Boks 1.6 Forskjeller i statistikkgrunnlag i tabell 1.16 og 1.17
2 Konsumprisutviklingen i Norge
2.2 Anslag på konsumprisutviklingen i 2010
A prática pedagógica é um outro elemento fundamental neste estudo. Uma vez abordando o processo de subjetivação discursiva, torna-se fundamental identificar e analisar como as práticas pedagógicas dos educadores se constituem no cotidiano escolar, particularmente, quando na escola têm que lidar com a criança com deficiência.
Lançamos um questionamento no título desse tópico, uma vez que entendemos ser de fato um aspecto a ser interrogado. Atribuiremos ao fazer pedagógico dos educadores um caráter intuitivo e de boa vontade? Será que esse aspecto merece uma abordagem pejorativa ou deve ser mais bem explicitado e compreendido em suas diferentes nuances?
Dizer que uma prática é intuitiva é, no mínimo, uma tentativa de tirar-lhe toda a cientificidade. Dizer que ela é de “boa vontade”, seja talvez reduzi-la apenas ao aspecto cuidador. Nas entrevistas realizadas, podemos observar que, inicialmente, alguns docentes acreditam que é preciso acolher e prestar cuidados à criança deficiente como, por exemplo:
“Pra ele chegar na escola, a escola ser acolhedora, para ele se sentir bem...” (Prof. Vagner).
“...adequar nossa realidade mais próxima da realidade da criança. Como ela disse, a nossa boa vontade, ela começa aí...” (Profª. Sonia).
“Os alunos adoram o Sandro, né, cada dia um leva para o recreio e volta do recreio...” (Profª. Beatriz) “Aí eu fui, fui com ele até, coitadinho dele...era...mas ele ainda pega direitinho na caneta, mas esse, ele era todo mesmo, a gente tinha que dar merenda para ele na boca.” (Profª. Selma)
Sabemos que é fundamental para o processo de aprendizagem que o indivíduo se sinta bem no espaço escolar, que seja bem recebido pelos profissionais da escola. Porém, entendemos que isso deve ser aplicado para todas as crianças e não
deve ser privilégio de crianças deficientes o olhar e o gesto cuidadoso do docente. Além disso, temos claro que o acolhimento é apenas um dos aspectos sociais que podem contribuir para um bom processo de escolarização. No caso do deficiente, acreditamos na importância do acolhimento no espaço escolar, mas não podemos transformá-lo em um ato de preconceito. A criança com alguma deficiência não deve ser mais cuidada por ser diferente. Pensamos que ela deve receber adaptações necessárias às suas demandas e não cuidados em excesso por ser diferente.
O trabalho pedagógico deve ser pensado e elaborado conforme demandas e necessidades da turma, considerando os parâmetros que orientam a estrutura curricular de cada ano escolar. No caso das crianças com algum distúrbio e, particularmente, crianças com paralisia cerebral, o currículo deve ser adaptado para as suas necessidades e potencialidades educacionais, considerando a sua etapa de desenvolvimento.
Nesse sentido, algumas falas apontam para o que chamaremos de acolhimento qualificado. Trata-se de procurar atender às demandas e necessidades da criança e pensar o trabalho pedagógico a partir de observações realizadas no cotidiano escolar.
“(...) a gente tá buscando... (...) está construíndo uma prática e que tá reabilitando o cotidiano da criança aqui na escola, até agora... não sabe até quando isso vai dar certo...” (Profª. Sonia)
“(...) no meu caso, eu fico acompanhando o aluno na sala de aula, tem professor de classe, mas eu estou ali também, acompanhando meu aluno.” (Profª. Selma)
“(...) não é uma redoma de vidro que ela vai ter (...) tem que abrir um espaço para ela poder se pronunciar, pra ela botar em evidência o que ela sabe, o que ela não sabe fazer.” (Profª. Graça) Junto ao acolhimento aqui discutido, observamos a preocupação em construir estratégias de participação. Ressaltamos que a fundamentação das estratégicas não é bem evidenciada. Não ficam claras quais são as bases teóricas, solidamente construídas, que embasam a prática pedagógica desses educadores. Observamos vestígios de conhecimentos socialmente disseminados e consolidados pelo discurso que podem nos remeter à hipótese de construção de uma prática intuitiva subjetivada por discursos que circulam na sociedade. Isso pode ser melhor ilustrado nas falas seguintes:
“Muito é da medicina, a parte educacional... “, “Procedimento pedagógico, efetivamente, ainda não tem assim a clareza, um campo aparentemente novo por conta que a gente não..., tem material no qual se embasar...” (Profª. Roberta)
“ Eu gosto muito de ler (...) nós temos revistas...” (...) nós nos reunimos e fizemos um estudo sobre tipos de inteligência, tipos de dificuldade, tudinho.” (Profª. Graça)
“Já trabalhei com educação especial. Percebi que as crianças tinham de participar de tudo.” (Profª. Suzana)
“Temos crianças com TDAH e vemos que são várias crianças assim.” (Profª. Suzana) “Confundimos TDAH com falta de limite. Aconselho a procurar o neurologista.” (Profª. Janete)
Retornamos, portanto, ao dilema: como abordar a prática pedagógica aqui investigada? Apenas intuição e cuidados ou podemos de alguma forma qualificá-la? Acreditamos que nas falas dos educadores é possível observar diferentes aspectos que nos conduzem ao entendimento de que o que estamos denominando de intuição e cuidado tem algum passado histórico. Não há uma intuição pela intuição e nem um cuidar pelo cuidar.
Histórica e socialmente, a prática pedagógica foi construída e consolidada ao longo de séculos. O caráter acolhedor tem explicações também históricas e contextuais que podem ser, por exemplo, remetidas ao processo de feminização do magistério. A entrada das mulheres no processo educacional escolar traz para a escola o aspecto materno que não pode ser desconsiderado quando abordamos os temas acolhimento e cuidado (WERLE, 2005). Porém, não é possível atribuir a esse contexto histórico a explicação e a responsabilidade pela construção das práticas pedagógicas atuais. É importante considerarmos a produção discursiva social e a constituição dos sujeitos históricos ao longo de décadas e séculos. Trata-se de um conjunto de fatores que contribue para a formação de um pensamento e, por conseguinte, das práticas atuais.
O que podemos observar, em relação às falas apresentadas anteriormente, é que os profissionais da educação têm se deparado com uma situação que os remete a conflitos, que esperamos sejam positivos. Os educadores aprenderam a lidar com crianças que aprendem. As demais, com marcas do preconceito, ficaram fora do sistema regular de ensino. A elas foi dado o espaço da escola especial e da privação da participação ampla no contexto social e cultural (SILVEIRA BUENO, 2004,
JANUZZI, 2006). Não podemos aqui desconsiderar que esse fato é contextual, pois correríamos o risco da leviandade e de reforçarmos uma posição maniqueísta da sociedade, em que sempre vencem dominantes e perdem dominados. Ressaltamos que a abordagem teórica que orienta esse estudo se pauta na perspectiva de exercício de poder e no uso da linguagem como produção de sentido e do sujeito e não na relação de dominantes e dominados.
Nesse sentido, entendemos que, por mais que consideremos intuitiva e cuidadora a prática pedagógica, ela se justifica como tal, sendo esses, aspectos importantes de sua composição. Por outro lado, é preciso ir além desses aspectos e considerar que uma prática pedagógica de qualidade deve ser elaborada a partir de conhecimentos teórico-práticos consistentes. Em um primeiro momento e nas entrevistas iniciais realizadas no começo do ano letivo, não foi possível identificar essa consistência, tanto no discurso quanto na prática dos educadores. Identificamos lacunas na formação docente e, por conseguinte, uma prática calcada no senso comum e nas aparências. Poderíamos tratá-las como ações empíricas de tentativa e erro, na busca de fazer o melhor para promover a inclusão e formar crianças com alguma deficiência.