7. Anejos
7.5. Anejo 5: Propuestas para los bloques de contenidos de los currículos
Responsáveis diretos pela aplicação prática do processo avaliativo na sala de aula, os professores exercem uma ação aparentemente ainda independente, isto é, sem seguir o que estabelece o Regimento Geral das Escolas Estaduais do Amazonas quanto aos instrumentos da ação avaliativa interna. Apesar da ação do gestor e pedagogo, como já descrito nos itens 1.4.3 e 1.4.4, em procurar formas de discutir a avaliação coletivamente e encontrar encaminhamentos para que a escola melhore seus indicadores, a prática avaliativa é exercida de forma isolada. Cada professor decide como será a avaliação, os instrumentos, o processo de recuperação (AMAZONAS, 2012a). Isso ocorre, provavelmente, porque mesmo
tendo um PPP e uma seção no mesmo que diz que a avaliação deve seguir o que se estabelece no Regimento citado acima, este encontra-se desatualizado desde 2008.
Esse fenômeno pode ser comprovado nos registros contidos nos diários de classe. Cada professor em cada horário de trabalho registra formas diferenciadas de avaliação e diferentes instrumentos, mesmo que sejam professores de mesmas disciplinas e séries.
Antes da incorporação das avaliações externas à rotina anual da escola, que se deu a partir de 2007, a preocupação do gestor e pedagogo era menor e a autonomia na aplicação do processo avaliativo pertencia quase que exclusivamente aos professores. Não havia uma preocupação institucional com esse aspecto do processo de ensino. Os professores eram orientados pelas resoluções do Conselho Estadual de Educação, mas avaliavam o processo com muita autonomia.
O interesse tanto da gestão como dos professores estava voltado para os percentuais de aprovação/reprovação dos alunos. Os pais ou responsáveis desejavam que seus filhos fossem aprovados ao final de cada período, e os professores se utilizavam dos procedimentos e métodos de avaliação mais tradicionais, sem respeitar a Resolução nº 122/2010, que se materializava nas provas como motivação dos alunos, que estavam sempre na expectativa de serem aprovados ou reprovados.
Esse comportamento do professor vem sendo combatido a partir do advento da incorporação da avaliação externa à rotina avaliativa da escola, principalmente com a implantação do SADEAM, que avalia, anualmente, todas as escolas da rede nos anos pares.
Aliada à necessidade de se construir uma nova concepção de avaliação que pudesse alinhar a avaliação interna e a avaliação externa, gestor e pedagogos passaram a receber com mais intensidade orientações no sentido de operacionalizar esse processo de alinhamento. A SEDUC, por sua vez, passou a oferecer oficinas voltadas para compreender a prática avaliativa escolar interna e externa, com o objetivo de reorientar esse processo e contribuir para a elevação dos indicadores escolares.
Essas ações vêm sendo intensificadas e guardam uma característica, atingem, no Ensino Fundamental, quase que exclusivamente os professores de Língua Portuguesa e Matemática, disciplinas avaliadas na Prova Brasil e SADEAM nas turmas de 5º e 9º anos. Sendo assim, a sobrecarga de responsabilidade de
adequação da prática avaliativa aos objetivos das avaliações externas, nos últimos seis anos na escola analisada, recai sobre os professores de Língua Portuguesa e Matemática.
A rotina desses professores, quanto à prática avaliativa, tem sido de buscar, a cada bimestre letivo, incorporar a filosofia adotada nas avaliações externas à prática avaliativa desenvolvida internamente. Para isso, tanto SEDUC como a escola vêm disponibilizando, principalmente depois de 2011, material sobre a avaliação externa e suas bases filosóficas, encontros em forma de oficinas e palestras, discussões sobre os descritores e matrizes dessas avaliações, aplicação, correção de simulados na escola, aulas de reforço voltadas ao atendimento das necessidades dos alunos com mais dificuldades de aprendizagem.
Outro instrumento utilizado nesse processo são as orientações da normativa do Conselho Estadual de Educação, publicadas em agosto de 2010, a qual estabelece orientações quanto aos instrumentos a serem utilizados pelos professores de cada disciplina, quantidade mínima de avaliações a serem realizadas entre outras orientações que determinam como deve ser desenvolvida a avaliação na escola (AMAZONAS, 2012a). Contudo, constatou-se que poucos obedecem ao que está estabelecido na Resolução.
As ações do professor relacionadas aos processos avaliativos e de ensino são também reforçadas nas ações dos Planos de Intervenção da escola. Eles são elaborados, anualmente. Um após a divulgação do resultado do desempenho dos alunos nas avaliações externas e outro depois da correção dos simulados I e II (elaborados pela SEDUC). Os Planos de Intervenção são elaborados pelos professores de Língua Portuguesa e de Matemática a partir dos resultados dos simulados, como forma de buscar uma nova orientação à prática avaliativa. Entretanto, conforme declaração dos professores, ainda há muitos desafios a serem vencidos para que a prática avaliativa desenvolvida internamente seja alinhada às avaliações externas, em função de muitos fatores que ainda dificultam um trabalho coletivo, voltado para a promoção do aluno e não só para resultados (AMAZONAS, 2012a).
Portanto, vimos, ao longo deste capítulo, fatos e evidências mostrando que, nos anos de 2008, 2010 e 2012, a Escola Estadual André Vidal de Araújo melhorou significativamente o seu rendimento escolar. Contudo, ela não conseguiu bom desempenho dos alunos na avaliação externa do SADEAM. Nesses mesmos
anos, o desempenho dos alunos diminuiu gradativamente, fazendo com que a nota no IDEAM da escola apresentasse queda de 0,5 pontos de 2008 para 2010 e de 2010 para 2012. No próximo capítulo, veremos quais fatores contribuem para o problema em questão, e como os atores escolares (gestor, coordenador pedagógico e professores) percebem essa contradição entre os resultados das avaliações internas e externas.
II. A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO DA GESTÃO ESCOLAR FRENTE AO