• No results found

Ansettelseskontrakter for tilkallingsvikarer

In document Tilkallingsvikarer i norsk arbeidsliv (sider 109-124)

Fonte: PARKER; MCEVOY (1993, p. 358)

Em Angola, ainda são escassos ou até mesmo inexistentes os esforços de pesquisa sobre ajustamento de expatriados. No Brasil, na pesquisa de Gonçalves e Miura (2002) foi identificado que expatriados demonstram maior dificuldade de adaptação nas dimensões de ajustamento geral e ajustamento ao trabalho do que no ajustamento relativo à interação. Já Guiguet e Silva (2003) identificaram a personalidade do expatriado e a falta de apoio familiar como os principais fatores que dificultam o ajustamento de executivos estrangeiros que vivem no Brasil.

2.6 Aculturação e identidade  

O modelo de estratégia de aculturação de Berry (1990; 1997) tem sido o mais citado na literatura sobre expatriação e transições culturais e é conhecido coloquialmente em círculos acadêmicos como the Berry boxes ou as “caixas” de Berry (WARD, 2008).

Para Berry, (1990; 1997), o processo de aculturação descreve a transformação cultural e psicológica que resulta do contato entre dois ou mais grupos culturais e seus membros

individuais. O autor apresenta um modelo gráfico para facilitar a compreensão do processo de aculturação como pode ser visto na Fig. 4 a seguir. Esse modelo propõe que grupos distintos vivendo num mesmo local se deparam com duas questões principais: minha identidade cultural tem valor, devo mantê-la? E o relacionamento com membros do outro grupo é valoroso? O expatriado pode enfrentar essas questões valendo-se de uma entre quatro estratégias: integração, separação, assimilação e marginalização.

Quando a resposta para ambas as perguntas é positiva, há uma integração. Nesse caso, o interesse do indivíduo em conservar a sua cultura de origem é equiparável ao interesse em adotar a cultura alheia. No caso de resposta positiva e negativa respectivamente, há uma separação. O indivíduo rejeita a cultura do país anfitrião acompanhado da intenção de manter a própria cultura. Quando o indivíduo responde não à primeira pergunta e sim à segunda, há uma assimilação, ou seja, não há interesse por parte do indivíduo em manter a cultura de origem, e sim, em adotar a do país hóspede. Por último, quando as respostas são negativas para as duas perguntas, há uma marginalização, ou seja, o indivíduo não deseja nem manter a sua cultura original nem adotar a do país de acolhida.

Figura  4:  Estratégias  de  aculturação Fonte: BERRY (1997, p. 10)

Osland e Osland (2006) realizaram alguns estudos, e verificaram que os expatriados renunciam a alguns aspectos de sua cultura com o objetivo de serem aceitos ou bem sucedidos na nova cultura, porém, ao mesmo tempo, outros aspectos se tornam ainda mais fortes por existir

uma necessidade de manter uma relação de identidade com seu país natal. Por exemplo, expatriados americanos demonstraram estar dispostos a abrir mão do individualismo para se adaptar melhor a uma nova cultura organizacional.

O processo de aculturação pode ser positivo para uma pessoa e negativo para outra. O resultado do processo para cada indivíduo é afetado pelas variáveis que guiam a relação entre aculturação e estresse. Parte-se do princípio de que a aculturação acontece em uma situação especifica, ou seja, com profissionais expatriados, com imigrantes, etc. A experiência de aculturação vivida por cada um pode variar em grau, que para uns pode ser muito alto e para outros pode ser baixo. No meio, esta variação da experiência de aculturação pode gerar alguns fatores de estresse. Para algumas pessoas, qualquer mudança pode vir em forma de dificuldades, enquanto para outras, pode até mesmo significar uma oportunidade (BERRY; ZHENG, 1991).

Sánchez, Spector e Cooper (2000) partiram também do conceito de aculturação para propor um modelo que estabelece uma relação entre o padrão de identificação com as culturas de origem e do anfitrião e o nível de estresse experimentado pelo indivíduo expatriado, conforme se observa na Fig. 5. Para esses autores, apenas um padrão bicultural de aculturação – alta identificação tanto com a cultura de origem como com a cultura alheia – poderá garantir baixos níveis de estresse ao expatriado.

Figura 5: Modelo de identificação cultural do expatriado e estresse Fonte: SÁNCHEZ; SPECTOR; COOPER, 2000, p. 101..

O estresse também se constitui como um dos pilares da proposta de Kim (2001; 2008), para quem os indivíduos que vivenciam experiências de expatriação atravessam uma dinâmica de

estresse-adaptação-crescimento (conforme Fig. 6 a seguir) que, nos casos de adaptação bem sucedida, pode ter como resultado a emergência de uma nova identidade intercultural. Para Kim (2008, p. 364, tradução nossa), os expatriados que superam com sucesso a dinâmica estresse- adaptação experimentam “um sutil, e com frequência imperceptível, crescimento psicológico no sentido de uma incrementada complexidade do sistema interno do indivíduo.” O autor não crê que o termo bicultural seja suficiente para capturar a complexidade dessa nova identidade intercultural, que se caracterizaria por uma concepção do eu e dos outros “menos dualística e mais metacontextual.”

Figura 6: Dinâmica de estresse-adaptação-crescimento Fonte: KIM ( 2001, p. 364)

Sussman, (2002, p. 394, tradução nossa) propõe um modelo centrado no autoconceito e na identidade cultural sustentado em quatro pressupostos principais:

(1) a identidade cultural é um aspecto crítico, porém latente, do autoconceito; (2) a saliência da identidade cultural é em grande parte consequência do início de uma transição cultural; (3) a identidade cultural é dinâmica e pode mudar como consequência de um processo de expatriação e distúrbios no autoconceito; (4) mudanças na identidade cultural atuam como mediadores entre a adaptação cultural e a experiência de repatriação.

O Modelo de Identidade Cultural (Cultural Identity Model – CIM) de Sussman (2000; 2002) propõe duas variáveis internas do expatriado as quais afetarão o tipo de mudança que a sua

identidade irá experimentar: a centralidade cultural (a importância que a identificação com a sua cultura de origem tem para o sujeito) e a flexibilidade cultural (a capacidade do sujeito de adotar novos comportamentos e paradigmas mentais, flexibilizando, assim, a sua identidade cultural original). Ainda segundo a autora, as mudanças na identidade cultural do indivíduo expatriado serão evidentes no momento da repatriação, conforme se observa na Fig. 7.

Figura 7: Mudanças na identidade cultural ao longo da transição cultural Fonte: SUSSMAM (2000, p. 362)

Para Sussman (2002), pode haver quatro tipos de identidade pós-adaptação: afirmativa, quando a experiência da expatriação reafirma o indivíduo na sua cultura de origem; subtrativa, quando o expatriado se sente menos ligado à sua cultura original do que a cultura hóspede; aditiva, quando se produz uma significativa adoção de aspectos culturais do país hóspede; e global, no caso de profissionais com ampla experiência internacional.

2.7 O choque do eu e o conflito da identidade  

 

Existe uma preocupação sobre expatriação no que tange à tarefa de compreender os fenômenos intrapessoais vinculados à transição cultural e ao processo de adaptação sociocultural

In document Tilkallingsvikarer i norsk arbeidsliv (sider 109-124)