2. Literature review
2.8. Energy supply Analysis of BIPV (household level)
2.8.1. Annual Energy consumption of households
Fig.58-INTERMÚNDIOS: Videoinstalação (100 m2 aprox.). Por Fred Sidou. Brasília, 1999.
Se a totalidade do corpo, que é um contínuo, está ora numa ordem ou disposição, ora em outra, e se a constituição da totalidade é um Mundo ou um céu, então não será o mundo que se gera e se destrói, mas apenas suas disposições.
Aristóteles
“...Totalidade das coisas existentes, qualquer que seja o significado de existência. Conjunto das relações de um ser vivo com as coisas que o circundam ou a situação em que se encontra. Uma totalidade geográfica. Ordem total. Totalidade absoluta. Totalidade de um campo. A ordem imutável do universo. O sistema do céu e da terra e dos seres que estão neles. É a circunferência do céu que abrange os astros, a terra e todos os fenômenos. Toda a série e toda a coleção de coisas existentes. O conjunto total das coisas
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contingentes. A série dos entes finitos, tanto simultâneos quanto sucessivos. A série dos finitos reais que não é parte de outra série. Conjunto das coisas existentes. Princípio regulador da razão. O mais abrangente conjunto de objetos astronômicos que possa ser identificado com a ajuda dos instrumentos disponíveis em dada época. É a totalidade de um campo ou de vários campos de atividade, investigação ou relações. Mundo natural. Mundo histórico. Campo constituído pelas relações de pessoas com as coisas e com outras pessoas. Concatenamento real de coisas finitas, de tal modo que não é parte de outro, ao qual pertença em virtude de um concatenamento real...” 57
Cada uma dessas frases quer dizer o mundo e é em si um mundo. Entre tantos mundos que são e querem dizer, estão interpostas vírgulas e pontos entre mundos. Eles criam interrupções e (ou) espaçamentos reguladores do fluxo do tempo nos intermúndios que são os mundos entre mundos.
Nas linhas nas quais se dão as escrituras dos mundos são transcritas as impressões de Intermúndios (fig.58) sua constituição e seu funcionamento. Conjecturam-se sobre os mundos que interpretam Intermúndios e que são deles interpretados. Adentra-se no mundo virtual dos instrumentos ópticos e da equação matemática que lhes dão perceptibilidade.
Assim como o ponto e a vírgula são reguladores do espaçamento inter mundus, Intermúndios se interpõe entre ser instalação, imagem, experiência, fotografia, resíduo, narrativa, fenômeno óptico, irradiação, poesia, eletromagnetismo, espiritualidade, sucessividade, entre outros termos-mundos que poderiam intermediar a mundanização de Intermúndios.
Intermúndios pode querer apenas se referir metaforicamente aos espaços entre os mundos onde, segundo o filósofo grego Epicuro (341-270 a.c.) habitariam os deuses (ABBAGNANO, 2014) ou ainda, aos diferentes estados emocionais do espírito, conforme o entendimento psicológico do termo (in)termundo.
Mas aqui Intermúndios é também o dispositivo ótico de um operador matemático representado na notação sigma (Σ) e ainda um reversor do olhar para rememorações de coisas perdidas; termo-mundo e, em termundo é mundo.
57 Frases adaptadas e reagrupadas a partir do conteúdo arrolado na apresentação dos conceitos de Mundo. (ABBAGNANO, 2014, p.799-801)
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Para inscrever Intermúndios no mundo, ao termundo sob a forma de instalação, combinam-se dois pares de aparelhos, formados por uma câmera e um projetor de vídeo entre si interligados.
De suas posições, os aparelhos projetam e capturam simultânea e perpendicularmente, as imagens dos objetos e as imagens das imagens que se apresentam sobrepostas na tela translúcida, por sua vez interposta entre a aparelhagem (fig.59).
Fig.59-Distribuição dos componentes de Intermúndios. Por F. Sidou. Brasília, 1999.
Da interligação dos aparelhos, ocorre que a imagem capturada pela câmera é instantaneamente transmitida para o projetor, que a faz retornar à tela, formando-se então uma espécie de ‘circuito’ no qual as imagens sobrepõem-se indefinidamente pela recursividade obtida pelo intercurso dos aparelhos.
Para buscar signos de outros mundos, capazes de representar a genealogia do fenômeno luminoso em Intermúndios, recorre-se à matematização como processo tradutor, e a uma esquematização topológica pelos quais obtém-se a analogia com a expressão do operador somatório e um diagrama, aqui referido como diagrama intermúndios (fig.60).
Fig.60-DIAGRAMA INTERMÚNDIOS: Arquivo JPG. Por F.Sidou. Brasília, 1999.
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“Se um universo semântico qualquer é articulável com o auxílio das regras de uma combinatória, o conjunto das impressões virtuais que esta é capaz de produzir pode ser considerado como o esquema desse universo” (GREIMAS, 1979, p. 481). Sob essa perspectiva, a esquematematização que virtualiza a virtualidade dos intermundos genealógicos de Intermúndios e confere-lhes expressão pelas equivalências entre suas qualidades abstratas, temos a interposição de mundos por meio dos signos intermediadores da tradução.
Ao passo que a somatória virtualiza ao limite o fenômeno abordado, as configurações do diagrama demonstram as sete possíveis situações de geração das imagens. As formas triangulares fechadas (cor avermelhada) delimitam a área-volume atravessada pelos feixes de captação, enquanto as escuras indicam o mesmo sobre os feixes de projeção. Estas regiões interseccionam-se, produzindo assim sete possíveis formas de combinação entre os tipos de feixes, de acordo com o que pode ser ilustrado pelo esquema abaixo, que representa a mancha linear interposta entre as formas triangulares do diagrama da fig. 60.
A
B
Sendo A e B as áreas que interagem em contraposição, C = Captação e P = Projeção, relativamente ao comportamento dos feixes temos que, no contínuo da linha, cada segmento representa respectivamente a seguinte distribuição de ocorrências: CA, CPA, CPACB, CPACPB𝑁, CPBPA, CPB e PB.
Visto que Intermúndios existe pela interposição de interposições e seu funcionamento se dá pela conjugação dos aparelhos com o público, as nuances (do ponto de vista formal e interativo) que se apresentam no continuar permanente das transformações das imagens, ora mais, ora menos complexas, depende das combinações entre as ações corporais e a manipulação dos equipamentos.
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Embora a sobreposição dos efeitos não corresponda integralmente às intenções artístico- fenomenais da instalação, o público se vê motivado a interagir ativamente, o que pode resultar na acentuação do aspecto estético do trabalho em detrimento da percepção de seus possíveis aspectos cognitivos e (ou) poético-filosóficos.
Nesse sentido, cabe registrar o uso do processador gain up, único recurso de efeito digital indispensável para o funcionamento da instalação. Seu acionamento permite o ganho de luminosidade (já que o ambiente de Intermúndios é originalmente escuro e a luz se produz artificialmente pela recursividade do aparato que, ao sobrepor planos de imagens a partir dos rastros luminosos mais tênues do ambiente, produz com isso uma massa luminosa branca ao centro da tela) e ao mesmo tempo a graduação do ritmo de recursividade dos sinais, o que torna possível a visualização sequencial e sobreposta de quadros dos movimentos captados pela ‘reverberação’ das imagens anamórficas projetadas.
Outra ocorrência comum é a alteração das posições dos equipamentos (o que muda os ângulos de captura das imagens e de emissão dos projetores), já que os mesmos permanecem montados em cavaletes e disponíveis para manipulação.
Intermúndios sugere então, uma imagem anamórfica do inter-mundo, na qual o registro do contínuo acontece na inscrição da anamorfose cronotópica, ou “inscrição do tempo no espaço” (MACHADO, 1993, p. 52). Diferentemente do instante capturado pela fotografia, a anamorfose em vídeo produz o registro contínuo sobre outro contínuo registrado, ou meta-registro, ou meta-contínuo que preenche o mundo com imagens sobrepostas e com os vazios interpostos em cada camada do intermúndio. Na sucessividade dos planos, o observador vê seu ser-anamórfico que se replica na imagem e flui em direção à massa de luz clara que incorpora tudo ao final.
O sobrevivente fica então sozinho. Para além do mundo do outro, ele está de certo modo também para além ou aquém do próprio mundo. No mundo fora do mundo e privado de mundo. E sente-se pelo menos o único responsável, obrigado a portar o outro e o seu mundo, o outro e o mundo desaparecidos, responsável sem mundo, weltlos, sem o solo de nenhum mundo, doravante, num mundo sem mundo, como sem terra, para além do fim do mundo
(DERRIDA,2008, p. 17).
A depender da perspectiva, esta experiência pode suscitar conotações referenciadas em estereótipos de cunho ‘espiritualistas’ advindas pelo fluxo da experiência estética do feixe de luz que vem preencher o mundo e salvar seus seres de sua privação, da sua interdição,
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e do intermúndio do mundo, cabendo ao final, no que seria admitir uma espiritualização dos intermúndios, interpor estas linhas que vêm a seguir, para exaltar o operador que vem depois delas. ∑ 𝑛 = 1 + 2 + 3 … ∞ 𝑛=1 ▼
58 Fragmento de prece pagã pela qual seriam invocadas as criaturas aéreas entre as entidades míticas. Em Há-bit: tratado superficial de arquitetura cíbrida. Tese de Doutorado. Christus Menezes da Nóbrega. PPG- Arte. Universidade de Brasília-2011. P 248. Orientação, Prof. Dra.Maria Beatriz de Medeiros.
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2.20- APORTES
Fig.61-APORTES: Performanceinstalação. (30 m2 aprox.) Por Eryck
Pied. Brasília, 1998.
A topografia do meu corpo se confunde com a topografia do horizonte. Claude Zilberberg
O corpo, através de sua presença no mundo e de seu enraizamento com o pensamento, é o agente imprescindível da percepção e da experiência. Não é apenas uma reunião de órgãos justapostos no espaço pois os temos numa posse indivisa e conhecemos a posição de cada um de nossos membros por meio de um esquema corporal que os engloba e que nos dão o sentido de propriocepção.