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Anneksjoner, redningsekspedisjoner og kontrovers

Kapittel 4 – Spitsbergensaken før første verdenskrig

4.2 Anneksjoner, redningsekspedisjoner og kontrovers

No Espírito Santo, o PT surgiu na mesma época em que se realizaram as primeiras reuniões e mobilizações nacionais, tendo em vista a elaboração da carta de princípios, verificando-se a participação ativa de lideranças capixabas, especialmente ao longo de 1979.

O PT se estabeleceu no Espírito Santo em condições semelhantes às de outras regiões, inclusive quanto à configuração ideológica. Dado à profundidade de seu apoio em áreas urbanas, como São Paulo e Porto Alegre, parece evidente que sua inserção e adesão mais forte no Espírito Santo esteja entre os trabalhadores dos setores industriais e públicos na capital Vitória e nos municípios circunvizinhos, especialmente Vila Velha, Cariacica e Serra, na região conhecida como Grande Vitória. Naquela época a Grande Vitória já concentrava a metade da população do

estado, conforme dados do IBGE, fato este favorável ao crescimento do PT, pois havia mais de 250.000 habitantes em cada um dos quatro municípios que então compunham esta região.

Embora o PT tenha atraído grande apoio e aceitação em Vila Velha e Vitória, ainda não podia ser considerado um partido grande no início dos anos 90. Faltavam em seus quadros lideranças politicamente expressivas e representativas na sociedade, permanecendo em evidência praticamente as mesmas pessoas que ajudaram a fundar o partido. Entre estas lideranças podemos citar Cláudio Vereza, Vitor Buaiz e Perly Cipriano, dos quais dois ainda permanecem proeminentes dentro do PT, nos dias atuais. Evidência da força que o partido estava adquirindo foi a vitória de Magno Pires da Silva, nas eleições municipais em Vila Velha, em 1987, a despeito das poucas possibilidades aparentes.

Vale lembrar que Magno Pires foi eleito para um mandato tampão de um ano, em decorrência da Legislação eleitoral que estabelecia critérios de impedimento para os que pretendiam concorrer às eleições que, na oportunidade, elegiam os deputados constituintes em outubro de 1987. Neste período, Magno governou aliado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). Foi a primeira eleição de um petista para um cargo executivo no Estado e uma das primeiras do país. Tratava-se de importante desfio porque o PT não tinha nenhuma experiência administrativa anterior.

No período em questão, as principais Tendências nacionais existiam e estavam representadas no PT, no ES, disputando espaços e participando das discussões em nível regional e nacional. A maior parte dos fundadores, em Vitória, identificava-se com a Articulação, que foi o primeiro grande bloco a se formar dentro do partido, embora não se assumisse como tendência. A nível nacional, seu principal representante era o candidato presidencial Lula e o presidente do partido, José Dirceu.

No final dos anos 80, a Articulação capixaba tinha entre seus nomes o prefeito de Vitória, Vítor Buaiz, o seu vice-prefeito Rogério Medeiros, o candidato anterior do PT para governador Perly Cipriano, o presidente do partido no estado, Cláudio Vereza, bem como, José Baiôco, Juca Alves e os vereadores de Vitória Gilsa Barcellos e João Carlos Coser.

Assim como a nível nacional, a Articulação no Espírito Santo se originou a partir de lideranças ligadas a movimentos sociais, sindicalistas e às pastorais da Igreja Católica, principalmente. Era um bloco numeroso que procurava manter o controle do partido contra as pretensões de outras tendências.

A Articulação já se apresentava politicamente dividida em dois setores, que se distanciaram a partir da luta social no campo: um em torno dos trabalhadores rurais sem terra e outro formado por sindicalistas rurais. Eram unidos apenas nas questões mais imediatas e no objetivo partidário maior, que é a conquista do poder. Porém, as estratégias, sobre como alcançar este objetivo constituíam o núcleo de divergências constantes. Vale lembrar, que uma das características pelas quais o PT é conhecido, é a de se constituir como espaço de discussão democrática.33

Porém, apesar de aparentemente sufocar, a Articulação disfarçou diferenças ideológicas entre seus afiliados enquanto pôde, o que levou à divisão da tendência em dois blocos em 1987: a Articulação do A e a Articulação do B, posteriormente denominadas de Unidade na Luta e Opção de Esquerda, respectivamente. Enquanto Vítor, Rogério Medeiros, Juca Alves e Perly Cipriano, entre outros, se agrupavam na Unidade na Luta, Coser, José Baiôco, Cláudio Vereza e Gilsa Barcelos, entre outros, associaram-se na Articulação do B. O Espírito Santo foi o primeiro estado no Brasil a ver esta divisão dentro da Articulação.

Durante a gestão de Vitor na Prefeitura as diferenças e divergências já foram bastante sintomáticas, mas contornadas ou minimizadas pela boa aceitação de seu governo. Os grupos mais à esquerda, no interior do partido, criticavam constantemente a administração de Vítor, como por exemplo, a presença de pessoas próximas ao prefeito, integrando a administração, ligadas ou filiadas ao PSDB, na mesma medida em que procuravam conquistar mais espaço. As tensões evidenciaram-se por completo, principalmente a partir da exoneração de Terezinha Cravo, da Articulação do B.

A Unidade na Luta propunha-se um perfil mais moderado e a tendência a articular-se para fora do partido, enquanto a Opção de Esquerda apresentava a tendência a

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Estas divergências são discutidas no 3o Encontro Estadual da Articulação. Vitória, 16 de abril de 1988.

articular-se para dentro do partido, portanto, recebeu o apoio de tendências menores como a moderada Democracia Radical e a Força Socialista (marxista-leninista), à qual pertence a deputada Brice Bragato, dando vantagem a este grupo nas eleições internas, especialmente em julho de 1997, por ocasião da eleição do novo Diretório Regional, ocasião na qual a Articulação do A perdeu a hegemonia interna para a Articulação do B ou Opção de Esquerda. Em 1994, as principais Tendências e seus representantes mais expressivos eram:

Força Socialista (FS) Brice Bragato, Robson Neves (antes de 1995).

Democracia Socialista (DS) Carlos Lobo, Otaviano de Carvalho.

Articulação do A (Unidade na Luta ou Advertência)

Sílvio Manoel dos Santos, Perly Cipriano, Rogério Medeiros, Vítor Buaiz, Juca Alves, Auta Fernandes da Trindade, Robson Neves (a partir de 1995).

Articulação do B (Opção de Esquerda ou Hora da Verdade)

João Coser, Iriny Lopes, José Baiôco, Cláudio Vereza, Magno Pires da Silva, Tarcísio Vargas.

O Trabalho Paulo Vinhas, Luciano Avellar.

Independentes Aloísio Kröhling e Hélder Salomão

Quadro 2 – As principais tendências e representantes

Escaldado pela oposição que sofreu por parte de um grupo de petistas à sua candidatura à prefeitura de Vitória, em 1988, além das divergências internas durante o seu mandato à frente da prefeitura, Vitor e seus partidários da Articulação do A ou Unidade na Luta trataram de conquistar o controle do Diretório Regional do PT. Em 1993, a Unidade na Luta não só conquistou a maioria das cadeiras na executiva regional, como elegeu Vítor presidente regional do PT, o líder de fato do PT no Espírito Santo, abrindo considerável vantagem na disputa pela indicação do candidato do partido às eleições para o governo do estado.

Como indivíduo proeminente e afiliado do partido, e como ex-prefeito de Vitória, com altíssimo índice de aprovação por parte da população, Vitor começou um processo de negociação interna para consolidar a sua candidatura para governador. Neste processo, Vitor foi ajudado pela criação de um programa petista para governo

elaborado e acordado pelo conjunto das tendências do PT, coordenado por Magno Pires da Silva, pertencente ao grupo mais à esquerda do partido, a tendência Hora da Verdade ou Opção de Esquerda.

Apesar das divergências internas, e do aparente equilíbrio de forças, o partido se manteve coeso e caminhou relativamente unido, tanto na indicação da candidatura de Vítor Buaiz ao governo do estado, quanto durante a campanha eleitoral. Era o único nome capaz de agregar forças e com chances reais de vitória.