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Andelen av marginaliserte barn og unge som havner utenfor

3. Samfunnsøkonomisk analyse av kostnadene ved utenforskap

3.3 Andelen av marginaliserte barn og unge som havner utenfor

Este estudo teve como chão o curso de Licenciatura em Educação do Campo, (LeCampo) situado no âmbito da Faculdade de Educação da UFMG. O curso tem duração de quatro anos, tendo seus tempos e espaços sido organizados em Tempo Escola e Tempo comunidade, de modo que o primeiro é desenvolvido na instituição e o segundo nos locais de moradia dos alunos. Os 22 sujeitos12 de pesquisa são os estudantes do curso de Licenciatura em Educação do Campo, pertencentes à turma com habilitação em LAL, Línguas, Artes e

106 Literatura, ingressantes no ano de 2010. A escolha desta turma deve-se ao fato de que essa habilitação tem em sua especificidade a formação interdisciplinar por área do conhecimento, relacionando, assim, os conteúdos de Língua Portuguesa, Literatura e Artes. Essa turma cursava, no momento da coleta de dados, o Estágio Supervisionado da área de Artes, o que nos possibilitou o acompanhamento do processo de construção e reelaboração de suas práticas artísticas enquanto alunos e também enquanto docentes.

Para a coleta de dados proposta nesta pesquisa utilizamos três procedimentos complementares: Questionário semiestruturado (disponível no Apêndice 1), escolhido com a intencionalidade de mapear informações gerais a respeito dos sujeitos, análise do projeto do curso e entrevistas narrativas (Roteiro de entrevistas, disponível no Apêndice 2), com a intenção de recolher dados mais aprofundados a respeito da trajetória desses sujeitos com as práticas artísticas antes e depois de sua inserção no curso da FAE/UFMG.

O desenvolvimento e aplicação de questionários tomaram como referencial metodológico Markoni e Lakatos (1999, p.100), que definem o questionário como uma procedimento de coleta de dados, composto por perguntas agrupadas de acordo com o critério definido previamente pelo pesquisador. Optamos pela escolha de um questionário com formato não estruturado, composto de 20 questões, com a finalidade de obter informações a respeito do perfil dos alunos. Inserimos no questionário questões abertas, nas quais os participantes puderam elaborar suas respostas a respeito das experiências e informações das práticas artísticas.

As questões a respeito do perfil dos alunos foram construídas em torno dos seguintes eixos: nome, idade, sexo, endereço, email, participação em movimentos sociais e sindicais e motivação de ingresso na habilitação em língua, arte e literatura. Já as questões construídas em torno das práticas artísticas foram organizadas a fim de se perceber: participação e experiência do aluno em atividades artísticas, tipos de experiências artísticas desenvolvidas, contato dos parentes com práticas artísticas, local onde os alunos buscam as informações sobre arte, participação com a mística, experiências de arte nas aulas do LeCampo, práticas artísticas vivenciadas fora do horário de aulas e durante o tempo escola e experiências com a arte no desenvolvimento do estágio supervisionado de artes. O questionário foi aplicado no dia 07 de janeiro de 2014 e as informações coletadas também permitiram verificar as relações dos sujeitos com as práticas artísticas, fundamentando a construção do tópico inicial da entrevista narrativa. O procedimento de análise do Projeto Político Pedagógico do curso de Licenciatura em Educação do Campo FaE/UFMG utilizou como referencial Flick (2009), que apresenta a possibilidade dos documentos atuarem como mecanismos de comunicação, uma vez que o

pesquisador, ao optar pela utilização desse procedimento, deve “focalizar esses documentos enquanto um tópico de pesquisa: quais as suas características, em que condições específicas foram produzidos e assim por diante.” (FLICK, 2009, p. 233). O Projeto Político Pedagógico foi escolhido com o objetivo de perceber as características do curso de Licenciatura em Educação do Campo da FaE/UFMG, no que se refere, especificamente, à formação da área de Língua, arte e literatura. Assim, buscamos obter dados que permitissem uma análise das disciplinas, ementas, cargas horárias e organização do curso.

A opção da entrevista narrativa, enquanto procedimento de coleta de dados, foi feita a partir de Jovchelovitch e Bauer (2013) que consideram este um método de pesquisa qualitativa que permite uma compreensão mais aprofundada das informações oferecidas pelos sujeitos.

Ela é considerada uma forma de entrevista não estruturada, de profundidade, com características específicas. Conceitualmente, a ideia da entrevista narrativa é motivada por uma crítica do esquema de pergunta-resposta da maioria das entrevistas. No modo pergunta-resposta, o entrevistador está impondo estruturas em um sentido tríplice. a) selecionando o tema e os tópicos; b) ordenando as perguntas; c) verbalizando as perguntas com sua própria linguagem. (JOVCHELOVITCH E BAUER,2013, p.95).

Essa compreensão aprofundada é possível, pois “a narração reconstrói ações e contexto da maneira mais adequada ela mostra o lugar, o tempo a motivação e as orientações do simbólico do ator” (SCHÜTZE, 1977; BRUNER,1990), esses elementos são, sem dúvida, de grande importância para o desenvolvimento de um estudo na perspectiva da Teoria das Representações Sociais. Segundo Jovchelovitch e Bauer (2013) a entrevista narrativa deve ser organizada da seguinte forma:

Fases Regras

Preparação Exploração do campo

Formulação de questões exmanentes 1. Iniciação Formulação do tópico inicial para narração

Emprego de auxílios visuais 2. Narração central Não interromper

Somente encorajamento não verbal para continuar a narração Esperar os sinais de finalização(“coda”)

3. Fase de perguntas Somente “Que aconteceu então?”

Não dar opiniões ou fazer perguntas sobre atitudes Não discutir sobre contradições

108 Ir de perguntas exmanentes para imanentes

4. Fala conclusiva Parar de gravar

São permitidas perguntas do tipo “por quê?” Fazer anotações imediatamente depois da entrevista

Tabela 4: Fases principais da Entrevista Narrativa. Fonte: Jovchelovitch e Bauer (2013, p.97).

A partir dessas fases de organização da entrevista narrativa construímos nosso instrumento de coleta de dados. A busca pelo desenvolvimento de uma entrevista narrativa nesse contexto deveu-se ao fato da possibilidade de aprofundamento da experiência do sujeito.

Através da narrativa, as pessoas lembram o que aconteceu, colocam a experiência em uma sequência, encontram possíveis explicações para isso, e jogam com a cadeia de acontecimentos que constroem a vida individual e social. Contar histórias implica estados intencionais que aliviam, ou ao menos tornam familiares, acontecimentos e sentimentos que confrontam a vida cotidiana normal. (JOVCHELOVITCH e BAUER, 2013, p. 91).

Essa definição da entrevista narrativa coloca-nos diante da sua utilização no campo da Teoria das Representações Sociais. O desenvolvimento de uma narrativa que torne familiar os elementos confrontados no cotidiano vai de encontro ao movimento das representações sociais proposto por Moscovici (2012), que coloca a construção das representações sociais a partir da tentativa de tornar familiar um objeto estranho. Isto posto, trazemos o alinhamento de nosso procedimento metodológico ao referencial teórico metodológico escolhido. Além disso, percebemos que a entrevista narrativa possibilitou uma variedade temática que foge da estruturação mantida e construída pelo entrevistador, obtendo, assim, uma fonte mais autêntica de dados uma vez que mantém a sequência e a escolha dos fatos a serem narrados a partir do ponto de vista do entrevistado.

Para a presença de tal autenticidade na narrativa, é necessário que se estabeleça um contato prévio que permita o desenvolvimento de confiança do entrevistador com o pesquisado. Esse contato, durante a entrevista narrativa, pressupõe, segundo Jovchelovitch e Bauer (2013), uma aproximação do pesquisador com os pesquisados, a fim de preparar uma exploração do campo a ser pesquisado com a formulação de questões exmanentes que criem familiaridade do pesquisador com o campo.

Essa aproximação foi possível, uma vez que me encontro vinculada como bolsista no curso de Licenciatura em Educação do Campo, atividade que me permite o contato com os alunos em diversas atividades culturais e acadêmicas do curso. Todas as 22 entrevistas

narrativas foram realizadas no primeiro Tempo Escola de 2014, entre os dias 10 de janeiro a 08 de fevereiro de 2014. A escolha do tópico inicial foi feita observando que na entrevista narrativa parte-se da necessidade do sujeito discorrer sobre acontecimentos reais vivenciados. Então, partimos da experiência das práticas artísticas em toda a trajetória do sujeito, de forma a ativar o esquema de histórias dos entrevistados a respeito de suas experiências prévias, suas experiências de arte apreendidas durante o curso e as propostas no estágio de arte em suas comunidades.

Segundo (JOVCHELOVITCH e BAUER, 2013, p.98) “o tópico inicial deve representar o interesse do pesquisador.”. Por se tratar das práticas artísticas, esperava-se que os acontecimentos que detalham sua experiência elencassem também as suas práticas, seja enquanto artista, seja enquanto fruidor e também enquanto professor, mostrando o desenvolvimento e a alteração dessas práticas durante o curso de licenciatura em Educação do Campo. Após o desenvolvimento da narrativa central pelos alunos, chegou-se à ‘fase de perguntas da entrevista, na maioria das vezes, pedimos maior aprofundamento na “relação dos entrevistados com as práticas artísticas” e também na influência dos conhecimentos artísticos adquiridos no curso em suas práticas artísticas. Na fase de fala conclusiva, desenvolvemos perguntas do tipo “por que”, embora as respostas não fossem gravadas. Pretende-se aqui questionar o “porquê da escolha de determinadas linguagens e tipos artísticos” nas práticas de ensino de arte do estágio.

O primeiro passo na análise dos dados é, segundo Jovchelovitch e Bauer (2013), o processo de transcrição das entrevistas, que deve ser detalhado, a fim de priorizar a qualidade do material. “A transcrição, por mais cansativa que seja, é útil para se ter uma boa apreensão do material, e por mais monótono que o processo de transcrição possa ser, ele propicia um fluxo de ideias para interpretar o texto” (JOVCHELOVITCH E BAUER, 2013, p.106). Dessa forma, ao invés de optar pela contratação de um profissional de transcrição, optamos pela realização das transcrições, desenvolvendo este trabalho entre 10 de fevereiro de 2014 a 08 de março do mesmo ano.

Após transcrever os dados, o tratamento deles foi desenvolvido a partir da categorização, tomando como referência a Análise temática proposta por Bardin (2009). Para Bardin, “fazer uma análise temática consiste em descobrir os núcleos de sentido que compõem a comunicação e cuja presença ou frequência de aparição pode significar alguma coisa para o objectivo escolhido” (BARDIN 2009, p.131). Sendo assim, buscou-se com a Análise temática estabelecer a categorização de informações para os eixos temáticos determinantes da pesquisa, a fim de compreender as semelhanças e dissonâncias apresentadas no discurso dos participantes

110 entrevistados. Durante o processo de análise, elencamos três categorias fundamentais para o entendimento das práticas artísticas dos sujeitos desenvolvidas em diferentes tempos e espaços formativos: Experiências Prévias, Práticas Artísticas no Tempo Escola e Estágio de Artes. Em cada uma dessas categorias pode-se observar diferentes posicionamentos, que quando analisados, deram pistas para a compreensão do movimento de construção das Representações Sociais dos educandos sobre as Práticas Artísticas.

No que se refere à associação das Representações Sociais com a Análise temática enquanto técnica de análise dados, Sá (1998, p.86) destaca esta associação como tradicional, apelidada de “Romeu e Julieta”, devido à preferência nas buscas metodológicas que utilizam as Representações Sociais como aporte teórico.

Para manter a ética neste trabalho, substituímos os nomes dos sujeitos por pseudônimos. A definição de quais pseudônimos utilizar foi feita a partir da busca dos nomes próprios registrados com maior recorrência no Dicionário de nomes Próprios, disponível no endereço eletrônico: http://www.dicionariodenomesproprios.com.br/top-brasil/ . Desse modo, foram utilizados os seguintes pseudônimos: Alice, Amanda, Ana, Beatriz, Bruna Camila, Enzo, Fernanda, Giovana, Guilherme, Júlia, Juliana, Larissa, Laura, Letícia, Luana, Lucas, Manuela, Mariana, Sofia e Yasmin.

CAPÍTULO 3. TEMPOS E ESPAÇOS DA CONSTRUÇÃO DAS REPRESENTAÇÕES