• No results found

O projeto surgiu da ação dos bombeiros que estavam fazendo atividades dentro do quartel e observaram muitas senhoras idosas caminhando, então começaram a chamar essas senhoras para dentro do quartel e essa proposta expandiu-se para outros quartéis e ganhou notoriedade, segundo o relato do coordenador geral. Ou seja, primeiro houve a participação da comunidade junto com a disponibilidade dos bombeiros.

“Em março de 2003, foi feita uma portaria do comando geral, que regulamentou o PSBS e então o projeto se expandiu para vários quarteis, como só nos quarteis não tinha como a gente atender todo mundo foi necessário expandir para espaços públicos como praças, colégios, estacionamentos de supermercados entre outros ficando o projeto mais acessível para as pessoas. (CG)”

Atualmente, o projeto tem uma estrutura de núcleos com um sistema de monitoramento que o Coordenador geral explica na seguinte fala:

“Tenho o sistema chamado de sistema de monitoramento das ações de ensino e instrução, onde consigo acompanhar quem são os bombeiros que estão nos núcleos, quais são os núcleos que estão ativados ou não, a quantidade de idosos que estão participando, então consigo ver tudo através deste sistema (CG)”

Com o envelhecimento da população e o aumento da expectativa de vida, o objetivo principal deixa de ser apenas prolongar a vida, mas principalmente manter a independência e autonomia do indivíduo pelo maior tempo possível. E uma vez que o estilo de vida dos idosos tem sido caracterizado por um conjunto de fatores comportamentais que trazem risco para à sua saúde, faz-se necessário considerar intervenções que reduzam o comportamento sedentário e aumentam o nível de atividade física desta população (MENEGUCI et al. 2016); o projeto saúde, bombeiros e sociedade na promoção da saúde de idosos é um modelo efetivo de intervenção.

Os estudos epidemiológicos constatam que a realidade do idoso ainda se apresenta como um desafio para a saúde pública, exigindo uma ação imediata no sentido de diminuir as desigualdades, tanto social quanto de saúde (CARVALHO et al., 2017).

“o projeto tem um potencial incrível, principalmente quando falamos de saúde pública, eu acho que esse projeto veio pra ficar porque agente ouve relatos só de coisas boas, e que ele atingiu um potencial enorme, não só na questão da saúde, mas também a questão da interação que existe entre elas, os bombeiros militares e a sociedade em geral, isso é gratificante pra gente (CG)”

“Além do alongamento e dos exercícios eles também dançam, e isso tem feito muito bem para eles, percebemos a alegria e o entusiasmo deles com as atividades, pois muitos que estão aqui vivem sozinhos ou passam boa parte do dia sem a companhia de alguém, e esse isolamento muitas vezes tem

levado muitos idosos ao quadro de depressão. Também outro ponto importante é que todo o idoso mantém sua autonomia, pois não dependem de outras pessoas para vir participar do núcleo e das atividades de lazer que lhes são propostas como as festinhas e os passeios (BM4)”

No entanto, existem dificuldades enfrentadas no desenvolvimento das ações relacionadas a problemas estruturais, orçamento e segurança.

“Não tenho como dar pra elas ou fazer tipo de doação de materiais como bonés, protetor solar, roupa e calçados adequados. Muitos projetos são em espaços abertos e esse tipo de material seria necessário pelas características do nosso clima, então se tivesse essa padronização seria muito melhor. No entanto, para conseguir tudo isso não depende da gente, outro ponto é a disponibilização de transporte para os idosos participarem dos eventos, o que a gente tem oferecido é apenas a camisa (CG)”

“Relação ao espaço físico, aqui usamos a quadra de esporte, mas quando tem jogo ficamos em outras áreas do pólo. Também receio de assalto se estender um pouco o horário da aula, quanto a material eu sinto falta de mais opções como bolas, bambolês, bastões, etc., para desenvolver os exercícios de forma que as aulas fiquem mais diversificadas e interessantes para eles. Mas também temos problemas para armazenar qualquer material do projeto (BM1)”

Existem condições que são entendidas como centrais para definir o grau de liberdade presente nas escolhas das pessoas quanto a pratica de Atividades Físicas. Destaca-se a necessidade de condições materiais e financeiras para a prática, ou seja, a disponibilidade de recursos para usufruir das opções privadas ou a disponibilidade de condições materiais públicas (que vão desde os equipamentos

esportivos até a iluminação e a segurança pública) são indispensáveis (RELATÓRIO DE DESENVOLVIMENTO HUMANO NACIONAL, 2017).

Outro fator é a disponibilidade dos bombeiros, pois participar do projeto é optativo e isso influencia na quantidade de profissionais para a escala das atividades do núcleo.

“nossa maior dificuldade hoje é a escala de serviço porque tem certos dias que coincide os dias de aula com a escala de serviço, então precisamos recrutar bombeiros de outros núcleos para não deixar de acontecer a aula, e isso nem sempre é bem aceito pelo grupo, pois eles primam muito pelo vínculo do professor com o núcleo, mas sempre que podemos evitamos esse tipo de situação (BM2)”

“A gente (bombeiros monitores) dá aula porque gosta e também porque recebe, mas quando precisa se ausentar do projeto deixamos de receber, mesmo que a ausência seja justificada como núpcias, licença paternidade, luto. Já para o projeto deveria investir mais em cursos para melhorar mais ainda as ações com os idosos. (BM3)”

O projeto sofre com os mesmo problemas das políticas focalizadas no idoso, que são as dificuldades de captação precária de recursos ao frágil sistema de informação para a análise das condições de vida e de saúde, como também a capacitação inadequada de recursos humanos (FERNANDES; SOARES, 2012).

Em relação a recursos humanos, o coordenador geral explica como é a organização dos bombeiros monitores. Sendo que apenas dois são formados em educação física.

“A parceria desse projeto é entre o corpo de bombeiros e o governo do estado. Quanto aos profissionais que participam do projeto são exclusivos bombeiros militares, para atuação nesse projeto houve uma parceria com o Conselho Regional de Educação Física (CREF) que ministraram aulas de formação para os bombeiros desenvolverem atividade física com idosos, então muitos bombeiros foram capacitados pelo CREF, mas

também sabemos que no PSBS são todos os bombeiros militares de fato e de direito que são os bombeiros quem ministram as aulas, não temos nem um civil ministrando aulas, até mesmo porque cada bombeiro recebe algo mais pra está ali, ou seja, recebe o salário dele e também a gratificação de ensino. Isso representa um incentivo a mais para que muitos bombeiros tenham voltado pra sala de aula em busca da formação superior, principalmente na área de educação física ou da pós-graduação (CG)”

No entanto, conforme Monteiro (2006), a prescrição de atividades físicas depende da orientação de um especialista, sendo que o Educador Físico é o profissional mais capacitado para exercer atividades por meio de intervenções, de avaliação, de prescrição e orientação de sessões de atividades físicas com fins educacionais, de treinamento, de prevenção de doenças e promoção da saúde.

Sendo que Motta e Aguiar (2007) relatam do trabalho diferenciado com a população idosa que apresenta alterações fisiológicas e patológicas que cursam com crescente dependência. Do ponto de vista teórico, tal fato demanda aprofundamento de conceitos, tais como níveis de prevenção, paliativismo, suporte e apoio social. Conceitos específicos da gerontologia como síndromes geriátricas, reabilitação, fragilidade, independência (capacidade de executar tarefas sem ajuda) e autonomia (capacidade de autodeterminação) não constam habitualmente dos conteúdos de cursos de graduação na área da saúde.

Além disso, Nelson et al. (2007) divulgaram um documento emitindo recomendações sobre os tipos e quantidades de atividade física necessários para melhorar e manter a saúde dos idosos. As principais variáveis a serem observadas para a prescrição são: modalidade, duração, frequência, intensidade e modo de progressão; além das necessidades físicas, características sociais, psicológicas e físicas do idoso. Torna-se importante enfatizar que o planejamento dos exercícios deve ser individualizado, levando em consideração os resultados prévios das avaliações médica e física.

Ou seja, a ação e o acompanhamento do projeto devem ser associados a uma avaliação clínica e física contínua dos idosos, além de capacitação permanente

aos bombeiros monitores. Pois, atividades inadequadas para idosos com doenças crônicas desestabilizadas podem comprometer as condições de saúde do idoso.

Assim, é necessário pensar em políticas nos níveis de agilidade (capacidade dos indivíduos agirem) e de estrutura. Nesse caso, as políticas devem estar focadas também em elementos estruturantes (locais de prática, leis, orçamentos etc.), de maneira que os comportamentos individuais e coletivos atuem em conjunto para a promoção da saúde (RELATÓRIO DE DESENVOLVIMENTO HUMANO NACIONAL, 2017).

As práticas corporais e atividade física são temas prioritários da Política Nacional Promoção da Saúde (PNPS), que compreende promover ações, aconselhamento e divulgação dessas ações, incentivando a melhoria das condições dos espaços públicos, considerando a cultura local e incorporando brincadeiras, jogos, danças populares, dentre outras práticas (BRASIL, 2014).

No entanto, o desafio é avançar na ação inter setorial buscando articular ações destinadas a públicos específicos. Necessita-se de promoção da saúde no ambiente do trabalho, na comunidade, buscando avançar em projetos destinados à melhoria da mobilidade urbana, na inclusão de pessoas com deficiência e idosos. Precisa-se de ações inter setoriais referentes ao planejamento urbano, com evidente impacto nos níveis de atividade física da população, possibilitando o acesso a espaços seguros e saudáveis pela população de baixa renda. Estas ações cabem a diversos setores, em todas as esferas de governo, incluindo o Ministério das Cidades e o Ministério do Transporte, dentre outros (MALTA et al., 2016).