5. Flere kunstnere, flere synspunkter
5.1 Andre kunstnere
Como vimos no capítulo anterior, ao longo da primeira década do séc. XXI, a Internet tornou-se cada vez mais relevante e fundamental no desenvolvimento da indústria da música.
Com o desaparecimento da maior parte das grandes editoras e a diminuta aposta das existentes em novos valores musicais, o papel das agências de Comunicação tornou-se crucial para os artistas que pretendem fazer ou consolidar uma carreira neste campo. Há ainda um número cada vez maior de músicos ou bandas que fazem toda a sua autopromoção, com recurso às novas tecnologias.
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Por vezes, alguns destes artistas, ou por reconhecido mérito, sorte, ou um qualquer acaso, conseguem sair do anonimato e tornar-se conhecidos e reconhecidos pelo público.
Encontramos no mercado, em franca expansão, desde pequenas agências criadas pelo próprio artista até grandes empresas que têm “em mãos” bandas conhecidas internacionalmente e que envolvem milhões a nível financeiro, logístico ou humano. Nos Estados Unidos da América ou Inglaterra, onde o marketing musical está há muito implementado e desenvolvido, há agências de Comunicação (que envolvem profissionais de várias áreas) cuja função é estudar, trabalhar, implementar a imagem de um músico ou grupo. Por vezes, tratando-se de artistas com ligação a uma editora, este trabalho é feito pela mesma. Noutros casos é um trabalho de colaboração entre a agência e a editora. Incluem tarefas que podem ir desde a escolha do nome do artista até à gestão das páginas nas redes sociais, indumentária, aconselhamento de imagem, comportamentos em público. Muitas vezes, a música produzida é mesmo secundarizada. Bob Dylon, Bruce Springsteen, Adele, Madona, Prince… são artistas que tinham de “aparecer” pois são donos de um talento musical extraordinário. No entanto, as próprias Agências (ou editoras) estudam os níveis de satisfação do público. A gestão de toda a carreira do artista ou banda é feita em função destes dados. Por vezes, para que a sua imagem não se deteriore, é aconselhado o afastamento temporário.
As agências conseguem também retardar ou acelerar a vida musical dos seus agenciados. Vivem-se tempos frenéticos e as apostas em músicos são muito condicionadas por esse fator. Muitas vezes sabendo à partida que o sucesso do músico será efémero, as editoras ou as agências de comunicação aceleram o processo para que seja o mais rentável possível no tempo disponível.
Lathrop & Pettigrew (1999, p.30) recordam uma frase de um filme animado chamado “Field of Dreams” em que, a certa altura do filme, é dita a frase Build it and they will
come. Os autores acreditam que esta frase se assemelha muito à maneira como os
artistas imaginam o sucesso. If I work hard enough on the music, eventually people will
find out about it and start beating down the doors to get a piece of me. Mas os autores
relembram que o título do filme é “Field of Dreams”, pois se fosse “Field of Reality” a frase já deveria ser Build something they want – then market and promote it – and
49 chance they will come. Isto é, os autores pensam que o produto musical só verá o seu
sucesso se forem feitos os trabalhos de marketing e promoção.
A Comunicação no campo musical tem as suas áreas específicas. Mas existem algumas regras fundamentais que se aplicam a todas as outras áreas. Hoje em dia, o trabalho das agências de comunicação cobre todas as atividades que tenham a ver com a transferência do produto do produtor para o consumidor de uma forma que desperte as necessidades deste último. Podemos associar a este trabalho as seguintes palavras: planeamento, persuasão, promoção, divulgação, venda, distribuição, criação de necessidades.
McCarthy (1960) sistematizou e popularizou os famosos 4 P´s (Product, Price, Place, Promotion) como bases de trabalho de todo o Marketing. Porém, para além dos 4P´s, a música tem os seus próprios requisitos. O marketing da música é bem mais complicado do que aparentemente possa parecer.
O trabalho de uma agência de comunicação nesta área representa um grande esforço que inclui publicidade (em vários formatos), anúncios, concertos ao vivo, vídeos, promoção nas rádios e redes sociais, apresentações na televisão, entrevistas, etc…esforço este que pede também a colaboração dos músicos. Há, nalguns casos, um real confronto entre dois mundos: o da criatividade (do artista) e o da divulgação e venda do produto (das agências de comunicação).
Sejam quais forem os componentes finais, um plano de marketing é criado tendo em vista uma meta. Essa meta tem como objetivo o desenvolvimento de uma audiência base e a venda do produto musical. Na música, como em muitas outras áreas, tornou-se praticamente impossível separar as categorias de marketing de produto, promoção e distribuição. Isto porque os componentes do programa de comunicação servem vários propósitos e reforçam cada um deles. Nos concertos ao vivo, por exemplo, vemos o concerto mas também podemos comprar Cd´s ou t´shirts do artista.
A internet favorece o contacto direto entre quem produz/fornece música e quem está interessado em consumi-la. Mas existem plataformas que exercem a intermediação: iTunes, Music Store, Spotify e outras são especialistas nesta função.
«Seja de forma direta – dando a possibilidade ao usuário de escrever sua própria crítica no mesmo ambiente – ou de maneira indireta,
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resgatando textos de sites afiliados, observa-se a permanência da ideia de que o principal produto das plataformas de consumo da música continua sendo a segmentação do público consumidor para possíveis anunciantes.» Jeder e Nogueira (2010, p.5).
O consumidor tem ao seu dispor um leque alargado de opções, não estando mais limitado a comprar e ouvir um determinado produto musical apresentado pela crítica em jornais ou revistas especializadas.
«No que diz respeito à indústria musical, cabe também reforçar as mudanças que os processos de consumo começam a sofrer após a chegada da internet. Com o crescimento exponencial do consumo de nicho, configura-se um público que também é pós-massivo e atende a novas lógicas de mercado. Por pós-massivo, entende-se o encontro do espaço urbano com o ciberespaço, criando a interação a partir de um terceiro território, baseado no fluxo de informações sob controle do indivíduo.» Jeder e Nogueira (2010, p. 9).
Começa a haver«um espaço onde um indivíduo pode produzir, processar, armazenar e circular informação sobre vários formatos e modulações» Lemos, Jeder e Nogueira, “Um Museu de grandes novidades: Crítica e jornalismo musical em tempos de internet” (p. 9).
Essa pequena transferência de poder que é dada ao consumidor, por vezes, faz surgir uma nova vaga de artistas, independentes das grandes editoras ou dos meios de comunicação social.