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Andre finansinstitusjoner

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3. Finansinstitusjonene

3.3 Andre finansinstitusjoner

Trabalhos como os de Aragão (2013), A mulher-professora na docência infantil: história, memórias e representações, de Pinto, Duarte e Vieira (2012), O trabalho docente na educação infantil pública de Belo Horizonte, e o de Oliveira e Silva (2007, 2013), Trabalho Docente na educação Infantil: Dilemas e Tensões, Professores da Educação infantil: Formação, Identidade e Profissionalização, dentre outros, buscaram investigar as representações da mulher na docência da Educação Infantil no Brasil, apresentando esta

mulher profissional que, mesmo em vista dos preconceitos e da exigência sociocultural, precisa se posicionar e atuar de forma reflexiva e consciente.

Aragão (2013) realizou uma investigação que, além de buscar dados nos documentos históricos de uma escola Normal brasileira do século XX, relacionou essas informações com as memórias e narrativas de professoras atuantes neste século XXI, com o intuito de colocar em xeque as mulheres professoras do passado e mulheres professoras da atualidade. Os discursos identificados, no passado e no presente, do ser e do agir destas mulheres professoras “associam a docência à maternidade, ao sacrifício e à vocação” (ARAGÃO, 2013, p.1).

As Escolas Normais, ocupadas cada vez mais pelas mulheres, assumiram características próprias a partir de fins do século XIX, desde a arquitetura aos símbolos religiosos, os rituais e as normas de funcionamento, relacionadas também ao público feminino. As aulas destes cursos normais eram no princípio de português, matemática, geografia nacional, história do Brasil e geral, história sagrada, catecismo, pedagogia e também puericultura, psicologia, economia doméstica, trabalhos manuais, higiene escolar e sociologia (CARVALHO, 1999).

No meio deste processo de maior atuação da mulher professora na educação ocorre, no início do século XX, o surgimento de novos conceitos e teorias como estratégias para conhecer e controlar a população brasileira, como destaca Carvalho (1999). Cuidados afetivos, alimentação, doenças e higiene das crianças diziam respeito às novas descobertas e conhecimentos científicos feitos mundo afora e estes foram adaptados à realidade brasileira. Ocorreu neste período a mudança na imagem da criança, que passou a ser vista com características e psicologias próprias: Pediatria, Psicologia e Pedagogia foram áreas do conhecimento que se ocupariam das “fases do desenvolvimento da criança” e que passariam a orientar a prática docente.

Esse duplo processo ocorrido ao longo do século XIX ocidental - de transformação nas formas de disciplina pedagógica e de mudança na ideia de criança - compõem um movimento no sentido de identificação da escola com a domesticidade e da docência para crianças com a feminilidade (...). A trivialidade, a sensibilidade e o antiintelectualismo, características identificadas às mulheres, o são também às professoras, pois, nesse novo modelo ideal, não se exige delas grande inteligência e conhecimentos: bastam sentimentos, intuição, simpatia, paciência, disponibilidade, gostar de crianças (STEEDMAN, 1985, apud. CARVALHO, 1999, p. 71).

O trabalho de Almeida (1996) Mulheres na Escola: algumas reflexões sobre o magistério feminino nos forneceu uma importante contribuição ao tratar do gênero, entendendo este como “... uma construção social, cultural e histórica, elaborada sobre a diferença sexual existente entre homens e mulheres. Nesta perspectiva, não se refere especificamente a um ou outro sexo, mas sim às relações que são socialmente construídas

entre eles” (ALMEIDA, 1996, p.71). Ao abordar questões como movimento feminista, salário baixo e desvalorização da profissão, Almeida (1996) destaca a importância de pensarmos a profissão docente não apenas pelo conceito de trabalho, mas também por meio do viés da expectativa das mulheres, que precisam ser consideradas para que não ocorra um esvaziamento conceitual a respeito da mulher professora.

A associação da figura feminina e seu caráter materno ao ato de educar têm promovido debates em torno da desvalorização da profissão do magistério concomitante a uma predominância das mulheres perante aos homens neste campo de atuação (Arce, 2001). O trabalho de Arce (2001), Documentação oficial e o mito da educadora nata na educação infantil, buscou investigar o profissional que atuava na Educação Infantil no Brasil e concluiu que a imagem da mulher professora desta etapa da educação básica, “naturalmente” educadora, passiva, amorosa, dotada de bom senso, guiada pelo coração e de formação profissional inferior à estas qualidades, tem sido reforçada ao longo da História da Educação no Brasil.

A não-valorização salarial, a inferioridade perante os demais docentes, a vinculação do seu trabalho com o doméstico e a deficiência articulam-se à difusão da figura mitificada, que não consegue desvincular-se das significações que interligam a mãe e a criança (ARCE, 2001, p.167).

Na esteira de Arce, Carvalho (1999) também aborda a questão da maternagem na docência, argumentando que o período do pós-guerra foi marcado por argumentos em defesa da mulher professora, onde à esta mulher é feito um apelo a sua “maternagem”, que tinha no cuidado sua maior expressão, o cuidar significaria amar. Já do amor paterno, não associado ao cuidado, ter-se-ia uma visão antinatural quando havia este vínculo estreito entre homens e crianças.

Foi no período do pós-guerra, de acordo com Carvalho (1999), que a noção de “cuidado” nos discursos educacionais também tomou outro sentido, o mercado de trabalho e a vida política, que eram o foco da sociedade brasileira, demandavam eficiência, competitividade, competência, técnica, racionalidade, desenvolvimento intelectual e cidadania, valores antes de tudo associados à masculinidade.

[...] seja a inserção econômica do sistema escolar, como nas teorias do capital humano, dominante nos anos 70 e nas teorias associadas à qualidade total e ao neoliberalismo nos anos 90; seja sua dimensão social e política, como nas teorias críticas que, nos anos 80, denunciaram o caráter reprodutor de desigualdades sociais para a cidadania, capaz de garantir a transmissão do conhecimento acumulado às camadas populares. Mesmo nas propostas mais recentes originárias da Psicologia, como é o caso daquelas derivadas do chamado construtivismo, a ênfase é colocada nas contribuições da Psicologia à compreensão dos processos cognitivos e do desenvolvimento intelectual e não nos processos integrais de formação da criança,

ficando em segundo plano o desenvolvimento afetivo e emocional (CARVALHO, 1999, p.94).

Mesmo com essas referências ao novo modelo de educação mais adequado ao momento, as professoras continuariam a transformar a escola em extensão de seu lar. Os traços femininos, como o carinho, a paciência, a compreensão e até mesmo o instinto maternal, eram defendidos tanto nas escolas primárias, quanto na educação de crianças pequenas, esta segunda mãe seria a representação de como deveria ser uma boa professora. Neste momento, as crianças carentes receberiam carinho e atenção desta professora, o que, entretanto, divergia do discurso pedagógico da época. Aragão (2013) trata desta questão relacionando as representações da mulher professora de hoje às representações da mulher professora no passado da docência primária no Brasil.

O predomínio da mulher no magistério também contribuiu, de acordo com alguns autores, para manutenção de salários mais baixos desta categoria e de sua proletarização, perda de controle e separação entre concepção e execução, intensificação do trabalho, como aponta Apple (1987) em Relações de Classe e de Gênero e de Modificações no Processo de Trabalho Docente. Arce (2001) apresenta a questão da faixa etária atendida pela Educação Infantil e do cuidado dispensado às crianças como sendo uma das causas do desprestígio do profissional da docência infantil. O termo “cuidado”, segundo Carvalho (1999), diz respeito de uma forma geral à prestação de serviços pessoais a outros e no sentido de carinho, atenção, empatia, proteção e compromisso com a comunidade, pode apresentar importantes contribuições para a feminização do magistério e também para a desvalorização da profissão docente.

2.3A tessitura social da mulher professora: as dimensões híbridas do cuidar e educar na

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