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Anne Rosenvinge in De4 Search & Consulting

CHAPTER 4: THE INTERVIEWS

4.2. I NTERVIEWS

4.2.2. Anne Rosenvinge in De4 Search & Consulting

A análise dos aspectos sintático-semânticos e textual-discursivos da oração relativa explicativa, relacionando-a com a construção apositiva e com a construção adverbial será baseada em dados lingüísticos que representam a linguagem em uso na interação verbal.

A pesquisa constituirá um corpus a partir de um recorte da base de dados de 70 milhões de ocorrências que está armazenada no Centro de Estudos Lexicográficos da UNESP – Campus de Araraquara, e serviu à organização do Dicionário de Usos do português, elaborado por uma equipe coordenada por Francisco da Silva Borba, e à Gramática de Usos de Maria Helena de Moura Neves. Esse corpus é constituído de textos escritos de literaturas romanesca, técnica, oratória, jornalística e dramática17, o que possibilita a análise de uma diversidade de gêneros e permite a abrangência de diferentes situações de enunciação. Embora sejam todos pertencentes à modalidade escrita, de acordo com Neves (2002), é notável a representatividade da língua falada, encontrada na simulação que dela fazem as peças teatrais.

Bakhtin (1953), ao tratar da heterogeneidade dos gêneros do discurso, afirma que a riqueza e a variedade dos gêneros do discurso são infinitas, pois a variedade virtual da atividade humana é inesgotável. Cada esfera dessa atividade comporta um repertório de gêneros do discurso que vai diferenciando-se e ampliando-se à medida que a própria esfera se desenvolve e fica mais complexa. Na heterogeneidade dos gêneros do discurso, o autor inclui todos os modos literários, desde o ditado até o romance volumoso.

Segundo Biber (1988), a variação lingüística é bastante complexa para ser analisada em termos de uma única dimensão. Por esse motivo, optou-se por diferentes instâncias discursivas para a constituição do corpus desta pesquisa.

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A característica que diferencia a proposta de Biber (1988) de outras abordagens de categorização textual é o caráter multidimensional, em que as dimensões não são tratadas como distinções dicotômicas, mas como parâmetros contínuos de variação. Tais dimensões são identificadas como escalas contínuas em cuja extensão os textos podem ser caracterizados por meio de uma avaliação quantitativa. Para o autor, as relações textuais podem ser estabelecidas, relativamente, a cada uma das dimensões. O estabelecimento dessas relações tem base quantitativa, visto que utiliza o critério de freqüência de ocorrência, em cada gênero ou tipo de texto, dos traços lingüísticos associados a essas dimensões.

Marcuschi (2002) afirma que o gênero textual é uma forma textual concreta, realizado empiricamente como diferentes textos que apresentam características sócio- comunicativas definidas por conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição característica. Para o autor, os tipos textuais (argumentativo, descritivo, expositivo e narrativo) participam da composição dos diferentes gêneros. Swales (1993) argumenta que o gênero é entendido como uma classe de eventos comunicativos vinculada a uma comunidade discursiva específica que faz uso de um gênero específico para atingir seus objetivos.

A partir das concepções de gênero aqui apresentadas sucintamente, realizamos um estudo das orações relativas explicativas em cada uma das seguintes instâncias discursivas18: romanesca, técnica, oratória, jornalística e dramática. O emprego dessas orações pode estar relacionado às características gerais prototípicas das diferentes literaturas textuais. Assim, torna-se relevante uma caracterização dessas literaturas utilizadas.

De acordo com Biber (1988), as categorias de gênero são determinadas com base em critérios externos relacionados aos propósitos do falante e ao tópico. Os tipos de texto são agrupados com base em características lingüísticas compartilhadas. Em uma análise de tipos de texto, alguns podem pertencer a diferentes gêneros e ser agrupados juntos, quando têm forma lingüística similar. Um gênero também pode apresentar diferentes tipos de textos, ou seja, uma categoria de gênero, dentro de um limite de variação possível, pode ter

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Como já foi dito, nesta pesquisa, será utilizada a terminologia instâncias discursivas ou

literaturas. Conforme Marcuschi (2002), instâncias discursivas são práticas discursivas nas quais se

subgêneros diferentes uns dos outros. É o que se pode observar nos gêneros jornalístico e romanesco. Eles são, portanto, considerados, pelo autor, como bastante heterogêneos.

Para o autor, o gênero jornalístico apresenta uma considerável variação devido à existência de muitos subgêneros relacionados a diversos assuntos: política, esportes, sociedade, economia, dentre outros.Os textos dos gêneros romanesco e jornalístico são bem diferentes não apenas em relação ao conteúdo tópico e aos propósitos comunicativos, mas também na sua forma lingüística.

Na concepção de Bonini (2003), o jornal teria forte conexão com a carta. Ao investigar o papel que a carta exerceu na formação dos gêneros, como o jornal e os periódicos, o autor argumenta que, se o jornal começa como uma carta, que é consensualmente um gênero, ele teria se expandido a ponto de abrigar outros gêneros. Dessa forma, o autor considera o jornal um hipergênero, pois é um gênero construído a partir do encaixe de outros.

Conforme Biber (1988), o gênero prosa acadêmica tem subgêneros que podem ser muito diferentes uns dos outros, conforme tratem de assuntos pertencentes às áreas de ciências naturais, médicas, matemática, humanidades etc. Esse gênero pode ser encontrado na chamada “literatura técnica”.

Para Paredes Silva (1997), alguns textos técnicos ou acadêmicos podem apresentar estrutura descritiva, em que predominam as estruturas nominais que designam, mais freqüentemente, entidades de terceira pessoa com o verbo em um predicado estativo.

O gênero oratório representado pelos textos de oratória nesta pesquisa identificam- se, segundo Nogueira (1999), com o que Paredes Silva (1997) caracterizou como o tipo de estrutura discursiva expositivo-argumentativa. Segundo Paredes Silva (1997), um texto com esse tipo de estrutura apresenta a proposição como unidade semântica, as construções sintáticas são mais complexas (subordinação), os verbos são usados em formas não perfectivas e são freqüentes as construções hipotéticas.

Nogueira (1999) também caracterizou o gênero oratório com base nos parâmetros de Biber (1988). Para a autora, os textos de oratória identificam-se com os discursos preparados que este lingüista descreve, aproximando-se segundo alguns parâmetros situacionais, relacionados aos propósitos primários de comunicação; no entanto, são distintos quanto ao fato de os textos da chamada literatura oratória serem previamente

escritos, enquanto os discursos preparados são um gênero de fala caracterizado por rigorosas restrições de tempo real. Portanto, os textos de oratória do banco de dados utilizados na pesquisa são os discursos políticos, os sermões, os discursos proferidos na Academia Brasileira de Letras, dentre outros. Eles são previamente escritos para serem lidos, por isso podem ser vistos como próximos do discurso literato, ou seja, são mais elaborados. Por outro lado, assemelham-se ao estilo oral, pela existência de um maior envolvimento entre interlocutores, o que viabiliza o seu propósito principal, que é o de persuasão.

De acordo com Nogueira (1999), os textos dramáticos se aproximam das conversações face-a-face descritas por Biber (1998). Para a autora, embora sejam textos escritos, eles traduzem a concepção de um autor sobre os padrões da modalidade oral, tipicamente representados em uma conversação. Também conforme Paredes Silva (1997), os textos de literatura dramática exibem um tipo de estrutura dialógica, que se caracteriza pela alternância de participantes do discurso envolvidos.

Nesta pesquisa, optamos por designar cada uma das instâncias discursivas do banco de dados do DUP19 tal como são conhecidas, isto é, como tipos de literatura do DUP (corpus a ser utilizado). Reconhecemos, desse modo, que as literaturas são instâncias discursivas (MARCUSCHI, 2002) e não gêneros. A jornalística, por exemplo, é constituída de vários gêneros: notícia, reportagem, artigo de opinião, dentre outros.

A presente pesquisa constituiu e delimitou o corpus, buscando uma equivalência aproximada no volume textual relativo aos cinco tipos de literatura: romanesca, técnica, oratória, jornalística e dramática. O gráfico a seguir ilustra aspectos relativos à constituição e delimitação do corpus: TIPO DE LITERATURA VOLUME TEXTUAL Nº DE CARACTERES Nº DE OCORRÊNCIAS DE ORAÇÕES RELATIVAS EXPLICATIVAS ORATÓRIA 180.942 157 19

TÉCNICA 182.579 132 JORNALÍSTICA 178.273 111 DRAMÁTICA 182.670 66 ROMANESCA 182.900 37 TOTAL 907.364 503

4.1.2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

A partir de pesquisas realizadas em diferentes gramáticas da língua portuguesa, alguns problemas foram formulados sobre as semelhanças e as diferenças relativas aos aspectos sintático-semânticos e textual-discursivos das orações relativas explicativas, das construções apositivas e das adverbiais.

Como dissemos, a pesquisa foi desenvolvida com fundamentação teórico- metodológica no paradigma funcionalista. Assume, portanto, os seguintes pressupostos:

- a existência de uma relação não-arbitrária entre a sistematicidade da estrutura (gramática) e a instrumentalidade do uso da língua;

- a integração dos componentes ou níveis da análise: sintaxe, semântica e pragmática;

- mediação da expressão lingüística entre a intenção do falante / autor e a interpretação do ouvinte / leitor;

- a categorização não-discreta das unidades e construções lingüísticas.

A pesquisa envolveu as seguintes atividades:

1) constituição de um corpus de análise: coleta das amostras textuais;

2) identificação das ocorrências de orações relativas explicativas nas amostras textuais;

3) análise dos aspectos sintático-semânticos e textual-discursivos que envolvem o uso das orações relativas explicativas em textos de literatura romanesca, técnica, oratória, jornalística e dramática na modalidade escrita da língua;

4) utilização do programa SPSS para verificação de freqüência absoluta e cruzamento de categorias de análises. O programa de computador SPSS (acrônimo de Statistical Package for the Social Sciences - pacote estatístico para as ciências sociais).

5) Análise, discussão e sistematização dos resultados quantitativos.

6) Análise comparativa (qualitativa) das construções relativas explicativas, identificadas no corpus e analisadas, com a caracterização das construções apositivas e adverbiais constantes na literatura.