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Andre nøkkeltall

In document 20-02771 (sider 30-35)

Ponte (2006) afirma que o estudo é mais que uma metodologia de pesquisa, é essencialmente um design de investigação, podendo ter propósitos variados e utilizar uma grande variedade de instrumentos e estratégias, assumindo formatos específicos e envolvendo técnicas de coleta e análise de dados muito diversificadas.

Primeiramente, é preciso entender o estudo de caso como uma investigação de natureza empírica, baseado no trabalho de campo ou em análise experimental, além de ser utilizado para compreender a situação tal como ela é. Para este autor,

faz-se um estudo de caso quando não se tem controle sobre os acontecimentos, não sendo possível, portanto, manipular as causas potenciais do comportamento dos participantes.

Assim, segundo Ponte (2006), um estudo de caso pode seguir duas perspectivas essenciais:

(a) uma perspectiva interpretativa, que procura compreender como é o mundo do ponto de vista dos participantes;

(b) uma perspectiva pragmática, cuja intenção fundamental é proporcionar uma perspectiva global do objeto de estudo do ponto de vista do investigador, tanto quanto possível completa e coerente. (p. 12)

E em ambas as circunstâncias, verificamos que no estudo de caso procura-se algo muito universal no mais particular. Assim, nossa pesquisa englobará uma perspectiva pragmática, já que nosso objetivo é apontar características dos objetos de estudo sob nosso ponto de vista, com base em uma teoria específica, que é a Teoria das Concepções.

O estudo de caso pode ser diferenciado ainda por outros aspectos diversos. Apresentamos a seguir, os propostos Stake (1995, apud Coutinho e Chaves, 2002);

- estudo de caso intrínseco: quando o investigador pretende uma

melhor compreensão de um caso particular que contém em si mesmo o interesse de investigação;

- o instrumental: quando um caso é examinado para fornecer

introspecção sobre um assunto, para refinar uma teoria, para proporcionar conhecimento sobre algo que não é exclusivamente o caso em si; o estudo do caso funciona como um instrumento para compreender outro(s) fenômeno(s);

- coletivo: quando o caso instrumental se estende a vários casos,

para possibilitar, pela comparação, conhecimento mais profundo sobre o fenômeno, população ou condição. (p.226, grifo nosso)

Assim, nossa pesquisa pode ser caracterizada pelo aspecto instrumental, já que nosso objetivo é refinar uma teoria, visando compreender quais concepções probabilísticas são construídas e mobilizadas pelos alunos. Com isto podemos considerar nossa pesquisa como um estudo de caso, pois visa fazer um estudo profundo sobre um novo projeto curricular em implantação, que é a Proposta Curricular do Estado de São Paulo de 2008, em uma situação única, que é o ensino

de Probabilidade por meio dos cadernos pertencentes a esta proposta; mais especificamente, quais concepções probabilísticas os alunos apresentam ao utilizar estes cadernos e como validam essas concepções. Igualmente, pretendemos contribuir para a compreensão de um fenômeno de interesse no meio acadêmico, que é o ensino e a aprendizagem das noções probabilísticas.

Os dados coletados serão analisados à luz da Teoria das Concepções, proposta por Balacheff (1995), e dos resultados de pesquisas elencados no capítulo “Estudos Preliminares”.

2. 3. Procedimentos Metodológicos

Inicialmente, fizemos um levantamento de pesquisas que abordaram o tema Ensino e Aprendizagem de Probabilidade. Estes estudos nos levaram à formulação de nossa questão de pesquisa, assim como nos indicaram alguns elementos para o reconhecimento de concepções probabilísticas.

Acreditamos que uma análise dos documentos oficiais, como os Parâmetros Curriculares, o Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM e a Proposta Curricular da SEE, para tecer o caminho do ensino de Probabilidade na educação do Brasil nos dias de hoje, também se faz necessária.

Com base nesta análise, elaboramos uma atividade com 11 questões a serem resolvidas por alunos da segunda e da terceira séries do Ensino Médio da rede pública estadual de São Paulo. Desta forma, o público alvo de nossa pesquisa é formado por alunos de uma escola da rede estadual, localizada no município de São Bernardo de Campo, estado de São Paulo. As atividades foram planejadas de forma a serem trabalhadas pelos alunos em duplas ou trios, pois acreditamos que muitas concepções podem emergir ou serem explicitadas nas conversas e “discussões” entre os alunos durante a resolução dos problemas propostos.

A escolha pelos alunos da rede pública se deu pela nova proposta que vem sendo implantada pela Secretaria Estadual da Educação do Estado de São Paulo,

desde o início de 2008. Acreditamos que as escolhas feitas pela proposta influenciam as concepções construídas e mobilizadas pelos alunos, daí a realização do experimento com alunos da rede estadual.

Foram realizadas duas atividades com os alunos da segunda série e uma atividade com os alunos da terceira série, com o objetivo de verificar quais concepções os alunos mobilizam antes do ensino formal, ao término deste, e passado um ano deste ensino. Como o conteúdo Probabilidade é abordado na segunda série do Ensino Médio, no terceiro bimestre aplicamos uma atividade antes do ensino formal e uma outra logo após o término do mesmo, com uma das duplas, formada por alunos da pesquisadora, que é professora da turma. Outras duas atividades foram aplicadas, sendo uma com alunos da segunda série de outra professora e uma com alunos da terceira série, também de outro professor. Nosso objetivo com isto é verificar se as concepções construídas são as mesmas devido à proposta que é seguida, ou se, porventura, podem surgir concepções diferentes, devido à metodologia utilizada pela professora-pesquisadora.

A atividade também foi realizada com alunos da terceira série, com o objetivo de verificar quais concepções foram construídas e permaneceram estáveis, passado um ano do ensino formal. Como a proposta foi implementada em 2008, o conteúdo trabalhado foi o mesmo trabalhado com os alunos da 2ª série em 2009, inclusive, as situações propostas.

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