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4.2 Arkeologisk feltarbeid Lager Spittal

4.2.2 Anlegg 1119

O exercício anterior demonstrou que os candidatos à reeleição foram os mais votados, em mais de 70% dos municípios mineiros, nas eleições federais e estaduais. Esta grande força e presença dos candidatos à reeleição, em praticamente todo o estado, despertam outra curiosidade: descobrir como se deu a principal disputa dentro de cada município, qual foi o perfil do segundo colocado que, provavelmente, mais retirou votos do primeiro.20 Para efetuar esta tarefa será realizada uma operação de análise combinatória

20 O exercício realizado é meramente ilustrativo, serve apenas para possíveis inferências sobre os cenários de disputa nas eleições legislativas brasileiras. Como os municípios não são a unidade distrital das eleições e grande número de candidatos obtém votação dentro de cada município, a proposta analítica apresenta apenas um cenário minimalista da disputa eleitoral no município. Mesmo assim, acredita-se que ela traz novidades para os estudos legislativos.

entre o perfil do candidato mais votado, no município, e o perfil do segundo candidato mais votado.

Tabela 10– Perfil do candidato mais votado X perfil do segundo candidato mais votado, nos municípios de MG, em 2010

Perfil do mais votado e do segundo mais votado Federal Estadual Mais votado Segundo mais votado Casos % Casos %

Reeleição X Reeleição 378 44% 383 45% Reeleição X Alta-qualidade 139 16% 106 12% Reeleição X Novato 104 12% 140 16% Alta-qualidade X Alta-qualidade 40 5% 37 4% Alta-qualidade X Novato 18 2% 24 3% Alta-qualidade X Reeleição 95 11% 64 8% Novato X Novato 14 2% 21 3% Novato X Alta-qualidade 19 2% 16 2% Novato X Reeleição 46 6% 62 7% 853 100% 853 100%

Os resultados apresentados nesta tabela reforçam os anteriores, demonstrando como os candidatos à reeleição possuem surpreendente presença eleitoral, em todo o estado. Em 89% dos municípios, na eleição para deputado federal, e 88%, na disputa para estadual, os candidatos à reeleição foram ou o candidato mais votado ou o segundo candidato mais votado ou ambos. Por outro lado, o resultado desta tabela também demonstra que a disputa entre candidatos à reeleição poderia ser uma das razões para explicar algumas das derrotas eleitorais deste perfil, pois os principais concorrentes/desafiantes dos candidatos à reeleição seriam, também, outros candidatos à reeleição. Em 44%, dos municípios na eleição federal, e 45%, na eleição estadual, o primeiro e o segundo mais votados foram candidatos à reeleição. Sendo assim, em quase metade dos municípios mineiros, a principal disputa eleitoral deu-se entre dois candidatos à reeleição. Esta disputa significa que um candidato à reeleição, provavelmente, não permitiu que outro candidato à reeleição obtivesse predomínio eleitoral no município; este compartilhamento dos redutos eleitorais pode ser um dos fatores que contribuíram para que candidatos à reeleição apresentassem determinadas derrotas eleitorais.

3.4 - Conclusão

As análises desenvolvidas neste capítulo mostram que a adaptação da classificação de perfis de candidatos, proposta por Jacobson (1989), pode ser útil para compreender o desempenho eleitoral dos candidatos, nas eleições legislativas brasileiras. O conjunto de resultados comportou-se como esperado: os candidatos à reeleição obtiveram desempenho superior aos de alta-qualidade que, por sua vez, foram superiores aos novatos. Isto mostra que, nas eleições legislativas, a experiência política prévia dos candidatos traz vantagens comparativas para o seu desempenho. Ou seja, os candidatos que já possuem capital político e bases eleitorais consolidadas apresentam desempenho superior a aqueles que ainda não possuem esta experiência. Apesar de estas conclusões parecerem óbvias, pois é esperado que candidatos com mais experiência apresentem desempenho superior a candidatos com menos experiência, o avanço deste capítulo está no dimensionamento das diferenças entre o desempenho de cada perfil.

As estatísticas descritivas, bem como as análises da posição eleitoral, em cada município, mostram quanto o desempenho dos candidatos novatos é frágil em relação ao dos candidatos de alta-qualidade e reeleição. Mesmo sendo ele o perfil que abrange praticamente 80% dos candidatos, em cada uma das disputas, federal e estadual, a sua força eleitoral é muito distante da apresentada pelos outros perfis. Deve-se destacar que alguns candidatos novatos apresentam desempenho superior à média do grupo e, até mesmo, são eleitos, mas isso não é suficiente para que eles alterem o desempenho médio do grupo, mantendo a distância do grupo para os outros dois perfis.

Percebe-se por estes dados que, apesar do grande conjunto de candidatos em disputa para pequeno número de cadeiras disponíveis, nas eleições federais 523 candidatos para 53 cadeiras e, nas estaduais 938 candidatos para 77 cadeiras, o total de candidatos com desempenho eleitoral relevante é bastante reduzido; isto mostra que a eleição é concentrada em menos da metade dos candidatos, sendo, a maioria dos candidatos meros figurantes de um espetáculo eleitoral de grandes proporções.

CAPÍTULO 4 – O CENÁRIO ELEITORAL E A FORÇA DOS PERFIS DE CANDIDATOS

4.1 Introdução

O capítulo anterior confirmou que o uso dos perfis de candidatos é estratégia válida para as análises eleitorais legislativas brasileiras. A classificação permitiu verificar o quanto o desempenho dos candidatos à reeleição é superior ao dos outros candidatos e, também, o quanto os candidatos de alta-qualidade são superiores aos novatos e inferiores aos de reeleição.

Já que a classificação apresentou-se eficiente e as análises quantitativas permitiram dimensionar as diferenças entre cada perfil, cabe agora avançar no seu uso e buscar novas nuances sobre o desempenho destes perfis, em diferentes contextos eleitorais. Tomando-se como referência os trabalhos de Ames (2001) e Carvalho (2003) que buscaram identificar se o comportamento dos deputados poderia ser explicado pela localização geográfica e classificação socioeconômica de suas bases eleitorais, buscar-se-á verificar o quanto a classificação dos perfis permite identificar diferenças entre o desempenho eleitoral dos candidatos em municípios com maior e menor número de eleitores e com maior e menor Índice De Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M).

A análise a ser empreendida, diferentemente dos trabalhos de Ames (2001) e Carvalho (2003), não será voltada para a compreensão do comportamento dos deputados mas para o entendimento de como se deu o desempenho eleitoral dos perfis de candidatos, em diferentes contextos de disputa eleitoral. O objetivo é verificar se os contextos municipais – o tamanho do eleitorado e grau de desenvolvimento do município – podem explicar as diferenças no desempenho dos perfis de candidatos.

Primeiro, vale considerar o que os estudos brasileiros trazem sobre a relação entre redutos eleitorais e comportamento dos deputados.

Os estudos de Ames (2001) e Carvalho (2003) trouxeram importantes contribuições sobre os padrões de comportamento estratégico dos deputados federais brasileiros, nos municípios. Em ambos os trabalhos, por meio da lógica da concentração ou dispersão dos padrões de votação dos candidatos à reeleição e o estudo sobre a localidade para onde os deputados destinam verbas e emendas parlamentares, eles demonstraram (principalmente

Carvalho (2003)) como o grau de desenvolvimento dos municípios pode influenciar a maneira como o deputado, durante o seu mandato, relaciona-se com os mesmos. Para Ames (2001), os deputados federais brasileiros quase sempre comportam-se pela lógica distributivista,21 visando destinar benefícios aos municípios considerados como os seus principais redutos eleitorais. Em contrapartida, Carvalho (2003) demonstra que os deputados possuem comportamento diferenciado para cada município, de acordo com o grau de desenvolvimento destes.

Os trabalhos de Ames (2001) e Carvalho (2003) são o ponto de partida para a análise a ser ora desenvolvida. Se, como aponta Carvalho (2003), os candidatos à reeleição teriam diferentes estratégias eleitorais para diferentes municípios, pode-se imaginar, também, que o desempenho eleitoral deles poderia ter alguma relação com o grau de desenvolvimento e o número de eleitores presentes em cada um dos municípios de MG.

Os trabalhos de Ames (2001) e Carvalho (2003), apesar de trazerem importantes

insights sobre os padrões de comportamento dos candidatos à reeleição – da mesma forma

que os estudos de Pereira e Renno (2001, 2006), apresentados na hipótese anterior – não incluem, em suas análises, os padrões de comportamento dos candidatos concorrentes.

A partir do cenário apresentado por estes autores, entende-se ser uma contribuição para os estudos verificar qual foi o desempenho eleitoral dos candidatos à reeleição, de alta-qualidade e novatos, de acordo com o grau de desenvolvimento e com o número de eleitores, nos municípios.

4.2 Desempenho dos perfis de candidatos, de acordo com o eleitorado e com o