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10 Anbefalte tiltak

10.1 Andre forhold og anbefalinger

Este item divide-se em dois momentos: o primeiro deles refere-se ao mapeamento dos espaços voltados às atividades dos diferentes papéis que um homem assume em sociedade e que, de certa maneira, estão presentes também na instituição; e o segundo que é a descrição das estratégias de cerimonial institucional (Goffman, 1961), ou seja, de tentativa de transmissão para a sociedade de uma imagem que se afasta do que realmente ocorre dentro do hospital.

4.4.1 O mapeamento dos distintos papéis sociais

O homem é culturalmente programado para desempenhar os papéis sociais de: integrante de uma família (espaço: residência); desenvolvedor de um ofício que lhe dê retorno financeiro (espaço: trabalho); desenvolvedor de atividade que lhe dê prazer (espaço: lazer). Em instituições totais como o HEPR, é normal que haja, de forma espontânea, a tentativa de reprodução deste sistema social na instituição e, consequentemente, espaços de abrigo de suas práticas convencionais.

No hospital, o papel social de integrante de uma família, que em sociedade é espacializado nas residências, ocorre nos espaços correspondentes às alas psiquiátricas, que são a representação dos subgrupos impostos pela instituição: aqueles que dividem entre si, em

uma delimitação espacial, suas atividades mais íntimas, em um processo de analogia à família (figura 46).

O espaço onde há desenvolvimento efetivo de atividades laborais no HEPR é apenas a oficina de tapetes, onde os internos, principalmente mulheres, confeccionam tapetes que são vendidos pelo psicólogo responsável, e com o dinheiro recebido, elas compram itens de higiene pessoal que queiram, ou guardam para utilizar nos passeios promovidos esporadicamente pela instituição. Antigamente, a horta também era utilizada como fonte de renda para os que quisessem trabalhar mas hoje em dia é utilizada como forma de lazer e de forma esporádica (figura 46).

Já as atividades de lazer ocorrem, normalmente, na praça principal do HEPR, fonte primária dos encontros entre os internos. A quadra de futebol e a horta, espaços que também servem a essa função, são utilizados, apenas, sob ordem institucional (figura 46).

Figura 46: Mapeamento dos papéis sociais no HEPR.

Fonte: Albuquerque, 2014.

Em episódios presenciados durante a imersão, foi possível perceber a importância desta divisão dos espaços voltados para cada tipo de atividade. Algumas residentes da ala Nossa Casa tem o hábito de, em dias de trabalho, colocar a melhor roupa, se encaminhar para a oficina, retornar para a ala após o almoço para descansar, e de tarde, já com outra vestimenta, utilizar outros espaços do hospital, no que parece ser uma representação das atividades que exerceriam em sociedade fora dos muros do manicômio.

Se por um lado existe a interiorização da ―vida social‖ dentro da instituição, como uma tentativa de retomar as práticas exercidas na vida pré-institucionalização por parte dos internados, por outro lado, o da equipe dirigente, há a intenção de reproduzir esta intenção

Moradia Lazer efetivo Lazer esporádico Trabalho

para a sociedade, num fenômeno já conceituado de cerimonial institucional (Goffman, 1961; Benelli, 2003a).

4.4.2 Cerimonial Institucional

Esse fenômeno próprio de instituições totais é materializado através de espaços onde, ―tanto a decoração quanto o comportamento geralmente estão mais próximos dos padrões externos do que dos predominantes nos locais em que o paciente efetivamente vive‖, passando, desta forma, ―uma imagem adequada da instituição‖ (Goffman, 1961, p.91; Benelli, 2003a).

A ordem de descrição desses espaços remete ao momento de apresentação da instituição para a imersão, numa analogia entre a apresentação que nos foi dada e aquela exposta para a sociedade em geral. Este primeiro contato, guiado por um profissional do setor de comunicação do hospital, teve seu início na recepção e o seu fim na sala de tapetes.

Figura 47: Esquema caminho primeiro contato.

Fonte: Albuquerque, 2014.

Na recepção do HEPR (espaço 1, figura 47), ponto de partida da espacialização do cerimonial institucional, tão permanente quanto os mobiliários necessários à sua função primária - de espera -, é a presença de elementos decorativos que remetem a festividades do HEPR, como as temáticas de carnaval, São João, Natal e outras datas festivas, com avisos de quando serão realizadas as festas (figura 48).

Recepção Administração Praça Principal

Sala de confecção de tapetes Caminho percorrido na imersão LEGENDA: 1 2 3 4

Figura 48: Recepção do HEPR: a) Esquema em perspectiva b) Croqui em planta esquemática.

Fonte: Albuquerque, 2014.

Mais a frente, no espaço que antecede o corredor de acesso ao setor de internação (espaço 2, figura 47), a temática festiva se repete de forma bastante semelhante a da recepção, transformando-o, também, em um cartaz de visita aos que precisam passar por ali para chegar ao setor ambulatorial.

Talvez o local mais emblemático desta intenção de camuflagem das práticas institucionais seja o espaço 3 (figura 47): a praça principal. Ela é palco da maioria das atividades que fogem ao padrão da instituição, como atividades culturais, festivas e de entretenimento em geral. Por este motivo, acaba sendo, também, o local mais escolhido para as constantes reportagens no hospital.

Figura 49: Coreto do pátio central como palco de exibição institucional.

Fonte: Portal de notícias G1, 2013

Fechando este bloco, traz-se a sala de tapetes (localizada no espaço 4, da figura 47). Como demonstrado no croqui da figura 50-b, nesta sala, a área voltada à produção dos tapetes contém duas mesas grandes onde os internados ficam sentados em bancos de madeira sem encosto para a confecção dos tapetes, armários, estantes e diversos artifícios de exibição de

Exemplo de referências às festividades Acesso ao setor de administração Acesso Recepção TV Parede com referências

às festividades

Acesso ao setor de administração

práticas institucionais que, possivelmente, a organização formal quer associar a sua imagem, como quadros pintados por pacientes pendurados nas paredes e penduricalhos temáticos, enaltecendo os eventos ocorridos no hospital em datas festivas (figura 50-a).

Figura 50: Sala de tapetes: a) foto da parede com temas festivos b) croqui em planta esquemática.

Fonte: Albuquerque, 2014.

Além disso, em uma das paredes da sala em cima do lavatório, encontra-se um pequeno espelho, único em todo o setor de internação do hospital, que surge como um ponto de convergência para internados (figura 50-b). É constante que pacientes solicitem a entrada, que deve ser permitida ou não pelo psicólogo, apenas para se olharem no espelho.

Fechado o estudo do HEPR com todos os seus subsistemas espaciais, serão descritos dois espaços em uma escala menor, com maior aproximação: as alas psiquiátricas femininas Nossa Casa e Renascer. Tendo em mãos suas plantas baixas e demarcação das unidades espaciais, foi possível realizar o estudo de permeabilidade física e visual de modo mais aprofundado, bem como do atendimento às normas.