1. Introduction
1.4. Animal models in gut microbiota studies
No questionário “Pensamento Crítico”, as dez afirmações selecionadas para a primeira escala basearam-se na descrição de cinco competências patentes no Delphi Report (P.A. Facione, 1990a, 1990b): Interpretação, Análise, Avaliação, Inferência e Explicação. Procurou fazer-se corresponder, na primeira escala do questionário, duas frases a cada uma das cinco competências a avaliar.
As duas actividades referidas na segunda escala, relacionam-se com a definição de pensamento crítico de Ennis (1991). O autor realça precisamente a importância do pensamento crítico nas acções de tomada de decisão e resolução de problemas, tendo então sido criadas duas afirmações, uma relativa a cada uma dessas acções.
Tentou-se neste questionário que as afirmações fossem o mais simples e objectivas possível, de modo a que a sua interpretação pudesse ser absolutamente clara para os participantes.
O Questionário “Pensamento Crítico” foi submetido a reflexão falada com cinco indivíduos. Com cada um dos indivíduos que se disponibilizaram a colaborar na reflexão falada, foi analisado todo o questionário, desde as instruções de preenchimento, ao conteúdo de cada item e respectivas opções de resposta, por forma a verificar se existia dificuldade em compreender o que estava a ser solicitado. Após esta fase, solicitou-se a cada indivíduo que reformulasse cada afirmação por palavras suas, de forma a garantir que estas eram compreendidas com objectividade e clareza. Numa terceira fase, foram registadas sugestões de modificação da apresentação das
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afirmações, não tendo porém havido apresentação de sugestões de alteração por qualquer um dos indivíduos.
Relativamente à validação deste questionário, serão seguidamente avaliadas sua Fidelidade, Sensibilidade e Validade.
A Fidelidade pode também ser denominada precisão, fiabilidade ou fidedignidade (Moreira, 2009). A Fidelidade indica o grau de confiança ou exactidão que podemos ter na informação obtida (L.S. Almeida e Freire, 2003), mais exactamente se os resultados obtidos através do instrumento de medida são precisos, ou fiáveis, quando aplicados em diferentes momentos ou contextos.
Existem diversos métodos de cálculo da Fidelidade, todos eles assentes na análise de coeficientes de correlação dos resultados, (L.S. Almeida e Freire, 2003; Moreira, 2009), e no caso do questionário “Pensamento Crítico” foi selecionado o método da Consistência Interna dos itens, que avalia o grau de uniformidade e de coerência existente entre as respostas dos participantes a cada um dos itens que constituem o instrumento. Foi também importante o facto de este método requerer uma única administração do instrumento de avaliação (Moreira, 2009).
Os coeficientes disponíveis para o cálculo da Consistência Interna procuram avaliar em que grau a variância geral dos resultados se associa ao somatório da variância item a item (L.S. Almeida & Freire, 2003), tendo-se optado no presente estudo por analisar o Coeficiente Alpha de Cronbach.
A Sensibilidade de um instrumento refere-se ao grau em que este diferencia os sujeitos entre si (L.S. Almeida & Freire, 2003). Quanto mais permitir estabelecer diferenciações reduzidas, mais sensível será um instrumento (Planchard, 1982). As respostas a um instrumento com boa Sensibilidade, ou poder discriminativo, devem distribuir-se de acordo com uma curva gaussiana, ou curva normal (Anastasi, 1977).
Na análise do questionário “Pensamento Crítico” procuramos avaliar a Sensibilidade do instrumento de avaliação através da análise de:
a) Média dos resultados e sua proximidade em relação à Mediana, valores que se sobrepõem numa distribuição gaussiana (L.S. Almeida & Freire, 2003).
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b) Análise dos Coeficientes de Assimetria e de Curtose - valores que não se devem afastar de zero, ou pelo menos ultrapassar a unidade (Guéguen, 1999).
Relativamente ao presente questionário, procedeu-se também à análise da Validade. Quanto à Validade de um instrumento, esta analisa se o instrumento mede efectivamente aquilo que se propõe medir (Anastasi, 1977), e quão bem o faz (Ribeiro, 2008). Assim, a Validade diz respeito não aos resultados em si, mas às inferências ou acções que através deles podemos fazer, ou seja, relativamente ao significado do instrumento de avaliação (Moreira, 2009), e ao conhecimento que se possui daquilo que o instrumento pretende medir (Anastasi, 1977).
Segundo L.S. Almeida e Freire (2003), Moreira (2009) e Ribeiro (2008) encontramos diferentes métodos para a análise da Validade, e no presente estudo, pareceu-nos mais adequado optar pela análise da Validade de Construto. L.S. Almeida e Freire (2003) e Ribeiro (2008) referem como possível método de determinar a Validade de Construto a análise factorial, a qual foi a opção seleccionada, por ser a mais apropriada no presente estudo, além de ser o método que detém maior reconhecimento por parte dos investigadores (L.S. Almeida & Freire, 2003). Ainda assim, procurou verificar-se se a amostra é adequada face a esta análise, recorrendo ao índice Kaiser- Meyer-Olkin que, segundo L.S. Almeida e Freire (2003), deve situar-se acima de 0,60. No entanto, segundo Field (2009), Kaiser, um dos autores deste método de análise, indica que os valores a considerar devem ser acima de 0,50 (sendo portanto as amostras mais adequadas à testagem da validade através de análise factorial, quanto mais se aproximarem da unidade).
Relativamente à análise factorial, optou-se mais exactamente pela análise de componentes principais, a qual se dirige ao tipo de estudos que visam testar hipóteses previamente estabelecidas acerca das relações entre variáveis que podem constituir factores comuns, e cujo número e interpretação já se encontram definidos ao desenvolver o instrumento. Neste sentido, e uma vez que o instrumento em causa no presente estudo compreende o agrupamento das variáveis em escalas, a análise de componentes principais permite verificar se o instrumento assume um carácter multidimensional e, nesse caso, se os factores emergentes correspondem às escalas pré- definidas.
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Na análise factorial, segue-se o critério da definição prévia do número de factores (Ribeiro, 2008), correspondente ao número de escalas propostas no instrumento de avaliação, que neste caso serão 2. Espera-se que o número de factores expresse os processos teóricos subjacentes à construção do instrumento, ou seja, que as variáveis de cada escala se agrupem num mesmo factor.
Há ainda que ter em conta a carga factorial (saturação) de cada item no respectivo factor, a qual nos indica a covariância entre item e factor. As cargas factoriais podem variar entre -1,00 e +1,00, sendo que o valor 0,00 significa ausência de correlação entre o item e o factor. Quanto mais próximo o valor estiver da unidade maior é a identidade entre item e factor (L.S. Almeida e Freire, 2003). Na apreciação das cargas factoriais, é conveniente que o seu valor seja superior a 0,30, sendo desejável que supere 0,50 (L.S. Almeida e Freire, 2003).
Relativamente à rotação dos factores, e tendo em conta o objectivo do estudo e os pressupostos teóricos subjacentes à criação do instrumento, selecionou-se a rotação oblíqua (L.S. Almeida e Freire, 2003, Field, 2009), a qual permite obter factores correlacionados, sendo útil quando o modelo teórico compreende conceitos que se cruzam ou influenciam mutuamente. A rotação oblíqua pode confirmar a interdependência entre factores, corroborando assim a hipótese teórica subjacente à construção do instrumento (Field, 2009).
A análise de diferenças estatisticamente significativas nos resultados, entre os grupos de estudantes e de profissionais, obteve-se através do teste t de Student (Field, 2009).
2.4.3. Procedimento relativo ao “Questionário de Pensamento Crítico para