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6. ANDRE FORHOLD
A demência pode corresponder a várias doenças cerebrais, nas quais existe um enfraquecimento progressivo da aptidão cerebral, resultando no decremento da memória, reflexão, juízo, concentração e, assim, da capacidade de aprendizagem [19]. Embora possa relevar-se em pessoas jovens, o mais comum é o seu aparecimento verificar-se em sujeitos com idade superior a 60 anos. Desenvolvendo-se de forma progressiva, a demência distingue-se do
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envelhecimento cerebral normal, dito senil, apresentando-se como uma deterioração da capacidade cognitiva bastante mais grave [19]. No doente com demência existe uma deterioração das células cerebrais a um ritmo bastante mais elevado em contraste com o idoso em processo de envelhecimento normal.
A demência de Alzheimer (DA) é a principal causa de demência, representando 50 a 70 por cento de todas as demências [15]. A DA provoca um défice cognitivo lento e progressivo, levando à incapacitação motora e cognitiva [15][19][20]. O seu nome surge da primeira pessoa que descreveu os sintomas e os efeitos neuropatológicos da doença: o psiquiatra e neuropatologista Alois Alzheimer [19].
A DA tem um impacto direto no cuidador e dinâmica familiar, do ponto de vista profissional, económico, social e emocional, assim como na organização de cuidados de saúde primários e hospitalares necessários. Por estas razões a DA é considerada a mais importante doença neurológica do nosso tempo [15].
2.2.1. Caraterísticas da Doença
Os primeiros sintomas e sinais de DA iniciam-se a partir dos 60 anos de idade, sendo comum desenvolverem-se défices cognitivos progressivos tais como: desorientação espacial com frequentes perdas em locais públicos, dificuldade em reter novas memórias ou evocar memórias passadas, diminuição da fluência verbal e funções executivas como inaptidão para o uso de dinheiro ou para o trabalho. Numa fase inicial é típico do doente o não reconhecimento ou mesmo a recusa em aceitar estes problemas. Mais tarde na progressão da doença, podem ocorrer irritabilidades, alterações de humor (depressão e euforia), alterações comportamentais (agressividade, desinibição e divagação de ideias), psicose3, bem como agnosia4. Numa altura final, o doente torna-se sedentário, apático, abúlico, não mostrando interesse por nada em seu redor, e com perda de independência em atividades básicas, como higiene e alimentação, e mesmo perda de continência de esfíncteres5 [15][20].
Um doente com DA tem uma sobrevivência média de 7 anos, e a causa de morte mais frequente é a pneumonia, o que se explica desde logo por o sistema imunológico ser afetado com o avançar da doença, verificando-se, também, a perda de peso, o que aumenta o risco de infeções das vias respiratórias [15][19].
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Perda de contato com a realidade, geralmente incluindo falsa confiança sobre o que está acontecendo ou quem se é (delírios), bem como ver e ouvir coisas inexistentes (alucinações).
4 Perda ou deterioração da capacidade para reconhecer ou identificar objetos apesar de manterem a
função sensorial intacta (visão, audição e tato).Uma pessoa com agnosia pode, por exemplo, ter visão normal e não ter capacidade de reconhecer objetos do quotidiano, pessoas familiares ou mesmo sua própria imagem no espelho.
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2.2.2. Fatores de Risco
Têm sido descritos vários fatores de risco para o desenvolvimento da DA, genéticos, adquiridos modificáveis e não modificáveis [19]:
a) Idade
Depois dos 65 anos de idade, 1 pessoa em cada 20 sofre de DA. Com o avançar da idade, a probabilidade de se vir a padecer de DA aumenta.
b) Sexo
A DA é mais prevalente nas mulheres do que nos homens, o que se explica por as mulheres viverem, em média, mais tempo que os homens.
c) Hereditariedade
Uma minoria dos casos de DA tem claramente um componente genético de hereditariedade autossómica dominante, com 50% probabilidade de desenvolver a doença tipicamente em idade jovem. Existem igualmente algumas mutações (ApoE4) que conferem um maior risco de desenvolvimento de doença, em idade avançada, sobretudo quando associados a fatores ambientais adquiridos.
d) Traumatismos cranianos
A circunstância de um indivíduo ter sofrido um traumatismo craniano severo aumenta a sua probabilidade de vir a desenvolver a DA. Este risco aumenta ainda mais se, na altura do acidente, o indivíduo tiver mais de 50 anos, tiver gene ApoE4 e o traumatismo tiver sido de gravidade suficiente para provocar perda de consciência.
e) Outros fatores
O baixo nível de escolaridade tem sido apontado como fator de risco para o desenvolvimento de DA. A presença de dislipidemia6, HTA7 e diabetes são também outros fatores de risco, bem como o próprio estilo de vida da pessoa.
6 Presença de níveis elevados ou anormais de lipídios e/ou lipoproteínas no sangue. 7
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2.2.3. Diagnóstico
Existem três hipóteses para um diagnóstico da DA. Ora, segundo N. Frota, R. Nitrini, B. Damasceno, O. Forlenza, E. Dias-Tosta, A. Silva, E. Junior e R. Magaldi [21], temos:
a) Demência de Alzheimer Provável
O doente preenche os critérios clínicos da DA quando apresenta as subsequentes caraterísticas:
- Agravamento cognitivo;
- Défices cognitivos iniciais e mais salientes em categorias amnésticas e não amnésticas;
- Tomografia ou ressonância magnética do crânio para excluir outras possibilidades, principalmente a doença vascular cerebral;
- O diagnóstico de DA não deve ser aplicado quando se comprovar um dos seguintes pontos:
- Evidência de doença cerebrovascular importante, definida por historia de AVC ou piora do comprometimento cognitivo;
- Presença de infartos múltiplos ou extensos;
- Lesões acentuadas na substância branca, evidenciadas por exames de neuroimagem;
- Caraterísticas centrais de demência com corpos de Lewy;
- Caraterísticas proeminentes da variante comportamental da demência frontotemporal;
- Caraterísticas proeminentes de afasia progressiva primária manifestando-se como a variante semântica;
- Evidência de outra doença concomitante;
- Uso de medicação que pode ter efeito substancial sobre a cognição. - Quando presentes algum ou alguns dos seguintes parâmetros, aumenta a probabilidade do diagnóstico de demência de Alzheimer provável:
- Declínio cognitivo progressivo; - Presença de mutação genética de DA;
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b) Demência de Alzheimer Possível
São observados os critérios clínicos para a DA e exibe pelo menos uma das seguintes situações:
- Presença de uma segunda doença que não seja considerada como causa de demência;
- Detalhes da história clínica, da instalação e evolução da doença, insuficientes.
c) Demência de Alzheimer Definitiva
O diagnóstico é definitivo quando são preenchidos os critérios clínicos e cognitivos para a DA e ainda quando são encontradas placas de amilóides e tranças neurofibrilares caraterísticas da DA no cérebro do doente, no exame patológico.
2.2.4. Tratamento
Não existe um modelo de tratamento típico para a DA, mas podem ser levadas a cabo três abordagens básicas, tentando, assim, potenciar uma melhor qualidade de vida ao doente.
A primeira envolve as medidas psicossociais. Os doentes devem ser incentivados para executar autonomamente a atividade física, higiene pessoal, vestir-se, comer, entre outras.
A segunda relaciona-se com os atos comportamentais do doente. A doença pode realçar alguns comportamentos indesejáveis, como depressão, agitação, alucinações, violência, insónias, entre outras. Ora, tudo isto causa um sentimento de incómodo na pessoa que cuida do doente, pelo que se torna necessário evitar conflitos e preencher a vida do doente com ações simples que o mantenham ocupado, como, por exemplo, sentar-se à mesa ou limpar o pó das divisões da casa, etc. Ir à casa de banho antes de se deitar e evitar sestas diurnas são circunstâncias que proporcionam, também elas, um sono nocturno mais calmo. Todas estas pequenas atividades contribuem para promover um ambiente mais calmo, e assim, uma maior qualidade de vida para o doente.
Em terceiro lugar, existem várias opções farmacológicas sintomáticas permitindo melhorar a qualidade de vida [19].