes o do clã Uzumaki, cujos sobreviventes fugiram da sua aldeia de origem e se espalharam pelas várias nações ninja, incluindo a mãe do protagonista, e o massacre do clã Uchia, um clã muito poderoso que ameaçava a paz da aldeia Konoha, centro da ação, do qual só restaram dois sobreviventes: Sasuke, o melhor amigo/rival de Naruto, e o seu irmão, Itachi, autor do massacre do próprio clã e motivador do ódio e amargura de Sasuke face ao mundo ninja e àqueles pertencentes aos altos escalões deste. Em Fullmetal Alchemist, o caso de extermínio étnico central para o desenvolvimento da estória é o do povo ishvaliano, cujos sobreviventes têm que viver escondidos por ainda serem vítimas de perseguição e preconceito.

Ao explorarem estas ideias nas suas obras, os autores exploram a noção das injustiças que podem ser cometidas por altas instâncias governamentais, como segregação e perseguição com base em etnias e religião, e a importância do reconhecimento dessas injustiças, bem como da sua denúncia. De facto, esse tipo de consciencialização não é algo novo, como podemos verificar através das palavras de Gravett:

In his acclaimed Shonen Jump serial Barefoot Gen, Nakazawa transcribed not only his experiences of the immediate ghastly aftermath, but also his family’s wartime opposition to ultra-nationalist propaganda and their post-war deprivations under the American occupation. He hated America for dropping the bomb, but he was even more furious about the lack of accountability of Japan’s leaders,

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from emperor Hirohito, who had driven his country to war, down. Nakazawa was allowed, in fact encouraged by his editors, to address such charged topics in of all things a boys’ weekly comic. Compared to other media, manga offered an almost unique opportunity to speak the unspeakable. (GRAVETT, 2004:57)

Verifica-se, assim, que existe uma tradição de abordar temas de cariz político neste medium de modo a incutir nos leitores uma consciência mais justa, tolerante e humana, tradição essa iniciada por Nakazawa, um mangaka contemporâneo do já referido Tezuka. Como podemos observar nas obras abordadas neste capítulo, esse esforço continua nos dias de hoje, não como algo que instigue os leitores contra as autoridades, mas como algo que incentive a denúncia e a ação perante a injustiça. Goku, sozinho, derrotou o Red Ribon Army devido à demonstrada corrupção, ganância, e falta de respeito pela vida dos cidadãos que governava, mas Naruto já apresenta uma forma mais diplomática de resolver os conflitos do mundo ninja. Já Edward, estando inserido no exército, recusa ordens que possam colocar vidas em perigo e tenta perceber todos os lados das partes envolvidas para tomar decisões informadas, ajudando quem tenta mudar o exército a partir de dentro e aqueles que querem colocar um fim ao regime corrupto que lucra com a disseminação de conflitos.

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