• No results found

Anerkjennende væremåter

4.4 Anerkjennelse og krenkelse

4.4.4 Anerkjennende væremåter

Com o distanciamento de delegados, investigadores e oficiais da PM, a ampliação do leque de fontes e uma visão mais crítica acerca do trabalho das polícias, repórteres e editores passaram a ter mais cuidado com as informações publicadas. Embora as polícias ainda sejam as principais fontes de informação para repórteres lotados na editoria, nem tudo o que delegados ou comissários dizem é publicado. Não há um critério bem definido para que nomes ou imagens ganhem as páginas do jornal. Mas desde meados dos anos 90, para que suspeitos de crime tenham seus nomes ou fotos publicados em ZH são levados em consideração elementos objetivos, tais como: prisão em flagrante homologada pela Justiça, ou indiciamento pela Polícia Civil ou denúncia apresentada pelo MP. Trezzi explica melhor:

Zero Hora não tem um critério bem definido. Normalmente, publicamos quando a pessoa está indiciada ou enrolada com a polícia. Mas, às vezes, se você gravar ou surpreender alguém cometendo um crime ou um golpe, o nome é publicado. Antigamente, o cara era detido por averiguação, saia o nome dele. O cara tem que estar bem enrolado para ter o nome divulgado no jornal: com prisão em flagrante, ou com prisão preventiva decretada. São critérios mais objetivos (TREZZI, 2009).

Há cinco anos como repórter de Polícia de ZH, Francisco Amorim, o profissional com menos tempo de empresa entrevistado para este trabalho, diz que o indiciamento ou alguma formalidade que relacione um suspeito a determinado crime, como a prisão preventiva, por exemplo, são elementos levados em consideração na hora de publicar um nome. Como Trezzi, Amorim reconhece, porém, que essa regra não é cem por cento válida. De acordo com o repórter, há situações que merecem mais debate na Redação:

Quando o crime envolve autoridades e a prisão é temporária, ou quando o crime é hediondo, há prisão em flagrante ou há confissão, a gente discute isso e, às vezes, dá o nome. Eu não costumo me basear na posição da BM, que é a primeira fase ainda (de todo o processo criminal) (AMORIM, 2010).

Profissional especializado, José Luis Costa, que há 11 anos trabalha em Zero Hora lotado na editoria de Polícia, confirma a mudança radical existente hoje em relação ao que se

fazia no passado no que diz respeito à publicação de nomes e imagens de suspeitos de crimes. A explicação de Costa, porém, para detalhar os critérios levados em consideração para publicação de nomes é um pouco distinta das apresentadas por Trezzi e Amorim. Costa descreve:

Inicialmente, não se publica nomes e fotos de suspeitos quando eles ainda estão sendo investigados. Mas se ele confessa um crime, bom, aí não há mais motivo para o sigilo. Em geral, o que ocorre é a divulgação do nome e da foto quando o suspeito é indiciado pela Polícia Civil e, logicamente, quando ocorre a denúncia pelo Ministério Público, depois quando é julgado (COSTA, 2010).

Na interpretação de Amorim, como a “simbiose” entre os repórteres e os policiais, que havia no passado, deixou de existir, há mais dúvidas acerca do trabalho das autoridades. O repórter antes, prossegue Amorim, entrava em cela e acompanhava depoimentos de presos, o que, desde a redemocratização, foi deixando de existir. Ao retornar para Redação, o profissional levava a versão do policial, dizia que ele havia agido certo porque estava do lado do Estado, colocava o nome do suspeito na edição do dia seguinte e ponto final. Na interpretação de Amorim, a “Constituição marca um processo de reconhecimento dos direitos humanos no Brasil: independentemente de gostar ou não, tem que respeitar uma lei que protege a todos (inclusive presos e suspeitos)”.

A rotina de ronda nas delegacias também faz parte do passado. Ao invés de irem ao encontro da notícia, para preencher páginas e mais páginas de jornal, opta-se pela seletividade e pelo filtro jornalístico, investindo apenas em algumas histórias. Há outros dois aspectos que são decisivos, salientam jornalistas entrevistados, para a consolidação da transformação. O primeiro deles é a chegada do Diário Gaúcho ao mercado da Capital e Região Metropolitana. Editado pelo Grupo RBS, o veículo popular, voltado para o leitor da periferia, destina-se à cobertura de fatos policiais e do cotidiano. Cria-se uma divisão entre ZH e Diário, como explica Trezzi:

O tipo de cobertura mudou muito. Antes, havia um slogan: tudo está em Zero Hora. Tudo está em Zero Hora era literal. Aquilo que o Diário Gaúcho acaba fazendo hoje, que é fazer rondas em delegacias, inclusive fisicamente, era a rotina da Zero Hora antiga. Eles enchiam oito, 10 páginas com miudezas: arrombamento, batedor de carteira, especialmente se fosse um batedor notório, que ganhavam apelidos: Mão Leve, Fininho (TREZZI, 2009).

O jornalista José Luis Costa, que também acompanhou a implantação do Diário Gaúcho, que funciona no mesmo prédio de ZH, apenas um andar abaixo da redação do principal veículo do grupo, acredita que a nova publicação acarretou numa “mudança radical”

na forma de cobrir polícia. De acordo com Costa, complementando o que já fora abordado por Trezzi, o “Diário se preocupa mais com o crime do dia a dia, enquanto ZH, aos poucos, foi deixando essas questões em segundo plano, concentrando-se no aspecto da segurança pública em geral”.

O segundo elemento que revoluciona o jornalismo de ZH como um todo, e a cobertura de Polícia em particular, é o site ZH.com, que funciona de forma integrada à Redação do jornal impresso desde setembro de 2007. Para Amorim, um repórter, hoje, precisa ser multimídia: noticiar fatos quase instantaneamente, produzir fotos e vídeos e, ainda, pensar numa abordagem diferenciada para as páginas impressas no dia seguinte. Amorim comenta:

Tu tens de te preparar, por exemplo, para sair de uma coletiva e ficar cinco minutos falando com o pessoal da rádio para passar uma informação. O que muda na cabeça do repórter é que ele não está mais ali trabalhando para o leitor, mas sim para um público (AMORIM, 2010).

As etapas do jornalismo atual não são as mesmas que cinco atrás. Hoje, as tarefas são dobradas, pois o material deve ser entregue completo e, sempre que possível, revisado para os editores on-line, num primeiro momento, e offline, posteriormente (ROCHA, 2006).