• No results found

Andelen i aldersgruppen 62–66 år som har fortsatt ett år i jobb Fordelt på sektor

4 Yrkesaktivitet blant den eldre befolkningen

4.3 Andeler som fortsetter i arbeid i aldersgruppen 62 år og eldre

4.3.3 Andelen i aldersgruppen 62–66 år som har fortsatt ett år i jobb Fordelt på sektor

Os serviços que se encontram melhor documentados e quantificados, para o ecossistema florestas do sector do Ngove; são também alguns dos mais importantes em termos ecológicos, económicos e culturais; destacando-se os serviços de suporte de biodiversidade, de produção de biomassa para energia, de cogumelos e de outros recursos não lenhosos, de regulação do CO2 atmosférico e do fogo e ainda o património natural e cultural e o bem-estar proporcionado pelos espaços verdes na cidade.

Serviços de suporte

Os serviços de suporte dizem respeito aos processos necessários ao fornecimento dos restantes serviços do ecossistema. Incluem, por isso, aspectos inerentes ao próprio ecossistema e fundamentais para o seu funcionamento. Os ecossistemas florestais são responsáveis pela formação de solo e pela sua conservação. Os sistemas florestais são fundamentais nos ciclos biogeoquímicos do azoto, fósforo e carbono. Estes ciclos disponibilizam nutrientes indispensáveis ao crescimento das plantas (produtividade) e circulam energia assegurando o funcionamento e diversidade dos ecossistemas. As florestas são ainda fundamentais no movimento horizontal de nutrientes, onde desempenham um papel de fonte de fertilidade de que dependem outros sistemas presentes, como os sistemas agrícolas (Aguiar et al., 2009; Aguiar e Azevedo, 2011). O conhecimento mais profundo relativo aos serviços de suporte das florestas do sector do Ngove diz respeito à biodiversidade. A biodiversidade é um componente fundamental dos sistemas ecológicos estando relacionada com a sua produtividade e estabilidade. Reduções de diversidade afectam a produtividade geral dos sistemas ecológicos e tornam-nos mais vulneráveis a factores de stress (clima, perturbações, espécies invasoras) limitando assim a sua capacidade para o fornecimento desse serviço. O conceito de biodiversidade inclui frequentemente 3 níveis: diversidade de habitats ou ecossistemas, diversidade de espécies e diversidade genética. Ao nível dos habitats, a diversidade é forçosamente abordável à escala da região. A região do Ngove apresenta uma diversidade muito baixa de floresta natural, apesar da sua extensa área.

Serviços de produção

Segundo Garcia et al (2006), os serviços de produção dizem respeito aos benefícios resultantes da recolha/exploração ou utilização de bens produzidos pelos ecossistemas, tais como alimentos, água, madeira, lenha, fibras, cogumelos ou plantas medicinais. São serviços habitualmente com valor económico e comercializável.

Apesar de ser notório algum crescimento da actividade florestal relacionado com a dinâmica da pressão exercida pelas comunidades aos recursos florestais existentes, destaca-se como principal actividade económica e com maior expressão no momento, a recolha da lenha para o aquecimento doméstico ou confecção de alimentos e o fabrico do carvão vegetal como produto de alto valor comercial em grandes centros urbanos. Embora efectuada com intensidade relativamente alta, esta actividade parece ter elevada importância económica e social em função de uma procura bastante elevada.

A utilização de lenha para energia no sector do Ngove é muito significativa, representando 99% da energia primária utilizada. Cálculos genéricos permitem avaliar, por exemplo, que apenas com base na produção anual das florestas existentes na região, não é possível garantir a satisfação de toda a procura energética da actividade doméstica, desde que desenvolvam projectos de implementação local no âmbito do povoamento e repovoamente florestal comunitário em áreas desflorestadas, reforçando as capacidades da administração local em garantir a sustentabilidade deste recurso vital que depende o meio de vida de muitas famílias camponesas.

Azevedo et al., (2011a), considerando a redução da floresta nesta região pela desflorestação ou queimadas, resultante de abertura de novos campos agrícolas e a possibilidade de realizar investimentos pontuais na utilização de sistemas de conversão e distribuição eficaz de energia, é possível que a matriz energética da região possa assentar no incentivo ao repovoamento florestal comunitário, aumentando a quantidade de biomassa florestal e, desta forma, contribuir para a independência energética da região e para o seu desenvolvimento.

Os cogumelos silvestres são hoje, um produto não lenhoso de maior importância económica nas florestas da região. E correspondendo a uma elevada procura nos principais mercados locais e em áreas urbanas na capital da Província e nos grandes centros de comércio do país. Desenvolveu-se uma forte actividade de recolha e

comercialização de cogumelos silvestres comestíveis; embora geralmente complementar às actividades económicas principais, esta actividade proporciona às famílias rurais rendimentos interessantes que de certa forma ajudam a reduzir a pobreza e combater a fome nas comunidades rurais (Garcia et al., 2006).

O potencial de expansão da actividade económica relacionada com os cogumelos silvestres é, contudo, baixo considerando que algumas fases de uma provável fileira se encontrar de forma geral ausentes na região. Os cogumelos constituem, por outro lado, um recurso alimentar muito interessante pelo teor em substâncias com propriedades nutricionais, nutracêuticas e antioxidantes que possuem, actualmente valorizadas pelos mercados, e que começam agora a ser detalhadamente avaliadas (Barros et al., 2008; Queirós et al., 2009).

Serviços de regulação

Segundo Costanza et al,. (1997), resultam da regulação pelos ecossistemas de processos e propriedades fundamentais para a existência da vida e das sociedades. Incluem, por exemplo, a regulação da qualidade do ar, do clima, da qualidade e regularidade da água superficial, e da ocorrência e propagação de perturbações. Parte da regulação da composição da atmosfera e do clima é influenciada pelos ecossistemas através do balanço entre o sequestro de dióxido de carbono efectuado pela vegetação e pelo solo. O carbono da atmosfera é sequestrado por fotossíntese sendo fixado na biomassa lenhosa viva e morta das florestas onde fica retido na sua maior parte. Da vegetação viva, uma parte do carbono é incorporado no solo na forma de matéria orgânica fazendo dos solos florestais grandes sumidouros de carbono com um papel fundamental na dinâmica do dióxido de carbono, um dos principais gases com efeito de estufa. A libertação de carbono pelos ecossistemas florestais pode ser gradual, através da respiração das árvores e microrganismos do solo, ou instantânea, por acção de perturbações como o fogo. As áreas florestais (e o planeamento e gestão das florestas, por conseguinte) são da maior importância neste contexto, uma vez que aspectos fundamentais como selecção de espécies, estrutura horizontal e vertical dos povoamentos, regularidade e intensidade das práticas de controlo da vegetação arbustiva e arbórea, dimensão dos povoamentos e tipos de adjacências têm implicações no fogo, nomeadamente no seu comportamento, regime e regulação. A redução dos espaços florestais e de áreas de matos resultantes da não implementação das políticas florestais em vigor no país e a redução drástica da

actividade agricola no sector do Ngove, tem-se constituído de uma forma que parece favorecer os fogos florestais o que poderá afectar negativamente os serviços de ecossistema no futuro (Costanza et al,. [1997]).

Serviços culturais

Segundo Carvalho (2010), os serviços culturais referem-se aos benefícios não materiais que as sociedades obtêm dos ecossistemas, incluindo a sua apreciação estética e emocional e o património natural que estes contêm.

O mesmo autor faz referencia, que, a biodiversidade em geral e os sistemas florestais em particular possuem um elevado valor de não uso derivado das várias dimensões que neles é possível considerar, seja a estética, religiosa, científica, educacional ou outra. O reconhecimento destes tipos de valores pelas sociedades contemporâneas permitiu, principalmente ao longo do século passado, atribuir à natureza um valor patrimonial, da mesma forma que é atribuído ao património construído, histórico, arquitectónico ou outro. Esta dimensão cultural da natureza desta região em estudo, pressupõe uma ligação identitária entre a natureza e a sociedade a uma determinada escala (que, de acordo com o significado ou escala de valor dos elementos naturais pode ser considerada local). Implica, por outro lado, a sua consideração como bem comum e a necessidade da sua conservação, perpetuação e transmissão para as gerações futuras. A sabedoria popular relacionada com os usos das plantas, conhecimento construído ao longo de milhares de anos com base na recolha, experimentação, utilização e cultivo das plantas silvestres, isto é um dos aspectos imateriais mais notáveis das florestas da região e um serviço cultural de grande relevância. Como referido anteriormente, são inúmeras as plantas utilizadas com fins medicinais, veterinários, ornamentais, religiosos e outros, mais de metade das quais provenientes de habitats silvestres; o saber relativamente a esta flora e ao seu uso, frequentemente referido como conhecimento ecológico tradicional, tem sido transmitido intergeracionalmente de forma oral, permitindo a sobrevivência deste património até ao presente (Carvalho, 2010)

METODOLOGIA

Descrição da Área de Estudo

A província do Huambo situa-se na Zona Agrícola 24, de acordo com a classificação da Missão de Inquéritos Agrícolas de Angola (MIAA), o Planalto Central, em grande parte situada a uma altitude acima dos 1.500 m. O clima é do tipo tropical húmido modificado pela altitude caracterizado por duas estações bem definidas: a estação chuvosa que vai de finais de Setembro a Abril e a estação seca que vai de princípios de Maio até Setembro. Ao longo da estação chuvosa é frequente a ocorrência de um curto período seco (pequeno cacimbo), que nos últimos anos tem-se prolongado para mais de duas semanas. Os valores da precipitação oscilam entre 1.100mm a S-SW e 1.400 mm no topo planáltico centro- oeste (Diniz, 1973). O tipo de vegetação predominante é a floresta aberta vulgarmente conhecida por mata de panda.

A rede hidrográfica da província é bastante significativa, destacando-se as bacias hidrográficas do Queve, Cunene e Cubango. Essas bacias oferecem enormes potencialidades energéticas e de regadio, além das riquezas que apresentam em recursos piscatórios.

A província do Huambo é uma das regiões de Angola com sérios problemas ambientais relacionados, sobretudo com a degradação dos solos e a destruição dos espaços florestais. O

3

problema dos solos do Huambo é essencialmente estrutural; é que estes são maioritariamente ferralíticos, denotando fraca reserva mineral e baixo teor de matéria orgânica e isso explica a sua baixa fertilidade, ao contrário das opiniões veiculadas através do senso comum segundo as quais as terras do Huambo são férteis. A este respeito, vale a pena sublinhar que estudos científicos realizados no período colonial já permitiram concluir que a região do Planalto Central não era nem tinha condições para ser, o celebrado celeiro de Angola (Pacheco, 2003). Além deste aspecto característico dos solos do Huambo, acresce-se ainda a utilização intensiva das áreas de cultivo face ao aumento da pressão demográfica, conforme já se fez notar no ponto anterior.

O município da Caála tem uma superfície de 3.680 quilômetros quadrado e a sua população está estimada em 191.972 habitantes.

O sector do Ngove, situa-se a sudoeste da Província do Huambo, cerca 85 Km da sede do Município da Caála, com uma população estimada em 3948 familias; corresponde à superfície planáltica, também conhecida de planalto central, em grande parte situada acima da curva de nível dos 1500m.

Esta região, enquadra-se na zona tropical de alternância de climas húmidos e secos, mas atendendo à altitude a que se encontra, com uma temperatura média anual oscilando entre os 19ºC e os 20ºC poderá considerar-se como um clima temperado quente. Segundo a classificação de Thornthwaite, toda a superfície fica envolvida em climas húmidos e mesotérmicos; na classificação de Koppen é do tipo climático Cwb (clima temperado com inverno seco e verão quente). A estação chuvosa, em coincidência com a época quente, tem uma duração média de cerca de sete meses, subindo um pouco acima deste período na metade norte e decrescendo na metade sul, com início a fins de Setembro e prolongando-se até meados ou mesmo fins de Abril. Para grande parte da área, o mês mais pluvioso é Dezembro e o que menos vezes chove é o mês de Março. A agricultura é a principal actividade desta comunidade, que perante um reduzido nível de fertilidade intrínseca dos solos e um condicionalismo ecológico pouco favorável às culturas usualmente praticadas, base da sua subsistência (milho, feijão, batata-rena e horticolas), souberam tirar partido do meio e das diversas situações fisiográficas que o mesmo lhe oferece.

No aspecto florestal é de referir que a mata natural, que primitivamente ocupava todas as zonas morfológicas com excepção das superfícies mal drenadas, cedeu lugar, em grande parte, a comunidades vegetais savanizadas, por influência da ocupação humana. As áreas ainda preservadas da floresta aberta, revestindo por vezes extensões importantes, assinalam-se nos locais rarefeitos ou de escassa população, principalmente nas áreas com alguma elevação. Todavia, em estudos efectuados recentemente, poder- se-á considerar de uma maneira geral a formação de toda esta área de relativo pouco interesse económico”, principalmente devido à enorme dispersão de espécies interessantes e face à exagerada quantidade de outras de valor secundário, que constituem a maior parte dos povoamentos.

Os solos Ferralíticos, constituem o mais destacado desses conjunto pedológicos,

considerando-se como solos zonais ou climáticos, isto é, aqueles em que a ferralização, perante condições de relevo geral suavizado e estabilizado, mais permitindo livre escoamento de águas, se manifesta no mais elevado grau como processo normal de génese e evolução do solo, independentemente da natureza da rocha-mãe. Na verdade em toda a extensão da superfície planáltica e ao nível da grande unidade pedológica, os solos Ferralíticos são largamente dominantes, relacionando-se com as mais diversas formações geológicas nelas representadas, desde as rochas cristalinas às sedimentares, consolidadas ou não. Todavia para além desta característica zonal, é manifesta a existência duma notável correlação dos solos com os materiais rochosos subjacentes ou o material originário que deles deriva.

Figura 11 – Mapa do Huambo